Dor
21/06/2025 | 00h47
Por Auxiliadora Freitas
Às vezes, a dor vira companhia. A rotina , mesmo sofrida, se torna abrigo. E então, a dor se torna identidade e a paralisia desculpa.
Não perca sua vontade de se movimentar. Sair deste lugar está nas nossas mãos e força de ir em frente. Não percamos o desejo de vida. A pulsão de morte precisa ser vencida.
Mudar exige esforço. Abandonar a autopiedade que a dor nos coloca. Levanta , encara o espelho e entenda que o viver está nas nossas mãos. Não é fácil quando a dor na alma chega.
Ter fé é importante , mas não basta ter fé. É precisa querer ser curado verdadeiramente.
O que te paralisa hoje? É a dor ou o medo de deixar de ser o que se acostumou a ser ?
Olhar para o momento que está sendo vivido e buscar a restauração é o nosso único caminho . Desejar sair da dor ,que nos congela está na nossa pulsão de vida ou morte na dor .
Dor ou não dor, eis a questão.
#poetas #dor #pulsão #movimentar #esperança
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Origem do Sobrenome Marques
20/06/2025 | 16h20
NinoBellieny
 
A Onomástica — estudo dos nomes próprios — permite compreender o sobrenome como um traço de identidade, cultura e história. Marques, comum em países de língua portuguesa e espanhola, tem uma origem nobre e militar, marcada pela tradição ibérica e pelo processo de formação das famílias medievais.

Origem etimológica e significado
Marques deriva do título nobiliárquico "marquês" (marques em espanhol e português arcaico),nobre responsável por guardar as fronteiras do reino (as “marcas”). O termo vem do francês antigo marquis, do germânico marka (fronteira). Assim, originalmente, Marques era um patronímico, dado a filhos ou descendentes de um marquês, com o sufixo "-es" indicando “filho de”.

Portanto, Marques significaria, literalmente, "filho do marquês".

Dispersão pelo mundo
O sobrenome é comum em países de influência ibérica, com forte presença em:

Portugal: onde teve origem e se expandiu entre as famílias nobres e depois populares.

Espanha: com grafia similar (Marqués), associada também à nobreza e cargos militares.

Brasil: recebeu grande quantidade de imigrantes portugueses entre os séculos XVI e XX.

Angola, Moçambique, Cabo Verde e Timor-Leste: por influência colonial portuguesa.

França e Bélgica: onde pode ocorrer por migração e variações derivadas do francês Marquis.

NoBrasil
No Brasil, Marques é um dos sobrenomes mais difundidos, presente desde o período colonial. Tornou-se comum tanto entre os descendentes de portugueses quanto dentre ex-escravizados libertos, indígenas e outras populações que adotaram sobrenomes durante a organização dos registros civis e religiosos no século XIX.

Estados como Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Pará e Pernambuco concentram grandes núcleos familiares com o nome Marques, muitos ligados à agricultura, comércio e, mais recentemente, à vida urbana e acadêmica.

Referências bibliográficas
De Felice, Emidio. Dizionario dei cognomi italiani. Mondadori, 1978.

Fucilla, Joseph. Our Italian Surnames. Genealogical Publishing Company, 1949.

Machado, José Pedro. Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa. Lisboa: Confluência, 2003.

Rosa, António Augusto Pereira Marques. Apelidos Portugueses: sua origem e significação. Lisboa: Editorial Presença, 1981.

Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo – Catálogo de Apelidos Portugueses

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Distribuição de Sobrenomes no Brasil, 2020.

Biblioteca Nacional Digital de Portugal – Registros Genealógicos da Nobreza.
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A Origem do Sobrenome Mezzabarba
19/06/2025 | 09h59
NinoBellieny
Sexto Episódio da Série
(Em homenagem à Alice)
O sobrenome Mezzabarba tem raízes italianas, formado pela justaposição de duas palavras do italiano antigo: "mezza" (meia) e "barba" (barba). Literalmente, "Mezzabarba" significa "meia barba", o que sugere uma origem de caráter descritivo ou apelativo — possivelmente usado para identificar um indivíduo que usava a barba de maneira incomum (como raspada parcialmente) ou tinha traços físicos distintos.

Sobrenomes de origem descritiva como esse eram comuns na Itália medieval e renascentista, quando os registros civis ainda não estavam padronizados e os nomes ajudavam a distinguir indivíduos com nomes próprios comuns.

