Reticências Culturais 18/07
18/07/2021 | 12h12
Culture-se
Esta semana foi lançado o programa da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL) “Culture, Campos – com horizonte” (veja mais aqui). Em um evento no Trianon — que me pareceu revitalizado e pronto para voltar a receber espetáculos, quando as condições sanitárias assim permitirem —, os detalhes foram apresentados.
Culture-se (2)
O programa foi apresentado como o carro-chefe da FCJOL. A diretora executiva das Artes e Culturas, Katia Macabu, apresentou os 7 eixos com muito orgulho, depois de abertura da (emocionada) presidente Auxiliadora Freitas e da vice-presidente Fernanda Campos. A equipe toda foi chamada ao palco durante (o que atrapalhou um dos momentos altos da apresentação) a declamação do Hino de Campos, por um ator campista.
Culture-se (3)
É preciso elogiar quando a qualidade é aliada com o planejamento, e acerto de tom. O Culture (que o nome não é uma americanização, como Kátia fez questão de mencionar, é do verbo “culturar”, o que é ótimo) é um ótimo programa (senti falta de propostas efetivas para o patrimônio material — que agoniza —, mas é preciso dar mais tempo). A execução do plano é que será preciso acompanhar. Mas, a equipe mostrou-se empenhada para isso. O uso do Palácio da Cultura é um ponto sensível. A conferir.
Edson e a cultura
A volta de Edson Batista à Câmara (veja mais aqui) reacende outras esperanças para o setor cultural da cidade. Edson tem relevantes serviços prestados nessa área. Porém, o grupo político garotista deposita outras esperanças no experiente doutor. Ele precisará definir prioridades e continuar seu excelente legado cultural (veja entrevista aqui).
Edson e a cultura (2)
Dr. Edson tomou posse citando o Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho como sua joia. Para terminar de lapidá-la, será preciso esforços legislativos e políticos. Ele já mostrou ser possível. A esperança é grande nas novidades que já estão sendo construídas.
Edson e a cultura (3)
Também nesta semana, Edson Batista visitou o Arquivo. Recebido por Rafaela Machado e equipe, disse estar “em casa”. O belíssimo e bem cuidado Solar do Colégio está pronto para assumir as funções que um Arquivo pode e deve assumir. Campos precisa e merece... 
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"Estamos focados na cultura" - Entrevista com o vereador Edson Batista
15/07/2021 | 19h07
A principal motivação de uma pessoa pública deve ser — ou deveria, em uma sociedade com preceitos éticos bem desenvolvidos — a possibilidade de deixar legados. Por legado, aqui, leia-se transformação, mudanças deixadas no mundo, que passa a ser outro depois da ação daquela pessoa. As decisões, deliberações e escolhas tomadas no presente — e as consequências imaginadas no futuro — , determinam a qualidade de um legado, que deve ser sempre coletivo quando tratamos de pessoas investidas em cargos públicos.
Hoje (14), o recém-empossado vereador Edson Batista (veja mais aqui), visitou um de seus legados. O Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho, que foi criado por uma lei (7.060/2001) de sua autoria, recebeu o vereador e mostrou o serviço de excelência que realiza, com muito esforço, dada a equipe reduzida (veja mais aqui). Além do Arquivo, Edson criou, quando exerceu a presidência da Câmara de Vereadores (2013-2016), a TV Câmara Campos, a Escola Municipal do Legislativo (Emugle), O Bonde da História - Estação Câmara, o Corredor Cultural, o Centro de Documentação Audiovisual (Cedav), a Editora Câmara Campos e a Biblioteca Campistana.
Deixou um relevante legado na área cultural — inegavelmente. Não o fez sem entender que legados também se constroem sendo um potencializador de inciativas e garantidor ou facilitador de um trabalho de excelência. E no cumprimento de pactos. Hoje, no Arquivo, Edson Batista selou outro pacto para cumprir neste mandato, que chama de “último”. Na entrevista, reproduzida aqui, ele fala sobre Arquivo, papel da Câmara como agente da área cultural, e outros compromissos. Caso consiga cumpri-los — como já demonstrou ser possível —, deixará novos legados, e onde o potencial transformador é maior: na cultura.
Confira a entrevista com o Vereador Edson Batista:
Edmundo Siqueira - Dr. Edson, o senhor teve uma atuação na Câmara de vereadores marcada por ações culturais relevantes, muito elogiadas, e que permanecem até hoje. Posso citar o Arquivo Público, uma instituição de excelência, que foi criado através de uma Lei do senhor. Nessa nova legislatura, a cultura será o foco principal?
Edson Batista - Sim, estamos focados na Cultura. Temos um olhar especial pela Cultura. Deixamos alguns legados como vereador e, em especial, como presidente por duas legislaturas, em especial na área cultural. Como você citou, sou autor da Lei de criação do Arquivo Público Municipal, que foi instalado no Solar do Colégio, que foi cedido pelo estado à época governado pelo Anthony Garotinho. Como presidente da Câmara, na área cultural criamos o Corredor Histórico e Cultural com bustos e estátuas de vultos históricos de Campos, onde estudantes visitavam o espaço a aprendiam sobre a nossa história. Criamos a TV Câmara Campos e a colocamos em sinal de TV aberta. Para a TV Câmara Campos produzimos documentários sobre os vultos históricos de Campos, que foram premiados na Associação de Televisões e Rádios Legislativas (Astral). Os vultos históricos também ganharam livretos e DVDs que foram distribuídos entre os estudantes que assistiam às sessões de exibições dos vídeos no plenário da Câmara. Conseguimos a aprovação do projeto da Rádio Câmara Campos. Criamos o Parlamento Mirim, que foi premiado na Câmara dos Deputados em Brasília entre 600 Câmaras de todo o Brasil com um projeto sobre Audiovisual. Enfim, são muitos projetos na área cultural.
