Arnaldo Neto
17/12/2022 10:35 - Atualizado em 17/12/2022 10:36
Alan e Elísio em entrevista ao Folha no Ar
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Genilson Pessanha
*Com Cláudio Nogueira e Matheus Berriel
Elísio Rodrigues (PL) está concluindo seu mandato de presidente da Câmara de São João da Barra e será substituído por Alan de Grussaí (Cidadania). Ao Folha no Ar dessa quinta-feira (15), eles demostraram uma transição harmônica, falaram sobre legados, como a obra da nova sede, iniciada por Elísio, mas que será concluída por Alan, e as emendas impositivas. Ambos foram no palanque da ex-prefeita Carla Machado (hoje, PT), mas romperam com ela, e a vitória do próximo presidente foi o ponto alto para cisão. Reconhecem a força política da deputada estadual eleita, mas acreditam que a renúncia dela foi benéfica ao município. E também houve melhora no diálogo com a Prefeitura, agora sob comando de Carla Caputi (sem partido). Ainda assim, defenderam o remanejamento de 5%, como forma de fiscalizar as contas públicas, mas contam que por meio do diálogo foi possível chegar a um consenso para aprovar a criação de duas secretarias. Apesar da melhora no relacionamento institucional, Elísio reafirmou que é pré-candidato a prefeito em 2024, negando qualquer conversa até o momento com Caputi para composição.
Avaliações e expectativas
Elísio – A gente termina esse ano legislativo com a sensação de dever cumprido. Sensação não, com a certeza. A gente tinha que fazer uma escolha com o orçamento, que não é pouco, da Câmara, mas é uma obra (da nova sede) de R$ 8 milhões. A obra está bem adiantada. Espero, e já tem o comprometimento do presidente Alan para o término da obra. A nossa passagem na política é feita de legado. Esse é um legado que não eu, mas essa legislatura vai deixar para SJB. Conseguimos avançar também com emendas impositivas individuais e de bancada. Em 2021, foram nove votos para implantarmos. Era um desafio, porque eu tentei em 2017, mas a ex-prefeita, muito durona, não aceitou. E era uma decisão que a gente tinha que tomar, para a independência e para o bem da Câmara de SJB, e para também a gente conseguir atender à expectativa do nosso eleitor.
Alan – Como o presidente Elísio relatou, a Câmara avançou muito. Avançou muito nas emendas impositivas, em questão de capacitação. Hoje, a Câmara chama para o debate. Chega projeto lá, a gente discute, não pega ninguém despreparado. Nós não estamos ali só representando os nossos eleitores. A gente representa uma cidade, representa a todos. É como eu falei na Câmara: eu fui eleito para presidente com cinco votos, cinco a quatro, mas vou ser presidente dos nove. Eu acho que tem que ter essa consciência. E parabenizo o vereador Elísio pela condução, pelos avanços que a Câmara teve, porque tem que ter coragem, e isso não faltou em Elísio. E, se Deus quiser, não vai faltar em mim. A perspectiva é essa: dar continuidade ao trabalho do Elísio. É que cada um tem um modelo de gestão, mas sempre no caminho, pensando primeiramente no povo sanjoanense, nos nossos irmãos sanjoanenses.
Mudança na Prefeitura de Carla Machado para Carla Caputi
Elísio - Eu acho que a mudança foi muito importante para a população de SJB. Sempre falo que a gente ficou parado no tempo durante alguns anos. Falando especificamente de 2021 e início de 2022, a gente viu um município totalmente parado, por falta de vontade política da ex-prefeita. Com a atual prefeita, Carla Caputi, tenho uma boa relação, mas pouco contato. Mas, o diálogo é bem diferente. Em relação a atender, ouvir, pedir para que resolva, a prefeita Carla Caputi está muito à frente da ex-prefeita. E a gente não está falando de capacidade. A ex-prefeita tem a sua gestão, sua habilidade de governar já comprovada, vários mandatos. Mas, é uma fase. Todo mundo tem as suas fases. A atual prefeita falou palavras muito importantes na política, que são diálogo e vontade política. Se ela está com esse pensamento de diálogo e também de vontade política de realizar, de fazer o melhor, nós, enquanto Câmara, temos que apoiar, porém não abrindo mão do nosso discurso, do nosso posicionamento, das nossas cobranças e de todas as ações que o Poder Legislativo tem que fazer em relação à fiscalização.
