Francimara: R$ 60 milhões em investimentos e uma "política diferente" em SFI
Aldir Sales e Arnaldo Neto 26/03/2022 09:31 - Atualizado em 26/03/2022 10:31
Em seu segundo mandato à frente da Prefeitura de São Francisco de Itabapoana, Francimara Barbosa Lemos (SD) diz se sentir uma liderença em uma política tradicionalmente dominada por homens, assumindo protagonismo na região. Com R$ 35 milhões pela concessão da Cedae e mais R$ 25 milhões em parcerias com o Governo do Estado, ela fala de obras importantes, como a revitalização da entrada da cidade, drenagem e orla de Santa Clara, melhorias no Hospital Manoel Carola e a recuperação de estradas vicinais. Com uma economia baseada na agricultura, Francimara viu o município crescer mesmo durante a pandemia de Covid-19, que deixou marcas e perdas enormes, inclusive na política. Seu marido e ex-prefeito Frederico Barbosa Lemos é pré-candidato a deputado estadual a ela vê demanda da população por maior representatividade na Alerj, sem abrir mão do apoio à reeleição do governador Cláudio Castro.
Prefeita de SFI, Francimara Barbosa Lemos
Prefeita de SFI, Francimara Barbosa Lemos / Rodrigo Silveira
Folha da Manhã – O município teve uma destinação de recurso volumosa com relação à concessão da Cedae, que vai chegar a R$ 35 milhões, mas o primeiro repasse foi de R$ 22 milhões. Quais são as principais destinações desse recurso?
Francimara Barbosa Lemos – É um recurso que o município de São Francisco, com dinheiro que está no cofre público, que a gente nunca sonhou em ter. Estou focando muito nas pavimentações, porque nós temos aqui 2 mil quilômetros de estrada vicinais. Fiz um registro de preço de R$ 5 milhões de intertravado, mais R$ 1,5 milhão de material, meio-fio, areia, pó de brita. O primeiro serviço que a gente começou a fazer foi a pavimentação da rua Maximiliano, que é aquela rua lá de Barra Velha, uma rua muito famosa de tanto buraco que tinha. Vamos agora dar a ordem de serviço também para duas ruas em Travessão de Barra e depois duas ruas em Praça João Pessoa. Compramos lâmpadas de LED, a gente vai estar mudando a nossa iluminação pública, tendo em vista que é muito precária. A minha intenção agora é colocar lâmpada de LED, mudar toda nossa iluminação pública e começar com as ruas principais. Não só trocando as lâmpadas, mas também braço, tudo que precisar. Já as lâmpadas amarelas, a gente vai estar colocando nas ruas transversais, onde estiver apagado. Depois a gente vai trocando de todas as ruas (por LED).
Folha – Uma cobrança antiga é a questão da mudança do tráfego no município. Essa obra também é contemplada por esse recurso da Cedae, alguma parceria com o estado?
Francimara – É também desse recurso da Cedae. A gente já tinha o projeto e vai estar mudando o trânsito de São Francisco, que não comporta mais o jeito que está. Você não consegue estacionar, não consegue parar uma moto, uma bicicleta, um carro, enfim. Então, a gente fez o projeto, nós vamos estar colocando em mão única. Um ponto, à direita vai ser estacionamento, espinha de peixe, e do outro lado a gente vai fazer ciclovia. As ruas paralelas vão dar acesso também ao comércio. Vamos estar mudando, tendo em vista que a gente agora conseguiu também com o DER, uma obra do Governo do Estado, a nossa rotatória. Eu, particularmente, sou muito ousada, então a gente fez um projeto da rotatória, mas a gente fez um projeto assim que vai mudar literalmente a cara da cidade, a chegada da cidade. Essa obra do Governo do Estado, que foi dada a ordem de serviço semana passada, já iniciou, começa lá perto da praça da Bíblia, vai até o final da principal de São Francisco, e dali para frente a gente começa a obra.
Folha – Há perspectivas de melhoras para qualidade do serviço de água e esgoto no município, com a Águas do Rio iniciando o serviço aqui em São Francisco?
