Diretor do El Sistema e o presidente da Orquestrando a Vida
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Foto: Divulgação.
A ONG Orquestrando a Vida teve uma importante conquista no último sábado (23). Durante a segunda edição do Congresso Mundial El Sistema, em Caracas, na Venezuela, foi assinado um convênio que permitirá a crianças, adolescentes e jovens adultos de Campos, de todas as camadas sociais, o acesso e o aprofundamento no estudo da música por meio de intercâmbio.
— Esse convênio com o El Sistema abre a parte de cooperação técnica — destaca o presidente da Orquestrando a Vida, Jony William Vianna. — Eles enviam delegações de professores para cá, para ensaios de orquestras e treinamentos de alunos e professores. E há também o intercâmbio, proporcionando que possamos ir para a Venezuela, tanto professores quanto alunos, para treinamentos técnicos nas orquestras e nos núcleos, inclusive com confecções de concertos, preparações de maestros, instrumentistas, e ainda participações em orquestras internacionais. É um mundo que se abre para a Orquestrando a Vida e para a cidade — enfatiza.
Fundado em 1975 pelo músico José Antonio Abreu, o El Sistema (O Sistema, em português) é um modelo didático que propõe a difusão e a democratização do acesso à música. Em vários países há réplicas desse método, de modo que 140 participantes internacionais estiveram reunidos no Centro Nacional de Ação Social da Música na última semana, de segunda-feira (18) a sábado (23), fazendo uma primeira abordagem a respeito do Sistema Mundial de Orquestras e Coros. Foram representados 43 países, bem como 86 programas inspirados no El Sistema.
— Mostrar resultados é a chave desta estrutura — disse o diretor-executivo do El Sistema, Eduardo Méndez. — Os resultados nos dão reconhecimento para conquistar mais espaços e obter financiamento que nos permita continuar trabalhando em prol de crianças e jovens. Para mostrar resultados, é preciso trabalhar muito — pontuou.
A Orquestrando a Vida esteve representada no evento pelo seu presidente, Jony William, e pelo diretor artístico, Hodyllon Martins, além do contrabaixista Victor Hugo, de 16 anos; do violinista Dávilla Santiago Santos e do percussionista Henrique Castor de Matos, ambos de 18.
Ao Livro Verde foi fundada em 1844
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Foto: Rodrigo Silveira
A campanha SOS Ao Livro Verde, em apoio à mais antiga livraria do Brasil, sediada em Campos, ganhou mais uma importante aliada. Trata-se Associação Brasileira de Imprensa (ABI), cuja adesão foi oficializada na última quarta-feira (20), em ofício assinado pelo presidente da entidade, Octávio Costa.
Em julho, a SOS Ao Livro Verde já havia sido reforçada pela Academia Brasileira de Letras (ABL), presidida pelo jornalista e escritor Merval Pereira. Ao todo, mais de 50 instituições (campistas, estaduais e nacionais) participam da campanha, lançada em julho pela Academia Campista de Letras (ACL), a Associação de Imprensa Campista (AIC), o Instituto Histórico e Geográfico de Campos e o Centro Universitário Fluminense (Uniflu), além de um grupo de ex-alunos do Liceu de Humanidades de Campos. Um dos braços do movimento é um abaixo-assinado, que conta com quase 2.100 assinaturas.
Nesta terça-feira (26), às 15h, haverá na Câmara Municipal a terceira reunião de uma comissão mista sobre a Ao Livro Verde. Presidida pelo vereador Rogério Matoso, a comissão está preparando um relatório final com sugestões e propostas para evitar o fechamento da livraria, fundada em 1844 e que em junho acionou a Justiça com um pedido de autofalência, tendo R$ 1.886.264,91 em dívidas. O relatório será apresentado à sociedade civil em reunião plenária aberta, no dia 3 de outubro, às 11h, também na Câmara.
Sugestões para a comissão mista da Câmara podem ser enviadas até o próximo sábado (30), pelo site camaracampos.rj.gov.br, pelo Instagram @camaradecampos ou pelo grupo de WhatsApp da SOS Ao Livro Verde. A entrada neste grupo deve ser solicitada por meio de contato com os telefones (22) 99234-4935 e 99820-9998. Já o abaixo-assinado da campanha continua recebendo assinaturas pelo site peticaopublica.com.br.
