Covid grave e alterações intestinais
20/02/2022 | 09h03
Segundo pesquisadores do King's College London, em um artigo publicado dia 18 deste mês, importantes alterações intestinais foram observadas em pessoas que foram a óbito por Covid-19.
Jo Spencer, PhD, pesquisador chefe, afirma que mesmo sem amostras de vírus em tecidos intestinais, sérias mudanças foram observadas em amostras de intestino de pessoas com Covid grave. 
Os intestinos são uma área crucial no equilíbrio imunológico, principalmente devido à Placa de Peyer: um tecido linfóide (participa diretamente da imunidade) que reveste a parte externa dos intestinos e age de forma fundamental no controle dos microorganismos intestinais (a antiga flora intestinal).  
Ainda segundo Spencer, a vacinação pode ser muito pouco efetiva em pessoas que já tenham alterações importantes na imunidade intestinal. 
Um alerta importante é observar se há mudanças sérias nos hábitos intestinais, associados a um quadro gripal e mesmo Covid diagnosticada, pois alterações na imunidade intestinal costumam resultar em disbiose (mudanças nas bactérias intestinais, por assim dizer)...diarreias súbitas, cólicas, etc, podem ser um sinal dessas alterações.   
Compartilhe
Aumentar a imunidade?
06/02/2022 | 07h46
É muito comum, principalmente nesses tempos pandêmicos, que se fale muito sobre imunidade. Várias e várias postagens falam em aumentar a imunidade.
Dicas "mirabolantes", que vão desde a urinoterapia (beber urina), comer inhame cru, ingerir doses cavalares de vitaminas, ingerir litros de chás os mais diversos, e por aí vai...
Antes de mais nada, gostaria que as pessoas entendessem que o que se chama de imunidade vai muito além de defesa contra invasores.
A visão do sistema imune como uma grande barreira protetora, que blinda o organismo do hospedeiro contra tudo é hoje em dia no mínimo inocente.
A todo o tempo nós somos invadidos e desafiados. Literalmente. O sistema imune nos protege certamente, 24 horas por dia. Qualquer falha e adoecemos.
No entanto, a visão de mera proteção é obsoleta e equivocada: o sistema imune é muito mais um sistema de equilíbrio do que de defesa.
Somos regidos por dois padrões de resposta imune: um chamado de Th1 e outro Th2.
Oscilamos entre um e outro de acordo com vários fatores, incluindo hormônios, genética, etc.
O Th1 é o "bom de briga", que resolve o problema em infecções, como rubéola, catapora, influenza, etc.
O Th2 é o "da conversa", até por isso chamado de tolerante.
Na gestação, o embrião em formação apresenta 23 cromossomos do pai. Obviamente estranhos ao organismo da mãe.
Por isso nessa fase os hormônios gestacionais induzem um padrão Th2, que aceita ou tolera o que é estranho à mãe.
Esse padrão costuma também ser associado a quadros alérgicos.
Se nesse momento a gestante apresentar rubéola, toxoplasmose, etc, que necessitam de resposta de "briga" (Th1), a situação se complica.
Por outro lado uma resposta de Briga (Th1) muito potente, pode resultar em atividade autoimune ou mesmo danos "colaterais" durante o combate, pois em muitas doenças, o maior estrago é causado pelo combate ao invasor, do que propriamente o invasor.
Outra questão é que infelizmente o sistema imune não age sempre como um atirador de elite. Em muitos casos ele é mais parecido com um granadeiro: arranca o pino de três granadas e as arremessa no local da infecção..