Registros históricos
As primeiras ocorrências documentadas do sobrenome aparecem na região da Lombardia, especialmente em Pavia e arredores, no norte da Itália. Uma família nobre com esse nome — os Mezzabarba di Pavia — teve relevância histórica, com menções em documentos entre os séculos XIII e XV. O nome figura em registros eclesiásticos, militares e políticos da região.

O brasão da família Mezzabarba costuma apresentar elementos heráldicos tradicionais, como o leão rampante, símbolo de força e nobreza, e foi registrado no Armorial Général de France e em fontes italianas como o "Dizionario Storico-Blasonico delle Famiglie Nobili e Notabili Italiane".

Dispersão internacional
Com as grandes levas migratórias dos séculos XIX e XX, especialmente durante a unificação da Itália (Risorgimento) e os períodos de crise econômica, muitos membros da família Mezzabarba emigraram para países como Argentina, Estados Unidos, França e Brasil.

Nos Estados Unidos, registros de entrada em Ellis Island apontam indivíduos com esse sobrenome chegando entre 1890 e 1920. A Argentina também se tornou um destino importante, especialmente Buenos Aires e Córdoba.

A presença no Brasil
No Brasil, o sobrenome Mezzabarba aparece principalmente no estado de São Paulo, onde muitos imigrantes italianos se estabeleceram entre o final do século XIX e início do XX. Cidades como Ribeirão Preto, Araraquara, Piracicaba e Campinas registram famílias com esse sobrenome, geralmente envolvidas na agricultura, comércio e posteriormente na indústria.

A grafia foi, em geral, preservada, embora haja registros em cartórios com variações como “Meza Barba” ou “MezaBarba”, devido à fonética ou erros de transcrição.

Aspectos culturais e linguísticos
Do ponto de vista onomástico, Mezzabarba pertence à categoria dos cognomen descritivos, como "Rossi" (vermelho) ou "Bianchi" (branco). A forma composta indica a possível formação de uma linhagem já estabelecida, o que é reforçado pela presença do nome em registros de nobreza.

A sonoridade e composição do nome também contribuíram para sua manutenção ao longo das gerações, com pouca modificação, fato relativamente raro entre sobrenomes italianos adaptados fora da Itália.


A trajetória do sobrenome Mezzabarba é um exemplo eloquente de como um nome pode carregar significados culturais, identitários e históricos. Ele fala não apenas de uma barba incomum, mas de famílias, deslocamentos, territórios e permanências. O estudo da Onomástica, nesse sentido, nos conecta às raízes mais profundas da linguagem e da memória coletiva.

Referências bibliográficas
De Felice, Emidio. Dizionario dei cognomi italiani. Milano: Arnoldo Mondadori Editore, 1978.

Fucilla, Joseph. Our Italian Surnames. Baltimore: Genealogical Publishing Company, 1949.

Cognomi Italiani. Instituto Araldico Genealogico Italiano. Acesso em junho de 2025.

Heráldica Italiana: Dizionario Storico-Blasonico de G. B. di Crollalanza. Pisa, 1886.

Biondelli, Bernardino. Saggio sui Dialetti Gallo-Italici. Milano, 1853.

Arquivo Nacional – Registros de Imigração (Brasil).

Ellis Island Database, The Statue of Liberty-Ellis Island Foundation.
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Grupo BV lança rádio digital
17/06/2025 | 19h39
 
Jefersson Vianna discursa para os atentos Benedito Martelinho de Ouro, Geane Vicler,  Luciano Souza, e a irma deste, Viviane Souza Lopes
O cenário da comunicação regional ganhou impulso nesta segunda-feira (16) com a inauguração da Rádio Digital Carinho, em Campos dos Goytacazes. A cerimônia em uma das sedes do grupo Boa Viagem na Rua Formosa, foi conduzida por Marcelo Barreto Souza, CEO do BV.
Um coquetel para convidados, reuniu diversas personalidades e autoridades, como o comunicador W.A., a prefeita de Cardoso Moreira, Geane Vincler (União), o ex-vice-prefeito também de Cardoso Moreira, o empre´sario rural Jefersson Vianna, e o comunicador Benedito Martelinho de Ouro,diretor da emissora,  além de outras figuras influentes.

