Afastamento de Marcelo Bretas - Ele queria era jogar ali para a plateia naquele momento, e jogar carne aos leões. De maneira que, eu tenho muito a falar sobre isso, sobre várias injustiças que foram cometidas, sobre os meus erros eu já falei, sobre a questão comportamental, a questão de hábitos políticos. Ah, é corrupção ou não é? O caixa 2 é tido como corrupção? É corrupção? Ou tem outra tipificação? Eu não vou aqui entrar nessa discussão, porque eu não sou juiz, eu não sou promotor, eu não sou advogado, eu sou réu de processo. Mas eu acredito na Justiça. A 7ª Vara Federal está sob investigação da Justiça, do seu órgão de correição. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é a instância correta que se avalia a conduta dos magistrados. O CNJ, há cerca de menos de um mês, tomou a decisão, a partir dos dados iniciais colhidos de uma inspeção especial feita pelo Conselho, (...) de não só continuar as apurações e as investigações sobre o juiz Bretas, mas decidiu, o que me parece extremamente duro, tirá-lo da 7ª Vara Federal, afastá-lo da sua função judicante para ser investigado. Há uma série de delações contra ele. Nesse processo, a minha defesa entrou com uma certidão declaratória, porque a revista Veja há cerca de um ano e meio foi o primeiro veículo a despertar para o senhor Marcelo Bretas sobre a delação já assinada, naquela ocasião, pelo advogado Nythalmar com o Ministério Público Federal sobre o senhor Marcelo Bretas.
Procurado por delator de juiz - Quem é o advogado Nythalmar? Em 2014 e 2015 era o menino de Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, que trabalhava num escritório muito pequeno, muito humilde, lá atrás de uma loja e que de repente ele se torna o grande advogado da Lava Jato. Começa a resolver todos os assuntos de clientes da Lava Jato. Até que isso explode, porque ele mesmo foi vítima do próprio veneno, que ele estava participando, ele o Nythalmar, se indigna, por razões pessoais dele e denuncia o juiz Marcelo Bretas. Essa denúncia vai ao MPF e acontece o acordo de delação premiada contra o juiz. Eu recebi os jornais impressos e a revista Veja lá em Bangu 8 e vejo uma matéria muito longa com anexo referente a minha situação, em que esse advogado relata que durante o processo de decisão do caso Eike Batista, ele conta que foi ao presídio me procurar em nome do juiz. E é verdade. Ele conta as chantagens que ele exigiu. É verdade. Então, eu me senti na obrigação de fazer essa declaração, e mais, a minha defesa solicitou ao presídio a frequência daquele período do processo que eu sou réu com Eike, com o executivo dele, Flávio Godinho, e com a então minha esposa Adriana. Ele (advogado) chega lá e faz uma exigência: “olha você assina isso aqui, devolve o patrimônio seu e da Adriana e o juiz vai resolver o caso da Adriana”. Eu disse, olha eu não posso falar por ela, que está sendo tratada aí como uma laranja minha, mas todo mundo sabe que ela tinha um escritório com mais de 40 advogados, que o maior banco brasileiro é cliente dela, a maior seguradora de saúde é cliente dela, a maior companhia de energia cliente dela, a maior apresentadora de todos os tempos, a Xuxa, é cliente dela. O que isso tem a ver com a Lava Jato, com isso e aquilo, não tem cabimento. Se não for assim não tem acordo e por aí vai. Eu já estou até falando demais em consideração a vocês e vou parar por aqui.