Tramita na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) um projeto do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar, para tornar a Ao Livro Verde um patrimônio histórico e cultural do estado. Em Campos, a livraria foi reconhecida como patrimônio cultural pela Câmara, em agosto, e pela Prefeitura, este mês.
Em Assembleia Geral Ordinária realizada na manhã deste domingo (24), na sede do Americano, membros da última diretoria, do conselho deliberativo e sócios do clube decidiram pela criação de uma junta administrativa de transição. Tomada em razão da ausência de candidatos a presidente em duas oportunidades, a medida valerá por 90 dias, contados a partir do início deste mês, ou seja, até 30 de novembro.
Integram a junta administrativa o então presidente do Cano, Vagner Xavier, que reforçou a decisão de não continuar no cargo; o então vice-presidente, Fábio Rangel; o então presidente do Conselho Deliberativo, Octávio Fernandes; além de Francisco Sérgio de Oliveira Barros, Otávio Fernandes, Roberto Pessanha, Rider Gonçalves, Jonas Mendes, Luiz Carlos Mattos Tavares e Élcio dos Santos.
— Continuo apenas assinando como representante do clube, porque a gente precisa ter um representante junto à Federação e a própria Justiça. O meu mandato e o do conselho terminaram em 30 de agosto — disse Vagner Xavier. — Eu já dei a minha contribuição. Depois de César Gama, eu sou o presidente que ficou mais tempo no mandato, por três anos e meio — pontuou.
Durante a vigência da junta administrativa, será formado um grupo de trabalho com dirigentes, torcedores, sócios e patrocinadores, tendo como objetivo definir políticas de sustentabilidade, administração e finanças, bem como o fortalecimento do Americano no cenário nacional. Se definido futuramente, o mandato de um próximo presidente valerá por três anos, até 2026.
Gabriel se apresentou com o Palma Contra Palma
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Foto: Sérgio Tinoco/Divulgação
Em Campos a convite do grupo local Palma Contra Palma, com quem se apresentou na Casa da Árvore na noite da última sexta-feira (15), o cantor, compositor e cavaquinista Gabriel Cavalcante pode ser considerado um bamba no sentido estrito do termo. Afinal, apesar dos apenas 37 anos de idade, o popular Gabriel da Muda participou de importantes movimentos no Rio de Janeiro, como o tradicional Samba da Ouvidor, e é uma das figuras primordiais do Samba do Trabalhador. Numa entrevista breve, mas repleta de conteúdo, ele falou sobre as vezes em que cantou na planície goitacá, e, sendo também muito ligado à gastronomia, não poupou elogios ao famoso torresmo de rolo do Boteco do Cabeça, vencedor do Festival de Comida de Boteco de Campos, em abril. Também comentou o atual momento do samba; a canção “Som de Prata”, homenagem de Moacyr Luz e Paulo César Pinheiro a Pixinguinha, que é sucesso na sua voz; o novo álbum a caminho e a paixão pelo Flamengo, adormecida, mas gravada na pele.
Sua vinda a Campos foi uma iniciativa do Palma Contra Palma que muito agradou aos amantes do samba locais. Possui alguma relação anterior com a cidade?
Já vim a Campos algumas vezes, tanto com o Samba do Trabalhador quanto sozinho, para dividir um show com o Moyseis Marques aqui. Sempre fui muito bem recebido. Sinto que o povo de Campos gosta muito de samba, é muito ligado, conhece o nosso repertório. Ser recebido aqui da forma como sempre sou recebido é um negócio que, realmente, me deixa muito feliz, por saber que o samba está sendo bem tratado também fora do Rio de Janeiro.
Sua idade não lhe permite ser considerado da “velha geração”, mas você construiu uma trajetória com atuação em importantes movimentos no samba carioca. Sendo uma referência para os sambistas que estão chegando, como avalia o atual cenário do gênero?
Existe neste momento, no Brasil, uma explosão de rodas de samba. Hoje em dia, as rodas de samba estão ficando todas muito cheias. Acho que, realmente, o samba vive um ótimo momento, tem uma garotada nova fazendo. Há poucos dias, viajei para Belo Horizonte, e a gente ficou no mesmo hotel de uma rapaziada que estava fazendo show lá em Belo Horizonte também, com uma pegada diferente da nossa, mas a roda dos caras também lotada. Então, o movimento está muito forte e tem uma galera nova que não veio para brincar. Os caras estão tocando e estudando, do jeito que deve ser, do jeito que o samba merece. É difícil citar nomes, mas no Rio de Janeiro tem o Pagode da Garagem, o Samba da Volta, uma galera nova. É bonito para caramba ver, fico sempre muito feliz. E eu sinto que está acontecendo com essa galera mais ou menos a mesma coisa que aconteceu comigo. Tenho 37 anos, 21 de samba. Os caras estão saindo das rodas para tocar com grandes nomes. Os atuais músicos do Marcelo D2 são todos de rodas de samba. É muito legal, muito bonito ver isso. Como falta incentivo, um moleque novo tem tudo para desanimar na caminhada, mas vemos caras tocando com nomes grandes da música. Isso é muito legal!
