BioLogicus
Pesquisadores americanos (OFAS, Cold Spring, New York) publicaram dia 30 de março na ELife, um estudo sobre a suplementação de selênio em camundongos.
Segundo os dados, a suplementação com esse oligoelemento seria capaz de trazer vários benefícios à saúde dos mamíferos.
Já era sabido que uma dieta com menos metionina (típica de dieta carnívora), exibia sinais de melhora em vários fatores associados ao aumento na expectativa de vida das pessoas.
Esse novo estudo mostra, que mesmo mantendo o consumo de metionina em níveis mais altos, a suplementação com selênio consegue melhorar os marcadores de saúde e aumento na expectativa de vida.
Os resultados sugerem também, um certo grau de proteção contra obesidade.
Tudo provavelmente graças à redução nos níveis de IGF-1 (Fator de Crescimento Semelhante à Insulina) e aos efeitos antioxidantes, protetores cardíacos e de melhora imunológica que o selênio pode produzir.
Tanto a restrição de metionina na dieta (dieta vegetariana), quanto a suplementação com selênio parecem reduzir as taxas circulantes de IGF-1.
Nos alimentos, as maiores fontes de selênio são de origem animal, como carnes, peixes, queijos leites e ovos.
Estes produtos fornecem entre 2,0 a 54,3 µg de selênio para cada 100 gramas.
Curiosamente os vegetais são pobres fontes de selênio, com exceção das castanhas do pará (cerca de 45 µg/100 gramas) e a castanha-de-caju (em torno de 11 µg/100 gramas).
Sempre tento me pautar em artigos científicos de revistas de impacto, mas com certa cautela. Da mesma forma, acho complexo sugerir o uso de doses elevadas de qualquer substância.
Mas de vez em quando nos deparamos com um estudo que nos coloca à prova:
Pesquisadores da Universidade de Chicago publicaram um artigo no dia 22 de março do corrente ano, com informações, que eu normalmente não divulgaria.
Resumindo, os dados sugerem que doses elevadas de vitamina D podem ser protetoras contra a infecção pelo coronavírus.
O estudo sugere que pessoas com taxa de 40 ng/dl ou mais de vitamina do sangue, teriam duas vezes e meia maior proteção contra uma infecção grave.
Comumente níveis de 30 ng/dl são considerados suficientes.
A ingestão de 700-800 UI (Unidades Internacionais) de vit. D por dia seriam o necessário para atingir os requerimentos diários, mas os pesquisadores já sugerem algo em torno de 4000 UI.
Sabe-se que o excesso de vitamina D tem relação com hipercalcemia (aumento de cálcio sanguíneo), cálculos renais, etc.
Mas segundo David Meltzer, MD, PhD, Chefe do Hospital da Universidade de Chicago, os risco de hipercalcemia ocorreria em doses próximas a 10 000 UI/ dia.
Um dado adicional: segundo o estudo, pessoas afrodescendentes e/ou miscigenadas seriam beneficiadas de forma mais impactante pela suplementação de vitamina D contra o covid.
taek
Pesquisadores da Bélgica e Espanha publicaram em 03 deste mês um estudo inédito sobre a Síndrome de Down.
De acordo com a pesquisa, o consumo de extrato de chá verde nos três primeiros anos de vida reduz significantemente a dismorfia facial nessa desordem genética.
A Síndrome de Down (SD) é causada pela presença de uma terceira cópia do cromossomo 21, o que provoca alterações físicas e neurológicas.
Um gene em particular, o DYRK1A, provoca mudanças na estrutura óssea do portador de SD (alterando a sua aparência).
Por outro lado, a EGCG (epigallocatechina-3-gallate) presente no chá verde é capaz de inibir tal gene. Além do efeito no formato da face, há ainda estudos com dados sobre o chá verde melhorando a capacidade cognitiva em adultos com SD.
Esta nova pesquisa sugere a utilização do chá verde em fases precoces de vida, com resultados animadores.
Como de praxe novos estudos e ensaios são necessários, até que se tenha dados definitivos.
Aproveito para lembrar do impacto de substâncias que ingerimos "inocentemente", como chás, no nosso metabolismo e mesmo em nossas funções mais complexas.
uol
Um estudo recente, realizado durante 25 anos coletando dados de mulheres após a menopausa, sugere que há um grande aumento no risco cardíaco em mulheres que ganharam gordura abdominal nessa fase.
O climatério ou menopausa é marcado por redução abrupta na produção de hormônios sexuais.
Essa mudança é seguida de várias outras, que envolvem a seara emocional e física.
Uma das alterações observadas é o ganho de peso, com acúmulo de gordura abdominal.
Se isso ocorrer em um curto prazo de tempo, há uma relação direta com aumento do risco de doenças do coração.
Obviamente fatores de risco associados à menopausa tornam a situação mais preocupante: tabagismo, sedentarismo, estresse, alimentação desregrada, etc.
