Cinema - Pretextos para nudez
*Edgar Vianna de Andrade - Atualizado em 04/01/2023 09:02
Não sei se existe algum filme anterior a “A montanha do deus canibal” com os mesmos elementos. Ele data de 1978. Foi produzido na Itália e dirigido por Sergio Martino. Que elementos são esses a caracterizar um determinado filme de aventura? Primeiro, uma selva perigosa que deve ser atravessada. Geralmente, é a Amazônia e ou a Indonésia. Neste, é a Nova Guiné. As pessoas jogadas nela provêm de um país “civilizado”. Saindo da cidade, elas entram na selva, passando por um centro urbano derradeiro. Segundo, existe sempre um objetivo a ser alcançado, nem sempre verdadeiro. Pode ser uma planta ou um animal raro ou desconhecido da ciência. Pode ser um povo misterioso. Pode ser um tesouro. Terceiro, ninguém é confiável nessas expedições até prova em contrário. Quarto, entre o ponto de partida e o ponto de chegada, existem aranhas, insetos, cobras, lagartos, crocodilos, todos eles muito perigosos. Quinto, um mulher bonita e sensual deve integrar a expedição.
O exemplo mais bem acabado desse modelo de filme é “Anaconda”, de 1997, que gerou uma franquia. Mas existem outros. Em “A montanha do deus canibal”, a bela Ursula Andress vive o papel de Susan Stevenson, que se encontra com seu irmão da Nova Guiné para procurar o marido, desaparecido nas selvas do país. O governo não autoriza a expedição porque não pode dar proteção a estrangeiros e não quer se responsabilizar por desaparecimentos. O cônsul inglês pondera que os irmãos se contenham. Mas eles entram em contato com o professor Edward Foster, morador e estudioso do país. No primeiro contato, ele faz uma fisionomia suspeita para que o espectador desconfie de suas intenções. Seu passado é misterioso.
A expedição parte às escondidas das autoridades locais. Os perigos começam a aparecer. Susan é ameaçada por uma aranha. O cientista a mata e mexe com as crenças dos guias. Começa o ciclo de horrores. Para expiar a morte da aranha, eles matam uma iguana e a comem crua. O realismo é muito grande. Parece uma iguana morta de verdade. Para chegar a uma ilha, um bote a motor é retirado de uma moita, como se estivesse ali esperando para ser útil. Na ilha, aparecem cobras e morcegos. Outra cena terrivelmente real é a de uma cobra comendo um macaco vivo pela cabeça. Cobra não costuma comer mamíferos vivos. Serão cenas de arquivo.
A expedição se encaminha pouco a pouco para uma missão católica no meio da selva. O padre já está acostumado com os costumes dos nativos. Começa, então, o show de nudez e sexo. Susan tira seu casaco e mostra os seios. Ela ainda tinha a pele lisa e clara, com rigidez física. Logo depois, começa um ritual erótico. Mulheres e homens tomam uma poção afrodisíaca. Uma nativa tira a roupa e se deita com o irmão de Susan sob os olhares do seu marido. Representantes dos pucas, tribo canibal que habita a montanha, começam a aparecer.
O padre expulsa o grupo da missão por sua cupidez. Tendo que subir uma cachoeira perigosa, o cientista cai e morre. No final, a busca ao marido é apenas um pretexto para procurar urânio existente numa caverna. Mas os pucas aparecem e capturam todos. O marido de Susan estava morto e era considerado um deus. Com todos presos, começa um ritual macabro e lúbrico. Todos dançam. Uma mulher se masturba de forma explicita. Um homem pratica sexo anal com uma mulher. Outro faz algo parecido com um animal. Susam, agora, exibe toda a sua nudez diante de duas mulheres igualmente nuas. É tudo o que os italianos gostam e o espectador também. Há cenas ridículas de corte de pênis e de um anão. Em “Anaconda”, a bela é Jennifer Lopez, que não tira sua roupa. O filme foi desaconselhado na Inglaterra por suas cenas fortes.
Sexo e sangue se anulam. Apesar de sua maldade e da sua mentira, Susan merece viver. Manolo (Claudio Cassinelli), sobrevivente, de bom caráter e masculinidade à moda italiana, salva Susan, e ambos deverão viver cenas apimentadas que não aparecem.

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