Edmundo Siqueira - Ainda sobre o Arquivo, é necessário para que ele cumpra seu papel plenamente - previsto na Constituição Federal e na Lei de Transparência, obrigatória, portanto, aos municípios - a desvinculação dele da condição de departamento e passe a ser uma Instituição da administração pública direta. Qual o caminho para isso?
Edson Batista - Entre as novas missões, junto com o prefeito Wladimir Garotinho, estamos pensando em transformar o Arquivo Público Municipal em uma fundação para que possa receber investimentos federal e estadual, além do municipal, para a digitalização do acervo do Arquivo Municipal, conservação do prédio e realização de cursos.
Edmundo Siqueira - O senhor também foi determinante na criação da Emugle (veja aqui). Como está esse equipamento hoje? Ele será usado para políticas públicas culturais novamente?
Edson Batista - A Escola Municipal de Gestão do Legislativo (Emugle), criada na minha administração como presidente da Câmara, foi premiada em nível nacional em 2015 pela Associação Brasileira de Escolas do Legislativo (ABEL) nas categorias melhor portal e melhor ensino à distância. Na Emugle foram realizados cursos do Arquivo Público Municipal, de Paleografia e Restauração de Documentos, com a historiadora e atual coordenadora do Arquivo, Rafaela Machado, e equipe. O atual presidente da Câmara, Fábio Ribeiro, está empenhado em reestruturar a Emugle e utilizá-la para a função a qual foi destinada, que é a qualificação de servidores municipais, inclusive na área cultural.
Edmundo Siqueira - Podemos citar o corredor cultural na Câmara, onde alguns vultos históricos são apresentados. Muitos deles vinculados a patrimônios materiais e imateriais que temos. Como a Câmara pode ajudar na preservação dos Solares e prédios históricos?
Edson Batista - Quando presidente da Câmara visitamos os solares de Campos, que precisam realmente ser preservados e restaurados. No caso específico do Solar do Colégio quando o Arquivo Municipal for transformado em fundação vai poder receber recursos para a restauração do prédio.
Edmundo Siqueira - Politicamente, como o senhor pretende construir uma ponte entre legislativo e executivo e como poderá sensibilizar o prefeito Wladimir nas questões culturais?
Edson Batista - O prefeito Wladimir visitou o Arquivo Municipal no aniversário do Arquivo e ficou muito sensibilizado com o trabalho desenvolvido pela coordenadora Rafaela Machado e equipe desde à época do museólogo Carlos Freitas. Os pais de Wladimir, Garotinho e Rosinha têm uma história no teatro de Campos, que assim como o rádio foi importante para a primeira eleição de Garotinho à prefeito.
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Coppam aprova novamente obra no entrono do Mercado Municipal
14/07/2021 | 18h07
O Mercado Municipal de Campos — uma edificação de 1920 com arquitetura inspirada no conceito do Mercado de Nice, na capital da Riviera Francesa — foi tombado pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de Campos (Coppam). O mesmo órgão, porém, autorizou em 2014 que as obras propostas para seu entrono fossem iniciadas, que na prática o descaracteriza, uma vez que mantém sua fachada e lateral encobertas. Com a aprovação do Coppam as obras iniciaram, mas não foram concluídas. O que mudou com a decisão recente do desembargador Agostinho Teixeira, da 13º Câmara Cível, autorizando o reinício, condicionado apenas a laudo do Corpo de Bombeiros (veja aqui e aqui).
Com a retomada das obras, a polêmica (veja aqui  matéria de capa do FolhaDois, da Folha da Manhã) reacendeu e o Coppam foi instado a rever seu posicionamento, o que aconteceu ontem (13), em reunião do órgão. No entanto, prevaleceu a decisão anterior, autorizando novamente a intervenção no prédio tombado (quando um prédio histórico é tombado, seu entorno também fica, em tese, protegido). Por 5 votos a 2, o Coppam decidiu, novamente, que pela aprovação obra no entorno do Mercado Municipal.
Nove conselheiros estavam presentes na reunião virtual do órgão, onde houveram duas abstenções. Votaram contra: a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e o Instituto Histórico e Geográfico de Campos dos Goytacazes (IHGCG). E a Associação de Comerciantes e Amigos da Rua João Pessoa e Adjacências (Carjopa) votou a favor, como também votaram quatro representantes do Governo Municipal. Abstiveram-se, a Associação Norte Fluminense de Engenheiros e Arquitetos (Anfea) e o Instituto Superior de Ensino do Censa (Isecensa). Segundo fonte presente na reunião, ainda cabe recurso no âmbito do Conselho, internamente, e caso existam novas decisões judiciais.
Os tombamentos e a proteção do Patrimônio Histórico
O caso do Mercado Municipal de Campos dos Goytacazes é apenas mais um exemplo em uma cidade que despreza a sua riqueza histórica e cultural. Apesar de encoberto (que assim se manterá com o retorno das obras), a construção histórica — essencial para compreensão da formação de Campos —, resiste. E mantém, apesar dos ataques e obras indevidas (veja aqui tentativas de entidades de "salvar" o mercado), a sua relevância especial, imponência e centralidade. Desde que o Shopping Popular Michel Haddad foi removido do entorno do Mercado Municipal para que ocorressem “reformas”, a Prefeitura vem insistindo em executar uma obra que, na prática, encobrirá o prédio histórico, um dos Mercados mais belos e antigos do Brasil, inaugurado em 1921. O esf
Foto: Ralph Braz
Foto: Ralph Braz
orço de escondê-lo retira do campista o orgulho de pertencê-lo — ou pelo menos a sua possibilidade. Além do não aproveitamento para fins turísticos. A questão também envolvem os comerciantes do entorno, mas é preciso encontrar soluções, não amputações.
