Presidida pelo então vereador Jorginho Virgilio, a CPI, que visa o reembolso de mais de meio bilhão de reais, foi encaminhada ao TCE logo após a conclusão do relatório final.
Após análise feita pela conselheira e relatora da ação Andrea Siqueira Martins, outros quatro conselheiros seguiram o voto dela pelo acolhimento da representação e aprofundamento da apuração de irregularidades em contratos do Fundecam, provenientes de empréstimos, não quitados, feitos com dinheiro dos royalties entre 2002 e 2016.
Na decisão, proferida no fim do ano passado e comunicada à Câmara na última semana, a conselheira determina que a Prefeitura preste esclarecimentos sobre as possíveis fraudes e revela ter tido o reforço do Ministério Público Especial, representado pelo Procurador-Geral Sergio Paulo de Abreu Martins Teixeira.
Assim como já havia ocorrido por meio da 2ª Promotoria de Tutela Coletiva em Campos, comanda pelo promotor Marcelo Lessa Bastos, o trabalho feito pela CPI do Fundecam também foi elogiado pelo TCE.
"O zeloso corpo instrutivo, em instrução datada de 18/11/2019, após percuciente exame das peças que compõem o presente feito, ressalta a necessidade de comunicar o atual Prefeito Municipal de Campos dos Goytacazes, a fim de que encaminhe a esta Corte informações necessárias", cita a conselheira na decisão.
Diante disso, a relatora Andrea Siqueira determina que sejam feitos esclarecimentos quanto "ao chamamento dos gestores públicos responsáveis pela administração do Fundo nos exercícios de 2002 a 2016, para apresentação de documentos e justificativas acerca dos fatos noticiados na peça que inaugura o presente processo, e à apuração de eventual dano ao erário".
"Para a gente é muito gratificante essa decisão do TCE, porque tínhamos certeza, diante de todo robusto trabalho, que esse descaso de anos com o dinheiro público tem que resultar em punição aos cuplados. Para os que falam que a CPI não ia dar em nada, taí a resposta", disse o propositor e presidente da CPI, Jorginho Virgilio.
O ex-vereador destaca que foram seis meses de muito trabalho com a colheita de vários documentos e depoimentos que foram gravados e entregues ao TCE.
"Demos a nossa contribuição que já está tendo o seu desdobramento e sendo elogiada. Não foi um trabalho de perseguição a nenhum ente político, empresário ou funcionário público. A perseguição, a todo o momento, foi ao dinheiro que faz muita falta a nossa cidade”, disse Jorginho Virgilio.
Para o advogado Willian Machado, que integrou a equipe técnica do Fundecam, a decisão mais uma vez mostra que todo trabalho feito pelos integrantes da CPI começa a apresentar os seus resultados:
“Na ocasião em que fui convidado para coordenar o departamento jurídico da CPI do Fundecam, recebi do então vereador Jorginho Virgilio a clara recomendação de que os trabalhos deveriam ser conduzidos de forma técnica e pautados na legalidade".
Investigação da CPI também na PF, MPF e MPE.
O relatório final da CPI do Fundecam foi encaminhado também à Procuradoria da República em Campos (MPF), Delegacia de Polícia Federal e ao MP em Campos
"Nós enviamos tudo para cada órgão de controle, o relatório final, cópias dos contratos das empresas devedoras, um pendrive com a oitiva de todas as pessoas que foram ouvidas. Toda documentação final, juntando tudo, da uma média de 3 mil páginas", informou Jorginho.
No MP, o promotor Marcelo Lessa já determinou que outras promotorias analisassem o material enviado pela CPI, inclusive a de Investigação Penal, tendo em vista a possibilidade da prática de crime contra a administração pública.
Além de Jorginho, que presidiu a CPI, fizeram parte da comissão o vereador Silvinho Martins, e os ex representantes do Legislativo, Abu, Luiz Alberto Neném e Paulo Arantes. Formada ainda por uma equipe técnica formada por dois advogados e um economista, a CPI interrogou mais de dez pessoas.
