Fabiano Rangel
21/10/2022 16:37 - Atualizado em 21/10/2022 16:37
Arquivo Agência Brasil
Uma pesquisa divulgada pela Folhapress, nos últimos dias, revela que 61% jovens no Brasil concordam que a pandemia da Covid-19 causou perdas irreparáveis de aprendizado. A percepção muda de acordo com o gênero: mais mulheres reportam perda (65%) na educação que homens (57%).
O instituto Datafolha realizou mil entrevistas com jovens, na faixa de 15 a 29 anos, parte deles no Rio de Janeiro.
Com a pandemia, o Brasil, e em especial Campos, foi um dos países que por mais tempo manteve as escolas fechadas, algo que criticamos bastante enquanto educador e fomos para as ruas lutar contra. Não temos dúvidas que isto refletiu negativamente no desempenho dos alunos nas escolas.
De acordo com o Ideb, as repercussões da crise sanitária resultaram em uma queda de aprendizado dos alunos de escolas públicas e privadas em todas as etapas da educação básica. Dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) indicam que a taxa de abandono escolar mais que dobrou em 2021, de 2,3% (2020) para 5,6%.
Além disso, de acordo com um estudo divulgado em setembro pela Unicef, 17% dos estudantes das classes D/E abandonaram a escola durante a pandemia e não retornaram, metade deles para trabalhar fora.
Entre os que voltaram, 46% se sentiram despreparados para acompanhar as atividades escolares, 35% tiveram dificuldade para controlar suas emoções e 30%, pensamentos negativos, sentiram-se tristes e deprimidos, como já mostramos em publicação feita (aqui) no Blog.
Para especialistas, o quadro pode estar atrelado à saúde mental dos adolescentes e jovens. "É muito importante que as escolas mantenham ou adotem projetos específicos para tratar a questão da saúde mental e da construção de laços", destacou Alexandre Schneider, ex-secretário de municipal de educação de São Paulo.
Para ele, quando um jovem sinaliza que teve perdas não recuperáveis, significa que ele está inseguro tanto em relação ao seu próprio processo de aprendizagem quanto à capacidade da escola em garantir isso.
A pesquisa ainda mostra que a maioria (66%) concorda que a escola ensinou os jovens a formarem suas próprias ideias e opiniões sobre a realidade brasileira. Os números variam um pouco quando comparam os jovens de acordo com os pensamentos ideológicos: 72% entre os de esquerda concordam com a afirmação; 64% entre os de direita.
Para Schneider, esses dados mostram que os jovens não devem ser subestimados. "Eles têm ideias próprias e a pesquisa indica que qualquer tipo de tentativa de conduzir a forma de pensar desse aluno vai dar errado", diz ele. "Isso mostra que a escola faz pensar, não só para um lado, senão teríamos jovens só com uma tendência ideológica."
A pesquisa mostra também que metade dos jovens (52%) concorda que a escola os preparou para ser um bom profissional no mercado de trabalho.
Educador e empreendedor em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, sou graduado em Educação Física pela Universidade Salgado de Oliveira (Universo) e professor concursado da área no Governo do Estado do Rio de Janeiro desde 2007. Atuei como coordenador pedagógico e geral de várias escolas particulares em Campos até 2011. Fui também coordenador administrativo do Sesc Mineiro, em Grussaí, no município de São João da Barra, até 2013. Há oito anos me dedico ao Centro Educacional Riachuelo como Diretor Geral das cinco unidades, que formam hoje o Grupo Riachuelo. Sou pós-graduado em Gestão Escolar Integradora e Gestão de Pessoas pelo Instituto Brasileiro de Ensino (IBE). Atualmente também sou apresentador do programa Papo Cabeça na rádio Folha FM 98,3.