Mulheres fortes ou sobrecarregadas?
CAMILA PEÇANHA SANTOS LEITE


É lindo ouvir que nós mulheres somos guerreiras, fortes, transformamos dificuldades em conquistas e que temos em nós o poder de modificar coisas a nossa volta, mas em grande parte dessa rotina pesada de ser dona de casa, mãe, esposa e bem sucedida no trabalho, tem mesmo o retrato de um ser humano sobrecarregado e cansado.

Por dar conta de muita coisa, algumas vezes esquecemos de nós mesmas, deixamos de nos cuidar e nos sentimos agitadas, ansiosas e essa sobrecarga pode afetar as relações, pois, se estamos sobrecarregadas, precisamos encontrar uma forma de dividí-las, para não ficar pesado pra ninguém.

Não conseguimos dar conta de tudo e isso é fato! Sempre fica algo pra depois; no entanto, esse "não dar conta" pode também ser motivo de angústia e descontentamento, gerando sintomas como a insônia, por exemplo.

Mesmo que você tenha alguém que te ajude, que você possua rede de apoio a organização das tarefas, a decisão do que se vai comprar, o que vai comer, quando vai lavar as roupas, o dia de limpar a casa, são tarefas a nÍvel de organização e administração da casa e dos filhos que você terá que fazer e as vezes sem perceber que faz tanto, você se sente não fazendo nada e mesmo assim fica cansada, pois mesmo que não esteja efetivamente exercendo uma atividade física ou fazendo algo, você está organizando as atividades na sua mente e isso também se torna muito cansativo.

Sabe quando tem várias pessoas cuidando de uma criança e essa acaba se machucando, mas ninguém viu como? Quando todos estão de olho, ninguém está de verdade. Quando não há verdadeira atribuição de responsabilidade, ninguém se responsabiliza verdadeiramente...

Precisamos rever essa atribuição geradora de medo de que: "precisamos dar conta".
Você vai dar conta do que der pra dar, e está tudo bem.

Somos guerreiras, somos sim transformadoras, de fato, mas somos companheiras e quem está ao nosso lado pode nos ajudar.

Precisamos pedir ajuda, pois social e culturalmente, a pressão por dar conta nos oprime, mas apenas se permitirmos que isso aconteça.

Não só faça, seja a diferença!

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    Nino Bellieny

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