Recebimento de propina e caixa 2 - Primeiro eu nunca recebi propina. Nós tínhamos o hábito na política brasileira do chamado caixa 2. Houve propina em governos? Se houve nos meus dois governos, eu não participei. O que eu posso garantir a vocês, é que eu nunca pedi propina e nunca teve sobrepreço no meu governo. Eu nunca manipulei uma licitação. Custa dez, bota onze e me dá isso aqui, me dá um. Eu nunca fiz isso, ao contrário. Os empresários sempre manifestaram o seguinte, olha: “o Sérgio Cabral, esse governo é um governo que não quer ser sócio do fornecedor. Esse é o governo que joga de outra de outra maneira”. E mais, num volume de recurso que o Rio de Janeiro nunca viu... por produção nossa, não foi porque ganhou de fulano não. O estado, nós chegamos no governo tinha um orçamento de R$ 30 bilhões ano quando eu assumi em janeiro de 2007. A governadora que me antecedeu (Rosinha), não havia, com todo respeito a ela, não havia pago o 13º em dezembro de 2006 e me deixou sem dinheiro para pagar em janeiro de 2007 os servidores públicos. A verdade é que no nosso governo não houve sobrepreço, não houve falsa entrega de qualquer tipo de serviço. Agora, se errou. Se errou muito nos hábitos do caixa 2. Eu fui líder desse estado durante 20 anos, eu fui presidente da Assembleia oito anos, fui governador oito anos, fui senador quatro anos. Então, eu acho que, por exemplo, financiamento público, achava que não era bom, hoje eu acho que é bom.
Cabral quebrou o Rio? - Eu sei que no meu período nós tivemos o maior índice de empregos da história do Rio de Janeiro, que nós tivemos o maior crescimento da história do Rio de Janeiro, nós tivemos a maior agenda de eventos da história do Rio de Janeiro. Nós tivemos o maior volume de investimentos da história do Rio de Janeiro, e deixei o caixa do estado, o juiz dizia, e eu posso falar sobre isso porque é uma tese inicial que ele colocava em todos os processos, o “Rio quebrou por causa do Sérgio Cabral”. Eu falei meu caro, excelência eu deixei o estado em abril de 2014 nas mãos do Pezão com caixa em dia.
“Acho que exagerei”, dito na prisão - Em fevereiro de 2015 houve um artigo um artigo de um querido jornalista, que eu tive o privilégio de conviver desde sempre, desde menino com meu pai, que é o Zuenir Ventura. Ele fez um artigo no Globo falando: pô você exagerou, não sei o quê. Foi um artigo de caráter digamos subjetivo e eu percebia nele, por mais duro que fosse, uma dose de carinho em relação a mim, quase de um tio puxando orelha e foi isso que eu comentei na prisão. Naquela ocasião, eu ficava numa cela com oito pessoas, uma confusão danada e, enfim, o período mais duro da minha vida.
Delação - Isso eu deixo para falar quando terminar todo o processo de investigação sobre a 7 ª Vara Federal e o Supremo Tribunal Federal também a tornou inválida. Então eu não posso nem entrar em detalhes.
Benefícios próprios com o Porto do Açu? - Quando eu assumi o governo, o Porto do Açu era só uma ideia. Uma área e uma ideia. O Eike Batista havia comprado, lançou a pedra fundamental e não tinha mais nada. Nós ajudamos o Porto do Açu a se desenvolver. Eu nunca recebi um tostão do Eike Batista sobre o Porto do Açu e isso foi dito por ele na delação dele, que está valendo. Ele declarou ao Ministério Público Federal: o Sérgio Cabral jamais um tostão de propina do senhor Eike Batista. O Sérgio Cabral recebeu recursos de campanha eleitoral. Sérgio Cabral nunca me pediu, segundo Eike Batista, isso eu estou aqui repetindo, “me pediu um tostão para uma licença ambiental, para uma desapropriação para as obras do Açu eu jamais fui extorquido pelo senhor Sérgio Cabral”. Isso foi dito pelo Eike Batista, que devolveu dinheiro e fez um acordo de delação. Eu estou usando inclusive esse argumento no meu processo de defesa. O Porto do Açu não tinha nem cem empregados, hoje tem milhares de empregados.
