Torcedor do Flamengo desde a infância, o jornalista e escritor campista Péris Ribeiro receberá uma homenagem póstuma do clube do coração. Uma foto de Péris vestindo a camisa rubro-negra será exibida no telão do estádio no próximo domingo (27), antes da partida contra o Atlético Mineiro, às 20h30, pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Esta não será a primeira homenagem pública a Péris Ribeiro fora da sua cidade natal. Nessa segunda-feira (21), seu falecimento foi mencionado pelo jornalista Marcelo Barreto durante o programa "Redação", do canal televisivo SporTV. Amigo de Péris, o também jornalista José Trajano, fundador da ESPN Brasil, usou o Instagram para lamentar a sua partida no domingo. Nesta terça (22), Trajano foi um dos convidados do programa "Folha no Ar", da rádio Folha FM 98,3, que teve uma edição especial com relatos de jornalistas que conviveram e/ou foram foram incluenciados por Péris.
Com mais de 50 anos de atuação no jornalismo esportivo, Péris Ribeiro morreu na noite do último domingo (20), aos 80 anos, em Campos. Ele estava internado no Hospital Dr. Beda II, onde tratava pneumonia e um quadro de água na pleura. Durante a carreira, Péris trabalhou nos jornais "A Notícia" e Folha da Manhã, em Campos, tendo se destacado nacionalmente na revista "Placar", a principal do jornalismo esportivo no Brasil. Como escritor, publicou três edições do livro "Didi, o gênio da Folha-Seca", biografia do campista Didi, bicampeão mundial pela Seleção Brasileira. Também escreveu "O Brasil e as Copas" e "Em Cima do Lance", além de ter deixado o livro póstumo "Mensagens da Bola", a ser publicado em parceria com o radialista Elso Venâncio.
Morreu na noite deste domingo (20) um expoente histórico da imprensa de Campos. Biógrafo do também campista Didi, o jornalista esportivo Péris Ribeiro tinha 80 anos e foi a óbito no Hospital Dr. Beda II, onde estava internado desde o último dia 12, tratando uma pneumonia e um quadro de água na pleura. Casado com Graça Jóia Mota, ele não teve filhos, mas deixa órfãs várias gerações da comunicação goitacá, que tanto beberam do seu vasto conhecimento e se alimentaram da impressionante memória, capaz de vencer até um Acidente Vascular Cerebral (AVC), em 2004. O velório acontece na capela do cemitério do Caju, onde será realizado o sepultamento, às 16h desta segunda-feira (21).
Com mais de 50 anos no jornalismo, José Peres Pinto Ribeiro afirmava que escolheu a crônica esportiva por paixão e vocação. Uma vocação, aliás, que não demorou a ser reconhecida. Péris estreou no extinto jornal "A Notícia" no final dos anos 1960, presenciando o auge do Campeonato Campista, com times históricos de Americano, Goytacaz, Rio Branco, Campos Atlético e das usinas de cana-de-açúcar. Em meados da década seguinte, já estava morando em São Paulo e trabalhando na revista "Placar", até hoje considerada a principal do país no gênero. Foi nessa época que conheceu e entrevistou vários dos maiores craques do futebol brasileiro. Considerava seu principal trabalho a cobertura do título paulista do Corinthians em 1977, encerrando o jejum de 23 anos sem uma conquista.
Frequentador do Maracanã desde garoto, Péris Ribeiro era torcedor do Flamengo (inclusive no remo e em outros esportes olímpicos), mas o clubismo não superava seu fascínio pelo futebol-arte. Como não aplaudir também o Santos de Pelé? Ou o Botafogo do seu grande ídolo, Mané Garrincha, a quem exaltava pelos dribles artísticos? Outro "cobra" alvinegro, o conterrâneo Didi acabaria se tornando um amigo e personagem da sua principal obra. Ampliação do livro homônimo de 1993, a segunda edição de "Didi, o gênio da Folha Seca" (2009) rendeu a Péris o Prêmio João Saldanha em 2011, na categoria literatura, com o troféu sendo entregue pela Associação dos Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro (Acerj) na sede do Botafogo.
