Israel cobra Lula outra vez e vê comparação com Holocausto como "promíscua"
20/02/2024 16:25 - Atualizado em 20/02/2024 16:28
Presidente Lula
Presidente Lula / Foto:José Cruz/ Agência Brasil
A crise instalada entre os governos de Israel e Brasil segue sendo marcadas por novas cobranças após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comparar a ação israelense em Gaza, na Palestina, ao Holocausto —o extermínio de judeus na Segunda Guerra Mundial. O ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, que já vinha se manifestado publicamente contra a declaração fez um post em português nas redes sociais, nesta terça-feira (20), classificando a comparação do petista como “promíscua e delirante”, e reafirmou que Lula “continuará sendo persona non grata em Israel” até que se desculpe.
Aumentando a tensão, o Brasil pediu nesta terça à Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, nos Países Baixos, que declare como ilegal a ocupação dos territórios palestinos por forças militares de Israel. Para o Brasil, a ocupação, que dura desde 1967, viola as leis internacionais e o direito à autodeterminação do povo palestino. “O Brasil espera que o tribunal reafirme que a ocupação israelense dos territórios palestinos é ilegal e viola obrigações internacionais por meio de uma série de ações e omissões de Israel”, afirmou a representante do Brasil em Haia, Maria Clara de Paula Tusco.

A nova declaração Katz ocorre um dia depois dele mesmo já ter afirmado em pronunciamento em hebraico ao lado do embaixador brasileiro em Israel, Frederico Meyer, que Lula é “persona non grata”. Na postagem em português nesta terça ele reforçou o seu repúdio:
— Presidente do Brasil @LulaOficial, milhões de judeus em todo o mundo estão à espera do seu pedido de desculpas. Como ousa comparar Israel a Hitler? É necessário lembrar ao senhor o que Hitler fez? Levou milhões de pessoas para guetos, roubou suas propriedades, as usou como trabalhadores forçados e depois, com brutalidade sem fim, começou a assassiná-las sistematicamente. Primeiro com tiros, depois com gás. Uma indústria de extermínio de judeus, de forma ordeira e cruel.
O ministro também voltou as defender a ação em Gaza: “Israel embarcou numa guerra defensiva contra os novos nazistas que assassinaram qualquer judeu que viam pela frente. Não importava para eles se eram idosos, bebês, deficientes. Eles assassinaram uma garota em uma cadeira de rodas. Eles sequestraram bebês. Se não tivéssemos um exército, eles teriam assassinado mais dezenas de milhares (...) Que vergonha. Sua comparação é promíscua, delirante. Vergonha para o Brasil e um cuspe no rosto dos judeus brasileiros. Ainda não é tarde para aprender História e pedir desculpas. Até então - continuará sendo persona non grata em Israel!”.
Mais de 24 mil pessoas já morreram no conflito entre Israel e Hamas, que começou no início de outubro de 2023, após o grupo terrorista ter invadido o território israelense.
Não há, até o momento, qualquer sinalização que o governo Lula pedirá desculpas publicamente.
As declarações
O presidente Lula classificou como “genocídio” e “chacina” a resposta de Israel na Faixa de Gaza aos ataques terroristas promovidos pelo Hamas no início de outubro. Ele comparou a ação israelense ao extermínio de milhões de judeus pelos nazistas chefiados por Adolf Hitler no século passado. “O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus”, disse Lula.
Ele fez a comparação, no último fim de semana, após ser questionado sobre a decisão de alguns países de suspender repasses financeiros à Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês). As declarações foram dadas durante entrevista em Adis Abeba, na Etiópia, onde participou nos últimos dias da 37ª Cúpula da União Africana e de reuniões bilaterais com chefes de Estado do continente.
*Com informações do G1 e Agência Brasil

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