Conselheiro do Coppam, presente na reunião representando a CDL, Edvar Chagas Junior, falou em “descaso com o Patrimônio Histórico” e que não tinha “esperança” de reverter a situação no Conselho. 
— Não arquitetei a esperança de parar a obra do camelódromo. Buscávamos uma revogação da deliberação anterior, de dezembro de 2014. Mas seria um ato simbólico, que tiraria essa nódoa histórica do Coppam e abriria caminhos para o Conselho e sociedade discutir com a Prefeitura, uma solução planejada para o espaço, que seria o mais desejável para essa situação — relata Edvar.
O arquiteto e urbanista Renato Siqueira se mostrou perplexo e disse que o Conselho deveria cumprir o ordenamento municipal, e que a reunião de ontem não teve "qualquer divulgação".
— Pelo visto a atual composição do Coppam repetiu o mesmo equívoco de 2014, quando apresentou uma votação que a legislação não prevê para o caso. Na ocasião, em 2014, eu estava presente na reunião previamente divulgada e mantinha a expectativa de cumprimento da Lei 8487/2013 (confira a lei aqui). Agora, sem qualquer divulgação de reunião para tratar do assunto, o Coppam apresenta uma proposta de votação, quando deveria cumprir ou não a legislação de proteção ao bem histórico, em especial o artigo 30 da Lei 8487/2013.
Ainda na visão de Renato, o Coppam descumpriu a Lei Municipal 8.487 de 2013, podendo levar, de acordo com o arquiteto, ao entendimento de crime de prevaricação, que é quando funcionário público age para "retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei" (art. 319, Código Penal). 
—  Conforme se vê, também a Secretaria de Obras se omite e pode cometer, solidário ao Coppam, crime de prevaricação. Há vários outros artigos na Lei 8487/2013 quanto a responsabilidade do Conselho.  A oferta de qualquer votação deveria ser negada pelo imperativo dos termos da lei, o resto é mera cortina de fumaça para tentar encobrir o atentado que se faz ao Mercado Municipal no ano de seu centenário, que acontecerá no mês de setembro de 2021. O Coppam, bem como qualquer outra secretaria municipal, não pode votar o que terminantemente figura no texto da lei 8487/2013 como proibido. A votação está prejudicada por vício de origem. o COPPAM tem se notabilizado por um órgão excessivamente burocrático e sem atender à expectativa institucional que se espera dele.
O artigo 30 da lei municipal citada, diz que "O COPPAM poderá determinar, com o apoio da Secretaria Municipal de Obras, Urbanismo e Infraestrutura, a imediata remoção de qualquer objeto, móvel ou imóvel, cuja instalação ou localização, ainda que em caráter provisório, venha prejudicar a visibilidade ou qualidade ambiental do um bem imóvel tutelado, protegido/preservado e/ou tombado".
 
 
 
 
 
 
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Reticências Culturais 11/07
11/07/2021 | 14h17
*Uma coluna de Opinião sobre a Cultura Goytacá*
O Mercado resistirá?
O Mercado Municipal faz 100 anos daqui a pouco, dia 15 de setembro de 2021. Embora devesse ser um motivo de orgulho para nós, campistas, a maioria sequer sabe de sua beleza e importância histórica. A belíssima "torre do relógio" de lá é tão desconhecida quanto José Candido de Carvalho por aqui. Embora não seja culpa dos munícipes somente, já que ela está encoberta mesmo, o que apesar de muita luta, assim deverá permanecer.
O Mercado resistirá? (2)
Conversando esses dias com uma pessoa que concorreu à Prefeitura de Campos nas últimas eleições, ela me disse que nunca "tinha reparado" na torre do relógio. Imagine um campista "comum". Campos não valoriza sua história e deixará o Mercado abandonado.
O Mercado resistirá? (3)
A sociedade civil organizada está tentando impedir a descaracterização por várias vias — judiciário, Coppam e diretamente no governo. O arquiteto Renato Siqueira é um dos mais ativos nessa luta. Mas parece que a Prefeitura vencerá a batalha. Propostas existem, talvez falte diálogo. O Mercado seria um ponto turístico fantástico e muito mais útil ao município se soluções fossem ouvidas e os lojistas e permissionários recebessem um lugar mais adequado para eles mesmos e para o patrimônio campista.
A praça de Kapi
Existe uma máxima em Campos, criada por um jornalista amigo, que diz que a cultura não elege ninguém por aqui, mas retira muitos votos. Quando o prefeito Wladimir decidiu transformar um espaço que nasceu para a cultura, em uma "Praça da Bíblia", houve protesto. E dessa vez a cultura ganhou algumas batalhas, mas não a guerra.
Um Comcultura de luta
O Conselho de Cultura de Campos (Comcultura) entrou na briga pelo anfiteatro de Kapi e já realizou duas reuniões sobre o assunto. Uma Carta está sendo elaborada e será entregue ao poder público. Uma Comissão também foi formada para acompanhar o caso nos palcos que ele for discutido. Marcelo Sampaio, que já foi presidente do Comcultura, faz parte dela junto com Cristina Lima, ex-presidente da FCJOL. Tem tudo para dar certo.
Um Comcultura de luta (2)
Vale o registro da atuação democrática de Auxiliadora Freitas, atual presidente da FCJOL, principalmente no início da reunião. E de Kátia Macabu, diretora na Fundação, que fez uma defesa apaixonada e bem fundamentada da cultura, na ocasião.