— Ambos nascemos em Campos, e a amizade existia há muitos anos — contou Péris em 2009, numa entrevista ao site da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). — O Didi sempre foi extremamente diplomático, mesmo em suas visitas a Campos. Diziam que ele não ia à sua terra, que ele jamais quis receber homenagem nenhuma de lá e aquelas coisas todas. O Didi nunca deixou de ir lá. Eu fui apresentado ao Didi pelo Pinheiro (ex-zagueiro e técnico do Fluminense), e aí a amizade floresceu e fomos amigos pela vida toda, até o Didi falecer — recordou. Nesta segunda-feira, uma matéria sobre o falecimento do jornalista foi publicada no site oficial da ABI.
Como escritor, Péris Ribeiro também publicou uma terceira edição da biografia de Didi, em 2014, além dos livros "O Brasil e as Copas" (1986) e "Em cima do lance" (2001). O interesse pela pesquisa histórica foi o principal fator para que se dedicasse à literatura, mas seu texto (leve e criativo) também continuou a serviço da imprensa, tendo colaborado eventualmente com veículos como "Jornal do Brasil", "Jornal da Tarde", "O Estado de S. Paulo", "Folha de S.Paulo" e "Lance!".
O retorno de Péris a Campos marcou seu ingresso na Folha da Manhã, com o qual possuía relação afetiva, pois era amigo de infância do fundador Aluysio Cardoso Barbosa. Na Folha, fez parte da criação do Troféu Folha Seca, que desde 2000 homenageia campistas com destaque nas suas áreas de atuação. Por sugestão sua, o primeiro homenageado foi Didi, cujo chute mais famoso dá nome à honraria.
Referência na profissão
Durante a extensa trajetória, Péris Ribeiro tornou-se grande amigo de jornalistas do naipe de Juca Kfouri e José Trajano, com os quais mantinha contato frequente. “Estou muito triste, gostava muito dele. Um queridíssimo amigo. Me correspondia muito com ele, por intermédio da Graça, mulher dele. Arrasado aqui", lamentou Trajano, antes de também se manifestar por meio de uma publicação no Instagram: "Tristeza imensa. (...) Amigo do peito e um dos maiores jornalistas esportivos do país".
Em Campos, Péris estimulou e influenciou jornalistas que começavam a se destacar, como Elso Venâncio, Eraldo Leite, Cahê Mota e Wesley Machado. Em parceria com Elso, elaborou recentemente o livro "Mensagens da bola", ainda a ser publicado, com crônicas dos dois. Igualmente incentivado por ele, o radialista Arnaldo Garcia ressalta três paixões do amigo: além da crônica esportiva, a boemia e a música.
— Em 1983, fazíamos incursões pelas concentrações dos times cariocas que vinham a Campos para enfrentar, principalmente, o Americano. Péris me incentivou a escrever e, certa vez, participamos de um concurso de crônicas esportivas, em que ele foi premiado no primeiro lugar, e eu, em terceiro. Um contador de histórias, personagem de uma época em que eu era muito jovem, mas já participava de rodadas de cerveja, ouvindo boa música no Cabana's Bar, do Hotel Planície. Ali, Péris, Ângela Bastos, Del Braga, professor José Nilson e tantos outros se reuniam para conversas sadias, normalmente nas tardes de sábado. Fã de Didi, Péris era presença marcante sempre que o bicampeão mundial vinha a Campos. Com ele, aumentei o meu gosto pela leitura, principalmente pelas histórias do esporte. Como também era apaixonado por música, a Bossa Nova fascinava o meu amigo e fascina a mim, graças a ele — destacou Arnaldo Garcia.
O jornalista Chico de Aguiar fala de Péris como amigo de uma vida inteira.
