Caderno Especial da Folha
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Reprodução
Neste sábado (27), a edição do Jornal Folha da Manhã trouxe o caderno RENASCER, um especial falando sobre Saúde e Educação. Na publicação, alguns profissionais comentam sobre o impacto da pandemia da Covid-19 até aqui, além das projeções para 2022. Entre as pessoas que contribuíram para o caderno está a psicóloga do Departamento da Família do Centro Escola Riachuelo, Hellen Gomes, que teve um artigo publicado e a gente aproveita para compartilhar com vocês aqui no Blog.
Parabéns para Hellen pelo texto e também ao Grupo Folha pelos temas abordados. A leitura deste caderno está indispensável.
Confira o artigo:
Precisamos um do outro para viver
Os anos de 2020/2021 foram mundialmente atípicos em todos os aspectos. A pandemia causada pelo novo Coronavírus abalou toda a humanidade e fez com que todos precisassem se reinventar e se superar para vencerem esse grande desafio.
Tal desafio foi enfrentado, também, pelas escolas. Todos os setores tiveram que sofrer adaptações para continuarem a desenvolver seu trabalho da melhor maneira possível, dentro das limitações impostas pela realidade.
O ensino on-line logo ganhou força e passou a ser a forma de as escolas fazerem valer o ano letivo, porém, apesar de ser a única solução para o momento, muitos alunos apresentaram dificuldade para aceitar e se adaptar. Não só os filhos, mas muitos pais também demonstraram essa dificuldade e até rejeição ao novo método de ensino.
No começo foi um susto para todos. Alunos que tiveram que aprender a distância sem ao menos terem sido preparados para essa nova realidade. Pais que foram obrigados a se verem na difícil missão de escolarizar um filho enquanto trabalhavam dentro da própria casa. Professores que precisaram se adaptar e muitos não tinham nem equipamentos para isso.
Foi um momento de caos e a boa, velha e necessária parceria que tanto lutamos entre escola e família foi imprescindível para avançarmos nesse processo. No Centro Escola Riachuelo, durante o período de aulas remotas e híbridas, o Departamento da Família atuou de forma próxima aos lares na busca de acolher as necessidades, colaborar para que os alunos se adaptassem e desenvolvessem não apenas o aspecto cognitivo, mas também o aspecto socioemocional.
Pois bem. “Vencemos”. Entre aspas, porque a luta ainda não acabou. Na verdade temos ainda uma guerra pela frente, pois como escola, agora com o retorno presencial, é que poderemos mensurar melhor os efeitos na vida dos nossos alunos não apenas na questão dos prejuízos na aprendizagem no que diz respeito a conteúdos que deveriam ser aprendidos e nas habilidades que deveriam ser desenvolvidas, mas principalmente no aspecto emocional.
Durante o isolamento muitos alunos desenvolveram estresse, ansiedade, depressão, tendência suicida e à automutilação. A proximidade com a família em tempo quase integral foi muito positiva em famílias bem estruturadas e que possuem bom relacionamento, mas há casos em que a convivência dentro de um lar conturbado desencadeou sérios problemas que interferiram nas relações sociais e, consequentemente, na aprendizagem.
Héllen Gomes, psicóloga do Centro Escola Riachuelo
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Arquivo pessoal
Muitos pais e alunos nos procuram solicitando ajuda. Por vezes, professores observam comportamentos atípicos e nos informam. É neste momento que entramos em cena. Primeiro, fazemos contato com quem trouxe a demanda para entendermos melhor a queixa e depois avaliamos se a necessidade do aluno é cognitiva ou emocional, então, encaminhamos para o setor de psicopedagogia ou para o setor de psicologia para dar o apoio necessário com o objetivo de proporcionar maiores condições para que aprendam de forma significativa e desenvolvam habilidades emocionais que proporcionam equilíbrio, segurança e confiança, fortalecendo a inteligência emocional do aluno.
Em casos mais comprometedores, conscientizamos os responsáveis sobre a importância de fazer acompanhamento contínuo com profissionais da área fora do ambiente escolar e fazemos os devidos encaminhamentos .
Desejamos oferecer um atendimento humanizado, diferenciado, acolhedor, no qual colaboradores, alunos e pais possam sentir-se valorizados e compreendidos nas suas necessidades pessoais, possibilitando maiores realizações.
O mundo mudou. O que nos espera ainda é um tanto desconhecido. Precisamos estar preparados, mas não sabemos ao certo o que enfrentaremos. Não há uma receita pronta que nos dará o produto final que desejamos. Mas uma coisa aprendemos nessa pandemia e não podemos mais esquecer: somos seres interdependentes, ou seja, precisamos um do outro para viver.
*Héllen Gomes, psicóloga do Departamento da Família do Centro Escola Riachuelo
Educador e empreendedor em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, sou graduado em Educação Física pela Universidade Salgado de Oliveira (Universo) e professor concursado da área no Governo do Estado do Rio de Janeiro desde 2007. Atuei como coordenador pedagógico e geral de várias escolas particulares em Campos até 2011. Fui também coordenador administrativo do Sesc Mineiro, em Grussaí, no município de São João da Barra, até 2013. Há oito anos me dedico ao Centro Educacional Riachuelo como Diretor Geral das cinco unidades, que formam hoje o Grupo Riachuelo. Sou pós-graduado em Gestão Escolar Integradora e Gestão de Pessoas pelo Instituto Brasileiro de Ensino (IBE). Atualmente também sou apresentador do programa Papo Cabeça na rádio Folha FM 98,3.