Um rapaz com tanto de nós
Matheus Berriel 07/04/2023 15:13 - Atualizado em 07/04/2023 20:26
'Silvero interpreta Belchior'
'Silvero interpreta Belchior' / Foto: Matheus Berriel
Reaberto no último dia 31, com uma exposição sobre a campista Mercedes Baptista, primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o Teatro Firjan Sesi Campos recebeu nessa quinta-feira (6) o primeiro show em sua nova fase. Foi do ator, diretor, escritor e cantor Silvero Pereira, em turnê pelo Brasil com o espetáculo "Silvero interpreta Belchior'", em que canta 15 composições do homenageados (cearense como ele). Trata-se de um show forte e marcante, sobre o qual faço breve comentário abaixo:
Um rapaz com tanto de nós 
Nos versos de Belchior, todo mundo se encontra. São encontros com quem fomos, com quem somos, com quem podemos ser. No canto de Silvero Pereira, a gente retorna. Seja lá para onde. Cada um sabe o canto em que lhe aguarda um afago, e "tristes são aqueles que já nasceram entre os arranha-céus".
No palco, Silvero é mais do que ele. Em seu olhar por vezes distante, mas sempre focado, há um pouco de cada moça e rapaz latino-americano, com ou sem dinheiro no banco, sem parentes importantes, vindo do interior e descobrindo diariamente que nem tudo é maravilhoso como tentam nos dizer.
Em cena, Silvero é Antônio Carlos, é Severino, é Gisele, é Josy, é Nonato, é Elis, é Lunga, é Luiz. Gonzaga e Inácio. É cultura em carne e osso, com um sangue que ferve e tem cheiro de Brasil. Só quando as cortinas se fecham ele volta a ser Silvero. Aquele menino lá de Mombaça, que empresta corpo e voz a personagens com tanto de nós em si.
Ao final, já não sabemos se somos plateia ou partícipes do show; se é a vida que imita a arte ou a arte que imita a vida. Somos, sim, sujeitos de sorte; sãos e fortes, com Deus do lado nos momentos de sangria e medo (nem sempre só de avião). E o que um dia nos matou, esse ano já não mata mais!

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