Pesquisadores da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, publicaram recentemente um artigo com informações chocantes.
O estudo amplo avaliou a causa de óbitos de 193 000 indivíduos com 50 anos em média, entre os anos de 2003 e 2017.
A análise epidemiológica trouxe uma informação surpreendente para toda a comunidade científica:
Houve um número significativamente maior de óbitos atribuídos à obesidade do que ao tabagismo.
Segundo os autores, um dos fatores envolvidos foi a redução do tabagismo e aumento acelerado de obesidade na população estudada.
Como se sabe, a obesidade é uma doença, assim considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Inúmeros problemas de saúde podem decorrer deste quadro, já conhecidos da maioria das pessoas:
hipertensão arterial, diabetes tipo II, distúrbios cardiovasculares, doenças articulares, doenças autoimunes, sobrecarga respiratória, etc.
A sociedade moderna tem se engajado na luta contra fatores de risco clássicos à saúde, mas infelizmente adquirindo outros tão perigosos quanto.
Estima-se que apenas no Reino Unido, cerca de 1,4 milhões de crianças tenham crises de asma e, algo em torno de um bilhão de libras sejam gastos em tratamentos e internações todos os anos.
Um artigo publicado em 27 de janeiro deste ano traz novas esperanças de prevenção nessa área.
Pesquisadores da Universidade Queen Mary de Londres, em colaboração com pesquisadores suíços, publicaram um estudo que descreve uma relação mais que positiva entre o consumo de ômega-3 e uma incidência bem menor de asma nas crianças e posteriores adultos.
Na verdade os benefícios do consumo regular de ác. eicosapentaenóico (EPA) e docosahexanóico (DHA) são abundantemente descritos na bibliografia científica, principalmente pelos seus efeitos anti-inflamatórios.
Inúmeros problemas de saúde se iniciam com processos inflamatórios nos tecidos, indo desde quadros asmáticos a infarto agudo do miocárdio.
Que tal trocar 4 dias por semana a carne vermelha por peixes?
G1
Antes de qualquer coisa, importante ressaltar que refrigerantes, sejam comuns ou zero, estão longe de compor uma rotina alimentar saudável.
Mas abordando a questão se os zero açúcar engordam tanto quanto os comuns, acho uma temeridade se considerar que são "6 e meia dúzia".
Refrigerantes comuns apresentam uma concentração de sacarose impressionante. Na verdade como são bebidas carbonatadas (levam ác. carbônico) e dessa forma são ácidos, a percepção do paladar doce (dulçor) se reduz bastante. Dessa forma, a concentração de açúcar é bem maior que uma pessoa usaria em um copo de refresco normalmente.
Os danos causados pelos açúcares à saúde são descritos abundantemente na bibliografia científica, indo desde resistência insulínica, obesidade, danos hepáticos a Síndrome Metabólica.
Pois bem. Mas e os produtos zero açúcar?
Há artigos que mostram alterações na microbiota intestinal com o uso prolongado de edulcorantes artificiais (adoçantes) e que poderiam alterar o perfil de hormônios da saciedade, fazendo um indivíduo comer mais compensatoriamente.
Outros dados sugerem que o paladar doce dos adoçantes induziria uma resposta neurológica capaz de elevar insulina na circulação sanguínea e, por rebote, o indivíduo consumiria doces comuns: no fim das contas engordariam da mesma forma.
Dentre os estudos respeitáveis sobre o tema temos “Sugar and artificially sweetened beverages linked to obesity: a systematic review and meta-analysis”que faz uma correlação direta entre refrigerantes comuns ou zero com a obesidade. Ok. Mas trata-se de meta análise, ou seja, um estudo de observação, onde se compara o consumo de refrigerantes comuns ou zero em uma dada população e a relação com a obesidade. Na minha opinião existe a questão de inversão de causalidade: pessoas obesas procuram refrigerantes com adoçante com maior frequência, não que o refrigerante zero seja a causa de sua obesidade.
Outra questão é que pessoas com hábitos saudáveis, com rotina de exercícios físicos, etc, não consomem ou consomem muito pouco refrigerante (seja zero ou não). Obviamente a incidência de obesidade nessa camada da população é bem menor, por múltiplos fatores.
Em relação à questão neural de que os adoçantes induzem consumo de doces em rebote, os estudos considerados relevantes utilizam modelo murino (camundongos), como em várias pesquisas. Mas nesse caso é complexo se comparar cabalmente, pois um animal irracional age obviamente por instinto. Bem diferente de uma pessoa que tenha noção do que está fazendo. Quero dizer que um animal procuraria sim compensação imediata pela ausência de serotonina (que o adoçante não induz) que o açúcar e gosto doce produziriam. Já uma pessoa em plano de perda de peso sabe o motivo de usar adoçante e é capaz de controlar ou frear o impulso por compensação de açúcar.
