Gerente de artistas e repertório da Sony Music Brasil comenta a força da produção independente no interior
22/04/2026 | 16h24
Gabriel Marinho participou de rodada de negócios em Campos
Gabriel Marinho participou de rodada de negócios em Campos / Foto: Marimba Produções/Divulgação
Baiano radicado no Rio de Janeiro, o produtor musical Gabriel Marinho (G.a.B.o.) é um personagem importante na cena da indústria fonográfica brasileira. Há um ano, ocupa o cargo de gerente de artistas e repertório (A&R) da Sony Music Brasil, após dois anos como head de marketing estratégico e catálogo. Também é fundador e conselheiro da Mondé, editora e agência musical com selo voltado à valorização de artistas independentes; jurado do Prêmio Multishow e, desde 2024, membro votante da Academia Latina de Gravação, que promove o Grammy Latino. O currículo o credencia a participar de diversos eventos ligados ao mercado da música, como o Festival Para Além das Rimas (PAR), ocorrido no Palácio da Cultura, em Campos, na última semana. Presente para uma rodada de negócios no sábado (18), G.a.B.o. concedeu uma entrevista coletiva em que falou sobre o processo de descentralização da produção musical; o surgimento de novos adeptos a mídias físicas, especialmente aos discos de vinil; e a influência exercida pelo movimento hip-hop sobre outros gêneros.
Confira abaixo a entrevista em tópicos.
 
Descentralização da produção musical

— O povo brasileiro é muito plural, criativo e musical. Em todo lugar tem muita gente fazendo música com qualidade e chegando a locais em que, antes da explosão do digital, não era possível. Eu estive agora em São Paulo, moro no Rio, e essas cidades têm suas cenas culturais, mas também tem muita coisa sendo feita no interior. Com acesso à internet e programas de produção musical, a galera está criando muita coisa inovadora, de vanguarda. E a música urbana muitas vezes é mais democrática do que outras, porque não precisa de tanta estrutura para ser feita. Se a gente pensar em rap, em funk, às vezes o cara faz a música com um computador e um celular. Com a facilidade de subir em uma plataforma independente, um YouTube, por exemplo, ele coloca essa música para o mundo. Então, as capitais ainda são uma vitrine, mas não há mais um polo onde a criação tenha necessariamente que passar por lá. Esse festival aqui é justamente sobre essa potência de criação de arte, de música, fora do eixo de capitais do Brasil.
 
Ressurgimento dos discos de vinil
— É legal falar sobre isso, porque eu voltei com esse projeto do vinil na Sony. A gente não tem um clube de assinaturas, mas tem parcerias com empresas que fazem, como a Noize, a Três Selos, etc. A Sony licencia alguns títulos, e a gente tem visto que há um crescimento do vinil, tanto para músicas de catálogo quanto para lançamentos. Posso citar o exemplo de um projeto que eu toquei agora, que foi o lançamento do primeiro vinil da carreira do Sorriso Maroto. Em 2025, teve a gravação do projeto "Sorriso Eu Gosto no Pagode Vol. 3 - Homenagem ao Fundo de Quintal". Foi gravado em Abbey Road, em Londres, ganhou o Grammy Latino e agora está sendo lançado em vinil. Então, é algo que os artistas estão vendo como validação artística, vitrine também; ver o seu trabalho na prateleira. E existe uma dinâmica de fãs muito grande, ainda mais quando a gente pensa em artistas que alcançam o Brasil como um todo. Tem uma galera que quer ter o produto físico, não quer só ver na plataforma. É legal ter um pouco do artista na mão, e o vinil dá essa possibilidade. E os clubes de assinatura têm muita responsabilidade em relação a outro público, com títulos que já haviam saído de linha e foram retomados. Do Marcelo D2, por exemplo, a gente avançou com o "A Procura da Batida Perfeita" e o "Acústico" (lançados em vinil pela Noize). Então, o vinil é uma frente que, financeiramente, ainda não é tão relevante quanto o digital, mas na qual eu acredito muito. Inclusive, sou colecionador de vinil. Quando a gente voltou com esse projeto, foi algo que uniu o útil ao agradável.
