Motociclista é detido por assediar mulheres no Flamboyant
Ingrid Silva (estagiária) e Catarine Barreto 08/12/2023 15:27 - Atualizado em 08/12/2023 18:12
  • Mulheres denunciam assédio de motoqueiro no Flamboyant

    Mulheres denunciam assédio de motoqueiro no Flamboyant

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Um homem de 24 anos foi detido no Turfe Clube nesta sexta-feira (8) por assediar várias mulheres próximo às pracinhas do bairro Flamboyant, em Campos. O caso estava circulando nas redes sociais após diversas denúncias sobre os assédios cometidos por ele, que passava de moto pela região. Segundo relatos das vítimas, o modo de agir do homem é o mesmo. Enquanto as mulheres faziam caminhada ou corrida próximo às praças, o homem passava em uma moto vermelha e dava um tapa nas nádegas das vítimas, fugindo em seguida. De acordo com a delegada titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Madeleine Dykemann, ele foi liberado depois de ser conduzido para a sede policial, mas a investigação continua.  
Segundo a Polícia Militar, foi feito contato com uma das vítimas de importunação sexual, que informou sobre a possível residência do suspeito. Depois de levantar os dados, a equipe identificou o homem e o conduziu para a delegacia para prestar depoimento. 
Uma das vítimas, que prefere não se identificar por medo, relatou que, só com ela, aconteceu duas vezes. “O primeiro caso aconteceu no dia 24 de outubro e o segundo foi no dia 10 de novembro, em duas terças-feiras, em específico no horário entre 5h e 6h da tarde, na rua Pedro Marins, no quarteirão entre as ruas Caldas Vianna e Godofredo Pinto. Ele vem por trás, ou seja, eu não vejo ele. Na primeira vez, ele, que estava de capacete, deu um tapa na região das nádegas e falou algo, que eu realmente não me recordo. Na segunda vez, ele já estava sem capacete, mas novamente foi tudo muito rápido”, relatou.
Ela contou que na segunda vez que foi assediada, foi até a pracinha perto de uma padaria, onde encontrou dois policiais que faziam a ronda a pé.
— Relatei o caso para os dois. Eles falaram que iam passar o caso para o colega que estava fazendo a ronda de carro. Depois fiquei sabendo de outras pessoas que tinham sofrido assédio semelhante, com a moto com as mesmas características e com o rapaz também com as mesmas características, só que com elas não foi no período da tarde e sim de manhã — falou.
Outra vítima do motociclista também contou sobre o assédio sofrido. Ela estava caminhando no período da tarde, do feriado do dia 20 de novembro, quando foi atingida pelo tapa nas nádegas.
— Eu dei um grito e ele ainda fez um gesto obsceno para mim, com o dedo do meio. Eu fui para casa muito assustada e comecei a chorar, não tive reação nenhuma, porque é algo que você não espera mesmo. Ele não vem no nosso campo de visão e acaba nos surpreendendo. É um homem aparentemente novo e soube depois que vem fazendo isso há um tempo — falou.
— No dia 29/10, um domingo ensolarado, fui fazer algo no qual eu sinto imenso prazer, correr. Porém, fui interrompida por um idiota em moto vermelha que se sentiu no direito de me agredir, passar a mão e me perseguir por uns minutos. Fui “salva” por um casal que passava e acompanhou tudo fazendo com que o cara da moto desistisse de me perseguir. Por que tô contando isso agora? Porque ainda me sinto insegura, porque me sinto privada do meu direito de ir e vir, porque ser mulher é estar em constante estado de alerta e, sinceramente, isso é exaustivo — contou outra vítima, em suas redes sociais.
Em contato com a Polícia Militar, a assessoria informou que não há registro desses casos. “Pode ser que os policiais que realizam a ronda no bairro estejam cientes e monitorando para a prisão, mas registro não temos desses casos”, disse, antes de localizarem o homem. 
A vítima assediada duas vezes relatou que várias denúncias estão sendo feitas em um grupo do bairro e que a informação já havia chegado ao conhecimento da delegacia, inclusive com registro de ocorrência, porém, as duas vítimas citadas na matéria ainda não formalizaram o registro, que precisa ser feito pessoalmente.
A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) confirmou que houve registro e que, ao monitorar o suspeito, a delegacia conseguiu detê-lo, conduzindo o mesmo para sede policial para fins de reconhecimento das vítimas. Ele foi liberado em seguida, mas a investigação continua. A delegada titular da Deam, Madeleine Dykemann, explicou que a ação foi conjunta com a PM e que algumas vítimas foram até a delegacia, reconheceram o suspeito e a moto utilizada durante os crimes. Ela falou, ainda, da importância de outras vítimas reconhecerem o suspeito através de fotografias em sede policial.
"Hoje, ele foi conduzido para delegacia em sede policial, ele confirmou que se aproximava das vítimas e proferia cantadas. Ele nega ter desferido tapas em suas nádegas, disse que acreditava que, por estar numa moto que chama atenção, as vítimas poderiam ter algum interesse sexual nele. Ele se aproveitava da situação, do lugar com poucas pessoas e fazia esse tipo de atitude, mas as vítimas que já vieram à delegacia reconheceram ele como autor do crime, reconheceram a motocicleta utilizada por ele no crime. Nós pedimos que, outras mulheres que também tenham sido vítimas desse crime possam vir a delegacia para fazer o reconhecimento da através de fotografia e aí sim, finalizamos esses procedimentos", disse a delegada. (C.B.) (I.S.)

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