Francimara – A nossa perspectiva é muito boa. Em 2017, no meu primeiro mandato, eu fui buscar recursos justamente porque nós não temos nenhum metro de esgoto tratado na nossa cidade. É realmente um absurdo a gente ver isso. Saneamento, esgoto, tudo isso é saúde também, qualidade de vida para o nosso munícipe. A gente conseguiu uma emenda parlamentar de R$ 6 milhões (para saneamento), dos quais já temos liberado R$ 800 mil e a gente começando a obra, vai liberando mais recursos. Mas, agora, com o leilão e a Águas do Rio assumindo, a gente tem a perspectiva de que eles vão iniciar no centro da cidade. E a gente vai ver como que vai ser usado esse recurso, de R$ 6 milhões. A gente ainda está vendo o jurídico, o planejamento, como que vai ser feito porque esse recurso veio via governo federal, através da Funasa. Então, eu preferi deixar o dinheiro quieto até saber o que a gente pode literalmente fazer. Mas a expectativa da gente em relação a Águas do Rio é a melhor possível. Estive com eles várias vezes, então eles vão começar pelo centro, mas começar primeiro a mapear, fazer todo aquele levantamento, então acredito que não seja uma coisa assim tão de imediata, mas vamos torcer para que aconteça o mais rápido possível.
Folha – São Francisco tem essa particularidade, devido à extensão territorial, de ter núcleos de povoados isolados. Todos já têm água tratada?
Francimara – Não, não temos. Nós temos mais de 100 localidades espalhadas em todo o nosso município. Então, muito dessas famílias são água de poço. A minha casa mesmo é água de poço. De todos os lugares, 90% é água de poço. [A perspectiva com a Águas do Rio] é de chegar [água tratada] para 100%.
Folha – Hoje, quais são as principais parcerias com de SFI com o Governo do Estado?
Francimara – A gente já iniciou essa obra terça-feira agora da nossa rotatória, que também é uma parceria do Governo do Estado, uma obra de R$ 3 milhões. E um dos projetos em parceria que eu fico contando os minutos, os segundos, para acontecer é a obra da drenagem de Santa Clara. É um problema que existe há mais de 30 anos e nunca foi feito um projeto. Então, quando eu assumi, veio uma enchente horrorosa. Procurei se tinha algum projeto, mas não tinha. Nós fizemos o projeto, à época ficou avaliado em mais ou menos R$ 15 milhões. A gente nem sonhava em ter esse recurso da Cedae, então era inviável o município fazer. Conseguimos uma parceria com o Governo do Estado, fizemos algumas adequações que o governo pediu, então a obra vai ser licitada agora, dia 31 de março. A gente reduziu alguma coisa, fomos corrigindo, e a obra ficou avaliada em R$ 10 milhões. Vamos estar retomando agora a ordem de serviço do programa Somando Forças, que a gente prestou conta, fez tudo direitinho, então a gente conseguiu e o Governo do Estado também vai retomar com a orla de Santa Clara. A obra está parada, e é um sonho realmente da população, principalmente Santa Clara.
Folha – Você tem um balanço do investimento do Estado em SFI?
Francimara – A gente também está com essa parceria para ampliação e a reforma total do Hospital Municipal Manoel Carola, que vai contar até com um elevador, a gente conseguiu também a parceria com o Governo do Estado, é uma obra avaliada em R$ 5 milhões. Eu acredito que uns R$ 25 milhões a gente já tem aqui investidos somente nessas obras importantes. Todas são importantes, mas essas obras são mais grandiosas, fora a parceria que a gente tem sempre com o DER, que vem nos ajudar, com tapa-buracos, essas coisas assim.
Folha – E em relação à ponte da Integração, qual a importância dessa obra e quais informações você tem sobre essa intervenção regional?
Francimara – A gente tem conversado muito com o deputado federal Aureo Ribeiro, que é um parceiro realmente da nossa cidade, ele nos ajuda bastante, e eu vejo que é um progresso muito grande para São Francisco. Mas a gente tem que entender que junto com o progresso vem as outras demandas. A gente vai ter que buscar recurso, através do Governo do Estado, para estruturar o nosso lado, o lado de São Francisco, Gargaú, Campo Novo, para receber esse tráfego de veículos. A gente tem essa promessa deles, estamos terminando o projeto para apresentar.
Folha – Como SFI tem se preparado para o progresso por estar entre duas cidades (SJB e Presidente Kennedy) com grandiosos portos?
Francimara – A gente tem até um porto que vai chegar aqui na comunidade Barrinha, o Canaã. O que eu procuro muito frisar aqui na nossa cidade é a capacitação, com cursos profissionalizantes para os nossos jovens. A maioria dos nossos jovens, que têm uma formação melhor, acaba indo embora de São Francisco. Sempre falo isso, porque eu sou uma prefeita muito presente na nas comunidades, e não quero que a minha cidade tenha vaga de emprego nesses portos somente de trabalhador braçal. Não é que não seja uma profissão digna, mas eu acho que nós temos aqui como oferecer e ofertar coisas melhores para os nossos munícipes. É difícil mão de obra até para trabalhar aqui na Prefeitura. Se você tem aqui vagas para 200 professores do segundo segmento, todo mundo que chega aqui só quer vaga de apoio. Então, é difícil, mas a secretaria de Desenvolvimento Humano tem uma parceria, através do Balcão de Empregos, e está sempre oferecendo cursos de capacitação, procurando fazer palestras nas escolas para os nossos jovens, para frisar para que eles possam realmente estar preparados para esse crescimento e poder, futuramente, ter uma profissão, chegar lá em cima e falar, sou de São Francisco de Itabapoana.