(Obs: Gabriel trouxe a Campos o tamborinista Elvis Macedo, de apenas 19 anos, que fez com ele o seu primeiro show profissional fora da cidade do Rio de Janeiro).
Você também é muito ligado à gastronomia, tendo uma padaria e, inclusive, dando dicas de pratos e petiscos de outros estabelecimentos em seu perfil no Instagram. Agora, fazemos esta entrevista no Boteco do Cabeça, que tem um torresmo famoso entre os campistas e visitantes. O que tem a dizer sobre ele?
Esse torresmo é uma das coisas mais maravilhosas que comi na vida. Meu Deus do céu! O Victor (HPS, vocalista do Palma Contra Palma) falou, e eu vim comprovar, porque de torresmo eu gosto. Uma coisa espetacular! É bom que eu limpo as cordas vocais antes de cantar (risos). E já estive em outros bares de Campos, mas confesso que não lembro dos nomes, porque faz bastante tempo. Mas, adorei aqui (o Boteco do Cabeça).
Voltando à música, em 2021 você gravou “Flamengo de todos os deuses”, versão rubro-negra para o samba-enredo “Bahia de todos os deuses”, apresentado pelo Salgueiro em 1969. Como é a sua relação com o clube?
Sendo bem sincero, eu sou flamenguista de ter tatuagem na perna, mas não tenho mais acompanhado futebol. Acho que o futebol está vivendo um momento estranho, de elitização, e eu não gosto disso. Mas, o Flamengo está aí, sempre brigando por títulos. E o fato de eu ter gravado “Flamengo de todos os deuses” foi muito bacana, porque quem me chamou para gravar esse samba foi um cara que eu admiro muito, que é o Dudu Monsanto, jornalista dos melhores do país. Esse samba é curioso, porque foi o primeiro samba-enredo parodiado por uma torcida de futebol (sendo muito executado no Maracanã no final da década de 1960 e no início dos anos 1970). É um samba histórico! Essa versão é histórica!
Um dos sambas mais conhecidos na sua voz é o “Som de Prata”, de Moacyr Luz e Paulo César Pinheiro, numa emocionante homenagem ao célebre Pixinguinha. Também sente uma enegia especial ao cantá-lo?
Pixinguinha é santo! É muito bacana quando você canta uma música dessa, porque não é uma música apelativa, não é uma música explosiva, mas você vê todo mundo cantando. O que mais me encanta nesse processo todo é ver a turma botando Pixinguinha na boca, cantando para ele. Acaba que é uma porta de entrada: o cara ouve a música, gosta e vai procurar saber quem foi Pixinguinha. E Pixinguinha é um deus, um orixá. Pixinguinha é “santo sim, senhor”; um cara de extrema importância para a música brasileira.
Quanto ao futuro, tem algum trabalho sendo planejado?
Terminei de gravar um disco novo, que vai se chamar “Se for, me chama”. Deve sair agora, no final de outubro, início de novembro.
Resgate de parte do acervo da LCD
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Foto: Rodrigo Silveira
Contendo vasto e importante material a respeito do futebol de Campos, parte do acervo histórico da Liga Campista de Desportos (LCD) foi resgatada na última sexta-feira (15) por uma equipe da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), visando à preservação, restauração e digitalização. São fotos reveladas, fichas e carteirinhas de ex-jogadores, coleções de jornais, entre outros itens. O conteúdo ficava no prédio da LCD e foi danificado pela chuva que atingiu a cidade na quinta-feira (14), um dia após a entidade esportiva ter completado 110 anos de existência.