 
Possibilidades da cultura hip-hop
— O rap é uma das expressões dentro de uma cultura muito maior. É comprovado que o hip-hop é a cultura mais influente e relevante no Ocidente, com (mais de) 50 anos de história. Quando a gente faz um paralelo, o método de criação hoje em dia é totalmente influenciado pelo hip-hop. O rap é uma música eletrônica que vem do lance Do It Yourself, tem muito do punk. Como falei anteriormente, o brasileiro é muito inventivo e, através da facilidade de acesso a softwares de produção musical e à internet, consegue colocar suas ideias de uma maneira mais prática, e isso chega ao público de uma forma muito mais rápida. Então, a cultura hip-hop é muito influente, hoje em dia, no mercado como um todo. Há muitas pessoas que vêm desse local do rap, como é o meu próprio caso, pois vim das rodas de rima do Centro do Rio. Eu morava na Lapa, sou soteropolitano, já morei na Baixada (Fluminense), já morei em um monte de lugar. Então, esse local das possibilidades de criação da cultura hip-hop influencia não só a parte de criação, mas também o bussines, a parte dos negócios. Muitas pessoas vieram dessa cultura da rua e hoje em dia estão nas gravadoras, ajudando a criar essa conexão.
Os gêneros que a gente chama de urbanos são muito relevantes em termos de mercado; têm uma fatia relevante de market share. Então, existe esse movimento de que pessoas oriundas dessa cultura estejam nas gravadoras e agregadoras, servindo muitas vezes até como tradutoras. Quando a gente fala de hip-hop, a cultura pesa, não é só um negócio. O rap é um gênero musical muito atrelado à cultura, não é só a música. Ele conta histórias. O Marcão da Baixada é um ótimo exemplo disso, porque usa o nome da própria área (em que reside) no nome. Isso dá legitimidade para ele falar de certas coisas, o que é muito importante para você chegar numa mesa de negociação e falar a mesma língua de um artista que vem da periferia. Você não está ali não só representando a marca, mas sendo um intermediário entre dois mundos. Eu acredito muito nisso e que isso se expanda. A parte do negócio é muito importante, porque é isso que gera um festival, gera receita para uma cidade, uma cadeira na secretaria de Cultura, um edital, uma rede muito maior do que só o show, a música e o artista. O negócio e a cultura andam lado a lado quando se fala de rap, funk e outras culturas que a gente pode chamar de urbanas. Acredito nisso como um todo, mas acho que o hip-hop é uma ótima espinha dorsal de como pensar em negócio e cultura de forma bem ligadas. Há um mercado muito maior a ser expandido no Brasil.


Influências da cultura hip-hop em outros gêneros

— Eu olho com a mentalidade hip-hop para tudo: seja arrocha, pagode, rock... O arrocha, por exemplo, tem uma batida eletrônica, que você faz em casa, na interface, e lança. Hoje em dia, é um gênero em ascensão. Quando eu vejo um produtor do arrocha, eu consigo ver um DJ e um MC também. Os Barões da Pisadinha são um bom exemplo. A pisadinha é um subgênero de forró, e eles são artistas da Sony. Basicamente, são um produtor e um cantor, com uma base eletrônica. É muito do que vem do hip-hop. Sem ter uma base do hip-hop fazendo isso há 50 anos, eu não sei se a gente teria Os Barões da Pisadinha hoje em dia. Por mais que não haja ligação direta, quando você analisa, você vê: é uma forma de produção dentro de um sistema precarizado, através das ferramentas possíveis, e que chega a locais inesperados, dentro de uma estrutura que muitas vezes não dá acesso a pessoas que vêm da periferia, como é o caso dos caras também. Então, eu vejo como o arrocha, a pisadinha, o pagodão baiano, vêm muito dessa estrutura. São músicas de periferia. É como a gente consegue fazer muito com pouco, e isso é muito da cultura do brasileiro também, assim como do negro norte-americano da periferia. É a diáspora africana, onde ela foi fincando o pé e fazendo seus frutos até hoje. A música da diáspora é muito prolixa, potente, e eu vejo o hip-hop como uma cultura presente em diversas expressões artísticas que não necessariamente estão ligadas ao rap.