A nova emissora digital promete ampliar o panorama da radiodifusão na região, oferecendo mais uma opção para os ouvintes e para o desenvolvimento do setor, além de oferecer espaço para podcasts. 
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Novas Viaturas para a Emater em Italva
16/06/2025 | 10h12
Nesta terça-feira às 11 horas, a Emater novas viaturas em Italva. A solenidade acontece no CENTERJ, localizado na BR-356, número 77.

O convite é assinado por diversas autoridades, incluindo o governador do Estado do Rio de Janeiro em exercício, Rodrigo Bacellar; o prefeito de Italva, Léo Pelanca; o secretário de Estado de Desenvolvimento Regional do Interior, Pesca e Agricultura Familiar, Jair Bittencourt; e o presidente da EMATER-RIO, Marcelo Costa.
Prefeitos da área estarão presentes, como Geane Vincler, de Cardoso Moreira, Gean Marcos, de São José de Ubá e Lauro Fabri de Varre-Sai.
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Setor de Inteligência do 32º BPM prende líder do tráfico em Macaé
15/06/2025 | 11h31
Uma operação do Serviço Reservado do 32º BPM, comandado pelo coronel Olavo Ramos, resultou na prisão de um homem apontado como líder do tráfico de drogas e na apreensão de grande quantidade de entorpecentes e uma arma de fogo na noite de ontem, sexta-feira (14), em Cabeceira do Sana, distrito de Macaé.

A ação policial foi desencadeada na Estrada da Pedra Grande, após informações indicarem a atuação de traficantes armados na localidade. O alvo da operação era um indivíduo recentemente libertado do sistema prisional e supostamente responsável pela distribuição de drogas na região. Dados prévios também apontavam a existência de entorpecentes enterrados atrás de sua residência.

A equipe policial montou vigilância no endereço indicado. Ao avistar o suspeito saindo de casa, os agentes realizaram a abordagem. Durante a revista pessoal, foi encontrada em sua posse uma pistola Bersa calibre 9mm, municiada com treze projéteis intactos. A busca foi estendida às proximidades, resultando na descoberta de uma sacola enterrada na área de mata, contendo 820 pinos de cocaína prontos para comercialização.


O suspeito e todo o material apreendido foram encaminhados à 123ª DP para os procedimentos legais. Após análise da autoridade policial, o homem permaneceu detido e responderá por porte ilegal de arma de fogo, com base na Lei nº 10.826/2003, e por tráfico de drogas, conforme a Lei nº 11.343/2006.
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Origem do Sobrenome Nascimento
11/06/2025 | 14h03
NinoBellieny
Série Origens, 5º Episódio
O sobrenome Nascimento, amplamente difundido em Portugal, no Brasil e em outras nações de língua portuguesa, carrega em sua etimologia uma conexão direta com um dos eventos mais significativos da fé cristã: o nascimento de Jesus Cristo. Sua formação reflete práticas comuns de nomeação em épocas em que os sobrenomes começaram a se fixar.

Origem Religiosa e Comemorativa

A raiz mais proeminente do sobrenome Nascimento é de natureza toponímica ou religiosa, embora não ligada a um lugar físico, mas sim a um marco temporal e espiritual.

Associado ao Natal: "Nascimento" deriva diretamente da palavra em português que significa "ato de nascer", "nascimento". A principal teoria aponta que o sobrenome era frequentemente atribuído a indivíduos que nasciam no dia 25 de dezembro, data da celebração do Natal (o nascimento de Cristo), ou em seus arredores.
Era uma forma de identificar a pessoa pela data de seu nascimento, ligando-a diretamente à festividade cristã.
Identificação de Expostos (Encontrados): Em muitas sociedades medievais e modernas, era comum que crianças abandonadas ou "expostas" fossem batizadas com sobrenomes que indicassem sua origem ou a circunstância de seu achado.
"Nascimento" era um nome frequentemente dado a órfãos ou crianças encontradas em datas próximas ao Natal, ou mesmo como um nome genérico para indicar o "novo começo" ou o "nascimento" dessas vidas sem filiação conhecida.
Essa prática ajudava a integrar essas crianças à sociedade, oferecendo-lhes uma identidade.