No acervo resgatado, por exemplo, há uma foto grande do dirigente Eduardo Viana, campista que chegou à presidência da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), tendo falecido em 2006. Também consta uma encadernação com diversas edições do carioca “Jornal dos Sports” da década de 1970, bem como outras com diversos exemplares do “A Notícia”, de Campos, contendo edições da coluna “Em cima do lance”, assinada pelo respeitado jornalista Péris Ribeiro. Nas fichas de jogadores de várias gerações, podem ser vistas fotos 3x4 e carteirinhas profissionais, que, além de servirem de embasamento para pesquisas, também podem ser utilizadas como base para aposentadoria dos atletas.
Realizada em caráter de urgência, a iniciativa da última sexta-feira contou com participação do jornalista e escritor Wesley Machado, biógrafo do Campos Atlético Associação e atualmente mestrando em cognição e linguagem pela Uenf; de Yann Belmont, bolsista de apoio na área da antropologia; e das estudantes de pedagogia Adriele e Lara, além do professor de história Leonardo Soares dos Santos, este da Universidade Federal Fluminense (UFF). A retirada do material foi acompanhada pelo presidente da LCD, Luis Pereira, e pelo secretário-geral, Leonardo Silva, atuante na entidade há quase 30 anos.
Todos os itens foram levados para o campus Leonel Brizola, sede da Uenf, ficando acondicionados na sala do professor aposentado Arno Vogel, titular do Centro de Ciências do Homem (CCH). O espaço sediará o Centro de Documentação do Futebol (CDF) da Uenf, do qual também fará parte o professor Leonardo, da UFF. Anteriormente, a Uenf já havia firmado um termo de cooperação técnica com a LCD, o que facilitou a iniciativa.
Situado na avenida Alberto Torres, número 71, no Centro de Campos, o prédio da LCD data da década de 1920 e está prestes a completar 100 anos. Antes de abrigar a LCD, por lá instalada desde a década de 1960, sediou o Club Macarroni, associação carnavalesca fundada em 1871.
Marcada para o próximo domingo (24), a eleição do próximo presidente do Americano não conta com candidatos. O prazo para registro de chapas terminou na última sexta-feira (15), sem nenhuma inscrição. O mesmo ocorreu em abril, mês original do pleito, adiado justamente por esse motivo. Segundo a assessoria de imprensa alvinegra, o Conselho Deliberativo do clube se manifestará sobre o tema na próxima segunda-feira (18).
A falta de interessados em assumir a presidência do Americano não é novidade. Em maio de 2020, o atual presidente, Vagner Xavier, foi eleito por aclamação, não tendo opositor. Seu mandato terminaria em maio deste ano, mas foi prorrogado para que o clube não ficasse sem presidente durante a Série A2 do Campeonato Estadual e a Copa Rio.
Teoricamente, o Cano está sem presidente desde a eliminação nas oitavas de final da Copa Rio, no último dia 6. Porém, mesmo já tendo divulgado que não seguirá no cargo, Vagner atua visando a uma transição tranquila e que não prejudique o futuro do clube. Inclusive, manteve em atividade o time sub-20, que segue invicto na A2 do Estadual e está nas quartas de final da Copa Rio da categoria.
Junto ao mandato de Vagner Xavier, também terminou o do Conselho Deliberativo, até então presidido por Octávio Costa Fernandes.
Filho do consagrado Lenine, o cantor e compositor João Cavalcanti ficou marcado como um dos integrantes da reocupação musical da Lapa, no Rio de Janeiro. Duas décadas depois daquele movimento, ainda hoje é conhecido como representante da “nova geração do samba”. Já não é mais tão garoto na idade, tendo atualmente 43 anos, mas seu interesse pela renovação segue ativo. Tanto é que, nesta entrevista (publicada na edição desta quarta-feira, 13, da Folha da Manhã), listou nomes de artistas que admira na nova cena da música popular brasileira. Também falou sobre a carreira solo — oficializada desde que deixou o grupo Casuarina, em 2017 — e, botafoguense apaixonado, comentou a expectativa de que o clube possa encerrar um jejum de 28 anos sem vencer a primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Carioca, João abordou ainda a relação profissional com Campos, onde esteve no dia 11 de maio, apresentando o show “Desengaiola” com Alfredo Del-Penho, Moyseis Marques e Pedro Miranda, no Teatro Sesc, e agora retorna para um show solo sexta-feira (15), às 20h, no Teatro Firjan Sesi. Ingressos a R$ 40, cada, com meia-entrada a R$ 20, na plataforma Sympla.