Compartilhe
Campista assina regata em desfile da Adidas na Rio Fashion Week
21/04/2026 | 13h02
Peça é assinada pelo figurinista Mateus Rebel
Peça é assinada pelo figurinista Mateus Rebel / Foto: Reprodução/Instagram
Após um hiato de 10 anos, o Rio de Janeiro foi reinserido no calendário nacional da moda com o retorno da Rio Fashion Week, realizada na última semana. E a Adidas, única marca não brasileira na line-up oficial do evento, apresentou como parte do seu desfile uma peça desenvolvida por um campista. Trata-se de Mateus Rebel, estilista e figurinista radicado na capital fluminense, que assinou uma regata feita com miçangas e fios de nylon.
Fornecedora da bola da Copa do Mundo de Futebol desde 1970, a Adidas promoveu na sexta-feira (17) um desfile que teve o esporte como tema-central. A própria Trionda, bola da Copa deste ano, integrou o look de vários modelos, se relacionando com a cultura dos bate-bolas no Carnaval. Mateus Rebel adotou essa linha ao desenvolver a sua regata, tendo o azul e o verde como cores predoninantes.
— O objetivo era emular uma regata de time de futebol, por isso as listras — explica o figurinista. — O tema do desfile foi o futebol, com uma pegada da estilista Rafaela Pinah, do Coolhunter Favela, que sempre traz a cultura suburbana carioca em seus trabalhos. Então, tudo foi sobre futebol, mas com uma passada pelos cabelos de cria; as rendas brancas e os bordados de búzios remetendo às religiões afro-brasileiras... — complementa.
Cerca de 20 grifes apresentaram coleções durante os cinco dias da Semana de Moda Carioca, de terça-feira (14) a sábado (18). Quase 30 mil pessoas passaram pelo Píer Mauá, que recebeu a maior parte das atrações, entre elas o desfile da Adidas.
Peça é assinada pelo figurinista Mateus Rebel
Peça é assinada pelo figurinista Mateus Rebel / Foto: Reprodução/Instagram
Compartilhe
Novo secretário-chefe da Casa Civil do estado é campista
15/04/2026 | 13h52
Flávio Willeman
Flávio Willeman / Foto: Divulgação
Nomeado secretário-chefe da Casa Civil do estado do Rio de Janeiro na noite desta terça-feira (14), pelo governador em exercício, Ricardo Couto, o procurador Flávio de Araújo Willeman é natural de Campos. Ele nasceu no distrito de Santo Eduardo, mas fez sua carreira jurídica no Rio de Janeiro.

Flávio Willeman atua na Procuradoria-Geral do Estado desde 2000, com diferentes funções, exercendo desde 2020 a de subprocurador-geral do estado. De 2014 a 2016, foi desembargador do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Seu currículo também atuação em âmbito privado, como advogado, e funções exercidas no Clube de Regatas do Flamengo, do qual é vice-presidente geral e jurídico desde o ano passado. Antes, já tinha sido vice-presidente jurídico, de 2013 a 2018, durante a gestão de Eduardo Bandeira de Mello.