Contexto Histórico da Fixação dos Sobrenomes

A fixação dos sobrenomes em Portugal, como em muitas partes da Europa, tornou-se mais sistemática a partir da Baixa Idade Média. Inicialmente, as pessoas eram identificadas por um único nome, seguido por um apelido, um patronímico ("filho de"), um toponímico (local de origem) ou um nome de ocupação.
Com o tempo, esses segundos nomes tornaram-se hereditários. O sobrenome Nascimento se encaixa nesse padrão, sendo uma designação originária de um evento ou circunstância que se tornou um marcador familiar.

Dispersão Geográfica

A vasta disseminação do sobrenome Nascimento é um reflexo da expansão marítima e colonial portuguesa. É extremamente comum em Portugal e, em decorrência da colonização, tornou-se um dos sobrenomes mais frequentes no Brasil. Sua presença também é notável em outras regiões que foram influenciadas pela cultura lusófona, como Angola, Moçambique, Cabo Verde, entre outros.

Distinção Etimologia x Genealogia

É fundamental destacar que a etimologia do sobrenome Nascimento trata da origem e do significado do nome em si. A história de uma família específica que o carrega, no entanto, é o campo da genealogia. Embora a origem do sobrenome aponte para um ancestral possivelmente nascido no Natal ou uma criança encontrada, a linhagem de cada família "Nascimento" pode ser diversa e requer pesquisa genealógica individualizada.

Referências Bibliográficas

Almeida, Manuel de. Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa. Lisboa: Livros Horizonte, 2003. (Uma obra de referência para a etimologia dos sobrenomes portugueses, incluindo origens religiosas e de circunstância).
Hanks, Patrick; Hodges, Flavia. A Dictionary of Surnames. Oxford: Oxford University Press, 1988. (Embora focada em sobrenomes de língua inglesa, frequentemente aborda origens de sobrenomes europeus que se cruzam ou têm paralelos em outras línguas, além de princípios gerais de etimologia de sobrenomes).
Machado, José Pedro. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. Lisboa: Livros Horizonte, 1987. (Oferece insights sobre a palavra "nascimento" e seu uso histórico na língua portuguesa).
Rodrigues, Dulce Maria Morais. Formação de Sobrenomes Portugueses. Porto: Universidade do Porto, 2006. (Tese ou estudo que pode detalhar padrões de formação de sobrenomes, incluindo aqueles derivados de datas ou circunstâncias).
Tavim, José Alberto; Pimentel, Maria Inês. A Vida dos Sobrenomes Portugueses. Lisboa: QuidNovi, 2010. (Publicação que explora a história e a disseminação de sobrenomes portugueses).




 
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Origens do Sobrenome Chequer
10/06/2025 | 12h54
NinoBellieny
 4º episódio de Origens
Vila nas montanhas do Líbano
Vila nas montanhas do Líbano / Latour Chequer
 
 
 
O sobrenome Chequer possui múltiplas origens etimológicas, enraizadas tanto no Oriente Médio quanto na Europa medieval. A onomástica moderna revela como esse nome foi formado e disperso ao longo da história.

1. Origem Libanesa/Árabe: De "Shakkour" () a Chequer

No contexto do Oriente Médio, particularmente no Líbano, o sobrenome Chequer deriva de um nome ou apelido pessoal árabe. A raiz mais aceita é "Shakkour", que significa "grato" ou "muito agradecido". Era comum que nomes pessoais ou apelidos baseados em virtudes fossem atribuídos a indivíduos. Com a fixação dos sobrenomes como herança familiar, "Shakkour" tornou-se um sobrenome hereditário. A transição para "Chequer" (e variações como Chacour, Shaqour) ocorreu durante a diáspora libanesa, quando esses nomes foram adaptados foneticamente e ortograficamente ao alfabeto latino em países de acolhimento.

2. Origem Anglo-Saxã/Normanda: De Profissões e Locais a Chequer

Paralelamente, na Inglaterra medieval, o sobrenome Chequer (e variantes como Chequers, Checker) emergiu de contextos profissionais e locativos.

