Delação da JBS chega a Campos: nome de Garotinho aparece em documentos
21/05/2017 11:54 - Atualizado em 21/05/2017 16:10
Campos teve, ontem à noite, infelizmente, o seu nome vinculado à delação da JBS, ao surgir no noticiário do Jornal Nacional uma nota fiscal emitida no município, no valor de R$ 3.004.160,00, usada, segundo a delação, para pagamento de propina ao o ex-senador e ex-ministro Antonio Carlos Rodrigues, do PR, partido da ex-prefeita Rosinha e do ex-governador Anthony Garotinho.
A notícia surgiu ontem à noite, quando o jornalista campista Ricardo André publicou aqui em seu blog que a nota tinha o brazão do município de Campos. Hoje cedo, pela manhã, ela teve desdobramento e evolução aqui no blog, com a postagem (confira aqui) da nota "Delação da JBS chega a Campos" no qual é revelado, com base em pesquisa e print de tela, a nome da empresa que emitiu a nota.
A empresa Ocean Link Solutions Ltda, sediada em Macaé, emitiu a nota fiscal de R$ 3.004.160,00, usada para propina segundo o delator da JBS, Ricardo Saud. A empresa tem como sócio André Luiz da Silva Rodrigues, que é sócio também da Working, empresa que foi grande fornecedora da Prefeitura de Campos durante o governo Rosinha. Confira mais informações aqui.
O jornalista Ricardo André deu prosseguimento ao assunto e publicou aqui, há pouco  mais de uma hora atrás, novas informações sobre o caso, mostrando que o nome de Garotinho aparece manuscrito por duas vezes nos documentos da JBS referentes à Ocean Link.
Ricardo André conseguiu acessar, no Apenso 13 da delação premiada da JBS, homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), os dados do pagamento da propina via Ocean Link. O Apenso 13 (confira aqui na íntegra, no site Poder 360) destrincha o caminha da propina, segundo o delator Ricardo Saud.
O Apenso 13 mostra, na página 67, a nota fiscal emitida pela Ocean Link, em alta resolução, dispensando olhos mais apurados. A nota foi emitida em 01 de setembro de 2014, próximo das eleições presidenciais e das eleições para o governo do Rio. Nela, o nome de Garotinho aparece manuscrito. Confira a nota fiscal na íntegra e o zoom no manuscrito:
Consta da delação também, na página 65, o comprovante de pagamento, através de TED, pela JBS à Ocean Link. A transferência foi feita no dia 08 de setembro, apenas 7 dias após a emissão da nota fiscal, saindo da conta da JBS no banco Santander para a conta da Ocean Link no Banco do Brasil, na agência Voluntários da Pátria, fechada recentemente em uma reestruturação do banco.
Mais uma vez, a Ocean Link, apesar de ter sede oficial em Macaé, segundo a Receita Federal, informou a conta bancária em Campos, assim como deu o endereço de nota fiscal em Campos. Confira abaixo o TED que, segundo a delação da JBS, comprovaria o pagamento da propina:
Apesar da nota fiscal ter sido emitida no valor de R$ 3.004.160,00 e não informar retenções de impostos a serem deduzidos, o TED exibido foi feito em um valor menor, de R$ 2.669.196,16.
Consta ainda da delação, na página 66, o lançamento da despesa na contabilidade da JBS, novamente com o nome de Garotinho manuscrito. Confira:
O último documento constante da delação da JBS, que em princípio vincula Campos, é o contrato feito entre a Ocean Link Solutions (OLS) e a JBS. O longo documento, de 11 páginas, ocupa da página 68 até a 78 do Apenso 13 da delação da JBS.
O contrato tem duração de um ano e é datado de 28 de agosto de 2014. A Ocean Link é qualificada com endereço em Campos, o mesmo da emissão da nota fiscal, mas dissonante do seu cadastro na Receita Federal, que é de um logradouro no bairro de Cancela Preta, em Macaé.
Quem assina pela empresa não é André Luiz da Silva Rodrigues, que é sócio também da Working. Quem assina é o seu sócio na Ocean Link, Brauny Alves Albergaria. É ele quem está qualificado na primeira página e quem assina o contrato na última página.
O objeto do contrato é a consultoria para sistemas lógicos, desenvolvimento de software de gerência e implantação de sistemas de dados e voz, em todo o país, de telecomunicações, via satélite ou terrestre. Como foi salientado por Ricardo André em sua nota, a JBS, empresa gigante internacional, escolheu uma empresa de Campos/Macaé para tais serviços. Sem dúvida uma "honra".
O contrato foi assinado em 28 de agosto de 2014, teve nota fiscal emitida em 01 de setembro de 2014 e teve pagamento feito em 08 de setembro de 2014, apesar de ter quase um inteiro ainda de duração. Tempo recorde, mesmo estando previsto em contrato toda uma burocaria e devida e comprovada prestação de serviços para o recebimento.
Confira abaixo as principais partes do contrato, em trechos selecionados dele, que poder conferido na íntegra aqui. Desde já fica aberto o espaço aos empresários citados e ao ex-governador para dar a sua versão para os fatos denunciados pela delação da JBS.

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