Compartilhe
Jorge Vercillo recorda shows do início da carreira e passagem pela base do Flamengo antes do sucesso na música
12/04/2026 | 13h16
Jorge Vercillo se apresentou no Rancho da Ilha neste sábado
Jorge Vercillo se apresentou no Rancho da Ilha neste sábado / Foto: Bianca Trindade
O show de Jorge Vercillo no Rancho da Ilha, na noite deste sábado (11), foi mais uma demonstração da resiliência musical mantida pelo cantor e compositor. Em meio aos sucessos dos mais de 30 anos de carreira, incluindo trilhas sonoras de novelas, o repertório incluiu o chamado lado B, tão cantado pelos fãs quanto os principais hits. Antes de subir ao palco, o artista carioca também mostrou um pouco do lado B da vida pessoal, em entrevista ao blog. Falou, por exemplo, sobre a antiga vontade de ser jogador de futebol, que o levou a defender a base do Flamengo, seu clube do coração. Também citou a recente homenagem recebida da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que o concedeu a Medalha Tiradentes após indicação da deputada estadual Carla Machado, de São João da Barra, em reconhecimento à sua contribuição para a cultura brasileira. Por fim, lembrou do início da trajetória na música, mencionando com carinho os shows intimistas em bares.
Confira abaixo a íntegra do bate-papo.
--
Blog do Matheus Berriel - Jorge, você possui uma relação com Campos, onde fez alguns shows, mas já tinha bastante tempo da sua última apresentação na cidade. Se recorda da última vez?

Jorge Vercillo - Eu já vim muito para Campos, mas tinha uns dois ou três anos que não vinha. Tenho altas recordações de São João da Barra, que é aqui perto. Recentemente (em novembro de 2025), a deputada Carla Machado me prestigiou com a Medalha Tiradentes, lá na Alerj. Ela é aqui da região, até mandei mensagem para ela hoje. Foi uma data muito importante e significativa para mim, pelo conjunto da minha obra. Acho que, de qualquer maneira, o povo de Campos esteve representado por ela.
Blog do Matheus Berriel - Um episódio interessante e não tão divulgado da sua vida é que, antes de fazer sucesso na música, você jogou nas categorias de base do Flamengo. Como é a sua relação com o futebol?
Jorge Vercillo - Eu comecei a tentar treinar na base do Flamengo, principalmente na categoria juvenil, que é anterior à júnior, e também jogava bola no Areia, (tradicional time de futebol de praia) do Leme. Só que eu passei a tocar na noite, então, comecei a chegar cansado. Hoje, o futebol é um hobby maravilhoso.
Blog do Matheus Berriel - Você continua sendo rubro-negro...

Jorge Vercillo - Continuo, com certeza.

Blog do Matheus Berriel - Inclusive, participou do álbum "O Canto do Urubu", com músicas de Altay Veloso e Paulo César Feital sobre o Flamengo.

Jorge Vercillo - Exatamente! É um projeto maravilhoso, que eu indico a todos conhecerem.

Blog do Matheus Berriel - Um dos maiores sucessos da sua carreira diz que "a saudade é que nem maré". Com mais de 30 anos como artista profissional, há algo que tenha te marcado e dê saudade?
Jorge Vercillo - Acho que às vezes a informalidade de um barzinho, de uma roda de violão; puxar uma música que há muito tempo você não canta. Isso me dá saudade, e eu procuro reproduzir isso no show, no momento em que eu abro para os pedidos dos fãs.
Compartilhe
Morre Braulino, ex-goleiro campista com títulos por Fluminense e Paysandu
06/04/2026 | 11h50
Foto: Divulgação/Blumenau E.C.
Um entre os vários atletas que a cidade de Campos revelou ao futebol brasileiro foi a óbito neste domingo (5). Campeão estadual pelo Fluminense em 1980, o ex-goleiro Braulino morreu aos 66 anos, em Blumenau, onde morava. Segundo o site Informe Blumenau, a morte foi causada por problemas pulmonares.
Formado nas categorias de base do Americano, Braulino Luiz Pontes Filho foi levado ao Fluminense pelo ex-zagueiro campista Pinheiro, que identificou nele um grande potencial. No Flu, começou atuando na base, em 1975, e se profissionalizou definitivamente em 1978, permanecendo no clube até 1982. Nesse período, fez parte dos elencos que conquistaram o importante Torneio de Paris, em 1976, e o Torneio Teresa Herrera, na Espanha, em 1977, além do Campeonato Estadual de 1980. Em 1982, foi campeão paraense pelo Paysandu. Também passou por Figueirense, Blumenal e Avaí, sendo vice-campeão catarinense pelo Blumenau em 1988.
