Jair Bolsonaro é transferido para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo
07/09/2018 09:04 - Atualizado em 10/09/2018 13:40
O candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, foi transferido, na manhã desta sexta-feira, para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ele estava internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora (MG), onde passou por uma cirurgia após ser esfaqueado nessa quinta-feira. A junta médica que prestou atendimento a Bolsonaro e a família do deputado federal decidiram pela transferência. O quadro do político é considerado “extremamente estável”, “consciente e em boas condições clínicas”. Em vídeo gravado na UTI do hospital mineiro, Jair Bolsonaro fala que “até o momento, Deus quis assim”. Já o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou nesta sexta que o efetivo da Polícia Federal que faz a segurança dos candidatos à Presidência da República será ampliado em até 60%.
Nesta sexta, em Juiz de Fora, uma ambulância, escoltada por carros de polícia, saiu por volta das 8h30 da Santa Casa em direção ao Aeroporto de Serrinha. Após chegar a São Paulo, ele foi transportado em um helicóptero até o Palácio dos Bandeirantes e, em seguida, de ambulância, ao Albert Einstein, onde permanece na UTI. Na frente da unidade hospitalar, apoiadores inflaram um boneco com a caricatura do candidato. Bolsonaro é exibido com uma faixa presidencial.
Reprodução - TV Globo
O corpo médico do hospital paulista afirmou que a transferência foi bem sucedida. A partir de agora, o estado de saúde de Bolsonaro será monitorado para evitar dois grandes riscos para a saúde do candidato: pneumonia, porque o deputado permaneceu, por muito tempo, em estado de choque e perdeu cerca de 2,5 litros de sangue (cerca de 40% do volume sanguíneo de um ser humano médio), e infecção, que pode ser causada pelo vazamento de massa fecal na cavidade abdominal.
Em um vídeo gravado no hospital mineiro e divulgado pelo senador Magno Malta (PR), Jair Bolsonaro diz que se preparava para enfrentar riscos durante a campanha. “Até o momento, Deus quis assim. Eu me preparava para um momento como esse porque você corre riscos. Mas, de vez em quando, a gente duvida, né? Será que o ser humano é tão mau assim? Nunca fiz mal a ninguém”, declarou o deputado federal.
Bolsonaro também publicou duas mensagens em sua conta do Twitter na tarde desta sexta. Ele disse que está bem e agradeceu a Deus, sua família e os médicos que acompanham seu caso:
O candidato pode ficar até 10 dias internado e deverá permanecer em repouso por mais 20 dias. Ainda não há confirmação se ele voltará para a campanha no primeiro turno. Os filhos de Bolsonaro e o vice, general Hamilton Mourão (PRTB), devem assumir os compromissos de campanha.
Carregado nos ombros por simpatizantes, Bolsonaro participava de uma caminhada na quinta quando foi esfaqueado por Adelio Bispo de Oliveira, que foi preso em flagrante. O ministro Raul Jungmann disse que a investigação aponta para um ato isolado, de “lobo solitário”, mas não descarta o envolvimento de pelo menos outras duas pessoas. Um dos suspeitos chegou a ser preso e interrogado, mas já foi liberado. O outro estaria hospitalizado e ainda não foi ouvido. A identidade de ambos não foi revelada.
Quadro clínico e recuperação
De acordo com o médico Luiz Henrique Borsato, profissional da Santa Casa de Juiz de Fora que compôs a equipe responsável pelo procedimento feito em Jair Bolsonaro, a expectativa é de que o político tenha alta dependendo da evolução do quadro de saúde. "As lesões internas foram graves e colocaram em risco a vida do paciente", disse Borsato.
Ele perdeu muito sangue e foi submetido a uma cirurgia de emergência chamada laparotomia exploradora, por meio da qual o abdômen é aberto para que sejam corrigidas as lesões.
— O que houve foi um sangramento na veia abdominal, que logo foi estancado, e lesões nos intestinos grosso e delgado. Foi retirada a parte lesada do intestino grosso, e o intestino delgado foi costurado — informou Borsato. A lesão no fígado, que chegou a ser uma hipótese, foi descartada.
Na cirurgia, que durou cerca de duas horas, Bolsonaro recebeu quatro bolsas de sangue em transfusão. Foi realizada uma colostomia temporária no candidato. Em seguida, ele foi encaminhado à UTI da Santa Casa. Para a diretora da unidade hospitalar, a médica Eunice Dantas, a recuperação nas últimas horas foi positiva. A profissional destacou que a facada, por centímetros, não atingiu regiões mais vitais do corpo.

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