— Morador da Rua Pedro Tavares, era meu vizinho quando eu vivia a infância na casa dos meus pais, na Rua do Ipiranga. Depois nos tornamos, também, colegas pelo jornalismo, que eu cursei em São Paulo. E a amizade floresceu quando, de retorno a Campos para morar, eu o acompanhei na missão mais relevante do seu trabalho de jornalista: a autoria da biografia de Didi, apelido do também campista Valdir Pereira. "Didi, o craque da Folha Seca" conta a história do mais vitorioso jogador de futebol nascido em Campos, principal jogador brasileiro na vitoriosa campanha da Copa do Mundo de 1958. Foi através de Péris Ribeiro que eu fiz foto com esse gigante do nosso futebol; foto que eu guardo com carinho no meu álbum de ídolos. Depois, foi correr para o abraço ao Péris e permanecer no seu rol de amigos eternos. Mensalmente eu o visitava para o lanche de mesa farta de delícias da culinária, que sua mulher, Graça, e a cunhada Hélia preparavam para me receber. Ah, sim, também estava sempre presente o cunhado Juninho. Era o mundo familiar de Péris, que eu conheci e pude viver na intimidade entre as delícias da gastronomia e papos amistosos — descreveu Chico.
Também amigo de Péris Ribeiro, o professor Ricardo Antônio Machado Alves assistiu com ele a final da Copa do Mundo de Clubes, entre Chelsea e Paris Saint-German, no último domingo (13). "Fui ao Beda visitá-lo. Ele estava fraco, com dificuldade para se alimentar, mas totalmente lúcido. Conversamos, vimos o jogo, e depois me despedi. Um amigo querido, admirável. Uma memória fantástica. Adorava conversar com ele e ouvir seus relatos, suas lembranças", relatou Ricardo.
O vasto conhecimento de Péris foi destacado pelo jornalista Paulo Renato Porto, outro amigo próximo, em postagem no Facebook. "Antes de conhecer o Péris Ribeiro, minha relação com o futebol se restringia a atividades triviais como assistir os jogos, por entretenimento ou dever profissional, ler os jornais e as crônicas do (João) Saldanha e de outros mestres. A convivência com Péris reforçou minha visão do futebol como fenômeno da criatividade de um povo, logo elemento da cultura popular, fonte influenciadora do caráter e do ânimo do brasileiro", comentou Paulo Renato.
Do jornalista Álvaro Marcos Teles veio a recordação de um episódio inusitado, que revela o talento de Péris Ribeiro no ato da apuração. O fato ocorreu em junho de 2007, quando Álvaro e o também jornalista Leandro Nunes tiveram o auxílio de Péris para fazer uma matéria sobre as obras preparatórias do Maracanã para os Jogos Pan-Americanos. Para driblar os seguranças, o mais veterano do trio teve a ideia de se passar por engenheiro da obra, numa atuação digna de Oscar.
— Bem devagar, Perinho percorreu todas as instalações, com nós dois à tiracolo. Apontava para o alto, franzia a testa e gesticulava em nossa direção, como se pedisse para anotarmos algo. O "doutor Perinho" viu tudo, nós fotografamos e publicamos em duas páginas do Na Rede na edição do mesmo mês. Saímos ilesos do Maracanã e com o pessoal da obra ainda perguntando o que ele tinha achado. Perinho fez o gesto com os dedos indicadores em círculo, indicando que o resultado da vistoria ficaria pronto depois. Foi um tal de "doutor pra cá", "doutor pra lá...". Saímos e fomos comemorar a façanha, com muitos chopps, no Petisco da Vila. Esse foi Péris Ribeiro, genial sem dar uma palavra — relatou Álvaro.
Em nota, a Associação de Imprensa Campista adjetivou Péris Ribeiro como um "profissional de talento e dedicação ímpar, que deixa um legado inestimável para o jornalismo e a memória do esporte brasileiro".
