Suplementos nutricionais podem trazer risco cardíaco
Leonardo Gama - Atualizado em 30/01/2022 07:46
Um artigo publicado esta semana por pesquisadores da Sociedade Européia de Cardiologia alerta sobre riscos à saúde cardíaca com o uso de certos suplementos. 
O consumo de suplementos nutricionais voltados à prática esportiva "estourou" na década de 90, com números astronômicos em termos de vendas em todo o mundo. 
O Brasil ocupa o segundo lugar nesse ranking, perdendo apenas para os EUA. 
Muitos desses produtos são seguros, desde que utilizados de forma correta e nas dosagens recomendadas pelo fabricante (e profissional de saúde capacitado).
Um grande problema é o raciocínio de "quanto mais, melhor", que infelizmente muitos treinadores e atletas possuem.
A facilidade na compra é outro complicador: qualquer pessoa pode entrar numa loja ou site e comprar praticamente qualquer suplemento.
As farmácias entraram nessa seara já há tempo, vendendo várias classes de suplementos alimentares, sem a menor restrição.
Trabalho com nutrição clínica e esportiva desde 1995, quando me graduei na UFF e sempre pratiquei vários esportes. Fiz e faço uso de alguns suplementos, mas confesso que as "coisas" mudaram de alguns anos pra cá.
Atendo muitos atletas que não "saem da cama" muito menos conseguem treinar com alguma intensidade sem o uso de estimulantes. 
Uma das preocupações que temos é a soma de substâncias...
Por exemplo: o mesmo atleta utiliza um pré-treino para a chamada "disposição" e um "emagrecedor"...ambos comumente apresentam cafeína em suas fórmulas...o organismo é um só.
Atletas usando 600...800 mg de cafeína não é raro...e relatam sentir-se muito bem.
Um dos problemas é esse....desordens cardíacas muitas vezes são silenciosas.
Não querendo me estender...de acordo com a farmacologia clássica, com dosagens acima de 400 mg de cafeína já há risco de superdosagem, com sérios riscos à pressão arterial, frequência cardíaca, atividade elétrica do miocárdio, alterações de humor, etc.   
Canja de galinha e cautela não fazem mal a ninguém, mesmo porque a vida continua após o verão.
 

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