Apesar de ter ficado muitos anos sem vir a Campos, você já se apresentou algumas vezes na cidade. Como foi reencontrar o público campista em maio, quando se apresentou no Sesc Campos com o projeto “Desengaiola”?
Já tinha feito shows em Campos em grupo. Fui algumas vezes com o Casuarina, mas até esse show de maio, com o “Desengaiola”, fazia algum tempo que eu não ia. E a recepção, como sempre, foi maravilhosa. É um público sempre muito quente. Campos é uma cidade muito grande, com cerca de 500 mil habitantes, número próximo à população de Florianópolis, onde fiz uma apresentação recente. É a maior cidade do Rio de Janeiro fora da Região Metropolitana, mas com uma certa carência de equipamentos de cultura. Percebemos isso conversando com os fãs. Então, circuitos como esses do Sesc e do Sesi promovem muitos shows legais e permitem que a gente se conecte com essa plateia, que é uma plateia sempre muito afim de ouvir e de estar perto. O interior do estado como um todo tem isso, mas Campos é especial por ser uma cidade grande, ávida por cultura. Quando os equipamentos são ocupados, as pessoas estão sempre afim. Sempre me senti muito bem recebido na cidade.
Desde que deixou o Casuarina, no final de 2017, você teve vários projetos. Lançou os álbuns “Garimpo” (com Marcelo Caldi, em 2018), “Samba Mobiliado” (2019), “Desengaiola” (2022) e “Ivone Rara - 100 anos da Dona do Samba” (2022) (este em homenagem a Dona Ivone Lara, inclusive contendo várias composições da homenageada com o campista Delcio Carvalho). Como avalia esse período em que passou a priorizar a carreira solo?
São seis anos fora do grupo, com quatro álbuns lançados desde então, e acho o balanço muito positivo. Ando bastante pelo Brasil, com shows em vários formatos, e tenho um histórico de ser muito bem recebido nos lugares por uma plateia local. Estou voltando agora de um período de 10 dias entre São Paulo e Santa Catarina. Fiz uma oficina no Festival de Música de Itajaí, inclusive com o Gilberto Gil entrando durante uma aula, algo que me tocou bastante. Com o “Desengaiola”, fomos indicados ao Grammy Latino (na categoria melhor álbum de samba) e vencemos o Prêmio da Música Brasileira (como projeto especial). E esse é um caminho que eu já vinha pavimentando, mesmo no Casuarina, inclusive tendo lançado o meu primeiro disco solo, o “Placebo”, lá em 2012. Sempre fui muito participante dos processos de produção e escolha de repertório, tinha uma certa carreira paralela já na época do Casuarina, embora tenha intensificado nos últimos anos. E nunca deixei de compor, porque a composição é a força motriz de tudo o que eu faço. Em todas as facetas, tenho me sentido muito bem realizado.
Quem te viu recentemente em “Desengaiola”, no Sesc Campos, o que pode esperar deste show no Teatro Firjan Sesi?
Tenho chamado este show de “Samba Conjugado”. É um show que me permite ocupar teatros com uma boca de cena um pouco mais estreita. É um desdobramento do álbum “Samba Mobiliado”, que eu lancei um pouco antes da pandemia e acabou não circulando pelo Brasil, justamente por conta da pandemia. Um show com violão e bandolim, em que faço um apanhado da carreira. Sou acompanhado por Alaan Monteiro (no bandolim, nos arranjos e na direção musical) e Gabriel de Aquino (no violão), músicos com linguagens próprias, que dialogam entre si. No repertório, colocamos canções minhas e algumas outras, passeando por trabalhos que fiz, como o “Desengaiola” e o “Ivone Rara”, além de sucessos da carreira e também canções inéditas. Acabamos de passar por São Paulo com o show, tendo casa cheia na Bona Casa de Música, e estou super feliz por agora levar esse show a Campos.
É comum você ser citado como um músico da “nova geração do samba”, demonstrando que o tempo parece não ter passado desde a reocupação cultural da Lapa. Porém, muita gente surgiu desde então. Como você enxerga o momento atual da música brasileira?