— Sempre se destacou por seu compromisso em preservar e contar, com sensibilidade e rigor histórico, as trajetórias que marcaarm o nosso esporte. Seu trabalho não apenas resgatou momentos fundamentais do futebol brasileiro, mas também inspirou gerações de jornalistas e amantes do esporte. Neste momento de dor, expressamos nossa solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão, certos de que sua contribuição jamais será esquecida — diz um trecho da nota.
Brilhante como um Garrincha e criativo como um Didi, Péris fez das páginas o seu campo. Recluso nos últimos anos de vida, se despediu com a suavidade de um Tom Jobim.
Casarão Centro Cultural fica no número 17 da Rua Salvador Corrêa
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Foto: Divulgação
Nos últimos anos, parte da demanda cultural de Campos passou a ser preenchida por espaços e coletivos independentes, como Santa Paciência, Casa Afroraiz, Varanda Amarela, Ateliê Matheus Crespo, Casa de Cultura Bruno Black, Espaço Kátia Macabu, entre outros. A lista será ampliada neste domingo (20), com a criação do Casarão Centro Cultural. Voltado a promover encontros tendo a arte como ponto de partida, o empreendimento funcionará em uma bela casa histórica, no número 17 da Rua Salvador Corrêa, no Centro. A entrada é gratuita.
Neste domingo, a programação de inauguração começa com um aulão de yoga, ministrado por Madan Monteiro, às 10h. Das 10h às 20h, haverá a exposição "Gabinete de curiosidades", com objetos do designer gráfico, fotógrafo e pesquisador Leonardo Vasconcelos, além de um flash day com o tatuador Tiago Cabral (TC). Os DJs Luisa Lopes, Lydia Tucci e Antuncio estão responsáveis pela parte musical, se dividindo em apresentações de três horas, cada, entre 11h e 19h. O espaço conta com café e área infantil.
Entre os responsáveis pelo Casarão Centro Cultural, estão a atriz e professora Maria Siqueira, atual coordenadora da licenciatura em Teatro do Instituto Federal Fluminense (IFF) campus Campos Centro; o empresário Luiz Fernando Manhães; os chefes de cozinha Gabriel Rangel e Mateus Pessanha; os professores Rcardo Leite e Janaina Nascimento, proprietários da Escola Científica; e os produtores culturais Antônio Carvalho e Bárbara Lobo.
Aulão de yoga abre as atividades neste domingo
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Foto: Alcimere Siqueira
Duplas campeãs do Super Desafio nas categorias ouro e prata
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Fotos: Divulgação
Com tradição no tênis e uma grande quantidade de praticantes do beach tennis nos últimos anos, Campos passou a ter adeptos de um novo esporte com raquete. No último dia 6, o ginásio do campus Centro do Instituto Federal Fluminense (IFF) sediou o Super Desafio de Pickleball, primeiro torneio desta modalidade no município.
O evento reuniu 20 atletas, divididos em duas categorias. Pela ouro, destinada a duplas de nível intermediário, Fábio Muniz e Gilberto Navarro venceram Guilherme Teller e Louhana Barreto na final. Já na prata, para iniciantes, o título foi de Flávio Pessica e Paulo Peixoto, enquanto Juan Gonçalves e Victor Paes ficaram com a segunda colocação.
Tenista e um dos maiores divulgadores do beach tennis em Campos, o professor de história Thiago Navarro também aderiou ao pickleball. "É ainda tudo novo e com poucos praticantes, mas o esporte tem grande potencial de crescimento", afirma. Atualmente, uma equipe campista se prepara para disputar o 3º Campeonato Latino-Americano, de 15 a 17 de agosto, em Governador Valadares/MG.
Criado em 1965, nos Estados Unidos, o pickleball tem crescido em alguns países desde a pandemia da Covid-19. Uma das razões é a possibilidade que o esporte seja praticado tanto em ambientes fechados quanto ao ar livre. No Brasil, estima-se que cerca de 15 mil pessoas pratiquem a modalidade. Uma confederação nacional foi criada em 2024 e já conta com representantes de 22 federações estaduais. Também no ano passado, o país alcançou as quartas de final da principal categoria da Copa do Mundo, realizada no Peru. Já neste ano, foi criada a Liga Supremo, primeira competição profissional em solo brasileiro.
