Ex-ministro da Cultura diz que "é preciso novo rosto na política"
Arnaldo Neto 18/05/2018 21:49 - Atualizado em 21/05/2018 16:51
Marcelo Colero
Marcelo Colero / Foto - Rodrigo Silveira
Ex-ministro da Cultura do governo Michel Temer (MDB), que deixou o cargo em 2016 após polêmica com o também ex-ministro Geddel Vieira Lima (à época na secretaria de Governo), a quem acusa de tê-lo pressionado a produzir um parecer técnico para favorecer seus interesses pessoais, Marcelo Calero cumpre agenda em Campos. Defensor do que chama de uma nova política, de rostos novos e novas condutas, ingressou no PPS, após ter passado pelo PSDB e PMDB. Ele articula uma pré-candidatura a deputado federal e tem cumprido compromisso em todo o estado. Calero vê com preocupação o panorama político do país, em especial a situação do estado do Rio de Janeiro. Partidário do prefeito de Campos, Rafael Diniz, com quem já se reuniu, Marcelo credita ao governo anterior o legado de um caos administrativo.
— Os políticos que acham que por fazer uma propaganda bonitinha e ter bastante gente distribuindo santinho na rua vão se eleger fácil podem ter uma grande surpresa. Há uma conscientização, geral, eu diria, a respeito da ligação direta entre a corrupção e a falta de vaga na escola; entre a corrupção e a fila no hospital, a falta de segurança pública. Campos é um exemplo disso. Má gestão durante anos, Rosinha (Patri) e [Anthony] Garotinho (PRP) presos. Isso é gravíssimo. Dois ex-prefeitos da cidade foram presos, foram encarcerados. E aí legam o quê? Um caos administrativo — afirmou Calero.
Diplomata de carreira, Calero já atuou na embaixada do México. Na cidade do Rio de Janeiro, foi secretário de Cultura na gestão Eduardo Paes (atualmente no DEM), após ter passado pelo cargo de coordenador adjunto de relações internacionais, e depois presidente do Comitê dos 450 anos. Marcelo acredita que foi sua atuação na secretaria municipal que o creditou a chegar ao cargo de ministro. Garante que não foi indicação de Paes, nem do PMDB fluminense, ao qual era filiado até então.
O ex-ministro, que chegou a ser candidato a deputado federal no pleito de 2010, acredita que a eleição deste ano será de renovação, com o eleitor mais atento, mesmo que exista em grande parte um descrédito. Para Calero, a abstenção e o voto nulo serão os maiores adversários de toda classe política. “A gente chegou numa situação de caos absoluto. A gente chegou ao fundo do poço e tem que rezar para não ter um alçapão nesse fundo porque se a gente chegar mais fundo... A nossa população está extremamente empobrecida e isso a médio e longo prazo representa um retrocesso enorme. E, de novo, ou a gente usa as eleições 2018 para mudar esse cenário ou a gente vai tornar essa crise ainda mais aguda, com consequências imprevisíveis”, disse.
O cenário do Rio é o mais preocupante na política nacional para Calero. O ex-ministro, inclusive, comparou a falta de interesse político da população com o que ocorreu em outro país, vizinho do Brasil. “Eu acho que a gente tem um exemplo na Venezuela, que é país em que as pessoas se ausentaram da política e deixaram a coisa meio que no automático. Tornou-se um desastre. A gente não está muito longe disso. No Brasil como um todo, mas especialmente no estado do Rio, em que há ex-governador preso: um permanentemente [Sérgio Cabral] e o outro já foi preso duas vezes [Garotinho], inclusive saindo de programa de rádio. Onde isso é normal? É uma situação de anormalidade institucional que beira o caos”, observou.
Além do viés político, a agenda de Calero também conta com compromissos particulares, já que tem familiares em Campos. O ex-ministro também visita outros municípios do Norte e Noroeste Fluminense.
Pressão sofrida pela velha política
Calero ganhou visibilidade no cenário político nacional ao denunciar uma pressão que sofria de Geddel:
— Aquele episódio foi muito reflexo da situação política que a gente chegou no Brasil. As pessoas estão muito indignadas e desacreditadas na política não é à toa. Você imaginar que um ministro de Estado mobiliza todo um Governo, mobiliza o presidente da República, para liberar uma obra em um edifício em Salvador, um edifício de 30 andares, na ladeira da Barra, uma zona de proteção histórica, simplesmente porque naquela época ele dizia ter um apartamento lá, é uma coisa inconcebível em qualquer República.
Marcelo afirma ainda que o próprio presidente pediu sua para que Geddel fosse atendido. “Ele se despede de mim com um tapinha nas costas e diz: ‘Marcelo, a política tem dessas coisas’. Isso é um retrato da política tradicional, que a gente vive no nosso país e que eu acho que esses movimentos de renovação política estão tentando precisamente mudar”.

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