O Arquivo está com tudo e não está prosa
Em sua posse, o experiente vereador Edson Batista — que volta à Câmara depois que Juninho Virgílio foi para a SEGOV — citou o Arquivo Público Municipal como prioridade do seu mandato. A Lei que criou a Instituição é de Edson, e ele volta querendo terminar (faltam ainda alguns pontos para funcionar na plenitude) sua obra com louvor.
O Arquivo está com tudo e não está prosa (2)
Dr. Edson teve uma atuação muito elogiada na cultura campista. Criou a Emugle, achou o testamento de Benta Pereira, que estava perdido em cofres na Câmara, fez um corredor cultural, "salvou" o Monitor Campista e ainda criou o Arquivo, que hoje é o quinto melhor do país nas mãos da (muito) competente e inteligente Rafaela Machado.
Museu reaberto ao respeitável público
Essa semana foi marcada também pela reabertura do Museu Histórico ao público. Estive presente na solenidade de reinauguração — que foi restrita por causa da pandemia— e pude ver um Museu muito bem cuidado, o que restou do acervo do Museu Olavo Cardoso caprichosamente exposto e um Solar, que abriga a Instituição, recuperando sua majestade. Muito trabalho ainda por lá, mas Graziela Escocard merece reconhecimento e palmas pela dedicação e paixão pelo espaço.
A semana que se inicia
Na próxima semana, a cultura acompanhará o desenrolar da Carta do Comcultura e poderá comemorar a manutenção da memória do saudoso diretor teatral Antônio roberto de Góes Cavalcanti, o Kapi. No Mercado, a luta e a esperança devem continuar. No impresso da Folha da Manhã que está nas bancas, eu e o competente Matheus Berriel assinamos uma matéria sobre o prédio e seu entorno, inclusive com a posição do Ministério Público, nas palavras da promotora Maristela Naurath sobre um possível TAC por lá. A conferir.
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A praça, a cultura, o poder e a religião em Campos
10/07/2021 | 10h01
Parque Alberto Sampaio na contemporaneidade, relações de poder, abandono e potencial cultural
Parque Alberto Sampaio na contemporaneidade, relações de poder, abandono e potencial cultural / João Pimentel
Um largo, um terreiro ou um rossio — hoje o que chamamos de “praça” — sempre foi um espaço de interação. Mesmo quando ainda era chamada assim — de rossio, um terreno roçado — a praça cumpria o papel de convivência entre os diferentes; onde a diversidade convivia em relativa harmonia. Nos espaços públicos de uma cidade a população pode manifestar sua territorialidade e ocupar física e socialmente. Neles, os fiéis podem demonstrar sua fé, os poderosos, seu poder, e os pobres, sua pobreza. Expostas, estão, as potencialidades e as mazelas.
Em Campos, não se pode falar em praça pública (como toda praça é de fato) sem que sejamos apresentados à imagem mental da Praça do Santíssimo Salvador, localizada no coração da cidade, à margem do Rio Paraíba do Sul, de “mágica torrente" — apesar de haverem outras tantas praças e logradouros de importância vital para a formação da cidade (uma em especial, que ainda trataremos aqui). Na Campos colonial, a Praça São Salvador, como foi chamada desde 1867, cumpria esse papel emancipador, sendo um espaço polivalente e palco de muitas manifestações dos costumes e hábitos dos primeiros campistas que se reconheceram organizados como uma cidade.
Praça do Santíssimo Salvador, esquina da Rua 21 de Abril
Praça do Santíssimo Salvador, esquina da Rua 21 de Abril / Amicampos
Conforme crescia a importância do território para o Império, “a” Praça da Vila de São Salvador — passa a ser Campos, recebendo o status de ‘cidade’ em 1835, apesar de ser uma de fato muito antes disso — também era cada vez mais proeminente. Os edifícios que foram erguidos fronteiriços a ela, públicos e residenciais, davam ainda mais centralidade aquele espaço público, como polo da vida social e também eixo de crescimento urbano. Ao seu redor, estavam a Igreja Mãe dos Homens, a Santa Casa de Misericórdia, alguns solares residenciais, a Casa de Câmara e Cadeia e o Pelourinho. Exercendo sua função na plenitude, concedida pelo seu próprio contexto histórico, a Praça do Santíssimo Salvador era o lugar de articulação entre os diversos estratos da sociedade.
A cultura e a cidade
A cidade é algo mais do que um “amontoado de homens individuais e de conveniências sociais, ruas, edifícios, luz elétrica, linhas de bonde e telefones”. Para definirmos uma cidade é preciso entender seu modo, sua cultura, seus costumes, tradições e suas determinações históricas e também contemporâneas. A cidade é produto de sua realidade material e, principalmente, do que as pessoas que nela vivem querem fazer dela, que ultrapassa — em muito — a frieza de um simples amontoado de instituições administrativas, de tribunais, hospitais, escolas, polícia e funcionários públicos.
Em outras palavras, a cidade não é meramente um mecanismo e uma construção artificial. Ela é fruto de sua cultura, história e memória. Daí a importância vital da educação patrimonial ou de definirmos a data de nascimento da urbe, de uma Vila, pois remonta ao real início desses processos. Ora, se estamos com o entendimento da cidade como organismo vivo, o que faríamos, enquanto indivíduos, caso fosse apagada nossa memória? Saberíamos quem somos? Saberíamos para onde ir?