Após pendurar as chuteiras, no início da década de 1990, Braulino trabalhou com escolinhas e outras iniciativas esportivas em Blumenau, e foi presidente do Grêmio Esportivo Olímpico. Ainda dos seus familiares ainda moram em Campos.
Compartilhe
Campos terá Afro Roteiro Central a partir da próxima terça
26/03/2026 | 17h47
Plaquinhas serão colocadas em 16 locais relacionados à herança afro-brasileira
Plaquinhas serão colocadas em 16 locais relacionados à herança afro-brasileira / Foto: Reprodução
Na próxima terça-feira (31), será lançado em Campos o projeto Afro Roteiro Central. Ele consiste na colocação de placas em prédios e lugares relacionados à herança afro-brasileira no município, favorecendo o mapeamento e a valorização desses espaços. Cada placa contém breves explicações sobre a importância dos locais em questão, além de QR Codes que possibilitam um aprofundamento na história de cada um deles.
No ato do lançamento, às 14h de terça-feira, será inaugurada a placa do Pelourinho central, no Boulevard Francisco de Paula Carneiro (Calçadão). Também estão previstas sinalizações para as sedes do jornal abolicionista 25 de Março, existente de 1884 a 1888, e das sociedades musicais Lyra de Apollo, Lyra Guarani e Lyra Conspiradora; a Igreja de São Benedito; o antigo Teatro Empyreo Dramático; os largos do Rocio e do Rosário, entre outros locais.
A inicitiva é do movimento Afro Roteiros, criado pela pesquisadora e cantora Simone Pedro, com apoio da secretaria municipal de Turismo, da subsecretaria municipal de Igualdade Racial e Direitos Humanos, e do Costa Doce Convention & Visitors Bureau.
 
Compartilhe
Aos 77 anos, Tonico Pereira relembra momentos da carreira e comenta relação com Campos e o Goytacaz
24/03/2026 | 13h34
Foto: Elisângela Leite/Quiprocó Filmes
Os fãs de "A Grande Família" nunca precisaram visitar Campos para conhecer o Goytacaz Futebol Clube. Afinal de contas, o clube de coração do ator campista Tonico Pereira era costumeiramente mencionado por Mendonça, seu personagem na série televisiva, com direito ao uso da camisa em determinados episódios. Na intimidade, a paixão é ainda maior, como evidenciado por Tonico na tarde desta segunda-feira (23). Aos 77 anos, ele recebeu a equipe do Festival Internacional Goitacá de Cinema para um extenso bate-papo sobre a vida e a carreira. A entrevista será veiculada no catálogo da segunda edição do Festival Goitacá, que terá o artista como homenageado, em agosto.
Mesmo se recuperando de problemas de saúde, Tonico Pereira tem cumprido compromissos profissionais. Na semana passada, compareceu a um cinema do Rio de Janeiro para conferir a estreia do seu novo filme, "O Velho Fusca". Foi com o mesmo comprometimento que abriu as portas da sua casa, no bairro carioca da Lagoa, para falar de lembranças sobre a Campos do final dos anos 1940 à década de 1960 — período em que viveu na cidade. A entrevista também incluiu comentários sobre a época em que foi jogador de futebol; a mudança para o Rio de Janeiro; o início no teatro; a migração para o cinema e a televisão; além, claro, da relação com o Goytacaz, mantida mesmo estando fora de Campos há mais de 50 anos.
