Dicas "mirabolantes", que vão desde a urinoterapia (beber urina), comer inhame cru, ingerir doses cavalares de vitaminas, ingerir litros de chás os mais diversos, e por aí vai...
Antes de mais nada, gostaria que as pessoas entendessem que o que se chama de imunidade vai muito além de defesa contra invasores.
A visão do sistema imune como uma grande barreira protetora, que blinda o organismo do hospedeiro contra tudo é hoje em dia no mínimo inocente.
A todo o tempo nós somos invadidos e desafiados. Literalmente. O sistema imune nos protege certamente, 24 horas por dia. Qualquer falha e adoecemos.
No entanto, a visão de mera proteção é obsoleta e equivocada: o sistema imune é muito mais um sistema de equilíbrio do que de defesa.
Somos regidos por dois padrões de resposta imune: um chamado de Th1 e outro Th2.
Oscilamos entre um e outro de acordo com vários fatores, incluindo hormônios, genética, etc.
O Th1 é o "bom de briga", que resolve o problema em infecções, como rubéola, catapora, influenza, etc.
O Th2 é o "da conversa", até por isso chamado de tolerante.
Na gestação, o embrião em formação apresenta 23 cromossomos do pai. Obviamente estranhos ao organismo da mãe.
Por isso nessa fase os hormônios gestacionais induzem um padrão Th2, que aceita ou tolera o que é estranho à mãe.
Esse padrão costuma também ser associado a quadros alérgicos.
Por outro lado uma resposta de Briga (Th1) muito potente, pode resultar em atividade autoimune ou mesmo danos "colaterais" durante o combate, pois em muitas doenças, o maior estrago é causado pelo combate ao invasor, do que propriamente o invasor.
Outra questão é que infelizmente o sistema imune não age sempre como um atirador de elite. Em muitos casos ele é mais parecido com um granadeiro: arranca o pino de três granadas e as arremessa no local da infecção..
Isso ocorre em certos casos de Covid-19 em tecido pulmonar e outras doenças como influenza, doença de Chagas, etc.
Como exposto acima, aumentar de forma drástica a imunidade não é tão interessante quanto popularmente se pensa.
O que buscamos na verdade é um sistema imune equilibrado e que se adeque às nuances e surpresas do dia-a-dia.
1) Torça para a sua genética não ter surpresas guardadas (vem de fábrica, não tem muito jeito rs) e evite toxinas óbvias;
2) Coma proteínas de qualidade e em quantidade necessária (cerca de 1 g por quilograma de peso);
3) Use um bom polivitamínico, que garanta as quantidades diárias de vitaminas e minerais;
4) Use um bom probiótico e coma fibras, pois os intestinos são chave para equilíbrio imunológico;
5) Hidrate-se adequadamente, minimo de 35 ml por quilograma de peso;
6) Tenha um sono de qualidade (não necessariamente quantidade, como muito pensam);
7) Pratique exercícios físicos regularmente;
8) Divirta-se, sempre que puder, pois uma boa relação entre o sistema nervoso e o sistema imune é fundamental.
Sobre o autor
Leonardo Gama
[email protected]- Menos açúcar na infância, menos infartos no futuro
- Pílula de emagrecimento
- Obesidade na Adolescência e Câncer
- Agonorexia
- Mounjaro e pancreatite
- Broto de Bambu: o novo superalimento?
- Vacina na Cerveja!
- Nutrição Escolar
- 40% das pessoas terão diabetes
- Mais crianças obesas do que com baixo peso no mundo