A praça e a Igreja: comemorações 368ª Festa do Santíssimo Salvador - Diocese de Campos
A praça e a Igreja: comemorações 368ª Festa do Santíssimo Salvador - Diocese de Campos
A religião e o poder
Não é uma exclusividade de Campos dos Goytacazes o fato de que muitas praças públicas terem surgido como adro (espaço livre à frente do edifício) de uma Igreja. A Praça São Salvador é um fiel exemplo disto, onde a igreja que hoje conhecemos como Catedral, antiga Igreja Matriz, figura como motivo primeiro de existência da praça. Segundo relatos de Júlio Feydit (intelectual, político e industrial campista), havia uma primeira igreja, mas que se encontrava deteriorada, e decidiu-se por reconstruí-la, onde “o povo julgou mais acertado mudar ou fazer a nova matriz em lugar mais alto”. Assim foi construída, em 1745, a Catedral, onde está hoje.
Campos crescia vertiginosamente naquele século, e a ocupação de seus espaços urbanos tomavam diferentes rumos, mudavam de nome e de finalidade. Com o fim da escravidão e industrialização crescente pelo beneficamente da cana-de–açúcar, a cidade foi sendo levada à modernidade. Os “tempos modernos” transformara também as relações sociais. Uma nova burguesia urbana composta por profissionais liberais, intelectuais, comerciantes, investidores e servidores públicos, sufocava a então poderosa elite aristocrática, muito ligada ao poder da Igreja Católica e de grandes proprietários rurais.
Amicampos
A cidade fazia escolhas para uma nova formulação urbana, por definições estéticas, por necessidades e por desejos de grandeza. As reconfigurações do espaço público foram muitas. Desrespeito ao patrimônio material, sendo igualmente numeroso, acontecia em nome de uma modernidade trazida de fora, alienante.
A despeito da pouca compreensão preservacionista, a Praça continuava um ponto de centralidade, abrigando em seu entorno animados cafés onde a tradicional — e a nova — burguesia se encontrava. Tal como em suas xícaras servidas aos clientes, a efervescência do Café High-Life também estava nos negócios. Por ali, circulavam usineiros, industriais, fazendeiros e os mais diversos tipos de negociantes. As conversas fluíam da cotação do açúcar até as disputas políticas — locais e nacionais (campistas estiveram nos mais altos cargos da República). Tudo perceptível e quase palpável em um simples passeio pela Praça e seus adendos.
A vida acontecia nas tardes na Confeitaria Americana, idas ao Teatro Orion, Lyra de Apollo e Biblioteca Municipal e nos pontos de bonde. A centralidade da Praça São Salvador era ainda reforçada por instituições como Associação Comercial, Repartição dos Telégrafos, Câmara Municipal e Banco do Brasil.
A contemporaneidade: ainda discutimos uma praça
Praças e ruas são elementos fundamentais do espaço público, e os usos que lhes são atribuídos interferem diretamente no que chamamos atualmente de “planejamento urbano” e de “ocupação do solo”. Sim, ainda são espaços de poder — religioso e político. Em Campos, alguns ordenamentos já consolidados impõem os limites e determinam condições para que a “ocupação” aconteça de forma ordenada. O Plano Diretor e a Lei Orgânica Municipal são construções legislativas essenciais para essa compreensão. Em relação ao patrimônio histórico, a Lei 8487 de 2013 cria um Conselho (Coppam) com poderes para protegê-lo.
Com idades distantes por mais de um século, a Praça São Salvador e o Parque Alberto Sampaio tem em comum o fato de serem, por muitas vezes, objetos de intervenções do poder público.
Jardim de Alah, quando o verde ainda predominava
Jardim de Alah, quando o verde ainda predominava / Campos em Fotos
A Praça foi alterada em 1893, em 1940 (quando recebeu pavimentação com pedras portuguesas, retirando dois enormes tabuleiros gramados, considerados “deselegantes e impróprios”), em 1980 (com árvores, bancos de madeira e um calçadão em mosaico português) e nos anos 2000 quando foi enfim descaracterizada por completo. Buscando-se “ares de Praça de São Marcos em Veneza e a pirâmide de vidro como a do Louvre”, conseguiu-se, na verdade, diminuir consideravelmente sua área verde e a transformá-la em um forno de mármore escorregadio.
O Parque, construído em 1988, homenageia Alberto Sampaio, campista referência mundial em botânica, além de médico homeopata, geógrafo e sociólogo, morto em 1946. O local, antes conhecido como Jardim de Alah, era muito arborizado e repleto de simbolismos. Recebeu do poder público abandono por mais de 20 anos, além de um camelódromo improvisado, um estacionamento e um viaduto. Em tentativa de intervenção mais recente, propôs-se que o lugar passasse a ser chamado de “Praça da Bíblia”, como um dos acordos para cessão do espaço público a uma associação de evangélicos.
Para reforçar o atabalhoamento da proposta de intervenção, Alberto Sampaio divide as ali homenagens com o saudoso diretor teatral Antônio Roberto de Góes Cavalcanti, o Kapi, que dá nome a um anfiteatro incrustado no Parque. O espaço público impôs, então, sua história e seu caráter “vivo” — embora ainda possa perder a batalha para o poder e a religião.
Campos é uma cidade histórica; e como a maioria assim considerada visualiza na área central sua origem, exposta em edificações e compreendida pelas vivências sociais. A ocupação de praças sempre teve relação com o poder, mesmo quando ainda eram chamadas de Ágoras, na Grécia Antiga, onde os assuntos da pólis eram discutidos. No Brasil, Estado e Religião são separados desde 1890. A laicidade é uma garantia constitucional. Uma praça é um espaço de cultura, poder e religião. Mas, acima tudo de cidadania. De todos, portanto.