Entrevista com o ator Tonico em sua casa na Lagoa. Rio; 23/03/26 Foto Elisângela Leite
Entrevista com o ator Tonico em sua casa na Lagoa. Rio; 23/03/26 Foto Elisângela Leite / Foto: Elisângela Leite/Quiprocó Filmes
Compartilhe
Diretor do Festival Internacional Goitacá de Cinema receberá título de cidadania campista
20/03/2026 | 13h49
Fernando Sousa tem vasta atuação no setor audiovisual e em pautas sociais
Fernando Sousa tem vasta atuação no setor audiovisual e em pautas sociais / Foto: Divulgação/Quiprocó Filmes
O diretor-geral do Festival Internacional Goitacá de Cinema, Fernando Sousa, será reconhecido como cidadão de Campos dos Goytacazes na próxima terça-feira (24). Nascido em Teresópolis, ele vai receber da Câmara Municipal o título de cidadania campista, em reconhecimento às suas contribuições para o desenvolvimento do setor audiovisual e a promoção da cultura no Norte Fluminense. A solenidade está marcada para as 17h, contando também com uma moção de aplausos ao Festival Goitacá, que tem sua segunda edição marcada para agosto.
Os caminhos do cineasta Fernando Sousa têm Campos como destino desde 2005, quando começou a cursar Ciências Sociais na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Naquela época, ele integrou a gestão do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Apolônio de Carvalho e foi voz ativa na defesa da criação do Restaurante Universitário da Uenf, inaugurado em 2014. Também atuou como professor voluntário do Pré-Vest Uenf; integrou a primeira equipe do Projeto Rondon da Uenf, e se engajou com pautas relacionadas ao combate ao trabalho escravo na região, a projetos de alfabetização em assentamentos de reforma agrária, e à formação de cooperativas agrícolas. À frente da Quiprocó Filmes, Fernando e o também cineasta Gabriel Barbosa têm como um dos projetos a produção do documentário "Brava Gente", sobre a trajetória do produtor rural Cícero Guedes, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em Campos, do qual Fernando foi amigo. Cícero foi assassinado em 2013.
Após longo período radicado no Rio de Janeiro, Fernando Sousa retornou a Campos em 2024, para cursar doutorado em Sociologia Política na Uenf. Em seguida, começou a atuar como programador voluntário no Cine Darcy, contribuindo com o projeto de modernização técnica e tecnológica do espaço. Desde então, lidera a retomada do debate sobre a criação da Escola Brasileira de Cinema e Audiovisual, planejada pelo antropólogo Darcy Ribeiro no projeto original da universidade. Foi nesse contexto que surgiu o Festival Internacional Goitacá de Cinema, no ano passado, com intuito de valorizar produções independentes, inspirar novos cineastas, conectar criadores e colocar Campos no mapa do cinema internacional.
Compartilhe
Duda Beat mostra o íntimo da sua pluralidade musical em show acústico no Teatro Firjan Sesi Campos
13/03/2026 | 12h10
Foto: Bianca Trindade
A cantora e compositora pernambucana Duda Beat está entre os artistas do Brasil que obtiveram uma rápida ascensão de carreira nos últimos tempos. Num intervalo de apenas oito anos, ela passou de revelação, como foi reconhecida em 2018 pelo Troféu Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), a referência de alguém que domina a pluralidade da música brasileira e faz dela um mix para a construção da sua obra. Somam-se a isso a sua apurada extensão vocal e a busca por referências em quem veio antes. Uma das inspirações é o conterrâneo Chico Science, a quem Duda teve oportunidade de homenagear desfilando pela escola de samba Grande Rio, no Carnaval carioca de 2025. No mesmo ano, recebeu convite para ser jurada do reality "The Voice Brasil", no SBT. Todos esses assuntos foram comentados numa entrevista a este blog e ao portal Descubra Campos, na noite de quinta-feira (13), logo após o show realizado no Teatro Firjan Sesi Campos. Confira abaixo a entrevista completa.
Blog do Matheus Berriel — É de conhecimento público a influência de Chico Science e do manguebeat na sua trajetória. Como foi para você, sendo uma artista pernambucana e fã desse movimento, desfilar pela Grande Rio homenageando o manguebeat?
