Matheus Berriel
05/04/2023 08:49 - Atualizado em 06/04/2023 14:34
Silvero Pereira
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Foto: Melina Furlan/Divulgação
Menos de uma semana após ter sido reaberto, o Teatro Firjan Sesi Campos receberá nesta quinta-feira (6) a primeira atração de apelo nacional em sua nova fase. Será o show “Silverto interpreta Belchior”, em que o multitalentoso Silvero Pereira solta a voz para cantar sucessos do homenageado. Com grande procura do público, os ingressos foram esgotados antecipadamente. A capacidade do teatro é de 205 pessoas.
Em alta após ter interpretado o personagem Zaquiel na novela “Pantanal”, da “TV Globo”, o cearense Silvero Pereira tem outros papéis destacados em sua carreira como ator. No teatro, ele se notabilizou com a peça “BR-Trans”, da qual também é autor. A obra foi reconhecida no Prêmio Aplauso Brasil de Teatro, com os títulos de melhor espetáculo, dramaturgia e melhor ator; e no Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, como melhor espetáculo, ambos em 2015, por meio de voto popular. No mesmo ano, foi escolhida pelos jornais “O Globo” e “Estadão” como uma das 10 melhores peças do ano.
No cinema, Silvero estreou no filme “Serra Pelada”, de 2013. Posteriormente, se destacou como a personagem Josy, de “No fim de tudo”, sendo eleito o melhor ator no Festival de Audiovisual Curta Taquary, no Festival Audiovisual Comunicurtas UEPB, no Festival de Cinema do Paranoá e no Festival de Cinema de Rua de Remígio; além de melhor ator de curta no Festival de Triunfo.
Por ter feito o cangaceiro queer Lunga, do premiado filme “Bacurau”, o artista ganhou em 2019 o prêmio Men of the Year Brasil, como homem do ano no cinema. Também venceu a categoria melhor atuação no Prêmio Orgulho, este com voto popular. Já em 2020, “Bacurau” lhe rendeu o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (Grande Otelo), como melhor ator; o Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro, enquanto ator coadjuvante; e o Sesc Melhores Filmes, como melhor ator brasileiro pelo público.
Também constam no currículo de Silvero Peraira o Prêmio Poc Awards, de personalidade do ano de 2020; e a conquista coletiva de melhor elenco do Festival de Cinema de Rio Bonito de 2022, pelo filme “Fantasma Neon”.
Os maiores sucessos de Silvero junto ao público, porém, vieram de trabalhos na TV. Em 2018, ele conquistou o Prêmio Extra de Televisão, como revelação masculina, por sua atuação na novela “A força do querer”. O desempenho dando vida a Nonato/Elis Miranda também lhe valeu uma indicação ao Prêmio Melhores do Ano, da “TV Globo”, na categoria ator revelação. Já em 2022, o ator voltou a vencer o Poc Awards, desta vez como melhor ator, pelo papel feito em “Pantanal”. Conquistou ainda o Troféu Elke Maravilha, válido como conjunto da obra, no Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual e de Gênero.
Além de ator e escritor, Silvero Pereira é também diretor e cantor. Esta última vertente terá destaque na apresentação no Teatro Firjan Sesi Campos, uma vez que ele passeia por várias fases da trajetória de Belchior e interpreta canções como “Sujeito de sorte”, “A palo seco”, “Apenas um rapaz latin-americano”, “Alucinação”, “Hora do almoço” e “Como nossos pais”. São ao todo 15 faixas, num show de 80 minutos, que surgiu como encomenda do Festival de Cinema de Vitória para uma programação on-line, em 2020, durante a pandemia da Covid-19. A partir de então, Silvero se dedicou a pesquisar a obra completa de um dos seus compositores preferidos, também cearense, fazendo um recorte que representa diferentes épocas e contextos da carreira de Belchior.
— É um show cortante como fava, um corte profundo na alma. Aqui não estão canções suaves, corretas, mas sim palavras que ecoam feito navalhas — afirma Silvero Pereira. — As canções são interpretadas por um conterrâneo de Belchior, um cearense de Mombaça, um menino latino-americano vindo do interior, um sujeito de sorte que driblou a fome e a sede através da arte. Apenas um ator, um cantor que dramatiza os versos e os atualiza em provocações do nosso tempo, no intuito de “amar e mudar as coisas” — complementa Silvero. No palco, ele é acompanhado pelo tecladista Geremias Rocha, o violonista e baixista Brunu Chico, o guitarrista Wallace Lopes, a baterista Natália Arrivabene e Vitor Lima, este com instrumentos de sopro.
“Silvero interpreta Belchior” cumpre toda a liturgia do teatro, com dramaturgia, figurinos, desenho de luz e trilha sonora garantindo a experiência do público. O show estreou em setembro no ano passado, no 29º Festival de Cinema de Vitória, e já passou por estados como Fortaleza e São Paulo. A temporada atual inclui passagens por Campos, Rio de Janeiro (Jacarepaguá) e Duque de Caxias esta semana, em espaços culturais do Sesi. Todas as três sessões estão esgotadas.