Numa explicação básica, o pickleball pode ser descrito como mini tênis, por ser disputado numa quadra menor que a do esporte mais famoso, tanto no formato simples quanto em duplas. Além do próprio tênis, também possui elementos do tênis de mesa e uma rede similar à do badminton. As raquetes são de madeira, grafite ou fibra de carbono, enquanto a bola, vazada, é feita de plástico.
Duplas vice-campeãs das categorias ouro e prata
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Fotos: Divulgação
Chico César voltou a se apresentar em Campos após quase 24 anos
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Foto: Rodrigo Silveira
“Já estive em Campos. Participei de um projeto num parque, numa tarde de muito calor. Lembro bem dessa tarde, provavelmente de 2000 para cá”. Foi com essa recordação que o cantor e compositor Chico César finalizou a entrevista concedida ao blog na noite da última sexta-feira (11), antes do show realizado no Teatro Firjan Sesi Campos. Ele se referia a uma apresentação em 9 de dezembro de 2001, no Jardim São Benedito, integrando a programação do projeto "Viva Melhor, Viva Música". Quem viveu aquele início de tarde quente tem agora a impressão de que, quase 24 anos depois, o tempo não passou para o artista paraibano.
Hoje com 61 anos, Chico César mantém não só a memória aguçada, mas também a vitalidade, a visão crítica, o bom humor e a potente musicalidade. Essas características lhe possibilitam fazer a turnê "Aos Vivos', sozinho no palco, executando o repertório do álbum que lhe tornou conhecido nacionalmente, em 1995. Sucessos de outras fases da carreira complementam os shows. Entre os momentos da sua volta a Campos, um dos mais simbólicos foi o em que ele empunhou o violão como se segurasse uma arma, num gesto de defesa da soberania brasileira por meio da cultura. Em meio à agenda cheia e ao engajamento com pautas sociais, ainda resta um tempo para acompanhar as notícias do seu Botafogo.
Blog do Matheus Berriel — Nessa turnê, você celebra os 30 anos de “Aos Vivos”, seu primeiro álbum. Como tem sido revisitar essa fase inicial da carreira?
Chico César — Esse disco foi gravado em voz e violão, na Sala Funarte (Guiomar Novaes) de São Paulo, em 1994, e lançado em 1995. É um disco improvável para o começo de uma carreira, porque foi ao vivo, com um autor até então desconhecido. Mas ele me fez circular a partir de São Paulo, Rio de Janeiro, para outras capitais, como Salvador, Recife... É um disco que me tornou conhecido do meio artístico. Gerou interesse de cantoras como Daniela Mercury, Elba Ramalho, Maria Bethânia, gravarem coisas minhas. Foi um bom disco de chegada. Eu tive a sorte de, no primeiro disco, apesar de não ter sido um sucesso comercial, já ter vendido bem. Mas o mais importante foi que ele me apresentou como artista. O disco seguinte, "Cuzcuz Clã” (1996), que no ano que vem vai fazer 30 anos, já foi um disco de estúdio, com banda, e vendeu três ou quatro vezes mais do que o primeiro. Então, voltar a esse começo é muito legal, porque dá uma dimensão de uma trajetória do artista. Eu venho dessa realidade dos pequenos teatros. Na verdade, um teatro com 180 lugares era o meu objetivo máximo. Eu almejava um dia tocar em um teatro como esse. Depois, a gente extrapolou, foi para plateias muito grandes, mas eu sinto que esse disco ("Aos Vivos") tem a essência do trabalho. Acho que o público sente isso também.
Um ponto interessante da sua trajetória é que, antes de migrar profissionalmente para a música, você foi jornalista. De que forma isso ocorreu?