Duda Beat — Foi muito importante! Senti cada coisa que estava escrita no samba-enredo. Eu ainda estava imaginando como ia ser. Foi a primeira vez que fiz isso. Eu vivi muito o Carnaval de rua do Recife, que é muito diferente do Carnaval da Sapucaí, no Rio de Janeiro. Quando cheguei lá, eu senti a emoção que as pessoas falam que existem e que sentem. Eu nunca tinha vivido aquilo. Fiquei num carro alegórico e sentindo que é realmente isso. Você sente as pessoas vibrando! (Foi incrível) estar ali naquele carro com vários outros artistas de Pernambuco ao meu lado, pessoas que admiro tanto. A filha do Chico (Science) estava no carro da frente. A gente teve o prazer de trocar e conversar um pouco sobre, e foi muito emocionante para mim! Sou muito fã do Chico Science, que é um grande ídolo, não só para mim, mas para todo mundo de Recife. Tem uma frase que ele sempre falava: "Modernizar o passado é uma evolução musical", e eu tento muito fazer isso na minha vida e na minha música. Eu tento modernizar, pegar um ritmo, um piseiro, e fazer do meu jeitinho, colocar um negócio diferente. Sigo muito esse lema dele. Realmente, é muito minha referência, e (o desfile) foi muito feliz.
Blog do Matheus Berriel — Em 2018, seu álbum de estreia foi incluído na lista dos 10 melhores discos nacionais do ano pela revista "Rolling Stone". Sete anos depois, em 2025, você estreou como jurada do "The Voice Brasil", já tendo uma carreira consolidada e agora ajudando a revelar novos talentos. Como tem sido essa experiência?
Duda Beat — Tem sido muito maravilhoso. O Brasil é gigante, cheio de talentos, pessoas que cantam muito. Eu aprendo muito com a galera da minha equipe, com os meus colegas. Também aprendo muito com os meus pares, que estão sentados nas cadeiras comigo. É uma super responsabilidade. Imagina você não virar uma cadeira para alguém! Às vezes, nem falta nada, a pessoa canta absurdamente bem. É só porque às vezes não tem um negócio... Mas, todo mundo que está ali canta demais. Então, é uma super responsabilidade. Mas, estou encarando com muito amor e carinho, tentando colocar ali o máximo da minha visão. Eu sei que, na última edição, muita gente não concordou com algumas escolhas que eu fiz, mas segui o meu coração. Eu quis ver o todo, quis ver além daquele programa também. Estou muito feliz com a confiança do (diretor) Boninho e dos outros técnicos para eu estar naquela posição maravilhosa, de muito prestígio e privilégio. Estou muito feliz!
Descubra Campos — Nessa turnê pelos teatros da rede Firjan Sesi, você está fazendo um show mais intimista, acústico. Como tem sido isso para uma pessoa que construiu a sua carreira em grandes palcos e nos festivais? Para você, tem sido um reencontro com a Duda de algum lugar ou é tudo novidade?
Duda Beat — É um reencontro com a Duda que faz as canções sozinha, organicamente... Escreve tudo aquilo, apaga, corrige. Está sendo muito gostoso ocupar o lugar do teatro. É um lugar onde eu sempre quis estar. Falei um pouco sobre isso no show. É muito maravilhoso, porque, de fato, eu mostro um pouquinho de como as canções são feitas. Eu acho que essa conexão com o público acaba ficando mais forte ainda, porque as pessoas conseguem entender exatamente como (a obra) nasce. Porque nasce assim: eu escrevo a letra e a melodia; depois eu vou no Tomás (Tróia, produtor musical e músico), que começa a dedilhar as coisas no violão, e as canções nascem. Então, toda roupa da canção, os arranjos, essas coisas vêm muito depois. Eu queria que os fãs entendessem essa incubadora; que o público fizesse parte, percebesse e entendesse como, de fato, as coisas nascem. É tão honesto, tão verdadeiro, e toca tanto no coração das pessoas, assim como no meu.

Descubra Campos — Você fala muito do amor. É considerada a rainha da sofrência, mas uma sofrência pop, e você faz essa mistura muito bem. O Brasil é esse caldeirão. Você acredita que, hoje, o público recebe muito bem essa mistura de sons e ritmos que nós somos?