De acordo com o pesquisador chefe, Samar El Khoudary, Ph.D., o estudo retrata o que se tem observado na prática:
um número crescente e alarmante de mulheres sofrendo de infarto do miocárdio, trombose e outras doenças cardiovasculares.
Pesquisadores da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, publicaram recentemente um artigo com informações chocantes.
O estudo amplo avaliou a causa de óbitos de 193 000 indivíduos com 50 anos em média, entre os anos de 2003 e 2017.
A análise epidemiológica trouxe uma informação surpreendente para toda a comunidade científica:
Houve um número significativamente maior de óbitos atribuídos à obesidade do que ao tabagismo.
Segundo os autores, um dos fatores envolvidos foi a redução do tabagismo e aumento acelerado de obesidade na população estudada.
Como se sabe, a obesidade é uma doença, assim considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Inúmeros problemas de saúde podem decorrer deste quadro, já conhecidos da maioria das pessoas:
hipertensão arterial, diabetes tipo II, distúrbios cardiovasculares, doenças articulares, doenças autoimunes, sobrecarga respiratória, etc.
A sociedade moderna tem se engajado na luta contra fatores de risco clássicos à saúde, mas infelizmente adquirindo outros tão perigosos quanto.
Estima-se que apenas no Reino Unido, cerca de 1,4 milhões de crianças tenham crises de asma e, algo em torno de um bilhão de libras sejam gastos em tratamentos e internações todos os anos.
Um artigo publicado em 27 de janeiro deste ano traz novas esperanças de prevenção nessa área.
Pesquisadores da Universidade Queen Mary de Londres, em colaboração com pesquisadores suíços, publicaram um estudo que descreve uma relação mais que positiva entre o consumo de ômega-3 e uma incidência bem menor de asma nas crianças e posteriores adultos.
Na verdade os benefícios do consumo regular de ác. eicosapentaenóico (EPA) e docosahexanóico (DHA) são abundantemente descritos na bibliografia científica, principalmente pelos seus efeitos anti-inflamatórios.
Inúmeros problemas de saúde se iniciam com processos inflamatórios nos tecidos, indo desde quadros asmáticos a infarto agudo do miocárdio.
Que tal trocar 4 dias por semana a carne vermelha por peixes?
G1
Antes de qualquer coisa, importante ressaltar que refrigerantes, sejam comuns ou zero, estão longe de compor uma rotina alimentar saudável.
Mas abordando a questão se os zero açúcar engordam tanto quanto os comuns, acho uma temeridade se considerar que são "6 e meia dúzia".
Refrigerantes comuns apresentam uma concentração de sacarose impressionante. Na verdade como são bebidas carbonatadas (levam ác. carbônico) e dessa forma são ácidos, a percepção do paladar doce (dulçor) se reduz bastante. Dessa forma, a concentração de açúcar é bem maior que uma pessoa usaria em um copo de refresco normalmente.
Os danos causados pelos açúcares à saúde são descritos abundantemente na bibliografia científica, indo desde resistência insulínica, obesidade, danos hepáticos a Síndrome Metabólica.
Pois bem. Mas e os produtos zero açúcar?
Há artigos que mostram alterações na microbiota intestinal com o uso prolongado de edulcorantes artificiais (adoçantes) e que poderiam alterar o perfil de hormônios da saciedade, fazendo um indivíduo comer mais compensatoriamente.
Outros dados sugerem que o paladar doce dos adoçantes induziria uma resposta neurológica capaz de elevar insulina na circulação sanguínea e, por rebote, o indivíduo consumiria doces comuns: no fim das contas engordariam da mesma forma.
Dentre os estudos respeitáveis sobre o tema temos “Sugar and artificially sweetened beverages linked to obesity: a systematic review and meta-analysis”que faz uma correlação direta entre refrigerantes comuns ou zero com a obesidade. Ok. Mas trata-se de meta análise, ou seja, um estudo de observação, onde se compara o consumo de refrigerantes comuns ou zero em uma dada população e a relação com a obesidade. Na minha opinião existe a questão de inversão de causalidade: pessoas obesas procuram refrigerantes com adoçante com maior frequência, não que o refrigerante zero seja a causa de sua obesidade.
Outra questão é que pessoas com hábitos saudáveis, com rotina de exercícios físicos, etc, não consomem ou consomem muito pouco refrigerante (seja zero ou não). Obviamente a incidência de obesidade nessa camada da população é bem menor, por múltiplos fatores.
Em relação à questão neural de que os adoçantes induzem consumo de doces em rebote, os estudos considerados relevantes utilizam modelo murino (camundongos), como em várias pesquisas. Mas nesse caso é complexo se comparar cabalmente, pois um animal irracional age obviamente por instinto. Bem diferente de uma pessoa que tenha noção do que está fazendo. Quero dizer que um animal procuraria sim compensação imediata pela ausência de serotonina (que o adoçante não induz) que o açúcar e gosto doce produziriam. Já uma pessoa em plano de perda de peso sabe o motivo de usar adoçante e é capaz de controlar ou frear o impulso por compensação de açúcar.
