Prints atribuem a bombeiro preso arrecadação de dinheiro para atos em Brasília
Rodrigo Gonçalves 16/01/2023 17:43 - Atualizado em 16/01/2023 20:19
Roberto Henrique de Souza Júnior
Roberto Henrique de Souza Júnior
A Polícia Federal ainda não deu detalhes sobre como se deu o envolvimento do subtenente do bombeiro militar Roberto Henrique de Souza Júnior, 52 anos, preso em Campos, nos atos antidemocráticos ocorridos em Brasília. Mas, logo que divulgado o nome dele, começaram a circular em grupos de mensagens prints, nos quais são atribuídos a ele o contato para arrecadar recursos e bancar possíveis manifestantes campistas na capital federal, inclusive com a divulgação de um pix que estaria atrelado ao bombeiro.
Segundo o site "O Antagonista" o bombeiro teria sido identificado pela Polícia Federal, justamente por meio de uma chave pix. Ainda de acordo com a página, "as investigações apontam que o subtenente teria realizado transferências de valores para financiar grupos bolsonaristas. Entretanto, a PF acredita que o bombeiro militar não seja a ponta do esquema".
Uma das mensagens, cujo print está rodando, traz a seguinte informação: “Estamos com seis amigos lá em Brasília, todos saíram daqui de Campos, será que conseguimos juntar ajuda para dar suporte a eles, seria uma forma de estarmos juntos na luta, acho que 50,00 de cada um não fica puxado e será muito importante para os que estão na frente de batalha, nós temos o irmão (nome omitido pelo Blog por falta de confirmação) representando os bombeiros de Campos, vou passar para ele a ajuda e ele fará chegar nos demais. Vamos ajudar irmãos, é de extrema importância. Contribuição para a frente de batalha em Brasília”.
Abaixo do referido texto consta o pix com o e-mail e nome do bombeiro, além de uma suposta lista com outros nomes que teriam contribuído com quantias de R$ 50 a R$ 100. Os nomes também serão omitidos pelo Blog por não ter conseguido confirmar a veracidade do conteúdo do print.
O que se sabe até agora é que o subtenente Roberto Henrique, que atua no quartel da Codin em Guarus, foi candidato a deputado federal nas eleições de 2018. À época, o bombeiro disputou o pleito pelo partido Patriota, partido ligado a base do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sob o nome de Júnior Bombeiro. Ele teve apenas 1.260 votos, mesmo tendo gravado vídeos em apoio e com Bolsonaro, como publicou o site UOL, em seu canal no Youtube. Veja no fim desta postagem.
O Blog teve acesso ao processo do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em que ele foi condenado, em agosto do ano passado, por não ter prestado suas contas de campanha, motivo pelo qual foi obrigado a devolver R$ 4 mil, referente ao fundo partidário.
O Blog, por meio do e-mail da Folha 1 e de mensagem de WhatsApp, entrou em contato com o advogado como responsável pela defesa do então candidato na ação eleitoral, mas não obteve retorno, inclusive para saber se também estará à frente do caso que resultou na prisão.
A operação da Polícia Federal investiga suspeitos de organizar e financiar os atos terroristas no Distrito Federal, em 8 de janeiro. Outros dois alvos de mandados de prisão são procurados e o Blog também pediu à PF atualização sobre novas possíveis prisões e também aguarda retorno. Os nomes dos alvos não foram divulgados oficialmente, mas a Folha de São Paulo chegou a apontar um conhecido integrante do movimento de direita em Campos.
Além das prisões, também foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão. Na ação, a PF apreendeu celulares, computadores e documentos diversos.
Os suspeitos são investigados por associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e incitação das Forças Armadas contra os poderes institucionais — crimes que teriam sido cometidos ao financiarem e organizarem os ataques às sedes dos três Poderes, em Brasília, e nos atos em frente aos quartéis em Campos.
Além disso, os alvos também são investigados pelos atos antidemocráticos pós-segundo turno das eleições, que bloquearam vias no Rio de Janeiro.
"Durante a investigação, foi possível colher elementos de prova capazes de vincular os investigados na organização e liderança dos eventos. Além disso, com o cumprimento hoje dos mandados judiciais, será possível identificar eventuais outros partícipes/coautores na empreitada criminosa", diz comunicado da Polícia Federal.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, coronel Leandro Monteiro informou ao G1 que “será instaurado, ainda hoje, um Inquérito Policial Militar para apurar a participação do bombeiro da corporação em ataques contra o patrimônio público e em associações criminosas visando à incitação contra os poderes institucionais estabelecidos, o que é inadmissível.
O Corpo de Bombeiros informou ainda que o militar preso, sem divulgar o nome, seria conduzido ainda nesta segunda para o Grupamento Especial Prisional (GEP) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ).

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