Revitalização do Centro Histórico ficou pela metade
Dora Paula Paes - Atualizado em 21/01/2023 00:00
Genilson Pessanha
Havia um sonho. Havia dinheiro, pelo menos R$ 65,4 milhões. Um pouco mais de uma década, “não há discussões a respeito dessa obra”, informa a Enel sobre a questão da retirada do emaranhado de fios que enfeiam o Centro Histórico de Campos. As galerias subterrâneas construídas para receber a fiação e as caixas padronizadas estão deterioradas e saqueadas. Os postes da iluminação artísticas perderam o brilho e os antigos de cimento nunca saíram das calçadas, continuam no meio do caminho elaborado para deficientes visuais. O governo municipal fala em revitalização do Centro e informa que traça projetos.
Ao comentar a organização e a limpeza do Centro Histórico, o presidente da Carjopa (Comerciantes e Amigos da Rua João Pessoa e Adjacências), Expedito Coleto destaca: “Nosso Centro comercial tradicional está feio, sujo, com excesso de fios inativos nos postes, que causam imensa poluição visual. Falta tampas nas caixas de passagem subterrânea de fios, acúmulo de água nas galerias subterrâneas (tubulação) preparadas para receber a fiação, colaborando para a proliferação de ratos e insetos, que causam doenças, inclusive a dengue”.
No cenário caótico, o presidente da Carjopa também fala das calçadas irregulares e esburacadas, vasos de plantas quebrados e servindo como lixeiras, além da poluição sonora.
Em julho do ano passado, o governo Wladimir Garotinho, iniciou conversas com os setores sobre a revitalização do Centro – um projeto que nasceu no primeiro governo da sua mãe e ex-prefeita Rosinha Garotinho. Na ocasião, a apresentação foi feita para entidades do setor produtivo pelo secretário de Planejamento Urbano, Mobilidade e Meio Ambiente e autor do projeto, Cláudio Valadares, que esteve acompanhado do então secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Felipe Knust.
Seis meses depois, ainda pelo visto, nada de efetivo saiu do papel como atesta a Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic). “O setor produtivo vem se reunindo com o poder público, discute ações, mas efetivamente não foram colocadas em prática, o que é muito negativo para economia”, concluiu Fernando Loureiro.
– Não tem um dia que eu não receba uma reclamação dos comerciantes e empresários ou imagens de problemas no Centro Histórico. Um grande problema, não só da área Central, mas de toda malha viária de Campos é a mobilidade urbana. O transporte público está caótico. Urge por uma resposta imediata. Com uma revisão nas calçadas, ciclovias, no transporte coletivo: ônibus, van e quem sabe um transporte sobre trilhos – aponta o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Edvar Chagas Júnior.
Rodrigo Gonçalves
Fiação subterrânea nunca saiu do papel
A Prefeitura de Campos informa que defende a revitalização do Centro Histórico como uma oportunidade de dinamizar o comércio, oferecer lazer e cultura para a população, valorizando o patrimônio histórico do município. Inclusive, destaca que traça projetos. Sobre a fiação subterrânea, “ainda não há definição, uma vez que depende da intervenção da concessionária de iluminação pública”.
Essa questão da iluminação subterrânea, ao que tudo indica, não existe consenso das partes. Se a Prefeitura diz que depende da Concessionária, a Enel Distribuição Rio informa que a obra em questão é de responsabilidade do município de Campos. “A companhia acrescenta que mantém um diálogo aberto com a Prefeitura, mas no momento não há discussões a respeito dessa obra”, resume em nota.
Impasse ou não, quem anda pelo Centro, quer mesmo é saber dos reparos. “O Centro de Campos está muito feio. Sujo. A questão da segurança melhorou com o Segurança Presente, mas é impossível andar depois que o comércio fecha as portas, pelo número de pessoas em situação de rua. Vi que o terminal urbano Carlos Prestes passou por pintura, isso nos alegra. A população está cansada de promessa de obra faraônica, quer o básico”, disse a funcionária de um banco quando entrevistada.
Genilson Pessanha
Intervenções vão começar por três praças
A secretaria de Planejamento, Mobilidade e Meio Ambiente, na gestão Wladimir Garotinho, informa que traça projetos para intervenções e vai começar pelas praças Elias Vieira de Vasconcelos, Tiradentes e a que fica ao lado da Catedral. No caso desta última servirá como um espaço voltado para o lazer do público da terceira idade.
“Esses equipamentos foram escolhidos pelo setor produtivo, durante reunião com o prefeito Wladimir Garotinho. Há outras ações sendo analisadas, mas que dependem de aprovação dos projetos”, diz nota da Prefeitura.
Primeira revitalização — Em 2012, antes da reeleição da ex-prefeita Rosinha, sua equipe de governo falava em “Centro de Campos de cara nova nos últimos quatro anos”. A gestão fez investimentos para promover melhorias e a revitalização da área central, a um custo de uma obra orçada, à época, em R$65,4 milhões, desenvolvida pela Imbeg.
Notícias na ocasião davam conta de que Rosinha chegou a assinar a ordem de serviço para início das obras de revitalização do Centro Histórico. O projeto incluía substituição da fiação elétrica aérea pela subterrânea, recuperação de calçadas, reforma do Chá Chá Chá, retirada de algumas marquises, iluminação artística, revitalização de cruzamentos, nova sinalização e novo mobiliário urbano.
A então prefeita de Campos chegou mesmo a realizar uma inauguração simbólica da revitalização do Centro Histórico, mas sem toda a obra concluída.

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