Ícaro Barbosa e Catarine Barreto
20/12/2022 10:28 - Atualizado em 20/12/2022 16:02
Rompimento de dique em Campos
Equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros passaram toda a manhã desta terça-feira (20) na avenida XV de Novembro, no Centro de Campos, onde o dique do rio Paraíba do Sul se rompeu na noite dessa segunda-feira (19). À tarde, a área foi coberta, na tentativa de conter o desabamento da pista. Em entrevista coletiva na sede da Prefeitura, o secretário municipal de Defesa Civil, Alcemir Pascoutto, garantiu que os imóveis localizados próximo ao local não correm risco.
No local, ainda é possível ver o carro que foi engolido junto ao asfalto, e não há previsão para sua retirada. Barcos e drones são utilizados para auxiliar na análise da situação no local, onde o solo ainda está instável. Cerca de 200 metros do dique cederam, segundo as autoridades. De acordo com a Defesa Civil, choveu em 12 horas um acumulado para 30 dias.
O motorista do carro que caiu na margem do Paraíba voltou ao local, na tentativa de resgatar o veículo. “Por volta das 20h, o solo cedeu e eu tomei um susto. Eu fui junto com o asfalto para dentro do rio. Estava sozinho. Não deu nem para frear. Os bombeiros me ajudaram. No momento que tudo aconteceu, eu estava indo para casa. Geralmente, eu pego a avenida Alberto Torres, mas minha esposa foi na frente, de van, e ela falou que a XV de Novembro estava com um trânsito mais tranquilo. Minha esposa, na maioria das vezes, vem comigo. Acho que se ela não tivesse ido na frente, teria absorvido toda a pancada por estar no banco do carona. Foi um livramento. Eu estava de cinto e não tive nenhum ferimento”, contou o motorista, que preferiu não se identificar para não assustar familiares que não sabem o acidente.
De acordo com o ambientalista e professor Aristides Sofiatti, os prédios próximos correm risco, já que “não há nada que segure as águas. Acredito que isso venha de um processo lento, essa erosão no rio. Falta manutenção do dique, que acredito que não acontece há mais de 40 anos. Nossa cidade precisa de replanejamento e execução dos trabalhos de prevenção”.
Um dos sócios do Palace Hotel, imóvel que fica próximo ao local onde o dique se rompeu, Marcelo Oliveira tem receio que o asfalto continue cedendo. Ele estava em casa quando tudo aconteceu e tomou um susto ao chegar ao hotel na manhã desta terça. Marcelo afirma que o trabalho segue normalmente, mas que tem receio do que pode acontecer diante das chuvas que caem na cidade.
— Estamos muito preocupados. Se olharmos da ponte Barcelos Martins, é possível ver que o buraco só aumenta aqui embaixo, então, não sabemos onde estamos pisando. Temo por um mal maior, e acho que essa área deveria ser isolada, e olha que falo isso contra o meu comércio. É duro, mas falo por outras vidas — disse Marcelo.
O superintendente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) na região, Leonardo Barreto, afirmou que, desde o momento do incidente, engenheiros estão analisando o solo e tentando traçar o melhor planejamento para a via. “Estamos acompanhando junto à Prefeitura, dando todo apoio necessário, disponibilizando nossos técnicos. Estão chegando do Rio os engenheiros para fazer os estudos dos taludes para ver o que pode ser feito mediante ao que foi constatado pelos técnicos. Qualquer trepidação pode ser prejudicial à estrutura da via, então, qualquer ação vai ser posterior a essa identificação. O momento agora é tentar estabilizar o talude e posteriormente reconstruir o dique que se rompeu”, destacou.