Investimentos na região - A primeira obra que eu fiz, eu falei eu vou terminar todas as obras inacabadas que eu recebi do governo Rosinha Garotinho, a primeira uma das primeiras obras que eu terminei foi a ponte que hoje é chamada de ponte Rosinha, que eu acho que o nome oficial é ponte Leonel Brizola, que eu dei o nome de Rosinha, em homenagem a ela. Uma obra parada de milhões de reais sobre o rio Paraíba que liga hoje com mais facilidade o povo de Guarus com o Centro da cidade. Essa obra fui eu que fiz. Eu pude fazer a UPA 24 horas, em Campos. Eu pude fazer a clínica da PM. Eu fiz muita coisa na região e o Porto do Açu em São João da Barra, que impacta todo mundo. Eu sou fã do Porto do Açu. Se o Eike Batista tomou uma decisão empresarial, lamentavelmente equivocada, que foi a crença de colocar muitos órgãos na questão da exploração do óleo que ele havia comprado por US$ 1 bilhão no leilão da ANP, e ali tem óleo, mas não tem óleo na quantidade que se esperava, em compensação o Eike fez um projeto que poucos empresários no mundo fariam (...) Então o povo de Campos, o povo de São João da Barra, o povo de São Francisco de Itabapoana, de toda a região, só tem a agradecer a esse cara que, pode ter cometido erros lá nos negócios dele, problema de com os acionistas, que ele tá respondendo. Mas aquilo é uma realidade. Então, a gente tem que a gente tem que valorizar sempre as boas iniciativas, aquelas iniciativas que ficam para sempre, que ganham uma dimensão de perenidade, de resiliência.
Arrependimento - A gente olhando para a trás, a gente sempre podia ser melhor em várias questões. Mas, o mais importante é você saber e ter a humildade, da compreensão do que errou. Eu não digo nem do ponto de vista criminal não, de tudo, de conduta. Não basta ser, tem que parecer. Então, por exemplo, construiu-se uma imagem comigo, divulgada inclusive por um político de Campos, pelo ex-governador Garotinho nos seus blogs, na ocasião, aproveitando que o foi em 2012, que o Fernando Cavendish, dono da Delta Engenharia, que fez muitas obras no governo dele e no governo da mulher dele, ele (Garotinho) aproveitou uma situação de festa e falou da farra dos guardanapos. Pois bem, eu não estou na foto da farra dos guardanapos. O Garotinho soube explorar isso naquela ocasião com o blog dele lá, falando mal de mim, mas é fato ou fake? É fake. Eu não estou com guardanapo na cabeça. Então essas coisas que a gente vai aos poucos tendo que esclarecer, tendo que mostrar. Mas do que eu me arrependo? De mais cuidado, de mais austeridade na maneira de ser. Menos é mais. Eu aprendi na prisão que menos é mais. Que nós devíamos viver com menos. Então assim, eu sou amigo de um empresário, há quantos anos? Há mais de dez anos. Virei governador, me tornei governador, não posso mais sair para jantar com esse empresário. Eu posso recebê-lo no Palácio. Eu posso tomar um café da manhã com ele, eu posso almoçar com ele no Palácio, eu posso ter uma reunião com ele no Palácio, mas não posso fazer vida social com ele. Não posso.
Avaliação de Cláudio Castro - Eu torço muito para que o governador Cláudio Castro de quem eu tenho, assim, uma admiração mesmo não sendo amigo, não conhecendo, mas é um governador que mostra bom senso que mostra tranquilidade nas suas atitudes. É um governador que começou de baixo, que foi assessor, que tem uma história bonita como cantor cristão, foi assessor, depois assessor de vereador, assessor de deputado, virou vereador e de repente caiu no colo dele essa atribuição de vice-governador, numa chapa que ninguém dava nada, foi com aquele juiz Witzel, exatamente sinônimo da bravata da Lava Jato, do juiz que ia resolver todas as questões moralizantes do Rio de Janeiro, que ia dar conta de tudo, deu no que deu. Mas o Cláudio está mostrando um bom senso que está admirável. Eu acredito que foi uma surpresa muito positiva.
