Pesquisa propõe ensino de teatro para potencializar habilidades de alunos autistas
Folha1 22/01/2021 15:26 - Atualizado em 23/01/2021 09:21
Roberta Alves tem filho autista e foi aprovada com TCC inclusivo
Roberta Alves tem filho autista e foi aprovada com TCC inclusivo / Acervo pessoal
“Ouvir com outros olhos: assimilações de inclusão da pessoa autista na educação a partir de jogos teatrais”. Este o título de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da Licenciatura em Teatro do Instituto Federal Fluminense (IFF), em Campos, apresentado em dezembro pela formanda Roberta Alves, atriz conhecida no meio artístico como Bec Flor. Com orientação do professor Mateus Gonçalves, ela abordou em sua pesquisa a forma como o teatro pode ajudar alunos autistas a desenvolverem suas habilidades em sala de aula.
— A prática ativa do professor/professora permite que o estudante no espectro autista seja respeitado, incluído e valorizado. Os jogos teatrais permitem ainda que os autistas desenvolvam habilidades, diminuindo as dificuldades e o preconceito dentro da sala de aula. Por meio dos jogos teatrais improvisacionais se trabalham algumas das principais dificuldades apresentadas por pessoas nessa condição, como a flexibilidade na imaginação, interação social e comunicação — disse Roberta, que tem um filho autista, exatamente o que a motivou a desenvolver esta linha de pesquisa. — Toda pessoa possui suas próprias características, habilidades e dificuldades singulares, não sendo diferente com estudantes autistas — pontuou.
Durante a construção do TCC, Roberta desenvolveu com estudantes do Colégio Pró-Uni jogos teatrais de improviso metodizados pela autora e diretora teatral Viola Spolin.
Segundo dados do Censo Escolar de 2018 divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 105.842 crianças e adolescentes matriculados em escolas das redes pública e privada possuem o Transtorno de Espectro Autista (TEA) e, na maioria das vezes, dividem o mesmo espaço de aprendizagem com estudantes não autistas. Na visão de Roberta, a educação no Brasil precisa de um processo de evolução para desenvolver o aluno autista de forma ampla.
— Ainda hoje, as informações a que se tem acesso são extremamente equivocadas, fomentando o capacitismo. Espera-se que a escola contribua na formação do estudante como cidadão/cidadã consciente de seus direitos e deveres na perspectiva de tornar a sociedade mais justa, uma vez que existe um aumento significativo de discentes autistas inseridos no contexto escolar nos últimos tempos. Nesse novo cenário, a escola precisa promover a construção de valores éticos, a formação de cidadãos/cidadãs conscientes e críticos, de pessoas que saibam participar da vida comunitária e que dão valor ao bem-estar pessoal e coletivo, atuando na construção de um mundo melhor e fundamentado na inclusão. Essa ainda não é a realidade da educação no Brasil — lamentou.
Aprovada, Roberta teve sua banca examinadora composta pelas professoras Takna Formaggini e Letícia Santetti, além do orientador Mateus Gonçalves. Também foram apresentadas pesquisas intituladas “A contribuição do artista Drag Queen para as artes da cena: uma poética de corpos desviantes”, com autoria de Vitor Belém Inácio, e “A formação do ator indiano Kathakali e o teatro na escola: breve estudo e reflexões”, esta desenvolvida pela estudante Raquel Andrade. Todas as apresentações aconteceram em videoconferência devido à pandemia da Covid-19. (A.N.) (M.B.)

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