Picture showing children violence at school
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Ascii 32
Uma pesquisa da Associação Nova Escola, realizada com mais de 5 mil entrevistas em todo o país, revela que sete em cada 10 educadores dizem que a violência aumentou na reabertura das escolas depois do período mais crítico da pandemia e que os alunos estão mais agressivos entre si.
O resultado, segundo o levantamento divulgado no último dia 20 no JN, é o mesmo nas redes pública e privada, no centro e na periferia das cidades, em todas as regiões do país. Os educadores sentem que no tempo de escolas fechadas, uma parte das crianças e dos adolescentes desaprendeu o convívio social. Está mais difícil respeitar regras, ouvir, controlar as emoções.
São casos assustadores de violência física e verbal entre alunos e também de ameaça aos educadores. Um dos casos mais chocantes aconteceu não muito longe da gente, em Petrópolis. Um adolescente enfrenta uma depressão após perder um dos testículos por conta de uma “brincadeira” estúpida na qual sofria agressão dos colegas a cada resposta errada que dava a uma pergunta. O Ministério Público (MP) e a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) estão investigando o caso.
Desde que passamos a escrever neste espaço aqui, temos alertado para a importância de cuidar da saúde mental de meninas e meninos. Compartilhamos com frequência o quanto ainda tem sido desafiador o dia a dia dos nossos alunos, muito abalados emocionalmente pelos reflexos da pandemia, principalmente pelo distanciamento físico de dois anos.
Tenho também chamado as famílias para que estejam cada vez mais perto das escolas, pois estas consequências são uma responsabilidade de todos. Ainda hoje, com mais de sete meses de aulas presenciais, enfrentamos diariamente casos de estudantes que sequer conseguem ficar em sala de aula, com crises de ansiedade, isso sem contar aqueles que não fazem questão do mínimo de socialização com os colegas. E o pior... esta é uma constatação nos diferentes segmentos, do Infantil ao Ensino Médio.
Ainda segundo os educadores ouvidos na pesquisa da Associação Nova Escola, a maior agressividade é consequência de: doenças psicológicas, famílias vulneráveis, falta de socialização e falta de ações disciplinares.
Já sabíamos que, mais do que correr atrás do prejuízo dos conteúdos programáticos, teríamos que fortalecer o socioemocional dos nossos alunos, buscando a construção de relações saudáveis a partir do ambiente escolar, aproximando também as famílias.
Todos estamos no mesmo barco e não há como remar em sentido contrário. Buscar suporte fora do ambiente escolar também se faz necessário em muitos casos, por isso não podemos ignorar os sinais que, infelizmente, estão aí a cada pesquisa.
Educador e empreendedor em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, sou graduado em Educação Física pela Universidade Salgado de Oliveira (Universo) e professor concursado da área no Governo do Estado do Rio de Janeiro desde 2007. Atuei como coordenador pedagógico e geral de várias escolas particulares em Campos até 2011. Fui também coordenador administrativo do Sesc Mineiro, em Grussaí, no município de São João da Barra, até 2013. Há oito anos me dedico ao Centro Educacional Riachuelo como Diretor Geral das cinco unidades, que formam hoje o Grupo Riachuelo. Sou pós-graduado em Gestão Escolar Integradora e Gestão de Pessoas pelo Instituto Brasileiro de Ensino (IBE). Atualmente também sou apresentador do programa Papo Cabeça na rádio Folha FM 98,3.