Sempre olho muito para o que está rolando. A (cantora e compositora) Joyce Moreno tem uma frase que absorvi bastante: “Minha geração é todo mundo que está vivo”. E essa frase ainda pode ser ampliada, porque há pessoas que morreram fisicamente, mas estão vivas através da sua obra. Recentemente, fui convidado para colocar letra em uma música inédita de Pixinguinha, de quem me tornei parceiro (póstumo) em faixa do disco “Pixinguinha Canção”. Então, minha geração é todo mundo que está vivo através do desejo por música. E estou sempre atento à galera mais jovem do que eu, ao pessoal que vem despontando. Gosto do Jota.pê, de São Paulo, que vai lançar um álbum no final deste ano. É meu parceiro, amigo, um cara muito legal. Tem o Giuliano Eriston, outro cara legal, que inclusive ganhou o “The Voice Brasil” (da TV Globo, em 2021), mas isso acaba sendo um detalhe frente ao talento dele, que é muito impressionante. Posso citar a Marina Iris, também atuante na Lapa, mas um pouco mais jovem do que eu. Ela acabou de lançar um disco com muito a dizer, é uma figura que sempre acompanho, curto muito. Tem também a Luísa Lacerda, uma violonista muito talentosa. Sou muito fã do meu irmão (Bruno Giorgi), um cara que acompanha o meu pai, está na produção. Não é tão frontman, mas é um baita músico, um sujeito de estúdio primoroso. Sou muito atento a essa galera, sempre tentando também trocar percepções.
Fora da música, como está a expectativa quanto ao seu Botafogo?
Sou botafoguense do nível de ficar desconfiado. Até recentemente, mesmo na liderança do Campeonato Brasileiro, eu contava os pontos para não correr risco de cair. Agora, como já não tem chance de ser rebaixado, digo que começo a ter outros objetivos. Mas, apesar desse lado receoso do botafoguense, eu acredito (no título brasileiro). O time está bastante consistente. Essa pausa na Data Fifa é muito boa para o Botafogo, porque a gente vai se reorganizar. Fiquei um pouco encabulado com uma recente entrevista do técnico Bruno Lage (que, insatisfeito com a pressão e as comparações com os antecessores Luís Castro e Cláudio Caçapa, colocou o cargo à disposição). Achei a declaração um pouco deslocada. O time está bem, com 10 pontos de vantagem para o vice-líder. Acho que ele balançou um pouco com a eliminação na Sul-Americana e a derrota para o Flamengo, mas não há crise nesse momento. Tomara que não desande. Estou confiante!
Vento dificultou montagem da estrutura
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Foto: Reprodução de vídeo
A Prefeitura de São João da Barra adiou nesta terça-feira (5) a Exposição Agropecuária (ExpoBarra), que aconteceria de quarta (6) a domingo (10), no Parque de Exposições e Eventos Manoel Rangel Pessanha. O adiamento deve-se a uma recomendação da coordenadoria municipal de Proteção de Defesa Civil, por conta da previsão de ventos fortes para os próximos dias, o que poderia comprometer a estrutura do evento. Ainda não foram divulgadas novas datas.
Durante esta terça, nos bastidores, já se falava na possibilidade de adiamento. Isso foi reforçado após um ofício enviado à prefeita Carla Caputi pelo coordenador municipal de Proteção de Defesa Civil, Marco Antônio Riveiro da Silva, destacando que, segundo a Marinha, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e outros portais específicos, há previsão de os ventos chegarem a 61 quilômetros por hora. Segundo Marco Antônio, “a estrutura não suportaria tanta pressão de ventos, com risco tecnológico de colapso, causando risco de acidentes com o público”. Inclusive, nas últimas horas, a força do vento atrapalhou a montagem da estrutura, conforme registrado em vídeos que circulam nas redes sociais.
A previsão da Prefeitura era de que cerca de 150 mil pessoas comparecessem à ExpoBarra durante os cinco dias de evento, tendo como atrações principais Aline Barros, Dilsinho, Diogo Nogueira, Lucas Lucco e Mari Fernandez, respectivmente, com entrada gratuita. Também haveria shows regionais, parque de diversões, exposição de máquinas agrícolas, área gastronômica, mini fazendinha, provas na nova pista do laço e feira de artesanato.
Homenagem será realizada no CFZ
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Foto: Divulgação
Atual técnico do Macaé e ex-treinador de Goytacaz, Campos Atlético e Americano, o ex-jogador Paulo Henrique de Oliveira será homenageado nesta quarta-feira (6) por vários torcedores do Flamengo residentes em Campos. Trata-se de uma iniciativa da Urubu Rei, loja de produtos rubro-negros conhecida por reunir torcedores para excursões e realizar eventos com ídolos do clube carioca. Esse é o caso de Paulo Henrique, cuja homenagem acontecerá no Centro de Futebol Zico (CFZ), no Rio de Janeiro, a partir das 9h, reunindo craques do passado como Zico, Leandro, Adílio, Andrade, Rondinelli e outros.