Origem Ocupacional: O termo inglês médio "chequer" referia-se a um tabuleiro quadriculado usado no "Exchequer", o Departamento de Finanças da Coroa Britânica, para cálculos. Indivíduos que atuavam como oficiais, contadores ou auditores neste departamento eram frequentemente identificados por sua função.
Essa identificação, com o tempo, evoluiu para um sobrenome hereditário, denotando a ocupação ancestral.
Origem Toponímica: "Chequer" também podia designar um local físico onde impostos eram cobrados ou contas verificadas, como uma alfândega. Indivíduos que moravam próximos a esses pontos ou que os gerenciavam eram referenciados por esse local ("o homem do chequer"). Com a fixação dos sobrenomes, essa referência locativa tornou-se hereditária.
Dispersão Geográfica no Brasil: Foco em Minas Gerais e Rio de Janeiro

A presença do sobrenome Chequer no Brasil é predominantemente associada à grande diáspora libanesa que se intensificou a partir do final do século XIX e início do século XX. Famílias com o sobrenome original "Shakkour" e suas adaptações fonéticas estabeleceram-se em diversas regiões brasileiras.

Minas Gerais: O estado foi um importante destino para imigrantes libaneses, e o sobrenome Chequer é encontrado em diversas cidades mineiras, refletindo essa imigração.
Rio de Janeiro: A microrregião de Itaperuna, conhecida por sua acolhida a imigrantes, também recebeu a família Chequer. A presença do sobrenome na região confirma a rota migratória libanesa que se espalhou pelo interior do país, contribuindo para a diversidade cultural, empresarial e empreendedora.
A etimologia de um sobrenome foca na origem do nome em si, e não na história genealógica de uma família específica. Para traçar a linhagem de uma família Chequer, a pesquisa genealógica aprofundada é indispensável, permitindo determinar qual das duas origens principais se aplica ao ramo familiar em questão, dada sua história migratória.
Referências Bibliográficas:

Almeida, Manuel de. Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa. Lisboa: Livros Horizonte, 2003. (Para princípios gerais de onomástica e adaptação de sobrenomes estrangeiros ao português).
Hanks, Patrick; Hodges, Flavia. A Dictionary of Surnames. Oxford: Oxford University Press, 1988. (Fundamental para a origem europeia de sobrenomes e o significado de "chequer" em inglês).
Jabbour, Jamil. O Líbano e os Libaneses no Brasil. Rio de Janeiro: Edições Casa do Estudante do Brasil, 1974. (Para o contexto da imigração libanesa no Brasil e a adaptação de sobrenomes).
Parkin, D. C. The Oxford Dictionary of Surnames. Oxford: Oxford University Press, 2021. (Versão atualizada de Hanks e Hodges, incluindo desenvolvimentos mais recentes em etimologia de sobrenomes).
Pesquisas Genealógicas e Onomásticas da Comunidade Libanesa-Brasileira: Embora não sejam publicações formais de livro, estudos e bases de dados genealógicas mantidas por instituições e pesquisadores da comunidade libanesa-brasileira são fontes para mapear a presença e as adaptações de sobrenomes como Chequer.
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O Sobrenome Picanço
09/06/2025 | 13h16
NinoBellieny
 Brasão da Família Picanço
Terceiro episódio da série A Origem dos Sobrenomes
O sobrenome Picanço tem raízes portuguesas e aparece em registros históricos desde o século XVI. Embora não seja um dos sobrenomes mais comuns em Portugal, ganhou certa presença no Brasil, especialmente a partir do período colonial, quando diversas famílias portuguesas migraram para a América
A origem pode estar ligada à alcunhas ou características físicas ou comportamentais, uma prática comum na formação de sobrenomes na Península Ibérica. O termo "picanço" tem registros antigos no português arcaico, podendo remeter ao verbo "picar", que significa ferir com ponta ou dar pequenos golpes.
Em contextos populares, também aparece como nome de pássaros — como o picanço-barreteiro, conhecido por seu comportamento de empalar presas em espinhos, o que pode ter servido de base para apelidos pessoais que deram origem ao sobrenome.

Outra hipótese aceita por estudiosos da Onomástica (ciência dos nomes) é a de que Picanço seja derivado de apelidos familiares ou nomes de ofício, o que era comum dentre camponeses, soldados e artesãos. Como outros sobrenomes portugueses, pode ter sido inicialmente um nome de uso local e, com o tempo, passou a se tornar hereditário, transmitido de pai para filho.

No Brasil, o sobrenome Picanço aparece em registros civis e militares desde o período colonial. Há, por exemplo, referências a oficiais e intelectuais com o sobrenome Picanço em documentos do século XIX. Uma figura notável foi o médico e cirurgião João Ferreira Picanço, que atuou na primeira metade do século XIX com papel importante na história da Medicina brasileira.

