Rodrigo Gonçalves
20/01/2023 15:52 - Atualizado em 20/01/2023 17:21
Reprodução
Um campista preso em Brasília no dia dos ataques terroristas aos prédios dos Três Poderes revelou em depoimento que teve as despesas pagas para estar no Distrito Federal, onde ficou acampado em frente ao Quartel General do Exército, desde o dia 14 de novembro do ano passado.
No depoimento a que a Folha 1 teve acesso, consta que o homem informou ser de Campos e viajou a Brasília de maneira gratuita. Porém, ele contou que não sabia quem pagou a passagem.
“Afirma que é natural do Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, que veio para Brasília-DF em 14/11/2022, ficando hospedado no acampamento do Quartel General do Exército. Afirma que veio ao DF por meio de uma caravana, a qual o declarante não pagou nada por ela. Que foi tudo custeado, não sabendo informar quem custeou essa caravana. Que seu objetivo no Distrito Federal era manifestar contra o resultado das eleições”, traz trecho do depoimento.
As declarações dadas pelo preso estão de acordo com o que é investigado pela Delegacia da Polícia Federal em Campos, na operação Ulysses, que investiga, entre outras coisas, supostos financiadores dos golpistas no DF. No entanto, por conta de o inquérito estar em sigilo, não é possível saber se a detenção ocorrida em Brasília está diretamente relacionada aos alvos de mandados de prisão em Campos: um dos líderes da Direita Campos Carlos Victor Carvalho (CVC), o subtenente bombeiro Roberto Henrique de Souza Júnior e a doceira Elizângela Cunha Pimentel Braga, cujas defesas alegam inocência.
Ainda durante o procedimento de investigação, o campista deu a sua versão sobre o ocorrido no dia do ataque, informando que no dia 8 “não chegou a ir à manifestação na Esplanada dos Ministérios, que ao chegar na altura do Estádio Nacional Mané Garrincha havia muitos policiais e, por essa razão, não conseguiu ir até a Esplanada”
Durante o depoimento, o preso ainda informou que não tinha data marcada para ir embora de Brasília. No dia seguinte à prisão do campista, todos os acampamentos em frente ao Exército foram desmontados por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).
O inquérito que resultou em quase 1.500 audiências de custódia segue em sigilo no STF. A maioria dos presos pelos atos antidemocráticos na capital foi levada para uma área reservada de uma das unidades do Complexo Penitenciário da Papuda, onde ficam as principais prisões do Distrito Federal.
A Folha enviou e-mails ao STF, Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) e ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que fizeram um mutirão para ouvir os bolsonaristas, mas não conseguiu saber mais detalhes sobre o preso.
Reflexo em Campos
A Operação Ulysses da PF foi deflagrada em Campos para apontar financiadores e organizadores não só das invasões a prédios públicos no dia 8 de janeiro, em Brasília, mas também do acampamento montado no Quartel General do Exército e do bloqueio de estradas que cortam Campos.
Além de ter reunido supostas provas que demonstrariam que os três alvos dos pedidos de prisão teriam financiado o transporte e a hospedagem de bolsonaristas, a PF está ouvindo também outros investigados e pessoas citadas em celulares, computadores e anotações colhidas por meio de cinco mandados de busca e apreensão.