Projeto '30+ Patrimônio' aborda a história de importantes prédios de Campos
Matheus Berriel - Atualizado em 11/01/2023 09:43
Prédio do antigo Cine São José foi o primeiro divulgado
Prédio do antigo Cine São José foi o primeiro divulgado / Foto: Reprodução/Instagram
Quem acessar o perfil de Instagram @patrimoniogoitaca verá duas publicações com fotos, vídeo e informações técnicas e históricas sobre o Cine São José, que deu lugar a uma loja de móveis antigos, no Turfe Clube. As postagens abriram o projeto “30+ Patrimônio”, que até o final de julho abordará 30 edifícios ligados ao patrimônio histórico-cultural de Campos, vários deles tombados por órgãos de preservação. Trata-se de uma iniciativa do Patrimônio Goitacá, que surgiu como um projeto de extensão do curso de arquitetura e urbanismo do Instituto Federal Fluminense (IFF), em 2021, e no ano passado passou a ser custeado pelo programa Mais Ciência, da Prefeitura de Campos.
— A ideia surgiu da necessidade de criar uma plataforma para expor e dar acesso aos diversos projetos de pesquisa da professora Maria Catharina Reis Queiroz Prata, que visam à divulgação do patrimônio cultural da cidade de Campos dos Goytacazes, com o intuito de incentivar e valorizar a identidade campista — destaca Isabelle Erthal Farias, bolsista do projeto. — A partir daí, desenvolvemos o site patrimoniogoitaca.org e, em seguida, a ideia do Instagram e de um canal no YouTube, com o objetivo de divulgarmos o que fazemos dentro da academia — destaca.
Na prática, o site Patrimônio Goitacá funciona como uma vitrine dos projetos patrimoniais realizados por vários estudantes de arquitetura e urbanismo. O “30+ Patrimônio” é o mais novo destes projetos, contando, além de Isabelle, com os voluntários Breno Nogueira da Silva Uhl, Manuela Gomes Pinto Vital e Laura Curcio Campos Joy, coordenados por Maria Catharina Reis Queiroz Prata.
— Temos até julho para finalizar, pois é quando termina o Mais Ciência. Acredito até que o projeto termine antes. Já temos alguns dos próximos posts e vídeos adiantados, e aos poucos vamos postando. Entre os prédios que serão abordados, traremos detalhes da Igreja da Lapa, da Igreja da Boa Morte, do Solar do Colégio, do Liceu de Humanidade e de vários outros — adianta Isabelle Erthal Farias.
Foram concluídos pelo Patrimônio Goitacá dois projetos com foco exclusivamente no Solar do Colégio, que abriga o Arquivo Público Municipal. Além de um arquivo digital reproduzindo a forma arquitetônica do prédio, também foi produzido um levantamento que resultou na construção de uma maquete física da estrutura original. Em outras iniciativas, foi desenvolvido um inventário sobre patrimônio industrial de valor cultural e arquitetônico em Campos, enquanto o Centro Histórico da cidade virou tema de análise sob diversos aspectos. Já o projeto “Lugares de cativeiro: turismo e memória” mapeou locais relacionados à escravidão no Brasil, englobando os municípios de Campos, São João da Barra, São Francisco de Itabapoana, São Fidélis e Quissamã. Houve ainda uma ação coletiva para arrecadar fundos à Sociedade Musical Lyra de Apollo, cujo prédio foi incendiado em 1990 e desde então vem sendo reconstruído à base de doações e recursos próprios do maestro Ricardo de Azevedo e de outros membros da instituição.
Atualmente, além do “30+ Patrimônio”, estão em andamento projetos voltados à criação de espaços virtuais interativos retratando o visual de Campos no passado; ao desenvolvimento de um inventário dos prédios histórico-culturais em Campos (não necessariamente tombados); e à alimentação do site com informações relevantes para pesquisadores, estudantes e a sociedade em geral. Um dos objetivos finais é conscientizar a todos sobre a importância da preservação do patrimônio, a fim de evitar tragédias como o incêndio que atingiu o antigo prédio do Hotel Flávio, no Centro, em dezembro do ano passado.
— É muito triste o que aconteceu com o Hotel Flávio. Ele já estava na nossa lista dos 30 patrimônios abordados e é um exemplo de ao que estão fadados prédios históricos abandonados. Talvez ele ganhe um vídeo diferente no final do projeto, com o intuito de conscientizarmos as pessoas — ressalta Isabelle Erthal Farias. — Infelizmente, isso já aconteceu com outros edifícios antes, e o objetivo é fazer com que esse ciclo de patrimônios destruídos termine. Mas, para isso, é preciso ir além da teoria. As políticas públicas devem auxiliar os donos desses imóveis em sua preservação, porque só assim poderemos cobrar mais eficazmente e passar o conhecimento da importância que esses bens têm para a cidade — finaliza.

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