Na verdade, com nove anos eu já estava na música; nunca me afastei. Eu fui para o jornalismo aos 16, para ter uma base de sobrevivência, porque eu não queria fazer qualquer música. Com 14 anos, eu senti que estaria muito ligado à música para o resto da vida. Então, entendi que eu precisava ter uma outra profissão para me sustentar, para não ter que fazer qualquer música só para sobreviver. Foi aí que eu conversei com amigos mais velhos que faziam jornalismo. Fiz um vestibular com 16 anos, entrei (na Universidade Federal da Paraíba) com 17, porque sou de janeiro, e então o jornalismo passou a ser a minha fonte de sobrevivência. O jornalismo entrou na minha vida para pagar os boletos durante um tempo, e funcionou super bem. Trabalhei como jornalista durante 10 anos, mas sempre fazendo a música que eu queria. Até que eu senti que, fazendo essa música que eu queria, eu ia conseguir sobreviver; talvez com mais dificuldade do que trabalhando com o jornalismo, mas já era hora. Eu estava chegando perto dos 30 anos. Quando "Aos Vivos" saiu, eu já tinha 31.
Muito se fala que, mesmo quando deixa de atuar, um jornalista nunca perde o faro característico da profissão. Isso te ajudou na música de alguma forma?
O jornalismo aguçou o meu olhar crítico sobre a vida. Eu já tinha isso na música, mas acho que o jornalismo dá isso e ajuda a observar, a esperar as coisas acontecerem e a ouvir o outro. Acho que jornalismo é isso: ouvir, ouvir, ouvir. Isso enriqueceu a minha música também. Se eu levei da música para o jornalismo um espírito mais inquieto, eu trouxe do jornalismo um olhar mais crítico.
Você está vestindo uma camisa do Palestino, time de futebol do Chile, e é torcedor declarado do Botafogo. O que achou da campanha do Botafogo na Copa do Mundo de Clubes?
Eu ganhei uma camisa do Palestino num show que fiz lá no Chile. Eles têm várias comunidades, dividem assim a administração, e um prefeito comunista me deu uma camisa do Palestino. Essa já é a segunda que eu tenho. Sobre o Botafogo, eu acho que foi muito bem! Depois que ele foi campeão da Libertadores, muita gente ficou desacreditada quando começaram a vender alguns jogadores: "Poxa, acabou o Botafogo". Mas, de repente, o Botafogo chega e faz uma campanha brilhante no Mundial de Clubes, bastante legítima, vencendo o PSG. Isso mostra que o Botafogo tem muito chão pela frente. Mesmo mexendo, perdendo peças importantes do elenco, uma base de pensamento do time se mantém. A gente vai para chegar entre os primeiros em todas as disputas que tiver pela frente, este ano e no próximo.
Sua torcida pelo Botafogo vem da infância?
Sim, vem da infância. Eu era muito fã do Jairzinho, que jogava no Botafogo. Fui fã daquele time (dos anos 1970) que tinha Marinho de lateral-esquerdo, Wendell de goleiro... Meu time de botão era o Botafogo. Por causa do Botafogo eu passei a torcer pelo Botafogo da Paraíba, e não pelo Campinense ou o Treze. Na Paraíba, era o Botafogo da estrela vermelha. Então, é desde sempre! Tive oportunidade de encontrar o Jairzinho numa pizzaria do Rio de Janeiro e falar para ele: "Meu cabelo black power não é por causa do Jimi Hendrix, é por sua causa”. Ele achou engraçado (risos).
Chico César voltou a se apresentar em Campos após quase 24 anos
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Foto: Rodrigo Silveira
Entrada e distribuição de pipoca e suco são gratuitas
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Foto: Divulgação
Se historicamente Campos perdeu a maior parte das suas salas de cinema, por outro lado, a organização de cineclubes mantém-se como uma prática habitual na cidade. O Cineclube Goitacá, o Cine Darcy e o Cine Marighella são exemplos de cineclubes ativos, com bom número de frequentadores. Até agosto deste ano, a lista estará reforçada pelo Cine Afroraiz, realizado na Casa Afroraiz, no Parque Corrientes, com chancela da Lei Paulo Gustavo.
