Produção de petróleo no pré-sal ultrapassa pela primeira vez a do pós-sal
31/07/2017 17:33 - Atualizado em 02/08/2017 15:49
Plataforma P-51, na Bacia de Campos
Plataforma P-51, na Bacia de Campos / Felipe Dana/Agência Petrobras
A safra de boas notícias da cadeia petrolífera foi revigorada com o aumento da produção de petróleo do pré-sal em junho, que superou pela primeira vez o volume extraído nos campos do pós-sal no país, segundo informou ontem a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis). Os campos do pré-sal produziram no mês passado uma média de 1,352 milhão de barris por dia, acima dos 1,321 milhão de barris produzidos em poços do pós-sal, segundo a ANP.
Ao todo, a produção de petróleo no Brasil foi de 2,675 milhões de barris/dia, um crescimento de 0,8% na comparação com o mês anterior, e de 4,5% em relação ao mesmo mês em 2016.
O pré-sal compreende poços que de petróleo localizados abaixo de uma extensa camada de sal no subsolo marinho do Espírito Santo até Santa Catarina.
Um dos campos do pré-sal recentemente encontrados está na Bacia de Campos, onde a Petrobras descobriu este ano boa qualidade e um volume significativo em Albacora, um dos campos gigantes do pós-sal descoberto, em 1984, a 100 quilômetros do Cabo de São Tomé. Essa é a maior descoberta do pré-sal já feita na Bacia de Campos.
Para Wellington Abreu, consultor na área de tributação e ex-superintendente de Petróleo e Tecnologia de São João da Barra, o pré-sal pode ser um divisor de águas.
— A Petrobras está efetuando desinvestimentos na totalidade de exploração em 30 concessões em cinco estados, todas em águas rasas, inclusive 14 na Bacia de Campos. O pré-sal pode ser um divisor de águas quanto à economia do país, fora o agronegócio. É o filho caçula e “temporão” do país desde 2005. Algumas teorias da conspiração falam até que é o motivo de tanta briga em Brasília e negociações no exterior. E a Lava Jato resolveu aparecer logo agora, na fase da “adolescência” do caçula — suspeitou.
— O “caçula” vem suprindo a queda do pós-sal há algum tempo, barreira já prevista até para antes de junho de 2017, mesmo com o grau de investimento que baixou. Nossa região precisa se aproveitar da crise e criar, é hora dos planejadores planejarem e os administradores administrarem. Os “adultos” precisam se valer com a responsabilidade que lhes foi conferida — concluiu Abreu.
(A.N.)

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