Na Ribalta: Cinema drive-in
Fernando Rossi - Atualizado em 15/06/2020 17:15
Você está sentindo a falta de ir ao cinema, não é mesmo? Essa vida de streaming em streaming está dando um leve desespero e você não vê a hora de sair por aí para dar uma volta e assistir a um filmaço em uma tela grande. Se esse é o seu caso, já pode comemorar. O cinema drive-in está liberado!
Por conta da exigência da OMS de evitar aglomerações, para conter a disseminação da Covid-19, cidades brasileiras como São Paulo (SP), Praia Grande (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS) estão retomando essa tradição nostálgica.
Em tempos de tantas incertezas, é possível que esse seja o novo normal para a sétima arte, pelo menos por um tempo.
O cinema drive-in é uma criação do norte-americano Richard Hollingshead para agradar sua mãe, que sempre reclamava dos assentos nas salas não serem confortáveis para pessoas acima do peso.
Assim, em 1932, ele teve a ideia de fazer o público assistir aos filmes no conforto dos carros, valendo-se apenas de um telão para projeção e de um estacionamento. A invenção se tornou um sucesso absoluto nas décadas de 1940 e 1950.
O Cinema drive-in, que se popularizou entre as décadas de 1950 e 1970, está de volta. O formato de exibição de filmes, onde se assiste às produções dentro do carro, surgiu em junho de 1933, nos EUA. Por diminuir o contato entre as pessoas, é aposta do entretenimento fora de casa em 2020. Unidades já funcionam em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Duas empresas estudam projetos para Belo Horizonte, mas ainda é proibido.
O Cinema Drive-in funciona com uma tela de exibição de filmes em um estacionamento. Os carros são manobrados em frente a ela e cada um assiste dentro do seu veículo. O som é disponibilizado por frequência de rádio ou por caixas de som espalhadas pelo percurso. Alguns oferecem serviço de bordo, banheiros, limpadores de para-brisa e recarga de bateria.
Neles, geralmente é possível comer, conversar, atender o telefone, ver o filme agarradinho, levar o bebê, cachorro e até o papagaio. Além de nem precisar se arrumar tanto assim. Faróis e luzes internas são proibidas. Contudo, cada estabelecimento segue uma norma de segurança.
Antes da pandemia do Coronavírus existia apenas um cinema drive-in em funcionamento no Brasil, o de Brasília, que continua aberto. Pouco mais de dois meses depois, surgiram novos empreendimentos. Como o Cinesystem Litoral Plaza Drive-in, de Praia Grande (SP), o Cineprime Drive-In, em Uruguaiana (RS) e o Cineplus Drive-in , em Curitiba (PR).
O de Brasília e do Praia Grande responderam por 98,8% da bilheteria do cinema nacional entre os dias 21 a 24 de maio. Os dados são do site Filme B, que também revelam que, o Cine Drive-In Brasília recebeu mais de três mil frequentadores no período. Os dados chamaram a atenção de produtores de eventos e cinema de todo o Brasil, que viram que abrir um negócio do tipo, pode dar retorno.
Sendo assim, anúncios de novos cinemas drive-in surgem a cada dia. Estão previstas para junho inaugurações no estacionamento do Taguatinga Shopping, em Brasília, e na Jeunesse Arena, no Rio. Em julho, o outro empreendimento da produtora Dream Factory chegará a oito capitais brasileiras.
Em Belo Horizonte, duas empresas já estão desenvolvendo projetos para lançar a modalidade. Uma delas é a Ponto Org Eventos, que pretende ocupar estacionamentos de shoppings da capital mineira e de outras cidades brasileiras. Já Autocine, não revelou onde será instalado na capital mineira, mas adiantou nas redes sociais que terá unidades também em Nova Lima, Betim e Brumadinho. Os projetos vão exibir filmes que estão em cartaz e alguns clássicos do cinema.
Contudo, o Cinema Drive-in ainda não é permitido em BH. O prefeito Alexandre Kalil (PSD) publicou no início de maio, um decreto que suspende, por tempo indeterminado, todos os eventos no modelo drive-in.
Segundo o infectologista Estêvão Urbano, coordenador do serviço de infectologia do Hospital Madre Teresa e presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, a alternativa é criativa e segura para o entretenimento. “Contudo, tem que haver segurança e seguir algumas regras. Dessa forma, não ter aglomerações no carro, as pessoas serem do mesmo convívio, os funcionários devem ser testados e usar equipamentos de segurança”, explica.
Em relação a não permissão da prefeitura de Belo Horizonte, o infectologista recomenda que seja proposto às autoridades. “Há grandes chances de liberação se funcionar corretamente. Por fim, vale ressaltar, que é muito importante explorar mecanismos alternativos para dar opções para as pessoas se divertirem até tudo voltar ao normal”, salienta.
Assistir a filmes de dentro dos carros já é tendência em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e outras cidades. Uma nova realidade.

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