Folha – A agricultura é muito tradicional na cidade. Atualmente, quanto se investe e quanto o município tem de retorno nesse setor, que não parou em nenhum momento na pandemia?
Francimara – Hoje a gente tem três pontos com o espaço do produtor, onde a secretaria de Agricultura recebe esse agricultor. Procuramos contribuir do pequeno ao grande agricultor, com as nossas máquinas. Adquirimos uma plantadeira para poder estar auxiliando o pequeno produtor. Temos uma parceria também com os grandes produtores de silagem, na qual a gente pega essa silagem, leva para o produtor e ele paga um frete mais em conta, ou seja, ele compra pela metade do preço e a Prefeitura oferece esse frete. No ano de 2020 nós tiramos primeiro lugar na agricultura do estado. Foram mais de 305 milhões de verduras, hortaliças, frutas que saíram do nosso município para alimentar todo o estado do Rio. O nosso município, mesmo com a pandemia, acabou crescendo. A gente aqui ficou com o comércio fechado uma semana só, eu lutei muito, foi muito difícil, mas a gente conseguiu mostrar, principalmente para o Ministério Público, que o nosso comércio é diferente do comércio de Campos. Nós não temos grandes lojas, shopping, cinema. Recomendamos o uso de máscara, se você hoje sair aqui na nossa principal desde livraria, papelaria, até hortifruti, todo mundo tem lá sua piazinha do lado de fora, para o pessoal chegar e lavar a mão. E a gente acabou recebendo aqui na nossa cidade duas grandes lojas, que é a Casa e Vídeo e as Lojas Americanas, que dentro da pandemia vieram para São Francisco. Para uma empresa dessas vir para uma cidade, ela tem que pesquisar e entender que está crescendo. E através da nossa agricultura, o que a gente hoje pode receber, nós temos muita dificuldade. O pessoal nosso aqui tem aquela cultura de não tirar nota fiscal, porque vai pagar imposto. Então, o abacaxi famoso de Marataízes é o abacaxi de São Francisco. Vem o atravessador, tira a nota, leva o nosso imposto para lá. Hoje a gente está fazendo também um trabalho para conscientizar e mostrar ao nosso produtor o quanto é importante ele estar legalizado até para a nossa arrecadação poder aumentar, mas a arrecadação é bem pequena porque a gente tem esse problema aqui, um problema cultural realmente.
Folha – Como São Francisco enfrentou os piores momentos da pandemia?
Francimara – Foi um desafio muito grande, acredito que para todo mundo. Aqui, o medo era por ser um município pequeno e a gente não ter realmente uma estrutura hospitalar como UTIs. Tivemos perdas, e todas são importantes, entre elas a de um vereador [Mazinho da Banda] e do nosso secretário de Educação [Renato Cunha], que vai fazer um ano no próximo dia 16. No dia do enterro do secretário de Educação, a gente tinha 23 pessoas internadas no hospital e nós temos 22 leitos. Naquele momento, na hora do velório, saiu aquela correria, eu sem entender muito bem, achando que o pessoal estava passando mal, mas foi porque chegou essa notícia. Começamos a enviar os pacientes nossos para Itaperuna, Bom Jesus, Campos. A gente conseguiu inaugurar um centro de imagens, que conta com um raio X digital, um aparelho de tomografia, que não existia no nosso município. Naquele momento, se a gente não tivesse esse aparelho de tomografia, ia ser bem pior. Quando a gente assumiu, nós tínhamos um respirador, emprestado, e hoje nós temos 10. Nós não temos uma UTI, porque a gente ainda não tem a máquina de hemodiálise, para fazer no paciente que está internado, e o médico intensivista 24 horas. Mas toda essa estrutura nós temos aqui. E vamos estar inaugurando também, no próximo mês, nosso centro cirúrgico, que está fechado desde 2009. Até para extrair uma unha, você tem que ir para fora porque aqui não tem condição. Uma hérnia, uma coisa boba, você tem que sair. A gente vai retornar. Vejo que um dos avanços muito grande que a gente teve também foi na saúde.
Folha – Como você avalia o Legislativo da cidade e como é a sua relação com a Câmara?
