Representação de estátuas planejadas para o memorial
/
Divulgação
Fortalecer a memória de Campos resgatando símbolos importantes da cidade. Este é o objetivo do projeto Memória Goitacá, que pretende devolver ao cruzamento da BR 101 com as avenidas Nilo Peçanha e Arthur Bernardes uma figura essencial na história da cidade: o índio goitacá. Idealizado pela Associação Bem Faz Bem, o projeto tem como objetivo instalar um memorial no local conhecido justamente como “Trevo do Índio”, mas agora com estátuas de uma família de indígenas com características dos que habitaram a região no passado.
— Em setembro de 2017 surgiu o interesse de nossa parte. Foi quando contatamos a professora (e historiadora) Sylvia Paes, que nos enviou um material (o pouco que existe) sobre os indígenas goitacás. A coisa esfriou, mas em novembro de 2018 resolvemos retomar as conversas, e o nosso primeiro encontro foi durante toda uma manhã, in loco, no Trevo do Índio, com Sylvia ministrando uma verdadeira aula sobre cultura goitacá — comenta o presidente da Associação Bem Faz Bem, Erivelton Almeida. — Decidimos por uma cena escultórica representando uma família de indígenas e que seria instalada ao nível do solo, já que os goitacás viveram em uma planície — complementa.
Até 2006, o chamado Trevo do Índio tinha em destaque a escultura de um indígena que não imprimia as características originais do goitacá. Esta escultura, inclusive, encontra-se há muitos anos no pátio do Arquivo Público Waldir Pinto de Carvalho, em Tocos, bastante deteriorada. Após a retirada da estátua, foi colocado no local um maquinário denominado “bomba cabeça de cavalo”, que também não representava as atividades offshore desenvolvidas na Bacia de Campos. Também encontra-se por lá uma estrutura metálica instalada pela Prefeitura com a inscrição “Eu amo Campos”. Porém, a proposta da Associação Bem Faz Bem é fazer com que o espaço tenha algo que de fato simbolize parte da história do território campista, especialmente dos seus primórdios.
— Uma maquete física e outra virtual (da estátua planejada) foram feitas e apresentadas em maio de 2019 em plenária no Instituto Histórico e Geográfico de Campos dos Goytacazes, com emissão de parecer favorável. Em agosto de 2020, submetemos o projeto à secretaria estadual de Cultura e Economia Solidária, pela Lei de Incentivo à Cultura, sendo aprovado em maio de 2021, após emissão de carta de anuência assinada pelo prefeito de Campos (Wladimir Garotinho) autorizando a instalação do projeto em espaço público — comenta Erivelton Almeida.
O citado projeto também passou pelo crivo do Conselho Municipal de Cultura, com aprovação unânime em junho de 2021.
— Desde então, temos buscado um patrocinador para a concretização do projeto, que, pela Lei de Incentivo à Cultura, tem 100% do investimento abatido no ICMS — explica o presidente da Bem Faz Bem.
Como parte das comemorações pelo nono aniversário da associação, uma live foi realizada no último dia 30, tendo como tema “Projeto Memória Goitacá: Presente para a cidade de Campos dos Goytacazes”. Além do próprio Erivelton e de Sylvia Paes, também participaram o artista plástico Mário Lucio e o arquitetura e urbanista Érico Almeida, todos idealizadores do projeto, bem como voluntários da Bem Faz Bem.
— Quando a gente fala no indígena goitacá, vejo muita gente ainda reclamar da ausência da estátua no trevo. Essas pessoas esquecem ou não sabem que aquele monumento não dignificava o indígena goitacá, porque ela estava em cima de um falso morro. O indígena goitacá é da planície, é do chão, da beira do rio, das lagoas, dos brejos. Além disso, o material com que aquela estátua foi confeccionada se deteriorou. Então, a estátua corria o risco de cair e machucar alguém que passasse por perto. A proposta da Bem Faz Bem já é uma proposta antiga, aprovada pelo Comcultura e pelo Instituto Histórico e Geográfico. Parabenizamos muito, pois esse conjunto representa o povo goitacá — afirma Sylvia Paes. — Não é só um índio, mas uma família indígena, que ficará no chão, próxima ao córrego do Cula, que passa naquele trevo e é tombado pelo Inepac, sendo um antigo braço do Paraíba. Todo o contexto está combinado para realmente trazer a memória do nosso lugar e do nosso indígena goitacá — enfatiza.
Trajetória — A Associação Bem Faz Bem é uma instituição filantrópica que desenvolve várias atividades voltadas à educação, aos esportes, às artes, à saúde, ao meio ambiente e à preparação para o mundo do trabalho. Criada em 21 de setembro de 2013 por um grupo de amigos, a entidade tem como objetivo principal atender a pessoas em risco e vulnerabilidade social. Trata-se de um trabalho de educação integral que tem em suas variadas atividades um meio, e não um fim, de contribuir pela melhoria integral do público atendido.
Atualmente, a associação possui sede própria em Goitacazes e uma unidade em Ururaí. Com aproximadamente 60 voluntários e vários profissionais, possui 26 atividades, atendendo ao público a partir de três anos de idade. Em nove anos de existência, mais de 80 mil atendimentos foram realizados. A ações são mantidas através de participação em editais, parcerias e doações espontâneas do público via PIX ([email protected]).
A Bem Faz Bem conquistou o Prêmio Itaú Unicef por duas oportunidades, em 2015 e 2021, e em 2018 recebeu a Medalha Cidade de Campos.