Rodrigo Gonçalves
04/04/2023 15:21 - Atualizado em 06/04/2023 16:19
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Assim como aconteceu às vésperas da votação das contas da ex-prefeita Rosinha Garotinho (União), os vereadores de Campos Marquinho Bacellar (SD) e Helinho Nahim (Agir), personagens de destaque na pacificação entre a Câmara e a Prefeitura, também andaram pelo Rio de Janeiro no início desta semana decisiva às contas do ex-prefeito Rafael Diniz (Cid), referentes ao seu mandato de 2020, que serão votadas nesta quarta-feira (5).
Na agenda da capital, não faltou, é claro, o encontro com o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (SD), umas das peças primordiais para o acordo de pacificação na cidade, que envolve também o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (sem partido) e o governador Cláudio Castro (PL).
Rodrigo foi quem deu o aval a quatro vereadores do grupo oposição/“independentes” para votarem a favor das contas de rosinha, somando a 13 votos da base, os 17 necessários para reverter o parecer contrário do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
O blog não conseguiu ter acesso ao teor da reunião desta segunda no Rio, mas não é segredo para ninguém as movimentações para aprovação das contas de Rafael, assim como nas de Rosinha. Marquinho postou na legenda da foto com o irmão Rodrigo. "Uma Câmara forte passa pelo diálogo e importantes parcerias para o nosso município".
As contas não andam fáceis para bater os 17 votos também necessários a Rafael, mas as articulações nos bastidores da Câmara, demonstram o empenho, principalmente de Helinho Nahim, que fez parte do primeiro escalão do governo do ex-prefeito. Além disso, não é segredo também da forte ligação de Rodrigo com Rafael Diniz, inclusive com pessoas do governo assessorando diretamente o deputado na Alerj, como o jornalista Alexandre Bastos.
Com indicação pela reprovação TCE, o ex-prefeito também chegou a ter um parecer contrário aos números da sua gestão pela Comissão de Finanças da Câmara, antes com dois votos contrários dos vereadores Marcos Elias (sem partido) e Maicon Cruz (sem partido) e um favorável de Helinho. No entanto, um novo parecer será levado à apreciação dos vereadores, agora com três votos favoráveis da atual Comissão de Finanças, presidida por Helinho e composta por Fred Machado (Cid) e Bruno Vianna (PSD).
Segundo a Procuradoria da Câmara, as contas voltaram à Comissão para a elaboração do decreto Legislativo. Segundo a Casa, houve entendimento jurídico de que cabia aos vereadores Helinho, Fred e Bruno a elaboração do novo parecer.
Helinho já falou em entrevista ao Grupo Folha ser incoerente a reprovação das contas pelos vereadores que aprovaram as de Rosinha. “O vereador que votar a favor das contas de Rosinha e contra de Rafael, ele tem tudo, menos coerência, porque são as mesmas irregularidades em um tamanho menor”, disse. Para ter as contas aprovadas, Rafael vai precisar de votos de vereadores que estão na base de Wladimir. O blog já ouviu alguns deles, mas a maioria ainda faz suspense, aguardando um direcionamento do próprio prefeito.
Nos bastidores, a conversa é poupar aqueles que estiveram na Legislatura passada, como o ex-líder da oposição na época Álvaro Oliveira (PSD), Cabo Alonsimar (Podemos) e o recém-chegado à Câmara, Paulo Arantes (PDT). Entre as dúvidas da base, o pastor Marcos Elias (sem partido) merece um olhar mais atento pois havia assinado como presidente da Comissão de Finanças, no biênio passado, o parecer contrário à Rafael, assim como o oposicionista Maicon Cruz. Na semana passado, ao ser questionado por este blogueiro, o pastor demonstrou dúvida sobre manter seu voto contrário.
O ex-prefeito Rafael Diniz já disse, em nota, que espera, na votação das suas contas, a consideração dos vereadores sobre pontos apresentados por ele. “Nossa gestão foi premiada, em 2019, pelo TCE, por melhores práticas em transparência. Sendo, naquela ocasião, o único município das regiões Norte, Noroeste e Lagos escolhido na avaliação da Escola de Contas e Gestão do TCE/RJ. O voto do TCE reconhece o avanço da gestão fiscal do Município e a situação gravíssima encontrada no início do nosso governo. Não houve dolo, não houve dano ao erário e nem caracterização de ato de improbidade administrativa. O parecer do TCE traz questões técnicas que são sanáveis e espero que tudo isso seja levado em consideração pelos vereadores”, disse.