A Dor de Quem Trabalha na Área de Saúde

Texto escrito em um sábado, 29/10/22 

-Por  Dionizete de Alvarenga Barreto-*
Eu vi uma mãe chorando, gritando, sofrendo a perda do seu filho caçula, o P. A. de 9 anos. Não digo que senti sua dor porque nunca perdi um filho, mas confesso que, pelo que vi, deve ser uma dor inimaginável! Estou totalmente estremecida! 
Eu vi um rapaz de nome F. A. C. sendo trazido pela ambulância do Corpo de Bombeiros, com cortes profundos no pescoço e punhos, tentando suicidar-se. Um rapaz de de alta estatura, bonito, bem vestido, aparentemente sem efeito de nenhuma droga. Olhar perdido, deixando transparecer o imenso vazio que carrega na alma. Cito seu porte físico, seu traje, porque eu queria entender o que poderia haver de errado com ele! Tão jovem e tão cheio de vida ainda! E quando lhe foi perguntado sobre sua família, mesmo de poucas palavras, ele disse que não tinha pais e que se cuidava sozinho. E, eu me perguntando, no meu silêncio, como ele poderia tomar conta de si, se ele próprio tentou tirar sua vida? Isso me fez pensar, sobre tantas vezes que  eu ajoelho, orando pelos meus filhos! Esse rapaz não tem uma mãe que ore por ele! Mas a partir de hoje, todos os dias quando eu orar pelos meus filhos, orarei por ele também! Não sei onde ele mora, não sei de onde vem, mas Deus sabe. Não sei o nome do médico que o atendeu, mas sei que perdeu grande parte de sua tarde, tentando convencê-lo a procurar um tratamento psicológico e psiquiátrico. As pessoas pensam muito errado a respeito desses tratamentos. Em algum momento precisamos de maiores cuidados por estarmos com a mente conturbada, por problemas que não conseguimos resolver e nos desesperamos. Esse rapaz pode estar com forte depressão e crise de ansiedade. Isso é muito grave! Deve ter um tratamento específico, juntamente com um tratamento espiritual. A crise de ansiedade começa quando a fé oscila ou quando perdemos a fé.
Eu vi um rapaz não identificado, dar entrada com 6 tiros no rosto e um no pescoço, enquanto bebia num bar, aguardando o jogo do Flamengo! Mais uma vez, eu aqui, perplexa, pensando sobre a perversidade do ser humano. 
Para terminar o plantão, uma mãezinha, tão novinha ainda, chorando porque perdeu sua bebê. 
Quem passa por esse imenso prédio, ocupando um quarteirão inteiro da BR - 101, não imagina o que acontece aqui todos os dias! Tantas lágrimas de sangue derramadas! 
Seja qual for o seu problema, lute com todas as forças para continuar do lado de fora do HFM! Não reclame se seu dia está ruim porque você não tem ideia do que é passar um dia dentro de um Hospital de Emergência Vermelha! Aqui, todos os dias são iguais: pesados, cinzentos, nublados. * Dioni é Auxiliar Operacional de Saúde 

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    Nino Bellieny

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