Francimara – Faço muita questão sempre de falar isso, porque apesar de serem poderes diferentes, tem que ser harmônico. A prova desse crescimento no município é justamente essa relação que eu tenho com a Câmara. No meu primeiro mandato, eu só tinha uma vereadora de mandato, que era vereadora Iara Cintia, e nós fizemos dois, a Iara e o Pintinho. Neste segundo mandato, dos 13 vereadores, hoje, 12 são da base. Eu sou uma prefeita muito fácil de lidar, de compreender, de ser parceiro, de mostrar a realidade realmente. Ao longo do tempo, a gente conseguiu mostrar a transparência, a confiança, o crescimento que a nossa cidade está tendo, dependendo também do Legislativo. Tem gente que fala: “Francimara, você sabe jogar”. Não, administrar não é jogar, é diferente, eu acho que a gente consegue se respeitar e mostrar confiança. Tenho uma relação tranquila com a Câmara e agradeço a todos os vereadores que me ajudam a trabalhar e fazer o nosso município crescer.
Folha – O seu marido, Frederico Barbosa Lemos, é pré-candidato a deputado estadual. Como essa pré-candidatura nasceu? E qual o papel dessa pré-candidatura no contexto regional?
Francimara – Com as perdas de João Peixoto e de Gil Vianna (deputados estaduais que morreram vítimas da Covid), a nossa região, não só São Francisco, ficou muito carente de deputado estadual. Sempre que eu preciso de algo do Governo do Estado, eu vou recorrer a um deputado federal, Aureo Ribeiro. Apoiei o [deputado estadual] Bruno (Dauaire, PSC) na última eleição e não consegui ter essa parceria. Na própria população surgiu, nasceu aquele desejo de ter uma representatividade da nossa cidade e veio o nome do Frederico. Naquele momento Frederico ficou não sei, não sei, depois o desejo da própria população foi aumentando, o próprio grupo político nosso acha que chegou a hora, e ele lançou a sua pré-candidatura. E vejo que ele tem grandes chances para ser eleito e vai ser um grande representante não só para São Francisco, mas para todo Norte e Noroeste. É uma questão de desenvolvimento ainda mais para São Francisco, porque infelizmente São Francisco muita das vezes é visto como aquele municipiozinho, coitadinho, lá no final do mapa. Vem aqui, pega o voto e vai embora. E quando você precisa, vai recorrer a quem? Então, eu acho que com esse projeto da pré-candidatura de Frederico, não ganha só São Francisco, mas também São João da Barra, Campos e toda região. A gente vem vendo isso, o anseio da população, a aceitação por onde a gente vai. Estou aqui para ajudar, para somar, torço muito por ele, não só por ser o meu esposo. Vejo que o Frederico foi um dos políticos mais injustiçados. Foi prefeito por seis meses (após a cassação de Beto Azevedo, em 2012) e ficou inelegível por oito anos (as prestações de contas dele e de Beto foram julgadas e reprovadas juntas na Câmara, embora Frederico tenha tentado o desmembramento, que possibilitaria uma análise separada, mas não conseguiu). Ele não pôde mostrar para população o que ele poderia fazer e mesmo assim fez nesses seis meses. Mais de mil servidores públicos, concursados, estavam esperando para serem chamados, sempre um prefeito jogava para o outro, e o Frederico convocou esses concursados. Apesar do pouco tempo, ele ainda deixou uma marca aqui através dos nossos servidores. Vejo que chegou o momento dele. Falo isso para ele: Frederico, a gente tem que agradecer a Deus, que Deus de repente não queria que você fosse só prefeito, você não ia mostrar o que você é capaz só para uma cidade, e sim para o estado todo. A gente está na torcida e trabalhando muito para que isso possa acontecer.
Folha – Normalmente, muitos políticos visitam a cidade para firmar algum compromisso, um contato com os prefeitos do interior. Com o seu marido pré-candidato, essa realidade muda?
Francimara – Não apareceu ninguém aqui ainda não (risos). Ainda não apareceu nenhum deputado estadual aqui na nossa cidade, pleiteando, mas a nossa parceria é normal, trato todos bem. Nessa semana mesmo tive um contato com o próprio secretário (estadual) de Governo, Rodrigo Bacellar. Não tenho problema nenhum com ninguém, eu acho que tem espaço para todo mundo. Frederico busca, lógico, o espaço dele, mas se não existisse essa lacuna de João e de Gil, Frederico de repente não entraria. Então, existe essa lacuna, os órfãos desses candidatos. Acho que chegou o momento dele, de repente abraçar esse público para ele e conquistando novos.
