Polícias Militar e Civil deflagram operação em bairros de Guarus
Verônica Nascimento, Matheus Berriel e Paula Vigneron 16/10/2018 07:03 - Atualizado em 17/10/2018 15:08
No total, 40 suspeitos foram conduzidos à 146ª DP
No total, 40 suspeitos foram conduzidos à 146ª DP / Antônio Leudo
Vinte e oito pessoas foram presas na operação realizada pelas polícias Militar e Civil e batizada de Verde Oliva — em referência ao início das investigações, que se deu a partir da morte de um militar do Exército —, na manhã desta terça-feira (16). O objetivo da ação foi o cumprimento de 34 mandados de prisão temporária de suspeitos de tráfico de drogas e homicídios em Guarus e 40 de busca e apreensão. Entre os presos, está o jogador do Campos Yuri de Carvalho Silva, que foi encontrado no Parque Eldorado e detido por suspeita de tráfico. No terreno ao lado da casa do atleta, foram apreendidas quantidades ainda não contabilizadas de cocaína e maconha. Além das drogas, foram apreendidos duas pistolas, dois revólveres, uma espingarda de ar comprimido, ferramentas de limpeza de armamentos, munições, celulares, anotações do tráfico, veículos e aproximadamente R$ 17 mil em dinheiro. Na ação, também foram realizadas diligências em presídios, e um detento foi conduzido à delegacia após um celular ser encontrado em sua cela. No total, 40 suspeitos foram conduzidos à 146ª Delegacia de Polícia (Guarus), entre eles sete menores, que, posteriormente, foram transferidos para o Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Novo Degase).
De acordo com o titular da 146ª DP, Luis Maurício Armond, a investigação foi desencadeada pelo assassinato do militar da 2ª Cia do Exército, em Campos, Hugo Alvarenga, de 21 anos, no dia 24 de junho deste ano. O soldado foi confundido com um integrante da facção Amigos dos Amigos (ADA) e morto quando pilotava sua moto.
  • Operação Verde Oliva deflagrada em Guarus

    Operação Verde Oliva deflagrada em Guarus

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    Operação Verde Oliva deflagrada em Guarus

  • Operação Verde Oliva deflagrada em Guarus

    Operação Verde Oliva deflagrada em Guarus

  • Operação Verde Oliva deflagrada em Guarus

    Operação Verde Oliva deflagrada em Guarus

Quanto ao jogador, o delegado afirmou que “ele vendia drogas e transportava para guardar na casa do irmão, que também foi preso”. Um funcionário de uma empresa prestadora de serviços para a Petrobras, que atuava como armeiro e instrutor de tiros para o tráfico, também foi preso, no Parque Imperial. Este foi o único mandado cumprido em um bairro fora do subdistrito.
Os presos, segundo Armond, estariam envolvidos diretamente em todos os homicídios praticados em Guarus, na área da “Faixa de Gaza”, desde o assassinato do soldado. Ele afirmou que o pano de fundo dos homicídios é o tráfico de drogas. “Eles matam para traficar. As operações vão continuar. O foco da 146ª DP é combater os homicídios na região”, pontuou. Todos eles, de acordo com o delegado, estão ligados à facção Terceiro Comando Puro (TCP). Armond informou também que foram identificadas quatro chefias do TCP no Eldorado.
— O principal, já preso, ordenava da prisão as execuções e extorsões a candidatos políticos. Esses presos de hoje (terça-feira) estão envolvidos nos homicídios registrados desde junho nessa região.
  • Operação conjunta das polícias Civil e Militar

    Operação conjunta das polícias Civil e Militar

  • Operação conjunta das polícias Civil e Militar

    Operação conjunta das polícias Civil e Militar

  • Operação conjunta das polícias Civil e Militar

    Operação conjunta das polícias Civil e Militar

Participaram da ação agentes das delegacias de Campos e região que compõem a 6ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), do 8º Batalhão de Polícia Militar e do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, totalizando 140 policiais e 50 viaturas. Quatro cães farejadores também auxiliaram a operação, iniciada por volta das 6h.
O Gaeco está atuando no combate ao crime organizado em Guarus desde a intervenção. O promotor Sérgio Ricardo Fonseca explicou que a operação desmobilizou, por algum tempo, o tráfico na “Faixa de Gaza”, mas a preocupação imediata é com a segurança dos moradores, ante uma possível tentativa de ocupação da área, que tem a presença do TCP, pela facção rival. “A Polícia Militar já foi alertada quanto a isso e reforçará a segurança no local”, disse.
  • Diversos materiais do tráfico foram apreendidos

    Diversos materiais do tráfico foram apreendidos

  • Diversos materiais do tráfico foram apreendidos

    Diversos materiais do tráfico foram apreendidos

Do lado de fora da 146ª DP, familiares das 28 pessoas presas na operação Verde Oliva — dentre elas, seis menores e quatro mulheres — protestavam e reclamavam da conduta dos policiais no cumprimento dos mandados.
— Meu filho fez 20 anos no sábado e é trabalhador. Não é vagabundo, não. Ele estuda e trabalha. Até o patrão dele veio aqui tentar ajudar, mas não conseguiu falar com ninguém. Eles chegaram, quebraram o portão e prenderam meu filho. Tem de prender os vagabundos e não quem não tem nada a ver com tudo isso — disse a doméstica Adriana Cosmos, 58 anos, enquanto outros comentavam que pai e mãe não devem pagar se os filhos são errados e que os policiais não precisam “meter o pé| e arrebentar portas e portões das casas.
Desfalque importante para o Roxinho
Jogador do Campos detido na operação Verde Oliva por tráfico de drogas, Yuri de Carvalho Silva é um dos artilheiros do time na Série B2 do Campeonato Estadual. Ele tem sete gols na competição, empatado com o também atacante Gean Moreno, e vinha sendo importante na campanha do Roxinho pelo acesso.
Campeão do primeiro turno, o Campos está na semifinal da Série B2, a dois jogos de conquistar o acesso à B1. O primeiro confronto com o Queimados será nesta quarta-feira (17), às 15h, no estádio Nivaldo Pereira, em Nova Iguaçu. Preso, Yuri certamente desfalcará o Roxinho nas partidas decisivas.
Na tarde desta terça, o Roxinho divulgou nota oficial informando que tem prestado “apoio jurídico ao atleta e sua família para apuração e defesa dos fatos a ele imputados, bem como destaca que não compactua e repudia com veemência qualquer ato ilícito praticado”.
A nota assinada pelo presidente Márcio Reinaldo, o vice-presidente jurídico Luiz Paulo Coelho e o vice de marketing Márcio Rebel ainda acrescenta que “cabe ao Poder Judiciário apurar se houve ou não cometimento de crime imputado ao atleta e que eventuais condutas são individualizadas e a imagem do clube sofrer prejuízo manchando toda história linda e centenária que construiu”.

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