Projetos ameaçados no esporte
Paulo Renato do Porto 29/06/2017 10:42 - Atualizado em 03/07/2017 12:26
Sede do Americano em Guarus
Sede do Americano em Guarus /Folha da Manhã
O cenário que já é difícil pode se tornar ainda pior. A frase carregada de realismo reflete o grau de preocupação de representantes da área do esporte em Campos diante das perspectivas de uma sangria nos repasses dos royalties do petróleo brutais em razão de uma medida liminar que permite à Caixa Econômica Federal abocanhar mais de 10% das verbas para arcar com financiamento de empréstimos contraídos pelo governo anterior. Com a decisão, as verbas das participações especiais podem ficar integralmente comprometidas.
O quadro de total escassez de recursos começa pela própria Fundação Municipal de Esportes (FME). Sem orçamento para executar desde que assumiu a presidência do órgão, Raphael de Thuin, tem buscado usar com parcerias a iniciativa privada para eventos e outras iniciativas.
“A situação que o prefeito Rafael Diniz herdou é preocupante e por demais assustadora. E perder ainda mais recursos pode comprometer o futuro de nossas jovens e adolescentes. Eu e o prefeito sabemos da importância do esporte para formação desses jovens. Não é um trabalho imediatista, como no passado, pensamos num futuro a médio e longo prazo”, avaliou Thuin.
“Mesmo com todas as dificuldades, temos conseguido atender cerca de 10 mil pessoas, onde o aluno da rede municipal estuda num período e no outra prática uma atividade esportiva. No ano passado, eram quase 1 mil inscritos nos projetos e, em seis meses, já aumentamos em mais de 1000%”, destacou o presidente da FME.
As questões sociais passam pelo esporte
Raphael de Thuin reforça sua visão pregando investimentos na prática esportiva como instrumento para melhora da qualidade de vida da população e como forma também de fazer o esporte contribuir para reduzir os impactos na violência, nos problemas de saúde pública e nas questões sociais.
“O Brasil deveria seguir as políticas esportivas implementadas pelo países de primeiro mundo, que investem pesado no esporte. Os políticos deveriam pensar a longo e em toda população. Tenho certeza, que juntos com a população, vamos superar esse momento difícil”, destacou o presidente da FME.
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O presidente do Americano, Carlos Abreu, também demonstrou temeridade para a concretização de futuras parcerias cogitadas entre o clube e o poder público municipal. “O Americano mantém em suas divisões de base cerca de 350 garotos que estão em sua escolinha, no infantil, juvenil e juniores, um trabalho de grande alcance social. E o prefeito Rafael Diniz pediu paciência se comprometeu que, assim que a situação da prefeitura se estabilizasse, voltaríamos a conversar para construirmos parcerias. Fico preocupado”.
Abreu destacou que o Americano hoje se encontra localizado uma região de comunidades carentes e tem responsabilidade social em oferecer espaços àquelas populações. “Temos um centro de treinamentos e outros espaços em Guarus que nos permite planos de expansão de outros projetos destinados às comunidades de bairros próximos. Diante desta liminar, nossa preocupação é real porque pode afetar esse e outros projetos. Mas ficamos na expectativa de que a situação seja revertida”, afirmou.
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O basquete campista busca retomar seu espaço no cenário nacional, com a volta do Automóvel Clube às competições oficiais. Entretanto, os horizontes futuros é motivo de inquietação do diretor de basquete do clube, Carlos Eduardo Peixoto, o Cacá. “O esporte é lazer e cidadania, uma ferramenta fundamental para redução de problemas sociais. Estamos formando atletas, mas também cidadãos, com cerca de 200 garotos. Muitos são de famílias que vivem em situação de risco. Aqui abrimos novas possibilidades e perspectivas”, comentou.
Coordenador da FME e diretor da Federação de Voleibol do Estado do Rio, Aníbal Wagner também expressa a mesma preocupação. Ele está à frente de um projeto de escolinhas de vôlei nas periferias e vilas olímpicas. “Já estamos trabalhando num sufoco tremendo. Agora, como vai ficar? Se a realidade já é preocupante, agora tende a se agravar ainda mais. Estamos mergulhados numa crise política que impede o país de crescer e num estado falido. Agora, meu receio é que o município possa ir para o mesmo caminho”, analisou.

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