— É como um evento que sempre fazíamos em Campos: uma pelada com as estrelas, rolando uma feijoada depois. Agora, vamos fazer no CFZ, um espaço bem maior, em prol do Paulo Henrique, e também em comemoração pelos 15 anos da Urubu Rei. Vai ser fantástico — afirma o dono da Urubu Rei, Fabiano Moço. — Quando troquei essa ideia com o Zico e o pessoal do projeto Fla Master, todos abraçaram a causa, porque o Paulo Henrique tem um grande peso para essa galera. Todos têm um grande respeito por esse eterno ídolo do Flamengo — complementa.
Com 80 anos completados em janeiro e natural de Quissamã, Paulo Henrique defendeu o Flamengo das categorias de base ao time profissional. Foram 16 anos vestindo a camisa rubro-negra, nove deles como capitão da equipe principal, tendo conquistado o Torneio Rio-São Paulo de 1961 e três edições do Campeonato Estadual (1963, 1965 e 1972), entre outros títulos. Também defendeu a Seleção Brasileira, inclusive disputando a Copa do Mundo de 1966. Em clubes, além do longo período no Flamengo, passou por Botafogo, Bahia, Avaí, Operário-MS, Bonsucesso e Campos Atlético, tendo iniciado no Roxinho sua carreira como treinador, em 1975.
Do Campos, Paulo Henrique seguiu para treinar o Americano, e de lá foi para o Goytacaz, clube campista em que teve mais passagens. Em 2017, comandou a campanha do acesso para a primeira divisão do Estadual, embora o Goyta não tenha passado da Seletiva no ano seguinte. Entre outros trabalhos, também treinou o Quissamã, Audax Rio, América de Três Rios, Colo-Colo e Macaé, além da Seleção de Omã.
Não há mais vagas para torcedores que desejarem participar da pelada com ídolos rubro-negros. Porém, quem desejar estar presente na homenagem, inclusive participando da feijoada, pode entrar em contato com Fabiano Moço pelo telefone (22) 99924-4791. Toda a renda do evento será doada a Paulo Henrique.
Marcos Codeço recebendo o prêmio em Triunfo
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Foto: Reprodução
Natural de Campos e atualmente com 26 anos, o jovem Marcos Antônio Codeço realizou um sonho ao protagonizar o filme “Marcos”, do seu primo Filipe Codeço, também campista. E se realmente tiver como meta seguir carreira no cinema, o jovem, morador de Armação dos Búzios há cerca de sete anos, ganhou motivos para acreditar ainda mais no seu potencial. Na noite desse sábado (2), ele recebeu o prêmio de melhor ator no 14º Festival de Triunfo, um dos mais importantes do cinema brasileiro, em Pernambuco.
Misturando ficção e realidade, o longa-metragem “Marcos” tem como tema central a discalculia (dificuldade para aprender operações e atividades relacionadas a números, sejam elas básicas ou complexas). Marcos Codeço sofre desse transtorno, que afeta uma a cada 20 pessoas no mundo, com variações de grau.
— Agradeço muito por esse troféu. Agradeço ao meu primo também, agradeço a todo mundo que acreditou muito no meu trabalho e no trabalho do meu primo — disse Marcos na cerimônia de premiação, após ser anunciado como vencedor da categoria. O campista concorreu com atores de outros cinco filmes indicados à Mostra Competitiva de Longa-Metragem Nacional, a principal do evento.
Além do prêmio ao seu protagonista, “Marcos” recebeu menção honrosa do júri popular do Festival de Triunfo, realizado de segunda-feira (28) a sábado. Em janeiro do ano passado, ainda como filme em processo, o longa-metragem já havia integrado o WIP Brasil CineMundi, dentro da Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais. Em junho deste ano, participou do Festival Internacional da Cruz Vermelha e Filmes de Saúde, na Bulgária, inclusive recebendo o prêmio de melhor filme em corte transversal. Agora, foi premiado em Triunfo, com exibição pela Mostra Competitiva de Longa-Metragem Nacional na próxima quarta-feira (30), e, ainda neste mês, vai participar da Mostra do Filme Livre, de 14 a 24 de setembro, no Rio de Janeiro.