Ascensão de Rodrigo Bacellar na política fluminense
- Atualizado em 04/02/2023 08:07
Ponto Final
Ponto Final / Ilustração
Ascensão
A rápida ascensão de Rodrigo Bacellar, como um novo nome da política fluminense, é algo que surpreende até o próprio deputado. Desde que se tornou o relator do processo de impeachment de Wilson Witzel (PSC), em 2020, quando deu o seu parecer favorável ao procedimento para o afastamento, Rodrigo se destacou pelo seu pulso firme e técnico, que não daria brecha para Witzel sobreviver à frente do Governo do Rio. Daí para a frente caiu nas graças de muitos figurões da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e também do, até então, pouco experiente Cláudio Castro, que, como vice, depois se tornaria o governador do Rio, reeleito no último pleito, também com o importante apoio de Bacellar.
Demonstração de força
Mas o caminho de Rodrigo até chegar à presidência da Alerj, nessa quinta-feira (2), passou por outros momentos marcantes na própria Assembleia e no Governo do Estado. O discurso feito por ele, agora eleito o primeiro campista para o maior cargo da Casa e mais experiente, não deixa de ter o mesmo tom de quando, ainda no seu primeiro mandato, foi eleito, por unanimidade, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alerj. “Nem nos meus melhores sonhos imaginei uma maneira tão rápida de trilhar passos tão grandes, tão altos. Nunca deixei de ter humildade de pedir ajuda e ir aprendendo aos poucos”, disse Bacellar, ainda em junho de 2022.
Homem de confiança
Depois, ainda sairia da Alerj para se tornar um dos homens de maior confiança de Castro, à frente da secretaria de Governo, cargo que ocupou até a véspera de tomar posse para o seu segundo mandato. A proximidade dos dois é tão grande, que Castro não recuou ao ver sua base, possivelmente, rachar por deixar claro a todos que Rodrigo era a sua predileção, dando seu total apoio às escolhas feitas por Bacellar para a sua chapa na disputa à presidência da Alerj e nos nomes que escolheu para as comissões da Casa. No grupo dos insatisfeitos, se aventurou Jair Bittencourt, que não deve passar ileso, apesar dos afagos feitos a Rodrigo e Castro após a desistência de uma candidatura alternativa.
Dois pesos, duas medidas
Jair, que era secretário de Agricultura de Castro e voltaria ao cargo na próxima semana, agora fica de fora e, sequer como deputado, poderá indicar um substituto. No entanto, destino diferente teve outro que também teria se oposto, inicialmente, à chapa de Bacellar. Doutor Serginho (PL), após ser exonerado da secretaria estadual de Ciência e Tecnologia para tomar posse na Alerj, chegou a cogitar, orientado pelas lideranças do seu partido, não voltar para a pasta de Castro. Apontado por Bacellar como sendo o interlocutor da união das chapas, parece não ter sido “punido”, já que vai ser o líder do Governo na Assembleia, cargo que geralmente é acumulado pelo presidente da CCJ, que fica com Rodrigo Amorim (PTB).
Sem diferença
Bacellar fala que não haverá retaliação aos que não votaram nele e também aos que tentaram conspirar contra a sua chapa única. Ele reiterou o compromisso de resguardar a pluralidade do parlamento, em especial na composição das comissões da Casa. “Fui o primeiro presidente na história que, antes de se consagrar vencedor, quis chamar todo mundo para participar de maneira bem democrática da divisão das comissões. De modo que, lá na frente, uma vez eleita a chapa, ninguém fosse atropelado. A eleição da chapa acabou neste momento. Vamos baixar as guardas”, destacou Rodrigo Bacellar.
Dobradinha
O discurso apaziguador de Bacellar não tira dele a firmeza combativa herdada, segundo ele, do pai sindicalista e ex-presidente da Câmara, Marcos Bacellar, presente tanto na posse como na eleição, junto de vários outros campistas que foram à Alerj. Todos tinham com eles no peito o adesivo #fechadoscombacellar. Bastava olhar o grupo para ver que os rostos eram os mesmos que no último ano lotavam as sessões na Câmara de Campos. Vereadores ligados à família Bacellar também estiveram em peso na Assembleia, os mesmos que impuseram ao grupo dos Garotinho a derrota para a oposição na Mesa Diretora, na qual se elegeu presidente Marquinho, irmão de Rodrigo.
Compromisso
O primeiro compromisso oficial do novo presidente da Alerj, nessa sexta-feira (3), foi no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que realizou sessão solene para empossar a nova administração do órgão. O desembargador Ricardo Rodrigues Cardozo foi eleito presidente do TJ-RJ para o biênio 2023-2024 e sucederá o desembargador Henrique Carlos de Andrade Figueira. “Esperamos uma relação de harmonia, cooperação e respeito, visando sempre o bem-estar da população do estado do Rio de Janeiro”, disse Bacellar.
Triplicará
Na próxima quarta-feira (8), será inaugurado um novo armazém coberto do Terminal Multicargas do Porto do Açu, em São João da Barra, quando ocorrerá a apresentação da expansão do T-Mult, que triplicará sua capacidade estática de armazenagem de carga. Estarão presentes os Ceos Rogério Zampronha, da Prumo, e José Firmo, da Porto do Açu Operações. A programação para convidados conta com coffee break no Açu Hotel, apresentação dos projetos, cerimônia de inauguração, visita de lancha pelos terminais e área de clientes, além de almoço.

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    Rodrigo Gonçalves

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