Jogada política - Eu acompanhei da cadeia toda a deterioração do Estado, acompanhei em 2015, 2016 e antes de ser preso, eu cometi um erro de não ter disputado nenhum cargo público em 2014, meio que me anulei pra eleger o Pezão, tratei aquilo como a coisa mais importante, ao meu ver era, sinceramente eu via porque todas aquelas conquistas que nós tínhamos realizado, eu acreditava que deviam ser preservadas. E Pezão foi meu vice-governador oito anos, então acreditava que ele, mais do que ninguém, que estava todo dia ali comigo, podia dar conta da continuidade de todos los serviços, das conquistas, de todas as obras e não foi assim. Infelizmente ele não foi um bom governador, ele ficou nove meses no cargo me substituindo eu disse a ele: você tem que sentar na cadeira, eu vou sair e eu pensava em ser candidato ao Senado acabei não sendo candidato ao Senado para trazer o César Maia, tirar o César Maia do governo paro o Senado e assim ter os partidos que o apoiavam conosco também. A Dilma tinha naquela ocasião o apoio do candidato a governador Garotinho, tinha o apoio do candidato a governador Crivella, tinha o apoio do candidato Lindbergh e também do candidato Pezão. O César Maia trafegava sozinho ali, apoiando o Aécio Neves. Então eu fiz um jogo de xadrez, tirei o César da candidatura ao governo, trouxe ele para minha vaga no Senado e com isso nós construímos e formalizamos o Aezão e fortalecemos a candidatura do Pezão. Aquilo foi uma estratégia política. Então essa foi uma estratégia e eu fiquei nos bastidores, mas a minha crença que ele fosse fazer um bom governo. Estou falando isso para chegar ao Cláudio. Porque não dá para inventar a roda. O governante, ele tem que... quando eu assumi em 2007, eu falei eu vou terminar todas as obras. Então, a ponte de Campos, ela fez parte de um conjunto de obras que estavam paradas no estado do Rio de Janeiro, que eu herdei, e que eu fui terminando. Depois saneando o estado eu comecei a ter um projeto de presente e de futuro, imediato e de futuro a longo prazo. Mas você não pode ficar novidadeiro. E o Cláudio não é novidadeiro. Por exemplo, logo no início do governo do Pezão quando ele declarou entrevista no RJTV que ia fazer o metrô da Praça Cruz Vermelha, da Praça XV, do não sei aonde, eu falei, meu Deus, onde é que ele está com a cabeça? Vamos terminar a estação da Gávea, pelo amor de Deus.
Nome errado à sucessão - Eu achava que ele estava ali ao meu lado, que ele podia sentar na cadeira, como em várias empresas você tem uma pessoa você tem uma pessoa que é um bom gerente, você escolhe para ser diretor e ela não se sai bem. Depende. Tem gente que tem gente que é bom para bater falta, mas para cabecear não é bom, para tocar a bola não é bom. Então, ele não se mostrou…, porque governador tem que ser muito múltiplo e muito decisivo. É muita capacidade de decisão. Eu me lembro uma vez que o Beltrame entrou na minha sala desesperado com o Pezão, pedindo demissão. Ele falou: “vou embora, eu não aguento mais o Pezão. Eu fui despachar com ele, era uma operação de 400 pessoas do Morro da Pedreira, no Morro Chapadão, e tinha perguntado a ele ‘vamos entrar amanhã, governador?’ Ele falou ‘você que sabe’. Pô, governador, como eu que sei? Eu tenho que ter o governador me amparando”. Então, coisas desse tipo eu não quero mais entrar em detalhes (...) Pezão era o meu candidato, eu errei. Eu peço desculpas à população. Eu escolhi errado.
Comparação - O Cláudio Castro tem bom senso. O Cláudio pegou o governo, depois daquele desassossego do Witzel, pegou o governo acalmou a institucionalidade e declarou que ia concluir e terminar e recuperar aquilo que foi feito. O Cláudio está fazendo obras pra recuperar. Ele está mostrando que não despreza o que foi feito. Quer ver? O Garotinho fez o restaurante popular. Eu dobrei o número de restaurantes no meu governo. Eu dobrei, eu não, eu não fechei os restaurantes que ele tinha feito. Eu dobrei. Botei ar condicionado, botei café da manhã que não tinha. A gente não pode desprezar o que o outro fez. Eu peguei a ponte de Campos, que estava lá parada, eu vou deixar abandonada aí durante anos para a turma lembrar que foi o Garotinho, a Rosinha que fizeram? Não! Eu fui lá e fiz. Terminei a obra. Tanto que o povo carinhosamente e acho, com muita justiça chama o nome da Rosinha. Eu queria até dar o nome, mas infelizmente a lei não permite, porque quem está vivo não pode receber nome. Só quem já morreu. E eu espero que ela viva muitos anos com saúde, que ela é uma mulher muito legal. E eu e eu tenho um carinho pessoal por ela muito grande. Sempre me tratou com muita distinção.