Para citar outro artigo importante "O efeito da água e bebidas açucaradas não calóricas sobre a perda de peso em um programa de emagrecimento de 12 semanas" (The effects of water and non-nutritive sweetened beverages on weight loss during a 12-week weight loss treatment program), o resultado tende a gerar confusão, pois afirmam que o consumo de água não é melhor que o de bebidas com adoçantes na redução da obesidade em um programa mais amplo que considere o comportamento do indivíduo.
Anos depois outro estudo impactante foi publicado:
"O efeito da água e de bebidas com adoçantes não calóricas sobre a perda e manutenção de peso: um ensaio clínico randomizado" (The effects of water and non-nutritive sweetened beverages on weight loss and weight maintenance: A randomized clinical trial)...as conclusões foram chocantes:
_ “Os usuários regulares de bebidas com adoçantes não calóricas perderam muito mais peso e mantiveram a perda em comparação com aqueles que receberam a recomendação de beber apenas água.
Não estou defendendo o uso de adoçantes ou refrigerantes zero (muito menos comuns!!) de forma alguma. Apenas acho importante que haja mais ciência e menos achismo em todas as áreas.
Mas colocar o açúcar e alternativas ao seu consumo em um mesmo patamar, pode induzir muitas pessoas a voltarem para o açúcar...
_Tenho ouvido de vários pacientes obesos e/ou diabéticos: "já que ambos engordam, pelo menos o gosto do comum é melhor..."
Na tentativa de elucidar os danos causados pela Covid, pesquisadores realizaram um estudo aprofundado em camundongos (publicado em 19/01/2021 na Viruses).
O pesquisador Mukesh Kumar, da Universidade da Georgia, explica que ao contrário do que se pensava, a Covid não é uma doença respiratória obrigatoriamente.
De acordo com o estudo, camundongos infectados desenvolveram doença pulmonar cerca de 3 dias após a infecção por via nasal, com declínio após esse período.
Já no cérebro, observou-se um aumento severo da infecção após 5 a 6 dias, com danos importantes a esse órgão e sintomas de fraqueza, falta de ar e desorientação.
Os achados podem explicar a causa de certos pacientes apresentarem melhora na parte respiratória e rapidamente evoluírem para óbito.
Ainda segundo o pesquisador, a infecção por via nasal fornece uma entrada facilitada ao cérebro, diferentemente de contaminação por via oral.
Um dos grandes problemas é que o cérebro não possui as defesas que os pulmões possuem. Além do fato de que infecções deixam danos nos órgãos que acometem, mesmo após a cura.
No cérebro isso pode ser particularmente grave.
"Pacientes que se curaram de Covid, mas desenvolveram infecção cerebral são particularmente propensos a doenças posteriores, sejam autoimunes, Mal de Parkinson ou perdas cognitivas." Afirma o Dr. Kumar.
Pesquisadores da Universidade do Texas concluíram um estudo sobre a influência da dieta na progressão de tumores de próstata.
De acordo com a pesquisa, pessoas com consumo alimentar rico em azeites extra-virgens, tomates, peixes de águas geladas e vegetais mostraram uma evolução extremamente melhor nesse tipo de patologia.
O estudo enfatiza que outras doenças, como diabetes e desordens cardíacas também se reduzem muito na população com esse padrão de dieta.
Como já descrito vastamente na bibliografia médica, os antioxidantes presentes nesses alimentos auxiliam em muito o combate ao câncer (e na sua prevenção).
Dados semelhantes são observados nos casos de câncer de mama e cólon.
Mudar nosso perfil alimentar não é fácil, afinal de contas vem de nossos avós e bisavós, mas toda grande caminhada começa com um passo:
_que tal reduzir o consumo de carne vermelha e açúcar e aumentar o consumo de peixes e vegetais ?
Pesquisadores da West Virginia University publicaram em dezembro um estudo sobre o suplemento glicosamina e seus impactos na saúde.
A glicosamina tem sido utilizada há décadas em associação a outros compostos, como a condroitina, para a melhora de cartilagens e articulações.
No entanto, um amplo estudo realizado de 1999 a 2010 que acompanhou 16 686 indivíduos trouxe novas informações sobre esse suplemento.
Os dados de alimentação e suplementação desses indivíduos foram comparados com dados de mortes em 2015, resultando em várias análises sobre os fatores que podem estar associados à taxa de óbitos.
Os resultados mostraram que usar suplementação de condroitina/glicosamina por ao menos um ano reduziu em 39 % as taxas de óbitos, independentemente da causa.
Observou-se também uma redução de 65 % no óbitos de origem cardiovascular nesses indivíduos.
Se a ação nas cartilagens era questionada por alguns, vale repensar esse suplemento...
Referência:
Dana E. King, Jun Xiang. Glucosamine/Chondroitin and Mortality in a US NHANES Cohort. The Journal of the American Board of Family Medicine, 2020; 33 (6): 842 DOI: 10.3122/jabfm.2020.06.200110