Luis Gustavo Povoa em sua primeira competição de paraciclismo
/
Foto: Reprodução
Entre inúmeras histórias de superação tendo como pano de fundo o esporte, uma delas está sendo vivenciada pelo dentista Luís Gustavo Póvoa, que completou 45 anos na quinta-feira (30). Vítima de atropelamento em setembro de 2020, enquanto corria no acostamento da avenida Nilo Peçanha, em Campos, ele trocou o triatlo pelo paraciclismo, modalidade em que estreou oficialmente no último fim de semana.
— Eu sempre pratiquei esportes. Desde novo eu nadava, por volta dos cinco, seis anos — conta Luís Gustavo. —. Aos 10 anos, ainda criança, comecei a atravessar a Lagoa de Cima. Já adulto, em 2007 ou 2008, conheci a corrida e comecei a praticar essa modalidade. Fiz maratonas em Berlim, Chicago, Nova York, entre muitas outras, e tenho algumas medalhas. A partir disso, Christiano (Abreu Barbosa, diretor-financeiro da Folha da Manhã) me chamou para praticar o triatlo, e na época eu fui. Eu já estava nadando para me ajudar na corrida, e em 2018 entrei no triatlo, disputando competições — recorda.
Esporte que engloba provas de corrida, natação e ciclismo, o triatlo teve que ser abandonado por Luis Gustavo após o acidente de 2020, devido à gravidade das lesões. Na época, ele foi socorrido em estado grave para o Hospital Ferreira Machado, de onde recebeu transferência para o Hospital da Unimed. Foram múltiplas fraturas sofridas, uma delas exposta, no braço, e o dentista ainda precisou colocar uma prótese na coluna vertebral e passou a usar cadeira de rodas. Posteriormente, realizou dois novos procedimentos, para refixar a prótese, passando ao todo por quatro cirurgias. O longo período de recuperação incluiu sessões de fisioterapia e fonoaudiologia, além de acompanhamento em home-care. Passado o susto de familiares e amigos pelo risco de morte, Luís Gustavo agora reencontrou o esporte como uma espécie de desafio, além de um estímulo para continuar evoluindo.
Nos dias 25 de 26 de março, sábado e domingo passados, o campista esteve no Rio de Janeiro para disputar o GP Ilha Pura, válido como primeira etapa do Campeonato Carioca de Paraciclismo. Houve uma prova contra-relógio, em que ele fez o tempo de 45 minutos, 44 segundos e 25 milésimos, e também uma de resistência, ambas na categoria handbike open.
— Consegui ficar mais estável desde o primeiro dia da prova — celebra Luís Gustavo. — O treinador Marcos Almeida, que está passando a minha planilha, disse que o meu FTP (potência funcional) aumentou bastante. Consegui ter mais resistência, o que significa que a prática foi muito boa para a minha evolução. Antes, eu só conseguia ficar dois minutos, com frequência de 105. Lá, consegui ficar quase uma hora com essa frequência. Sem contar que, no primeiro dia do evento, eu dei somente três voltas, num total de sete quilômetros, tendo ajuda do pessoal mais experiente na terceira volta. Já no segundo dia, consegui dar cinco voltas sozinho praticamente, só com alguém eventualmente me ajudando nas curvas — detalha o atleta.
Pelo andar da carruagem — ou melhor: do novo paraciclista —, muitas metas ainda vão ser superadas.