Isso ocorre em certos casos de Covid-19 em tecido pulmonar e outras doenças como influenza, doença de Chagas, etc.
Como exposto acima, aumentar de forma drástica a imunidade não é tão interessante quanto popularmente se pensa.
O que buscamos na verdade é um sistema imune equilibrado e que se adeque às nuances e surpresas do dia-a-dia.
Quer uma atividade imune adequada?
1) Torça para a sua genética não ter surpresas guardadas (vem de fábrica, não tem muito jeito rs) e evite toxinas óbvias;
2) Coma proteínas de qualidade e em quantidade necessária (cerca de 1 g por quilograma de peso);
3) Use um bom polivitamínico, que garanta as quantidades diárias de vitaminas e minerais;
4) Use um bom probiótico e coma fibras, pois os intestinos são chave para equilíbrio imunológico;
5) Hidrate-se adequadamente, minimo de 35 ml por quilograma de peso;
6) Tenha um sono de qualidade (não necessariamente quantidade, como muito pensam);
7) Pratique exercícios físicos regularmente;
8) Divirta-se, sempre que puder, pois uma boa relação entre o sistema nervoso e o sistema imune é fundamental.
Compartilhe
Suplementos nutricionais podem trazer risco cardíaco
30/01/2022 | 07h46
Um artigo publicado esta semana por pesquisadores da Sociedade Européia de Cardiologia alerta sobre riscos à saúde cardíaca com o uso de certos suplementos. 
O consumo de suplementos nutricionais voltados à prática esportiva "estourou" na década de 90, com números astronômicos em termos de vendas em todo o mundo. 
O Brasil ocupa o segundo lugar nesse ranking, perdendo apenas para os EUA. 
Muitos desses produtos são seguros, desde que utilizados de forma correta e nas dosagens recomendadas pelo fabricante (e profissional de saúde capacitado).
Um grande problema é o raciocínio de "quanto mais, melhor", que infelizmente muitos treinadores e atletas possuem.
A facilidade na compra é outro complicador: qualquer pessoa pode entrar numa loja ou site e comprar praticamente qualquer suplemento.
As farmácias entraram nessa seara já há tempo, vendendo várias classes de suplementos alimentares, sem a menor restrição.
Trabalho com nutrição clínica e esportiva desde 1995, quando me graduei na UFF e sempre pratiquei vários esportes. Fiz e faço uso de alguns suplementos, mas confesso que as "coisas" mudaram de alguns anos pra cá.
Atendo muitos atletas que não "saem da cama" muito menos conseguem treinar com alguma intensidade sem o uso de estimulantes. 
Uma das preocupações que temos é a soma de substâncias...
Por exemplo: o mesmo atleta utiliza um pré-treino para a chamada "disposição" e um "emagrecedor"...ambos comumente apresentam cafeína em suas fórmulas...o organismo é um só.
Atletas usando 600...800 mg de cafeína não é raro...e relatam sentir-se muito bem.
Um dos problemas é esse....desordens cardíacas muitas vezes são silenciosas.
Não querendo me estender...de acordo com a farmacologia clássica, com dosagens acima de 400 mg de cafeína já há risco de superdosagem, com sérios riscos à pressão arterial, frequência cardíaca, atividade elétrica do miocárdio, alterações de humor, etc.   
Canja de galinha e cautela não fazem mal a ninguém, mesmo porque a vida continua após o verão.
 