Atuação de Wladimir - Já que eu estou falando da família, Wladimir eu conheci pouco, mas é um menino muito civilizado. As informações que eu tenho dele são as melhores possíveis. Meu filho Marco Antônio gosta muito dele, que foi deputado e conviveu com ele. Tenho muito carinho pelo Wladimir e, pelo que eu sei ele é uma pessoa de muita sensatez. Eu não tenho mais detalhes do governo, do dia a dia, se ele está bem, se a cidade está limpa, se os faróis, os sinais funcionam, parte social está andando bem, isso eu não tenho informação do dia a dia mas assim o mind do Wladimir, é um comportamento é uma forma de ser que muito me agrada.
Rodrigo na Alerj - Em relação ao Bacellar, eu tenho um carinho gigante pelo Marcos Bacellar que é o pai dele. Marcos Bacellar sempre foi um aliado meu, uma figuraça. E o Rodrigo Bacellar, advogado, trabalhador, um menino que desde cedo trabalhou muito e que eu tive a honra do primeiro cargo público dele, mais relevante, foi na Fenorte e nomeado por mim. Então eu tive muito prazer em ser o Bacellar e o Nelson Naim foram os dois executivos do meu período e me ajudaram muito, me ajudaram inclusive com a Uenf. Uma obra, por exemplo, que eu concluí foi o auditório da Uenf. Nós reforçamos nosso trabalho com a Uenf, foi um trabalho extraordinário. Nós fizemos grandes parcerias do meu governo com a com a universidade criada pelo grande Darcy Ribeiro. De maneira que o Bacellar mostrou um talento político no primeiro mandato muito surpreendente, muito positivo. Eu torço muito pra que ele vá bem. A Alerj tem um papel decisivo na governabilidade, na construção de projetos de lei, o Barcellar, me parece, tem muito bom senso. Enfrenta muito preconceito, enfrenta muitas opiniões pré-concebidas e ele tem se saído muito bem, com muita cautela. Os passos iniciais dele têm sido de muita cautela, de muito respeito a institucionalidade. Eu quero desejar ao Bacellar toda sorte do mundo, ele tomou posse agora, dia dois de fevereiro, como presidente da Alerj e eu tenho certeza que ele vai ser bem sucedido e eu peço a Deus que o ilumine em cada passo à frente da Assembleia. Então assim, Cláudio, Bacellar e Wladimir são três personagens políticos que gozam do meu respeito e da minha admiração.
Convite para ser presidente ou vice - E eu vou contar aqui uma passagem minha que eu estava guardando pros meus livros de memória. Em 2009, não sei em que mês. Eu recebi, para jantar na minha casa, o governador e o então presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, o então líder do PMDB na Câmara dos Deputados, o Henrique Eduardo Alves e o então ministro da integração e dirigente do PMDB, o Geddel Vieira Lima. Pediram um jantar comigo, eu já recebi, acho que eu chamei o Pezão, chamei o Picciani para esse jantar e o Marco Antônio e, eu não sei se foi, o Eduardo Paes. Esse jantar tinha o seguinte objetivo, me convidar pra ser candidato a presidente da República pelo PMDB. “Ó Sérgio, você está fazendo um governo extraordinário, o Rio de Janeiro é um celeiro de conquistas, o Eduardo Paes foi eleito agora com a tua liderança prefeito da capital, você vai ser o nosso presidente. Eu disse, olha Michel, te agradeço demais você ter vindo ao Rio, me procurar, ter dito isso, mas eu não sou candidato a presidente sou candidato à reeleição, o meu país é o Rio de Janeiro. Depois, em 2010, o ministro Tarso Genro me procurou falando em nome do presidente Lula para eu ser o vice da Dilma, porque aí não, sei se vocês lembram, eu por lealdade ao presidente firmei posição na escolha dele que era a presidenta Dilma no que pese ter conversado nos bastidores com ele e feito as minhas ressalvas. Mas, por lealdade eu fiquei com ele. E e aí o Tarso me propôs ser o vice. Ele me disse você não está aceitando, mas saiba que o presidente Lula vai te abordar. E o presidente me abordou também. Eu disse não, presidente, eu não sou candidato a vice, nem a presidente, sou candidato a governador.