Para citar outro artigo importante "O efeito da água e bebidas açucaradas não calóricas sobre a perda de peso em um programa de emagrecimento de 12 semanas" (The effects of water and non-nutritive sweetened beverages on weight loss during a 12-week weight loss treatment program), o resultado tende a gerar confusão, pois afirmam que o consumo de água não é melhor que o de bebidas com adoçantes na redução da obesidade em um programa mais amplo que considere o comportamento do indivíduo.
Anos depois outro estudo impactante foi publicado:
"O efeito da água e de bebidas com adoçantes não calóricas sobre a perda e manutenção de peso: um ensaio clínico randomizado" (The effects of water and non-nutritive sweetened beverages on weight loss and weight maintenance: A randomized clinical trial)...as conclusões foram chocantes:
_ “Os usuários regulares de bebidas com adoçantes não calóricas perderam muito mais peso e mantiveram a perda em comparação com aqueles que receberam a recomendação de beber apenas água.
Não estou defendendo o uso de adoçantes ou refrigerantes zero (muito menos comuns!!) de forma alguma. Apenas acho importante que haja mais ciência e menos achismo em todas as áreas.
Mas colocar o açúcar e alternativas ao seu consumo em um mesmo patamar, pode induzir muitas pessoas a voltarem para o açúcar...
_Tenho ouvido de vários pacientes obesos e/ou diabéticos: "já que ambos engordam, pelo menos o gosto do comum é melhor..."
Na tentativa de elucidar os danos causados pela Covid, pesquisadores realizaram um estudo aprofundado em camundongos (publicado em 19/01/2021 na Viruses).
O pesquisador Mukesh Kumar, da Universidade da Georgia, explica que ao contrário do que se pensava, a Covid não é uma doença respiratória obrigatoriamente.
De acordo com o estudo, camundongos infectados desenvolveram doença pulmonar cerca de 3 dias após a infecção por via nasal, com declínio após esse período.
Já no cérebro, observou-se um aumento severo da infecção após 5 a 6 dias, com danos importantes a esse órgão e sintomas de fraqueza, falta de ar e desorientação.
Os achados podem explicar a causa de certos pacientes apresentarem melhora na parte respiratória e rapidamente evoluírem para óbito.
Ainda segundo o pesquisador, a infecção por via nasal fornece uma entrada facilitada ao cérebro, diferentemente de contaminação por via oral.
Um dos grandes problemas é que o cérebro não possui as defesas que os pulmões possuem. Além do fato de que infecções deixam danos nos órgãos que acometem, mesmo após a cura.
No cérebro isso pode ser particularmente grave.
"Pacientes que se curaram de Covid, mas desenvolveram infecção cerebral são particularmente propensos a doenças posteriores, sejam autoimunes, Mal de Parkinson ou perdas cognitivas." Afirma o Dr. Kumar.
Pesquisadores da Universidade do Texas concluíram um estudo sobre a influência da dieta na progressão de tumores de próstata.
De acordo com a pesquisa, pessoas com consumo alimentar rico em azeites extra-virgens, tomates, peixes de águas geladas e vegetais mostraram uma evolução extremamente melhor nesse tipo de patologia.
O estudo enfatiza que outras doenças, como diabetes e desordens cardíacas também se reduzem muito na população com esse padrão de dieta.
Como já descrito vastamente na bibliografia médica, os antioxidantes presentes nesses alimentos auxiliam em muito o combate ao câncer (e na sua prevenção).
Dados semelhantes são observados nos casos de câncer de mama e cólon.
Mudar nosso perfil alimentar não é fácil, afinal de contas vem de nossos avós e bisavós, mas toda grande caminhada começa com um passo:
_que tal reduzir o consumo de carne vermelha e açúcar e aumentar o consumo de peixes e vegetais ?
Pesquisadores da West Virginia University publicaram em dezembro um estudo sobre o suplemento glicosamina e seus impactos na saúde.
A glicosamina tem sido utilizada há décadas em associação a outros compostos, como a condroitina, para a melhora de cartilagens e articulações.
No entanto, um amplo estudo realizado de 1999 a 2010 que acompanhou 16 686 indivíduos trouxe novas informações sobre esse suplemento.
Os dados de alimentação e suplementação desses indivíduos foram comparados com dados de mortes em 2015, resultando em várias análises sobre os fatores que podem estar associados à taxa de óbitos.
Os resultados mostraram que usar suplementação de condroitina/glicosamina por ao menos um ano reduziu em 39 % as taxas de óbitos, independentemente da causa.
Observou-se também uma redução de 65 % no óbitos de origem cardiovascular nesses indivíduos.
Se a ação nas cartilagens era questionada por alguns, vale repensar esse suplemento...