Compartilhe
160 mil casos de Covid em 24 horas
23/01/2022 | 07h01

sciencedaily
De acordo com o boletim do CONASS (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), nas últimas 24 horas o Brasil registrou quase 160 mil novos casos de Covid-19.
O número total de mortes alcançou o patamar de 622.801, sendo 238 nas últimas 24 horas.
O mais alarmante é que não foram divulgados os dados do Estado de São Paulo, Mato Grosso e mesmo do Distrito Federal.
Dessa forma, acredita-se que os dados se tornem ainda mais preocupantes...até porque o número de testagens é sabidamente insuficiente, para não se dizer medíocre. 
Os Estados Unidos estão em primeiro lugar no número de casos, seguido pela Índia, com a pátria tupiniquim em terceiro lugar... mas em número de óbitos subimos para a segunda posição nesse ranking funesto.


Compartilhe
Coágulos nas pernas de quem teve COVID
10/01/2022 | 07h49
Pesquisadores da Sociedade Americana de Radiologia publicaram recentemente na Radiology, uma das mais respeitadas publicações científicas na área radiológica, um artigo sobre consequências inesperadas da Covid -19. 
Vários sintomas podem perdurar após a "cura" da Covid-19, como dores nas articulações, dores de cabeça, alterações no olfato/ paladar, etc, e mesmo a relação entre coágulos em artérias pulmonares e a infecção já é bem descrita. 
A triste "novidade" é a descoberta de grandes coágulos nas artérias das pernas de pessoas que tiveram a Covid-19.
Segundo Inessa A. Goldman, M.D., radiologista da Faculdade de Medicina Albert Einstein, cerca de 25 % dos infectados com problemas de coagulação sofreram amputações e 38 destes % evoluíram para óbito.
"_Para se ter um parâmetro, a taxa de amputações em não infectados é de apenas 3%", afirma Dr Inessa. 
Obviamente pessoas com complicações vasculares, como diabéticos, pessoas com alterações na coagulação sanguínea, hipertensos, portadores de varizes, etc, são mais propensas a desenvolverem quadros mais sérios de trombose. 
O uso de qualquer medicamento deve ser supervisionado por um médico capacitado, é claro, mas anticoagulantes e vasodilatadores tem apresentado certo sucesso na prevenção de casos mais graves. 
Na nossa seara, sugiro de forma enfática uma boa hidratação, para manter a fluidez sanguínea, o consumo de gorduras boas, como sardinhas e azeites extravirgens, atividades físicas regulares e na percepção de qualquer sintoma, como dores súbitas nas pernas, procure atendimento médico com urgência.
 

 
Compartilhe
Isolamento de apenas 5 dias para Covid nos EUA
29/12/2021 | 06h56
sciencedaily
O CDC, órgão norte americano que determina ações em saúde pública, alterou o prazo de isolamento em suspeita ou diagnóstico de Covid-19.
O prazo anterior era de 10 dias e foi alterado ontem para a metade. 
A mudança deve-se à variante ômicron, que já atinge mais de 50% dos novos casos de Covid e, apresenta curso mais rápido e brando, segundo pesquisadores do CDC.
A justificativa é de que o contágio e transmissão acontecem no início da infecção, antes de sintomas surgirem, geralmente 1 a 2 dias antes dos sintomas.
Após esses cinco dias de isolamento o indivíduo deve usar máscara por mais cinco dias.
Contrariando o que a maioria acredita, segundo o órgão citado, pessoas não-vacinadas ou com vacina "velha" ou que não fizeram a dose de reforço só devem se isolar também por 5 dias (mas usar máscara por 10 dias).
A redução no prazo de isolamento certamente apresenta uma vertente econômica, uma vez que infectados ficarão afastados por bem menos tempo do trabalho:
_teme-se que a ômicron atinja taxas altíssimas de contaminação, o que acarretaria um impacto econômico importante. 
Outra questão levantada com a nova variante é que a mesma parece conferir imunidade contra outras cepas, como a delta.
Dessa forma, é provável que cheguemos à chamada imunidade de rebanho em bem menos tempo que se pensava.
Compartilhe
"Anticorpos" de tubarão contra Coronavírus
23/12/2021 | 06h39
Proteínas extraídas do sangue de tubarões podem se tornar um tratamento precoce efetivo contra coronavírus como o SARS-CoV-2 (Covid-19). 
Segundo pesquisadores da Universidade de Wiscosin, pequenas proteínas semelhantes a anticorpos chamadas VNARs podem bloquear completamente a infecção de células humanas por coronavírus. 
Estudos mostram uma proteção de cerca de 98 % contra 3 cepas de coronavírus, que atualmente só infectam animais como morcegos, da mesma forma que inicialmente o vírus da Covid-19. 
Novas terapias, incluindo coquetéis de proteínas de tubarão, devem tornar o combate a vírus mutantes bem mais eficaz que atualmente.
Essa classe de drogas deve ser de baixo custo e bem mais fáceis de manufaturar do que anticorpos humanos, de acordo com o Dr. Aaron LeBeau, professor de patologia e pesquisador chefe. 
Que a ciência nos ajude contra as novas ameaças, que tudo indica, virão.
 
