Janderson Chagas
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Divulgação
Denunciado pelo Ministério Público por roubo a mão armada no dia do primeiro turno das eleições municipais, o vereador Janderson Chagas (DEM), de Quissamã, alegou perseguição política e afirmou que agiu após sentir ameaça à sua integridade física e da família. O parlamentar é policial militar reformado e, no dia 15 de novembro do ano passado, foi filmado com uma arma em punho abordando dois homens que estariam fotografando possíveis cenas de compra de votos. A ação aconteceu na praça principal do município e as imagens também o mostram saindo com celulares, documentos e uma câmera fotográfica do local.
Em nota, o vereador disse que um veículo desconhecido estava estacionado na rua da sua casa, intimidando sua família. "Os fatos que fundamentam o Juízo no acolhimento da denúncia tiveram motivação política, na medida em que a ocorrência na Praça Matriz foi a conclusão de uma série de acontecimentos que podem ser caracterizados como perseguição e ameaça à minha integridade física e à segurança da minha família. Ocorre que, naquele mesmo dia, ainda pela manhã, um veículo desconhecido estava estacionado em frente à minha residência, deixando a minha família intimidada. Ao tentar abordar os ocupantes do veículo, os mesmos fugiram, deixando meus familiares ainda mais amedrontados, solicitando que eu permanecesse em casa pois temiam que eu viesse a sofrer um atentado".
Janderson afirmou que comunicou o caso à Polícia Militar e à 130ª Delegacia de Quissamã. "Ainda pela manhã, essa situação foi por mim comunicada ao Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) da Polícia Militar de Quissamã e registrada na 130ª Delegacia de Polícia, cabendo ressaltar que os fiscais do TRE também comunicaram no DPO recebimento de denúncia, na noite anterior, sobre movimentação suspeita do mesmo veículo".
O texto enviado pelo vereador termina dizendo que fez a abordagem ao veículo onde os dois homens estavam por medo de sofrer algum atentado. "Após realizar o registro na delegacia, ao perceber que estava sendo seguido pelo mesmo veículo desconhecido e temendo contra a minha vida, fiz a abordagem na condição de policial militar, mesmo estando na reserva, conforme as normas de abordagem da corporação, e solicitei apoio local à Polícia Militar. Na ocasião, solicitei documentos e acautelei equipamentos de fotografia até a chegada dos fiscais do TRE, aos quais entreguei o material em questão. Em seguida, procedemos todos à delegacia, onde foi registrada uma nova ocorrência. Em que pese a narrativa do Ministério Público, é essa a verdade que será demonstrada ao longo do processo".
DENÚNCIA
A Justiça de Quissamã acatou a denúncia do Ministério Público e tornou o vereador Janderson Chagas (DEM) réu por roubo a mão armada, falsidade ideológica e ameaça contra dois homens no dia do primeiro turno das eleições municipais, em 15 de novembro.
Os dois homens abordados por Janderson eram ligadas ao grupo político do ex-prefeito e candidato derrotado no último pleito Armando Carneiro (PSC), que estariam fotografando suspeitas de compra de votos, segundo o MP. O policial reformado também atuou como coordenador de Segurança Pública no governo da prefeita reeleita Fátima Pacheco (DEM) e disputou a eleição da Mesa Diretora da Câmara como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Fabinho Mecânio (Republicanos). Apesar do apoio do Executivo, o grupo foi derrotado por seis votos a cinco para a chapa que teve Marcinho Pessanha (MDB) na liderança.
“Os crimes foram cometidos com a intenção de assegurar a ocultação de outro(s) crime(s), já que as vítimas haviam sido contratadas pela coligação partidária rival ao partido do ora denunciado para fotografarem situações de boca de urna e compra de votos praticados pelos correligionários do ora denunciado. Assim sendo, o ora denunciado praticou as condutas com o propósito de livrar-se do material até então coligido pelas vítimas”, destacou a promotora Gláucia Rodrigues Mello em um trecho da denúncia.
Em outro trecho, o MP também citou que o ato de Janderson colocou em risco a vida de várias pessoas. “Vale ressaltar que os atos tiveram lugar na principal praça da cidade de Quissamã, próximo à Prefeitura, no dia das eleições municipais de 2020, quando a praça pública estava completamente lotada de populares. Apesar disso, o ora DENUNCIADO, então candidato a vereador, não se acanhou em empunhar sua arma de fogo, colocando em risco a vida de dezenas de pessoas que por ali se aglomeravam para assistir a sua conduta”.