Voltado a evidenciar o protagonismo de pessoas negras, o projeto estreou no dia 13 de março. Desde então, já foram exibidos 16 filmes, sempre com debates ao final das sessões. O 17º será o documentário "Black Barbie" (2023), sobre a história da primeira Barbie negra e o papel crucial de três pioneiras da Mattel na criação de uma boneca que se parecesse com elas. Com roteiro e direção de Lagueria Davis, a obra tem uma hora e 40 minutos de duração, e será exibida nesta sexta-feira (4), às 18h. Entrada, pipoca e suco são gratuitos.
Fundada no Parque Leopoldina em 2022, a Casa Afroraiz foi transferida para o número 138 da Rua Álvaro de Azevedo Barcelos, no Parque Corrientes, no início de 2024. No espaço são realizadas atividades culturais, como exposições, espetáculos teatrais, shows, karaokê aberto, cinedebates, noites de jogos, rodas de conversa, feiras de literatura, entre outras. O Cine Afroraiz acontece todas as sexta-feiras, até 8 de agosto, com entrada gratuita, além de distribuição de pipoca e suco. A programação de cada mês pode ser conferida no perfil de Instagram @cineafroraiz.
Um dos mais tradicionais templos católicos e cartões postais de Campos, a Igreja Nossa Senhora da Lapa foi alvo de uma ação criminosa na noite desse sábado (28) ou madrugada deste domingo (29). O fato foi divulgado nesta manhã pelo subsecretário municipal de Turismo, Edvar Junior, por meio de um vídeo no Instagram.
No vídeo, Edvar relata que o crime foi descoberto pela manhã, quando membros da comunidade católica chegaram para a missa das 9h. O blog apurou que foram levados metais, castiçais, cálices, ventiladores e caixa de som. Uma imagem religiosa foi quebrada durante a ação, e uma vela teria sido deixada acesa dentro de um armário. Ainda não há informações sobre o horário preciso em que a ação ocorreu.
— O ato foi descoberto pelo funcionário da instituição Santa Casa de Misericórdia de Campos, que é a responsável pelo prédio — informou em nota a Diocese de Campos, que utiliza a Igreja da Lapa para missas dominicais. — Infelizmente, é mais uma ação de violação do espaço sagrado, pois durante a invasão a imagem de Nosso Senhor dos Passos teve a cabeça arrancada e a coroa de espinhos roubada. O sacrário não chegou a ser profanado — complementou.
Este foi o segundo criminoso registrado no território da Diocese de Campos em 2025. Desde 2019, houve 31 casos de vandalismo.
Apesar do ocorrido, o Frei Francisco Judice celebrou uma missa em desagravo na manhã deste domingo, dia em que celebrada a solenidade de São Pedro e São Paulo.
Diego Ventapane fez a animação de 'Caverna do Dragão: O episódio perdido'
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Foto: Acervo pessoal
Um animador campista teve o seu trabalho colocado em evidência no prêmio mais importante da publicidade mundial. CEO do estúdio Os Bonequinhos, Diego Ventapane foi o responsável pela animação, a pós-produção e as direções de fotografia e arte do projeto "Caverna do Dragão: O episódio perdido", cuja campanha de marketing, feita pela agência paulista Ogylvi Brasil, conquistou nesta terça-feira (17) um Leão de Ouro no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, na França. A honraria é a segunda de maior relevância em Cannes, atrás apenas do Grande Prêmio.