Folha – Você citou o nome de Bacellar, e no âmbito regional, há uma guerra dele com o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho. Ambos são aliados do governador Cláudio Castro. Como você vê essa briga e qual o impacto disso para a região?
Francimara – Eu acho que quem perde é a população. O Rodrigo ele é um secretário muito bom, um deputado muito bom, Wladimir também, nós apoiamos ele para deputado federal, trabalhamos para ele aqui também, e ele está desenvolvendo o trabalho dele lá. Prefiro não opinar sobre essa relação deles. Mas digo que tem que parar, conversar, porque não saem prejudicados o deputado e o prefeito, o maior prejudicado é a população. Aqui, quando existe alguma coisa com o vereador, que está chateado, e vereador é ciumento, eu procuro, ligo, converso. Estou sempre chamando. Acho que faltou de repente esse jogo de cintura, saber lidar com as pessoas, saber tratar, saber principalmente tratar e cumprir. Eu vejo que acaba quem perde é a população.
Folha – Essa briga entre Rodigo e Wladimir pode influenciar de alguma forma no desempenho do governador Cláudio Castro na região?
Francimara – Eu acho que não atrapalha, vou tirar por mim aqui. Nunca um governador olhou tanto para o interior, principalmente para São Francisco, como Cláudio Castro. Se a gente não tiver essa parceria do governo federal, o governo estadual, a gente não consegue trabalhar. Sai prejudicada mesmo a população de Campos, que ali é uma questão política deles dois
Folha – Como você está vendo o tabuleiro para disputa a governador e a presidente?
Francimara – Em relação a presidente, é muito cedo. Acredito que fica entre Lula e Bolsonaro. É tipo Vasco e Flamengo, né? Aquelas duas torcidas ali. E o Governo do Estado deve ficar mesmo entre Castro e (o deputado federal Marcelo) Freixo (PSB). Hoje eu sou Cláudio Castro, lógico, a gente torce muito. Presidente eu sou neutra, por enquanto.
Folha – A representatividade feminina na política ainda é baixa. Porém, aqui na região, grande parte das prefeituras são comandadas por elas. Como você analisa a representatividade feminina na política? Quando você chegou em um meio tão masculino, de maneira geral, encontrou dificuldades? Você se vê hoje como uma líder, mulher, nesse cenário?
Francimara – Me sinto uma líder, sim. Procuro me impor bastante, confesso que no meu primeiro mandato, no começo, eu me sentia um pouco insegura, porque era tudo muito novo, eu nunca fui vereadora, fui secretária de Assistência do município durante um ano e 10 meses. Então, quando surgiu o meu nome eu nem imaginava, tinha medo até de falar. Eu falo aqui na cidade que eu quebrei todos os tabus de São Francisco. Era muito difícil para uma prefeita, nunca teve, eu sou a primeira e reeleita. Consegui mostrar para população que a gente pode, sim, impor, que a gente pode fazer também. Não é só o homem que sabe fazer. Nesse segundo mandato, eu acho tudo tão natural, que até a rede social, e eu sou meia brigona, eu já consigo lidar melhor com aquilo. Sou uma política que mostrei para população que é possível fazer a diferença, fazer uma política diferente. Quando a gente entra na vida pública, a gente tem que fazer política realmente voltado para o povo, para as pessoas que precisam. Aqui em São Francisco nós temos uma população muito carente, carente em todos os sentidos, principalmente de carinho, de ter o político. Eu sou uma política que se falar tem um problema ali, não vai lá não, é lá que eu vou. Eu encaro o problema de frente. Eu entro na Prefeitura, atendo as pessoas, se eu não puder atender, falo que eu não vou poder, para voltar outro momento. Até na própria Prefeitura, funcionários já antigos, falam: “nossa, você é uma prefeita totalmente diferente”. Faço café aqui para os funcionários, para os garis. A gente faz oração ali no perto do dos eucaliptos. São pequenos gestos, mas que as pessoas se sentem agraciadas.
Eu me sinto sim uma liderança política sim, eu acho que a mulher mostrou que ela pode ser o que ela quiser, a gente é aquilo que a gente quer ser. E eu aprendi a fazer política, sem saber fazer política. Faço do meu jeito, pode ter certeza que eu administro aqui como se eu estivesse administrando a minha casa. Eu cobro, consigo ter aquele olhar diferente, mas eu sei impor, sei cobrar e eu amo o que eu faço. Faço política por gostar, eu não faço política para meio de vida. A gente tem que ter profissão se quiser viver bem. Mas eu faço política, realmente, o meu maior prazer, é poder ajudar realmente às pessoas. Acho que todo político deveria pensar assim, que ele entrou na política para servir, não para ser servido.

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