Panfelto original da peça
Panfelto original da peça "Arena conta Zumbi", com direção de Kapi, inaugurava o anfiteatro do Parque Alberto Sampaio
 
 
 
 
 
 
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Eleições na UFF Campos: Chapa 2 vence com 42% dos votos
09/07/2021 | 13h21
A apuração das eleições na UFF Campos — para direção da Universidade no próximo quadriênio (2021-2025) — foi finalizada agora há pouco, e proclamou a Chapa 2 como vencedora. De acordo com a Comissão Eleitoral  "a Chapa 2, composta pela Profª. Ana Maria Almeida (Diretora) e pelo Prof. Rodrigo de Araújo (Vice-Diretor), foi eleita com 42,70 pontos, tendo por base aplicação da fórmula estabelecida pelo Regulamento Geral das Consultas Eleitorais da UFF (art. 52, § 4º)".
A comissão informa ainda que "a Chapa 1 obteve o total de 29,16 pontos, e a Chapa 3 obteve o total de 13,19 pontos". Os professores Claudio Henrique Reis e Valter Martins, que concorriam pela Chapa 1, tiveram 232 votos. O atual diretor, Roberto Rosendo, que concorria a reeleição, recebeu 59 votos. 
O resultado completo será publicado na página oficial da UFF Campos (acesse aqui). O colégio eleitoral na Universidade é composto por 42 técnicos administrativos, 140 docentes e 2469 alunos, entre graduação e pós. A Comissão Eleitoral fará uma transmissão às 17 hrs de hoje (9), no canal do Youtube da STI UFF Campos para divulgação dos resultados.
A Universidade Federal Fluminense está presente na região desde 1962, com a criação do Curso de Serviço Social. Atualmente conta com os cursos de Serviço Social, Ciências Sociais, Ciências Econômicas, História, Psicologia e Geografia. A UFF em Campos é formalmente estabelecida como Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional – ESR. Em um necessário projeto de expansão, foi prometido à Universidade um novo campus em 2012, para ser construído na avenida XV de Novembro, região central de Campos. O novo espaço traria 36 salas de aula, 28 gabinetes de professores, onze laboratórios, uma biblioteca, um auditório, diretórios acadêmicos e administração. Porém, as obras foram abandonadas, situação que permaneceu até o mês passado (confira aqui), quando foram retomadas para conclusão dos dois prédios do novo campus da UFF, em Campos. Ainda não há previsão de sua conclusão.
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Nova reunião do Comcultura apresenta Carta e define comissão
07/07/2021 | 10h09
Realizada ontem (6), a reunião ordinária do Conselho Municipal de Cultura de Campos (Comcultura) deu continuidade aos assuntos tratados na extraordinária da última sexta-feira (2), que deliberou sobre a proposta do prefeito Wladimir Garotinho (PSD) de entregar a administração do Parque Alberto Sampaio à Associação dos Evangélicos de Campos (AEC), passando a chamá-la de “Praça da Bíblia”.
O Parque abriga um anfiteatro que foi batizado, desde 2017, com o nome do diretor teatral, poeta e carnavalesco Antônio Roberto de Góes Cavalcanti, o Kapi (veja aqui), morto em 2015, o que levou a muitas manifestações da classe artística e cultural do município (veja aqui), e motivou a reunião extraordinária do Comcultura, onde foi definida a criação de comissão para acompanhamento das discussões, a confecção de uma Carta Aberta pelos conselheiros, a realização de um “abraço” com artistas e agentes culturais contornando o anfiteatro, e outras manifestações de apoio à memória de Kapi (veja aqui).
Na reunião de ontem, a comissão foi formada e ficou responsável pela intermediação com o Executivo, o Legislativo e a AEC. Nela estão Marcelo Sampaio, Cristina Lima e Fabrício Simões, representando a sociedade civil, e Fernanda Campos, Gilberto Totinho e Sandro Silva, representando o poder público. Além da comissão, a Carta foi apresentada aos conselheiros e público ouvinte, onde sofreu intervenções. Entre elas, a do arquiteto Renato Siqueira, membro do Observatório Social de Campos, que ressaltou o papel do Parque Alberto Sampaio como equipamento urbano "também propicia manifestações culturais", mas  que caracteriza ainda "um dispositivo de qualificação ambiental, além de espaço às atividades esportivas e contemplativas com as suas instalações e dispositivos". Uma nova carta está sendo confeccionada (o blog pediu acesso ao seu conteúdo e será publicado aqui, assim que tivermos conhecimento).
Foi deliberada ainda a realização de uma homenagem ao artista plástico João de Oliveira, morto este ano (veja aqui), na reabertura do Palácio da Cultura, fechado desde 2013 (veja aqui). Sobre o Palácio, foi solicitado que a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Auxiliadora Freitas, dê informações sobre a previsão de conclusão dos trabalhos para reabrir.
A Carta apresentada na reunião
Na reunião foi apresentada a primeira versão da Carta que será encaminhada ao poder executivo. Abaixo, uma reprodução do documento:
"O Comcultura (...) busca abrir diálogo com o Programa Amigos da Cidade. Objetivamos abordar tanto especificamente a parceria que tem por objeto o Parque Alberto Sampaio, quanto possíveis desdobramentos futuros em relação às praças da cidade que poderão ser objeto de parcerias no âmbito do mesmo programa. O Comcultura faz este movimento de diálogo com base nos preceitos democráticos entendendo seu papel na gestão pública e na sociedade (...).
Em 28 de junho de 2021, a cidade tomou conhecimento por meio da imprensa e dos canais oficiais da prefeitura de que, no âmbito do Programa Amigos da Cidade, foi assinado Termo de Compromisso entre a Prefeitura de Campos e a Associação Evangélica de Campos "que estabelece  um convênio para recuperação, uso e manutenção da arena do Parque Alberto Sampaio". A notícia causou apreensão em parte da sociedade campista em relação a pelo menos dois pontos apresentado na notícia: 1. a substituição do nome do anfiteatro do Parque, que de Antônio Roberto de Góes Cavalcanti Kapi passaria a chamar Praça da Bíblia; 2. Se os novos usos que serão dados à arena pela Associação afetaria a pluralidade de crenças e expressões naquele espaço". 