Volta de Lula ao poder - O presidente Lula é o maior líder popular da história do Brasil. Além de ser um ser humano extraordinário, um ser humano delicioso. A pessoa política que eu mais curti foi o presidente Lula. Convivemos muito e intensamente. É um é um nome internacional, ele tem a chance de levar o Brasil outra vez a agenda internacional. Ele deixou o país em quinto lugar no PIB mundial. Nós estamos abaixo do décimo. A presidenta Dilma não fez um bom governo. Ela ainda aproveitou em 2011, 2012 índices que eram esteio do período do Lula. Nós tivemos dezesseis anos maravilhosos no Brasil. Nós tivemos oito anos do Fernando Henrique de arrumação da casa institucional, de arrumação da nova moeda brasileira, de privatização de setores estratégicos, como a telecomunicações, que não tinha cabimento, era uma coisa que unia a direita reacionária e a esquerda radical na mesma tese patriótica, entre aspas, de que a telefonia tinha que ser estatal uma coisa absolutamente dantesca e que foi quebrada. O monopólio foi quebrado.
Erro de Dilma - Como nós vivemos no período da Dilma, um equívoco que prejudicou Campos, que prejudicou o Norte fluminense, que prejudicou os estados produtores, foi a Lei do Pré-Sal. Eu levei por duas vezes, porque eu não abaixo a cabeça mesmo para aliado, se o interesse do Rio tava em jogo, nós botamos cem mil pessoas na Rio Branco, muitos ônibus inclusive do Norte Fluminense mobilizados de Macaé, de Campos, de toda a região. Aquela barbaridade, aquela lei que eu, desesperadamente, mostrando a eles, vocês estão levando o Rio de Janeiro, São Paulo, inclusive, eu estava com Serra que era governador, eu estava com Hartung, na reunião no Alvorada com o presidente, com a Dilma comigo ali discutindo de frente, e eu dizendo, isso é uma loucura. O modelo atual tá ótimo. Presidente Fernando Henrique fez um modelo correto que o senhor presidente está aproveitando muito bem. Se nós fizermos isso nós vamos perder o trem da história, porque o petróleo é uma commoditie. O barril pode valer cinquenta dólares, como pode valer cem dólares ele varia. Nós não podemos jogar os ovos da educação, a salvação da educação brasileira, a salvação do Brasil isso, é uma falsa patriotada, deixa isso seguir em frente como está (...) E nós caímos como boi de piranha, eu dizia isso pra ele, vocês estão jogando o Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo como boi de piranha. Não, vamos pegar os e distribuir para todo mundo. Graças a Deus, a Procuradoria do estado, sob meu comando conseguiu no Supremo estancar aquela lei que seria a mais sórdida de todas. E ela está parada lá.
Teto político - Uma das razões da minha sustentação moral, resiliência, como eu brinco com a minha família, além de Deus foi a minha família, foi o testemunho do que eu chamo dos meus acionistas. As pessoas que usufruíram do serviço público, as pessoas que tiveram seus filhos matriculados em escolas, que recorreram a esses hospitais, que tiveram emprego no meu período, que tiveram uma vida melhor, as idosas que entram de graça nos ônibus graças à minha lei, os estudantes que entram de graça graças à minha lei, em função da minha lei. Enfim, eu não estou na gôndola do supermercado mais. Neste momento, eu não estou na gôndola. Eu vou ficar fora da gôndola muito tempo. É claro que se a gente vai fazer com 60 anos de idade, com 67 anos, com 68, não sei. Não sei, eu estou com 60. Eu fui preso com 53, fiz 54 anos na cadeia. Então, eu não sei. Eu sei que, a curto e a médio prazo, eu quero trabalhar a minha experiência de comunicação, trabalhar a minha experiência de homem público, mas o futuro político eu não sei. Agora, te dizer quanto é que é isso. Eu ouvi essa maioria silenciosa. Isso eu te digo que eu ouvi essas pessoas dando testemunho. Não sou candidato, eu já fui chefe de dois poderes do estado, já fui senador da República. Hoje, o Marco Antônio Cabral faz esse papel. Eu tenho uma um perfil no Instagram, que é @sergiocabral_filho, que tem tido uma boa receptividade. Eu quero me comunicar, eu quero falar com as pessoas, eu quero dar entrevista, eu quero dar opinião, eu quero pensar o Brasil, eu quero pensar políticas públicas, eu quero, enfim, poder contribuir com o debate de gestão e também trabalhar profissionalmente como homem de marketing, quero fazer campanha, mas não a minha campanha, eu quero fazer a campanha daqueles que eu acredito, eu quero trabalhar com gestão de campanha. Graças a Deus, muitas campanhas em que eu me envolvi foram vitoriosas, mas também não vou fazer trabalho com qualquer um. Eu quero escolher pessoas que façam a minha cabeça e que eu possa me estimular a pensar a comunicação, nos bastidores, pensar estratégia, pensar programa de governo. Se é uma cidade, quais são os próximos passos dessa cidade? O que ela tem de bom hoje? Qual é a estratégia de comunicação? Jamais entrarei em campanha pelo baixo nível, jamais sugerirei isso a qualquer cliente meu no futuro, que queira fazer essa campanha horrorosa. Porque eu acredito numa campanha limpa. Eu fui vítima disso muitas vezes.