A genealogia das famílias Picanço no Brasil revela ramificações em estados como Rio de Janeiro, Pará e Maranhão, o que sugere um processo de dispersão ao longo dos séculos, a partir de núcleos iniciais de imigração portuguesa.

Atualmente, o sobrenome Picanço é encontrado em diversas regiões do Brasil, com maior concentração no Pará, especialmente nas cidades de Belém, Castanhal e Abaetetuba. Também há presença significativa no Maranhão, no Rio de Janeiro e no Amapá, refletindo tanto a expansão demográfica quanto a mobilidade social das famílias descendentes.
Em Portugal, o nome continua raro, com poucas ocorrências, o que afirma a consolidação histórica no contexto brasileiro.

Referências bibliográficas:

BARBOSA, Rosa Maria. Dicionário de Sobrenomes Portugueses. Lisboa: Imprensa Nacional, 1995.

MACHADO, José Pedro. Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa. Lisboa: Livros Horizonte, 2003.

SILVA, Alberto da Costa e SILVA, Maria Beatriz Nizza da. Nomes e Sobrenomes: História e Significado. São Paulo: Ática, 2008.

Arquivo Nacional (Brasil). Fundos Históricos – Documentos Genealógicos, 1800–1900.

Geneall.net – Base de dados genealógica sobre famílias portuguesas e luso-brasileiras.

Forebears.io. "Picanço Surname Distribution." Acesso em 2025.

IBGE. Nomes no Brasil. Base de dados de registros civis. Acesso em 2025.
 
 
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A Origem do Sobrenome Silva
08/06/2025 | 12h29
NinoBellieny
O sobrenome Silva é um dos mais onipresentes em países de língua portuguesa, como Brasil e Portugal, e também em diversas outras nações com forte influência lusa. Sua vasta distribuição e a simplicidade da sonoridade,  remonta à Antiguidade e se entrelaça com a formação da Península Ibérica.

A raiz do sobrenome Silva é latina, derivando da palavra sylva, que significa "floresta", "selva" ou "bosque". Essa etimologia aponta para uma provável origem toponímica, ou seja, pessoas que moravam ou eram proprietárias de terras localizadas em áreas arborizadas podem ter adotado Silva como forma de identificação. Não é incomum na formação de sobrenomes europeus a referência a características geográficas do local de habitação.

No contexto da Península Ibérica, a presença da palavra sylva pode ser traçada até o período romano. Com a romanização do que hoje compreende Portugal e Espanha, muitas famílias romanas, ou mesmo habitantes locais que adotavam a cultura romana, possuíam cognomes ou agnominas que faziam alusão à natureza. Nesse período não eram hereditários como são hoje.

A consolidação de Silva como sobrenome hereditário ocorreu durante a Idade Média, especialmente com a Reconquista Cristã da Península Ibérica. À medida que os reinos cristãos avançavam sobre o território muçulmano, a organização social e a necessidade de identificação das linhagens se tornaram mais proeminentes. Foi aí que o sobrenome Silva começou a ser transmitido de geração em geração, ganhando força e distinção.

Uma das linhagens mais antigas e proeminentes a adotar o sobrenome Silva foi a família dos Silvas de Penaguião, em Portugal. Com raízes que remontam ao século XI, teve muita influência na nobreza portuguesa, gerando diversos fidalgos, cavaleiros e figuras importantes da corte. A partir desse núcleo inicial, o sobrenome se ramificou e se espalhou por todo o território português e, posteriormente, na era das grandes navegações, para as colônias, em especial o Brasil.

A popularidade do sobrenome Silva também pode ser atribuída à simplicidade e à ausência de conotações negativas. Em muitos casos, o sobrenome pode ter sido adotado por indivíduos que buscavam uma nova identidade, como libertos de escravidão ou pessoas que se mudavam para novas terras e precisavam de um nome que os identificassem.

Referências Bibliográficas:
* MACHADO, José Pedro. Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa. Lisboa: Livros Horizonte, 2003.
* LOPES, João Baptista da Silva. Portugal Antigo e Moderno. Lisboa: Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, 1874. (Volume 3, pp. 256-260, especificamente sobre a família Silva de Penaguião).
* BLUTEAU, Rafael. Vocabulario Portuguez e Latino. Coimbra: Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1712-1728. (Volume 7, entrada "Silva").
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