"Imediatamente foi convocada reunião extraordinária do Comcultura para debater o tema (...), já havia sido anunciado que o anfiteatro não teria o nome alterado, porém as preocupações com relação aos os usos dados ao Parque permaneciam. A preocupação central deste Conselho  é garantir que todas as formas de expressão cultural sejam viabilizadas nos espaços públicos da cidade, e que não sofram impedimentos de ordem religiosa ou ideológica. Assim, buscamos o diálogo para garantir que as diversas manifestações continuem tendo acesso ao Parque Alberto Sampaio, e não apenas aquelas ligadas diretamente a denominações cristãs. 
(...)
"Em vista do que foi exposto, o Comcultura propõe para o diálogo os seguintes pontos:
1. Solicita que a gestão do anfiteatro Kapi, localizado no Parque Alberto Sampaio, passe à responsabilidade da FCJOL. Uma vez que é um importante equipamento cultural da cidade, será um feito relevante da gestão pública oferecer a ele instrumentos de gestão que no recupere do abandono de décadas.
2. Solicita agenda com a Secretaria responsável pelo Programa Amigos da Cidade (...). 
3. Solicita que os planejamentos realizados para manutenção e uso das praças da cidade incluam representação da FCJOL/Comcultura (...).
(...)".
Nota: esclarecemos que esta é a primeira versão da Carta, apresentada na reunião. Algumas alterações foram sugeridas e nova Carta está sendo confeccionada. O blog pediu acesso ao documento, porém não o obteve, sendo feito uma reprodução do que foi apresentado inicialmente na reunião do Comcultura.
 
 
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Eleições na UFF Campos começam hoje - três chapas concorrem
06/07/2021 | 19h18
Um dos maiores “trunfos” de Campos é ter em seu território Instituições de Ensino Superior de qualidade reconhecida nacionalmente — tanto públicas quanto privadas. Para as retomadas econômicas e sociais do município, muitos especialistas avaliam que elas só serão possíveis com a ajuda do polo universitário (veja aqui). Há cerca de um ano, a Folha da Manhã publicou 11 painéis (acesse aqui) sobre a crise econômica e suas saídas, ouvindo diversos membros da sociedade civil organizada campista. Como um dos pontos pacíficos, o tripé universidades, governo e empresas  foi tido como o alicerce mais viável ao desenvolvimento.
A UFF Campos carrega consigo essa responsabilidade — divida com outras instituições públicas de ensino superior em Campos —, atribuída pela qualidade de seus docentes, de suas produções acadêmicas e dos profissionais que formou na cidade. Para dirigir a Instituição nos próximos quatro anos (2021-2025), iniciou-se hoje (6) um processo eleitoral interno, onde professores, técnicos administrativos e alunos escolherão entre três chapas concorrentes (veja aqui). Segundo Elis Miranda, presidente da Comissão Eleitoral, a UFF Campos possui um colégio eleitoral composto por 42 técnicos administrativos, 140 docentes e 2469 alunos, entre graduação e pós. Na equivalência dos votos, os docentes possuem 70%, restando 20% para os técnicos e 10% para os discentes. As eleições terminam na próxima quinta-feira (8), com previsão de fim da apuração e divulgação do resultado na sexta (9).
Concorrem pela Chapa 1 os professores Claudio Henrique Reis e Valter Martins, Ana Maria Almeida e Rodrigo de Araújo Monteiro pela Chapa 2, Roberto Rosendo (atual diretor, concorrendo à reeleição) e Rita de Cassia pela Chapa 3. Os candidatos disputam os votos para Direção e Vice Direção. 
Novo campus da UFF na XV de Novembro - obras foram retomadas em junho
Novo campus da UFF na XV de Novembro - obras foram retomadas em junho
A Universidade Federal Fluminense está presente na região desde 1962, com a criação do Curso de Serviço Social. Atualmente conta com os cursos de Serviço Social, Ciências Sociais, Ciências Econômicas, História, Psicologia e Geografia. A UFF em Campos é formalmente estabelecida como Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional – ESR. Em um necessário projeto de expansão,  foi prometido à Universidade um novo campus em 2012, para ser construído na avenida XV de Novembro, região central de Campos. O novo espaço traria 36 salas de aula, 28 gabinetes de professores, onze laboratórios, uma biblioteca, um auditório, diretórios acadêmicos e administração. Porém, as obras foram abandonadas, situação que permaneceu até o mês passado (confira aqui), quando foram retomadas para conclusão dos dois prédios do novo campus da UFF, em Campos. Ainda não há previsão de sua conclusão.
 
 
 
 
 
 
 
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Parque Alberto Sampaio: a solução passa pela transparência
05/07/2021 | 22h12
Parque Alberto Sampaio (Foto: Luiz Macapá/Supcom)
Parque Alberto Sampaio (Foto: Luiz Macapá/Supcom)
Toda celeuma que envolve o Parque Alberto Sampaio não pode ser atribuída somente ao governo atual. O espaço está abandonado há pelo menos 20 anos. Em sua inauguração, em 1988, “Arena conta Zumbi” era encenada no anfiteatro do Parque. O saudoso diretor teatral Antônio Roberto de Góes Cavalcanti, o Kapi, assinava a peça e veio a batizar aquele palco, em 2017 (por força de lei), dois anos após a sua morte. Levando a crer que aquele espaço público era destinado à cultura e às artes. Mas, a crença não resistiu ao tempo, às crises financeiras e a falta de políticas públicas, levando embora o “respeitável público” do Parque.