Referência:
Dana E. King, Jun Xiang. Glucosamine/Chondroitin and Mortality in a US NHANES Cohort. The Journal of the American Board of Family Medicine, 2020; 33 (6): 842 DOI: 10.3122/jabfm.2020.06.200110
Pesquisadores da Harvard Medical School publicaram em 09 de Dezembro um estudo, que mostra relação direta entre obesidade e redução na atividade anti tumores.
De acordo com a pesquisa, realizada em camundongos, uma alimentação rica em gorduras e a obesidade reduzem a atividade de células de defesa fundamentais na resposta imune contra tumores.
A teoria é que as células dos tumores, em um indivíduo obeso, teriam aumento no seu metabolismo e em paralelo, linfócitos T CD8+ teriam a sua atividade e número reduzidos.
Dentre os chamados glóbulos brancos (leucócitos), ou células de defesa no popular, existem vários subtipos, com funções diferentes.
Os linfócitos do tipo CD8 são uma classe de linfócitos considerados "atiradores de elite" do sistema imune.
Essas células são fundamentais no combate às células cancerígenas e a redução observada é diretamente ligada ao aumento no crescimento de tumores.
Os linfócitos CD8 são também usados em imunoterapia contra tumores e o estudo pode indicar que um dieta pobre em gorduras, além da redução na obesidade, podem vir a ser importantes armas na luta contra o câncer.
Referência:
Obesity Shapes Metabolism in the Tumor Microenvironment to Suppress Anti-Tumor Immunity. Cell, 2020; DOI: 10.1016/j.cell.2020.11.009
Um hormônio produzido por camundongos e humanos pode ser uma nova e excelente arma contra a obesidade.
Produzida principalmente por células da medula óssea, a LIPOCALINA-2 (LCN2) parece ter efeitos tanto em camundongos, primatas não humanos e humanos.
Os testes indicam que a LCN2 inibe em muito a ingestão alimentar e induz uma resposta de saciedade bastante potente, logo após refeições.
Publicado no eLife por pesquisadores da Universidade de Columbia e do Helmholtz Diabetes Center, o estudo mostra que pessoas com peso adequado e sem dificuldades em se conter nas refeições apresentam maiores níveis de LCN2 logo após se alimentarem, mesmo que de forma discreta.
Já indivíduos obesos e com grande tendência a se alimentarem excessivamente mostraram taxas muito baixas de LCN2.
Os pesquisadores observaram que a lipocalina 2 atravessa a barreira hemato-encefálica (atua no cérebro) e deve agir inibindo o centro da fome no hipotálamo.
Agora a nova fase da pesquisa testará dosagens, toxicidade e outros ensaios clínicos, mas os dados iniciais são muito promissores nessa verdadeira guerra contra a obesidade, em que todos devemos nos engajar.
Pesquisadores da Universidade do Sul da Austrália em conjunto com pesquisadores do Qatar e da China Medical University publicaram um amplo estudo com novidades sobre o consumo de ovos na alimentação.
Sempre se associou o risco aumentado de diabetes em adultos ao consumo de carboidratos simples (doces).
Surpreendentemente, o estudo realizado durante quase 20 anos com um grande número de adultos chineses trouxe uma relação entre o consumo de ovos e diabetes.
De acordo com os pesquisadores, pessoas que comem mais de um ovo diariamente teriam risco 60% maior de desenvolverem diabetes tipo II.
As causas metabólicas dessa associação ainda serão investigadas, mas a redução no consumo de hortaliças e aumento progressivo na ingestão de alimentos ricos em gorduras parece ser determinante.
Talvez a carga calórica da gema pelo seu teor de lipídios esteja relacionada, além do possível consumo aumentado de ovos seja acompanhado de pães com farinhas refinadas (sanduíches).
Aguardemos novas informações e por hora, segue a máxima de nossa avós:
"_tudo demais faz mal."
Journal Reference:
Yue Wang, Ming Li, Zumin Shi. Higher egg consumption associated with increased risk of diabetes in Chinese adults – China Health and Nutrition Survey. British Journal of Nutrition, 2020; 1 DOI: 10.1017/S0007114520003955
Um artigo publicado este mês no conceituado The Journal of Nutrition traz dados novos sobre a nutrição materna na gestação.
A vitamina D apresenta inúmeras funções no organismo e, no caso gestacional, é capaz de atravessar a placenta influenciando de forma importante no desenvolvimento fetal.
Resumidamente, o estudo identificou uma ligação direta entre maiores níveis de vitamina D no organismo da mãe e maiores valores de QI nas crianças.
Os valores dessa vitamina parecem precisar ser constantes durante toda a fase gestacional.
Ainda de acordo com a pesquisa, identificou-se uma tendência a menores níveis de vitamina D em mães afrodescendentes.
Teoricamente a melanina aumentada nessa população reduz a absorção de luz solar e a ativação da vitamina D na pele.
Os novos dados devem nortear uma suplementação diferenciada durante o período gestacional, principalmente em pessoas com maiores níveis de melanina na pele.