Nesta quinta-feira, participamos de um importante debate sobre o "Retorno das Aulas: Educação Inclusiva". A convite do vereador Bruno Vianna, demos a nossa contribuição na Audiência Pública que aconteceu na Câmara de Vereadores.
Falamos um pouco sobre a nossa experiência no Centro Escola Riachuelo com este importante tema, trocando experiências.
É importante participar de debates como estes que, com certeza, só têm a agregar e será um norte para que possamos cada vez mais avançar em um processo mais justo de inclusão.
A nossa proposta em ter uma rede escolar sempre foi por acreditar que poderíamos implantar, em nosso município, uma educação mais afetiva, pois entendemos que não há como ter uma educação efetiva sem que esta seja afetiva. E não há como falar em afetividade sem que haja inclusão.
Não há mais espaço para escolas que não pensam em educação inclusiva... e repito, a importância desta troca de experiência proposta e que, com certeza, foi de grande valia.
O que ouvimos dos representantes dos municípios de Campos e Rio de Janeiro, além das instituições representadas na audiência, é que estamos no caminho certo, mas ainda há muito que avançar.
A nossa meta desde o início sempre foi trabalhar de portas abertas para todos os alunos, inclusive os com deficiência, recebendo de forma acolhedora, humana, com um olhar individualizado para as necessidades de cada um.
Mas como fazer isto na prática? que mecanismos tínhamos que buscar? Primeiro precisávamos entender. Ofertar acessibilidade vai além das estruturas e espaços físicos. É também na metodologia que está a diferença. É importante envolver todos os agentes desse processo: o professor, a equipe de gestão da instituição de ensino, as famílias dos alunos e os próprios estudantes. O trabalho em conjunto fortalece a parceria pelo propósito da educação inclusiva.
E aí o caminho passa pelo conhecimento, aprender sempre, como fizemos nesta audiência.
Por tudo que ouvimos, ficou mais do que provado que não há como fazer a inclusão sem pensar na educação socioemocional, ainda mais nestes últimos dois anos difíceis com a pandemia.
Antes mesmo destes novos tempos, nos tornamos, há cerca de 5 anos, o primeiro colégio de Campos a implantar o Programa Escola da Inteligência, idealizado pelo Dr. Augusto Cury.
Estimulamos e promovemos as funções como: autocontrole, empatia, criatividade, autoestima, consciência crítica e acima de tudo fazendo os outros entenderem que é necessário saber conviver com as diferenças. Para isso, é importante também aproximar a família da escola e promover a construção de relações saudáveis.
É fazer não só o aluno entender, mas os seus familiares, que a inclusão é vantajosa não somente para os alunos com deficiência, mas também para os demais, que aprendem, na prática, a conviver com essas diferenças.
É triste de constatar, mas alguns dos nossos alunos não sabem lidar com a diferença do coleguinha, não por uma limitação deles, mas porque refletem na escola um comportamento construído dentro de casa de preconceito e exclusão, por isso é importante envolver a família nesse processo de inclusão.
Foi buscando melhorar ainda mais esta relação que criamos o Departamento da Família, composto por assistente social, psicóloga e psicopedagoga, que atua junto com a coordenação pedagógica e corpo docente. Profissionais que, inclusive, me acompanharam nesta audiência e também absorveram as demandas apresentadas.
Sabemos que ainda precisamos avançar muito no que é, de fato, o processo de inclusão dentro da escola... ainda temos muito a fazer e a crescer nessa área, mas o mais importante nós temos: o desejo, o amor e a vontade de fazer a diferença na vida dessas famílias.
Temos ainda o mais importante que é a disposição para aprender cada vez mais, buscar conhecimento.
Como gestor escolar, sigo me dedicando a este assunto, buscando parcerias que nos ajudem cada vez mais a ser uma instituição mais inclusiva.
Se nos perguntassem, se estamos preparados hoje para a Educação Inclusiva dentro das limitações ainda impostas pela pandeia, eu digo que vamos vivenciar cada vez mais na prática.
Como bem diz a nossa psicóloga do Departamento da Família, Helen Gomes, o "que nos espera ainda é um tanto desconhecido e isso vale para todos os alunos. Precisamos estar preparados, mas não sabemos ao certo o que enfrentaremos. Não há uma receita pronta que nos dará o produto final que desejamos. É certo que uma coisa aprendemos nessa pandemia e não podemos mais esquecer: somos seres interdependentes, ou seja, precisamos um do outro para viver".
Mais uma vez parabenizo a todos os envolvidos nesta audiência.
Educador e empreendedor em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, sou graduado em Educação Física pela Universidade Salgado de Oliveira (Universo) e professor concursado da área no Governo do Estado do Rio de Janeiro desde 2007. Atuei como coordenador pedagógico e geral de várias escolas particulares em Campos até 2011. Fui também coordenador administrativo do Sesc Mineiro, em Grussaí, no município de São João da Barra, até 2013. Há oito anos me dedico ao Centro Educacional Riachuelo como Diretor Geral das cinco unidades, que formam hoje o Grupo Riachuelo. Sou pós-graduado em Gestão Escolar Integradora e Gestão de Pessoas pelo Instituto Brasileiro de Ensino (IBE). Atualmente também sou apresentador do programa Papo Cabeça na rádio Folha FM 98,3.