 
 
Compartilhe
Omicron: o vírus da covid piorado
27/11/2021 | 07h02
veja.com.br
Batizada de Omicron, a nova variante de coronavírus identificada na África do Sul, é tida como a mais perigosa por alguns pesquisadores.
O motivo estaria no grande número de mutações apresentadas: 32!
A proteína Spike (de espícula), usada pelo vírus para se ligar às nossas células, é determinante no reconhecimento do invasor pelo sistema imune. 
Quanto maior o número de mutações, mais fácil para o vírus escapar da resposta imunológica do hospedeiro. 
Essa mesma parte do vírus é utilizada para "ensinar" o sistema imune a combater o covid 19 através das vacinas.
Para se dimensionar a preocupação com essa nova variante, a Delta, que causou impacto em todo mundo, apresenta apenas duas mutações no Spike. 
Segundo Susan Hopkins, médica-chefe da Agência de Segurança de Saúde (Reino Unido), a taxa de infecção dessa nova variante está em 2: ou seja, cada infectado transmite para outras duas pessoas e assim por diante.  
Para explicar melhor o alarde, quando o número de infecção é superior a 1, já se considera uma infecção fora de controle. 
A nova variante já foi identificada na Bélgica, Hong Kong e Israel, levando a medidas restritivas na entrada de viajantes oriundos da África do Sul e países vizinhos (Botsuana, Essuatíni, Lesoto, Namíbia e Zimbábue). 
Países como Estados Unidos, Reino Unido, membros da União Europeia, Japão, Singapura, Israel e República Tcheca adotaram essas restrições.
O Ministro Ciro Nogueira (Casa Civil) já adiantou no Twitter, que o Brasil adotará as mesmas medidas de restrição a partir de segunda-feira 29. 
Compartilhe
Obesidade e perda de dentes, ossos...
21/11/2021 | 06h18
Em outubro deste ano foi publicado no Journal of Dental Research, um estudo que traz novas patologias associadas à obesidade. 
Inúmeros artigos já relacionam a obesidade a doenças as mais diversas. 
Diabetes, hipertensão, hérnia de disco, apneia do sono, impotência sexual, etc.
Pois bem, segundo Keith Kirkwood, DDS, PhD, a obesidade gera um perfil inflamatório generalizado no organismo. O que levaria ao aumento no número de células que destroem tecido ósseo.
A pesquisa mostrou que as chamadas de Células Supressoras Mielóide-Derivadas (myeloid-derived suppressor cells =MDSC) tem maior atividade e aumentam muito de número em pessoas obesas.
Essas células por si não trariam maiores problemas, mas elas se transformam em osteoclastos: verdadeiros "roedores de ossos".
Os osteoclastos desgastam a matriz óssea liberando cálcio para a circulação sanguínea, caso haja necessidade. 
O problema surge do aumento descontrolado desses "Pac-Mans" de ossos. 
Uma das consequências diretas, segundo os pesquisadores, é o surgimento de doenças típicas de pessoas com idade bem avançada, como perda de dentes, artrite grave e osteoporose.
Infelizmente os progressos da vida moderna trouxeram o bônus e o ônus: excesso de calorias, alimentação com alto teor de gorduras, gasto com atividades físicas reduzido e por aí vai... as consequências sempre vem. 
Compartilhe
Suplementação com aminoácidos reduz risco de demência e Alzheimer
11/11/2021 | 07h24
uol
Pesquisadores japoneses publicaram no mês passado, um novo estudo sobre a demência e o mal de Alzheimer.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10 milhões de pessoas sofrem todos os anos com essas patologias, com impactos importantes tanto na esfera social quanto econômica.
Estudos anteriores já descreviam uma relação direta entre a má ingestão proteica e essas desordens. 
Nesse novo ensaio,  Dr. Makoto Higuchi e sua equipe mostraram que a suplementação com aminoácidos específicos pode inibir o surgimento de demência. 
Um grupo específico de 7 aminoácidos, denominado LP7, suplementados diariamente, parece inibir de forma importante o desenvolvimento tanto do Mal de Alzheimer, quanto de demência. 
Os aminoácidos em questão são os chamados aminoácidos essenciais, que não somos capazes de sintetizar no fígado e dessa forma, devemos ingerir na dieta.
As fontes naturais desses aminoácidos são as proteínas de origem animal principalmente.
Ex: ovos, carnes, queijos, leites, no entanto, a combinação de alimentos vegetais pode suprir essas necessidades, desde de que feita adequadamente. 
Procure o seu nutricionista.
Compartilhe
Sobre o autor

Leonardo Gama

[email protected]