Crioulinho. Neguinho à toa. Pretinho de alma branca. Só podia ser preto. Negro macaco. Tiziu. Negão bom. Mulatinha. Mulato. Se não faz na entrada, faz na saída. Tuas negas. Serviço de preto. Ela tem uma beleza exótica. Traços finos. Amanhã é dia de branco. Denegrir. Inveja branca. Tem um pé na senzala. Criado mudo. Macumbeiro. Lápis cor de pele. Esparadrapo de preto. Inhaca. Suor de preto. Blusa de estampa étnica. Samba do crioulo doido. Cabelo pixaim. Banzo. Nega maluca. Tostado. Passou do ponto. Tinha que ser preto. Escurinho. Moreninho. Sangue diferente. Tenho até amigo preto. Preto, mas gente boa. Cabelo duro. Casa de cupim. Tem aparência de ladrão. Com esse estilo, queria o quê. Branco correndo é atleta, preto é ladrão. Neguinho prestativo. Como se fosse da família. De cor. Pigmentado. Bem passado. Deve ser preto. Negro maldito. Na escravidão era pior. Não existe racismo. Nego sujo. Beiçudo. No escuro, só aparece os dentes. Cabelo de mola. Negra, mas bonita. Coisa de preto. Vai pra África. São preguiçosos. Roupa de preto. Carro de preto. Pretinho de estimação. Não é preconceito, é costume. Racismo é mi-mi-mi.
Não, não é “sem intenção”. Não é preconceito cordial. Não é piada. Não é opinião.
É racismo.
Simplesmente, pare. Usemos o Dia da Consciência Negra para olharmos para o nosso racismo cotidiano.