Pacificar o país é a maior missão do presidente eleito
Arnaldo Neto 31/10/2022 10:54 - Atualizado em 31/10/2022 10:55
Vitória de Lula
Vitória de Lula / Reprodução Facebook
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) volta à presidência do Brasil, 12 anos depois de deixar o cargo. A escolha do petista reflete a vontade soberana das urnas, que sempre deve ser respeitada, a despeito de o candidato vencedor agradar ou não ao seu voto. E, para o bem do país, a esperança é de pacificação, de acabar esse clima raivoso que invadiu até mesmo grupos familiares.
A polarização que marcou esse pleito já era esperada. O presidente eleito e o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), apareciam na liderança de todas as pesquisas de intenção de votos desde 2017. Lula não foi candidato em 2018. Foi preso pela Lava Jato, em um processo judicial que fez o PT sangrar ao longo de anos, ao escancarar um escândalo de corrupção estruturada na gestão petista. A despeito das críticas bolsonaristas aos institutos de pesquisas, mesmo preso, Lula sempre liderou. Bolsonaro só ficou à frente nos levantamentos, e venceu na urna, quando o adversário esteve preso.
Lula voltou ao cenário político após a anulação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) dos processos da Lava Jato. Não é que ele seja o mais inocente da história do Brasil, como alguns creem, mas o tempo deixou claro que o ex-juiz Sérgio Moro meteu os pés pelas mãos e não garantiu a ele o devido processo legal. Foi parcial. Em quatro anos, ao aceitar ser ministro do atual presidente, sair atirando, se eleger senador e voltar ao meio bolsonarista, Moro passou a ter uma biografia no mínimo contestável — tanto para quem é de direita e, sobretudo, para a esquerda.
A vitória de Lula superou o antipetismo, que ainda é forte no país. Conseguiu superar as fake news como o absurdo banheiro unissex, fechamento de igrejas, a ameaça comunista, entre outras teorias conspiratórias. Por outro lado, surfou na condução desastrosa do atual presidente na pandemia, a perda do poder de compra do cidadão na gestão atual, as falas sem filtro, muitas vezes flertando com o autoritarismo, e atitudes grosseiras de Bolsonaro, que elevaram sua rejeição a taxas impeditivas para um candidato à reeleição.
Alas petistas mais radicais sempre criticaram os dois primeiros governos de Lula, por considerá-los “mais ao centro do que à esquerda”. E não parece haver dúvida de que o próximo mandato também será assim: da escolha do vice, Geraldo Alckmim (PSB), numa espécie encarnada da “carta aos brasileiros” de 2002, ao apoio de adversários históricos, como o tucano Fernando Henrique Cardoso. Sem falar que o arco de aliança alcançou os pais do Plano Real e a candidata que mais surpreendeu na corrida presidencial deste ano, a senadora Simone Tebet (MDB).
Lula venceu porque foi o candidato que mais representou a garantia da democracia no Brasil. O resultado foi apertado, evidenciado o cenário de divisão. Não há espaço para discursos antigos do “nós contra eles”. É hora de pacificar o país e, como prometido pelo petista na campanha, da esperança vencer o medo.
*Publicado na edição desta segunda-feira (31) da Folha da Manhã

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