Alan – Carla Machado, a gente fala que tem dois modelos dela: o de 2005 a 2012, quando teve um avanço... Não estou falando da capacidade dela, mas até 2012 foi uma gestão. Essa de 2017 a 2022 não avançou em nada. Tem que ter diálogo, e com a ex-prefeita não tinha. O diálogo com a atual prefeita, Carla Caputi, é diferente. Ela está há oito meses, muitas coisas avançaram. Lógico que precisa de muita coisa, mas pelo menos ela ouve, os secretários estão atendendo mais. Avançou muito na iluminação; agora atendendo às nossas emendas impositivas. O maior objetivo do Executivo e do Legislativo é pensar sempre no povo, no desenvolvimento. Quando a gente fala assim da ex-prefeita, se pensa até que a gente não tem respeito. Eu tenho. Não é à toa que ela foi eleita quatro vezes para prefeita, foi presidente da Câmara, foi vereadora, agora foi eleita deputada estadual. Mas, tem que ter boa vontade. Acho que tudo tem um limite. Graças a Deus, ela renunciou e as coisas estão andando.
Remanejamento de 5%
Elísio — A população de SJB não está acostumada a ver a postura como esta Câmara, que, no momento certo, se posicionou para ter respeito, mas, no momento em que tem que avançar, está junto com o Executivo para recuperar o tempo perdido. Isso não tem nada a ver com posicionamento político, interesse eleitoral. Eu continuo na mesma meta, como sempre me posicionei. Sou pré-candidato a prefeito para 2024. Me posiciono todas as vezes em que vejo que tem alguma coisa que não está andando da forma como tem que andar. Acho que só assim a gente vai conseguir evoluir para poder gastar o dinheiro do município com responsabilidade. É muito recurso. Este ano, passa de R$ 800 milhões. Isso precisa ser gastado com responsabilidade. Para isso, temos que continuar apontando, reclamando, reivindicando. Eu acho que só assim a população vai ganhar. Então, é esclarecer. “Ah, Elísio já fez uma composição, vai ser vice de Carla Caputi, está tudo certo”. Não, não tive nenhuma oportunidade de conversar sobre isso. E os 5% são uma prerrogativa da Câmara. O que tiver (de remanejamento), pode mandar, que nós vamos aprovar se for bom para o município.
Alan – Eu vejo como uma forma de estar mais alinhado para as discussões sobre o investimento municipal. Eu não vejo problema nenhum em 5%, porque nós demos 40%, e o que a ex-prefeita fez? Nada! E no final ainda tinha R$ 200 e poucos milhões em caixa, faltando o básico. Lógico que virá mais suplementação, mas nós vamos estar ali para estar discutindo, ajudando o Executivo. Se a gente não fizesse isso dos 5%, do nosso posicionamento (de eleger a Mesa), eu acho que nada estaria andando. Acho que hoje estaria com R$ 500 milhões em caixa, a ex-prefeita não tinha renunciado, o povo estaria sofrendo na mão dela.
Diálogo na criação das secretarias de Cultura e Esporte
Elísio - É um caminho sem volta. Todo posicionamento que nós tivemos na Câmara até agora é o que tem que ser seguido. É a minha opinião, acredito que a do Alan também. Nós só conseguimos o respeito da Câmara Municipal desse jeito. Então, como manda um projeto criando duas secretarias, isso em 30 dias? Fui muito firme junto com os amigos vereadores, junto ao pessoal da cultura e do esporte, falando que se não tirasse o regime de urgência, íamos reprovar. E aí eu falo da humildade da prefeita (ao retirar o pedido de urgência), mas isso também não a torna menor do que ninguém. O que importa é que nós fizemos o nosso papel, que é chamar o debate, discutir, ouvir a população. E isso não só foi nesse momento. Em vários momentos a gente ouviu a população sobre qual o melhor caminho a se tomar. É onde eu falo do respeito à Câmara Municipal. Talvez, se fosse em outros momentos, diriam: “Ah, se eles querem reprovar, deixa. Nós vamos colocar na conta deles”. Mas, não. Eu acho que isso é inteligência, é debate, é diálogo, e só quem ganha é a população.
Alan - Nós temos que dar voz ao povo na Câmara. A princípio, quando chegaram esses dois projetos para desmembrar a secretaria de Cultura e Esporte da parte da Educação e do Turismo, a princípio, nós, vereadores, (pensamos) como a população: quer criar mais cargos? É cabide de empregos? Imediatamente falamos que íamos reprovar. Aí que está: nós temos que dar voz ao povo. As instituições nos procuraram, procuraram Elísio. Veio o pessoal da cultural, o pessoal do esporte, cada um com a sua demanda, falando dos projetos, várias demandas. Carla Caputi é diferente da ex-prefeita. Ela chamou para o diálogo. A pedido nosso, ela tirou o caráter de urgência, aceitou a gente fazer uma audiência pública, Elísio fez uma audiência, chamando a população para perto. Teve o pessoal da cultura, o pessoal do esporte... Nossa cidade tem talentos. Depois de tantas pessoas nos procurando, moradores falando que seria legal aprovar. Nós votamos, mas foi a população que quis.