Duda Beat — Eu acho que, cada vez mais, recebe melhor. A gente é isso: uma mistura. Todo mundo é muito eclético na música, gosta de muitos tipos. Tenho certeza que você gosta de forró, axé, sertanejo, rock, pop... E eu também. E eu fico pensando às vezes: poxa, eu sempre quis ser uma cantora. Vou me limitar só a um gênero, se eu gosto de tantos outros gêneros? Como eu posso fazer isso? Como eu posso passear por todos eles sem perder a minha essência? E eu acho que a essência está exatamente na canção. A canção é sobre o que eu vivi e senti na minha vida, principalmente. (Meu trabalho) é muito pessoal e honesto. E, com essas roupagens, eu consigo brincar e ir para os lugares que eu quero. Acho que a gente tem que se divertir. Essa é a coisa mais importante: se divertir. Eu sou super fã, por exemplo, de System of a Down. Sou muito fã, e queria muito ter um new metal no meu disco. Então, falei: vou fazer! Eu gosto disso e sinto que a galera entende muito, compra a minha ideia. Essa mistura é uma característica minha. Às vezes eu entro no estúdio e fico pensando se a gente juntar um reggaeton com um dubzão, se vai dar certo. E os meninos ficam: "Vamos tentar, vamos ver" (risos). A arte é muito livre, e eu sou muito feliz por ter o privilégio de passear pelos gêneros que eu amo ouvir e fazer a galera passear junto comigo.
Foto: Bianca Trindade
Compartilhe
Orquestra de Macaé se apresentará no Theatro Municipal do Rio de Janeiro pelo terceiro ano consecutivo
10/03/2026 | 14h48
Foto: Ana Clara Miranda/Divulgação
Um dos palcos mais tradicionais e importantes da cultura no Brasil, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro terá uma atração de Macaé em cartaz no próximo dia 18. Trata-se da Orquestra de Sopros Nova Aurora, que se apresentará no local pelo terceiro ano consecutivo, desta vez com um concerto sinfônico dedicado exclusivamente aos naipes de sopros e percussão. No repertório, obras dos compositores brasileiros Gilson Santos e Daniel Martins, do português Vitor Resende e do espanhol José Alberto Pina, todos eles contemporâneos. O evento está marcado para as 19h, com duração de uma hora e cinco minutos. Ingressos a partir de R$ 1, na bilheteria do Municipal ou pelo site feverup.com/m/545625.
Com direção artística do regente Hélio Rodrigues, o "Concerto Sinfônico - Música para Sopros e Percussão” propõe a própria Orquestra de Sopros Nova Aurora como protagonista. Desta forma, não haverá participação de cantores solistas. No programa, destaque para músicas como “1835 – A Revolta dos Malês”, de Gilson Santos, que faz referência ao levante de escravizados muçulmanos ocorrido na Bahia; e “Aurora”, de Daniel Martins, cuja canção citada passeia pela história da própria Nova Aurora.
Na execução do “Concertino para Trompa” de Gilson Santos, haverá participação do trompista Gilson Santos, integrante da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Fundada em 8 de junho de 1873, a Sociedade Musical Nova Aurora tem ganhado projeção nacional por meio da sua Orquestra de Sopros. A primeira exibição da atual série no Theatro Municipal do Rio ocorreu em agosto de 2024, como parte da turnê que celebrava os 150 anos da instituição. O evento contou com participação do cantor e compositor Flávio Venturini. Em julho do ano passado, foi a vez do concerto "Sotaque Nordestino", celebrando a música nordestina num formato sinfônico. Agora, o show da próxima semana abrirá a temporada 2026 da Nova Aurora. Quem deseja comparecer ao evento tem como opção uma excursão saindo de Macaé, com passagens de ida e volta a R$ 130. Reservas devem ser feitas pelo WhatsApp (22) 99934-0767.
Compartilhe