Aceitação nas ruas - Eu vejo aqui no Rio, eu tenho circulado na rua, eu tenho andado. As pessoas muito carinhosas, muito respeitosas. Claro que eu estou pronto se alguém gritar “ô, ladrão, corrupto, Lava Jato, Bretas”, estou pronto. Isso aí faz parte. Mas não houve, graças a Deus, até agora, nas vezes que eu saí à rua, e já circulei no Centro, já circulei em outros lugares. E, assim, não sei o nível de rejeição que eu tenho, o nível de aprovação, porque eu não vou disputar a eleição nas próximas eleições. E eu quero torcer, ajudar e colaborar com propostas públicas, política, eu não quero discutir pessoas, eu quero discutir políticas públicas, teses.
Aborto - Eu acho, por exemplo, que o Brasil está muito atrasado em questões da vida como ela é, olha o Uruguai. A gente vai discutir a questão do aborto. Pelo amor de Deus! Nós temos o Uruguai, nós temos aqui a Argentina, esses países todos oferecem a possibilidade do sistema público dos seus países para que as pessoas possam ir ao serviço público, a mulher, principalmente, ser atendida com dignidade, ser atendida de uma maneira respeitosa. Nós sabemos que no Brasil um milhão de mulheres todos os anos fazem aborto ilegal, a maioria pobre. Nem numa clínica particular dessa aí clandestina podem ir, 200 mil mulheres voltam ao SUS todos os anos para reparar danos de aborto mal feito. Que que é isso? Onde é que nós estamos? Para que proibir uma coisa que todos os países civilizados permitiram, países cristãos como nós? Países que acreditam na vida, como nós, e eu acredito na vida. Eu não sou a favor do aborto, eu sou contra o aborto, mas sou a favor da possibilidade da mulher ter esse direito de interromper a gravidez de maneira digna (...) Vamos fazer uma legislação aqui nossa, discutindo com os médicos, com as mulheres, que têm que ser as principais porta-vozes dessa discussão, e têm sido, e as mais ouvidas na decisão.
Legalização das drogas - A questão da maconha, quantos presos, eu fiquei em Benfica, que foi porta de entrada, os meninos presos por causa de maconha. Nós temos 25 estados americanos em que você, brasileiro, que vai lá comprar maconha na loja. Vai comprar remédio de maconha, vai comprar cigarro de maconha. E aqui no Brasil esse histerismo. Maconha faz menos mal que cachaça. Que loucura é essa de proibir a maconha? Vai ver o Uruguai, como é que o Mujica fez. Olha, a direita, o Lacalle, filho do velho Lacalle, está lá, ele é de direita, mas é uma direita inteligente, mante-ve tudo isso, manteve a legalização do direito à interrupção da gravidez, manteve a legalização da maconha, o jogo, olha o jogo, o Brasil proíbe o jogo. Todo delegado de polícia, todo comandante de batalhão sabe onde tem jogo, o que é isso? Que loucura é essa? Vamos legalizar, vamos pagar. Ah, pode lavar dinheiro. Ué, boi lava dinheiro, qualquer coisa lava dinheiro. Vai se estudar a lavagem de dinheiro. Agora, pelo amor de Deus, proibir o jogo é tirar o sofá da sala.