A possível responsabilização do governo atual sobre a polêmica recai sobre a insensibilidade de renomear um espaço batizado por um nome tão relevante à cena cultural contemporânea em Campos. E ainda forçar — numa emenda que saiu pior que o soneto — uma convivência pacífica entre dogmas religiosos e a liberdade artístico-criativa. Além da insensibilidade, faltou transparência. Os termos do acordo com a Associação Evangélica de Campos (AEC) não foram apresentados, as contrapartidas não ficaram claras e a liberdade de culto e a laicidade do Estado parecem não terem sido respeitadas.
O acordo, em tese, é amparado pelo programa municipal “Amigo da Cidade”, regulamentado pelo Decreto 038/2021, que prevê “o recebimento de doações de bens móveis e serviços, de pessoas físicas ou jurídicas de direito privado pelos órgãos e entidades da administração pública municipal”. O mesmo decreto exige, em seu artigo 7º, que “o órgão público municipal interessado realizará o chamamento público”. Não faltaria esse detalhe na cessão de um Parque localizado na área central da cidade (ou mesmo em outro local)?
Em um município que vive crises financeiras recorrentes — das quais também não se pode responsabilizar somente o governo atual — buscar parcerias para revitalizar espaços públicos abandonados é essencial e bem vindo. Associações religiosas podem receber a cessão de espaços públicos, desde que não impeçam a livre manifestação de culto, que é uma garantia constitucional. O que é esperado do poder público — onde se inclui a Câmara de Vereadores — é a transparência em suas ações e a possiblidade de diálogo, das diversas correntes sociais. É o que esperam as igrejas e a cultura — e Kapi.
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Reunião do Comcultura aprova Carta Aberta, "Abraço", Comissões e pede Audiência Pública
02/07/2021 | 23h33
A reunião extraordinária do Conselho Municipal de Cultura (Comcultura), finalizada às 22:10h desta sexta (02) — que teve pico de 53 participantes, entre conselheiros e ouvintes — deliberou sobre a proposta do prefeito Wladimir Garotinho (PSD) de entregar a administração do Parque Alberto Sampaio à Associação dos Evangélicos de Campos (AEC), passando a chamá-la de “Praça da Bíblia”. O espaço público abriga um anfiteatro que foi batizado, desde 2017, com o nome do diretor teatral, poeta e carnavalesco Antônio Roberto de Góes Cavalcanti, o Kapi (confira aqui), morto em 2015, o que levou a muitas manifestações da classe artística e cultural do município (confira aqui), e motivou a reunião do Comcultura.
Após a abertura e falas iniciais — unânimes em defender a memória do diretor teatral —, franqueadas aos ouvintes, iniciou-se a discussão dos pontos para aprovação dos conselheiros (veja proposta do governo aqui). Entre os mais polêmicos, foi decidido, com 18 votos favoráveis, pela criação de duas comissões para acompanhamento das discussões, uma no Legislativo e outra no Executivo municipal (para a efetivação da cessão e da renomeação do espaço público, é necessário aprovação na Câmara de Vereadores). Além das comissões, foi aprovada a confecção de uma Carta Aberta e a realização de manifestações em rede social, pelo Conselho. Na Carta deverão conter um pedido para que o governo apresente o projeto de uso e que a gestão passe a ser feita pela FCJOL e pelo Comcultura. As comissões deverão ser formadas, com eleição de seus representantes, em nova reunião do Conselho, marcada para a próxima terça-feira (6).
Foram aprovadas pelos Conselheiros, também, a realização de “manifestações de carinho” pelo anfiteatro que leva o nome de Kapi. Entre elas um “abraço”, com artistas e agentes culturais contornando o local, além de uma exposição que relembre as peças teatrais e poemas do artista, exposta no anfiteatro. A conselheira Aline Portilho, titular da Câmara de Instituições de Ensino Superior, indagou sobre a existência de “plano de ação” e do termo de cessão: “Como fica essa relação com a FCJOL, caso o espaço seja realmente cedido e mude de nome? Existe termo de cessão? Está claramente esclarecido (o uso do espaço)? Haverá audiência pública?” questionou a conselheira.
A comissão que acompanhará o assunto no Legislativo deverá solicitar a realização de Audiência Pública para discutir o assunto com mais profundidade, e auxiliar na decisão dos vereadores. A conselheira Iara Souza, suplente na Câmara de Teatro, lembrou que podem existir diversos “conflitos de interesses” no uso do espaço — pela associação de evangélicos e dos artistas. O titular da mesma Câmara, Fabrício Simões, lembrou que a Constituição Federal veda o que ele chamou de “privatização do espaço público”.
Auxiliadora Freitas, presidente do Comcultura e da FCJOL (veja mais aqui sobre sua posição), e Katia Macabu diretora executiva das Artes e Culturas, presentes na reunião, defenderam a democratização do uso dos espaços públicos, mas também a necessidade de revitalização, e alegaram que não foram consultadas pelo governo. Ressaltaram a importância de preservar a memória de Kapi e de defender os espaços culturais em Campos.
A ouvinte Nilza Gabby, professora da UENF, defendeu uma praça para todos: “A praça deve ser dos espíritas, dos agnósticos, dos holísticos, dos universalistas, dos mormons, dos ateus...A praça é de todos. Não dos evangélicos. Quem administra e conserva é a gestão pública. Quero estar apoiando o Governo, mas isso não”. Simonne Teixeira, também professora da UENF, reafirma a necessidade de audiência pública: “penso que qualquer decisão sobre a praça deve acolher as reivindicações aqui apresentadas e, neste sentido, apoio a necessidade de uma audiência pública”.
 
 
 
 
 
 
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