Como o próprio título sugere, o projeto em questão criou um desfecho para o famoso desenho animado "Caverna do Dragão", que não teve o seu último episódio oficialmente produzido. A iniciativa partiu do site Jovem Nerd e da produtora Nonsense Creations, por ocasião dos 50 anos de existência do jogo de RPG "Dungeon and Dragons", no qual a "Caverna do Dragão" foi inspirada, e dos 40 anos da primeira exibição do desenho no Brasil. Diego Ventapane assinou a animação, dando movimentos a bonecos da fabricante de brinquedos Hasbro com a técnica stop motion. A campanha de marketing ficou a cargo da Ogilvy Brasil, agora premiada junto à Hasbro com o Leão de Ouro de Cannes, na categoria Entretenimento - Influenciador e co-criador.
— O que estava concorrendo era a campanha publicitária. Mas, mesmo assim, fazer parte de um projeto desse e ter essa repercussão mundial, para mim, já é uma vitória gigantesca — destacou o campista em postagem nos stories do Instagram — Muito obrigado à galera da Ogylvi, que acreditou nesse projeto. Eu participei da criação do case que foi apresentado lá em Cannes, só posso falar isso agora. E (obrigado também) à galera do Jovem Nerd, da Hasbro, Spark, a todo mundo que fez parte desse projeto, que ainda está trazendo muitos frutos legais para mim. Foi o melhor projeto que já fiz na minha vida, posso falar sem sombra de dúvida. Espero que venham mais premiações por aí e mais projetos como esse. Ganhamos Cannes, p*** que pariu! — festejou.
Diego Ventapane é egresso do curso de Design Gráfico do Instituto Federal Fluminense (IFF), tendo estudado no campus Campos Centro. Em dezembro do ano passado, ele participou do evento Comic Con Experience (CCXP), em São Paulo, como parte da estratégia de divulgação de "Caverna do Dragão: O episódio perdido".
Chico César se apresentará em Campos no próximo dia 11
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Ana Lefaux/Divulgação
Em turnê pelo Brasil comemorando os 30 anos do álbum "Aos Vivos", Chico César passará por Campos no dia 11 de julho. Está confirmado um show do cantor e compositor paraibano no Teatro Firjan Sesi, em Guarus, com ingressos a R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada). A venda será aberta no dia 1º de julho, pelo site www.sympla.com.br.
Lançado em 1995 pela gravadora Velas, "Aos Vivos" foi o primeiro álbum de Chico César. A gravação ocorreu no ano anterior, na Sala Guimar Novaes, em São Paulo, registrando uma apresentação com voz e violão que o projetou nacionalmente. O repertório é composto por 15 faixas, das quais 13 foram compostas pelo próprio Chico César, como os sucessos "Mama África" e "À primeira vista".
Sendo atualmente um dos principais espaços culturais de Campos, o Teatro Firjan Sesi mantém uma programação que mescla atrações regionais com artistas de apelo nacional. Desde que foi reaberto, em março de 2023, já recebeu shows de nomes como Zezé Motta, Lô Borges, Marcelo Geneci, João Cavalcanti, Silvero Pereira, Ana Cañas, Cláudio Lins, Luciana Mello, Toni Platão, Kell Smith, Jota.pê e Bruna Black, Xênia França e Mari Jasca, entre outros.
Iniciativa pretende valorizar a biodiversidade e as belezas naturais do município
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Foto: Divulgação/PMSF
Estão abertas até o próximo dia 23 as inscrições para o primeiro concurso de fotografias relacionadas à fauna e à flora de São Fidélis. Com o tema "Um olhar sobre o meio ambiente", a iniciativa é uma parceria das secretaria municipais de Desenvolvimento Ambiental e Cultura e Turismo, com intuito de valorizar a biodiversidade e estimular o olhar artístico para as belezas naturais fidelenses.
Podem participar do concurso moradores de São Fidélis com idade mínima de 16 anos, desde que não sejam servidores efetivos, comissionados ou contratados da Prefeitura. Uma banca de jurados ficará responsável por avaliar as imagens em critérios como beleza, criatividade e originalidade. Haverá prêmios de R$ 1.000, R$ 500 e R$ 300 para os três primeiros colocados, respectivamente. O regulamento completo e o formulário para inscrição podem ser acessados no site saofidelis.rj.gov.br.