Mais um ano com chikungunya
Camilla Silva 30/12/2019 18:36 - Atualizado em 05/01/2020 09:20
Folha da Manhã
As doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti marcaram, em 2019, mais um ciclo no Brasil. Com mais de 8 mil diagnósticos de chikungunya confirmados, Campos concentrou cerca de 10% dos casos da doença no estado. Em 2018, foram cerca de 7 mil casos. Embora os dados apresentem uma redução no número de infectados a partir do mês de agosto, a necessidade de atenção para evitar a proliferação do transmissor é apontada pelas autoridades públicas, principalmente com a chegada do verão e a consequente aumento da chuvas. No estado, entre janeiro e 26 de dezembro de 2019, foram mais de 86.254 casos de chikungunya, além de 32.554 de dengue e 1.556 de zika, segundo levantamento da Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria Estadual de Saúde. Em Campos, os dados são parciais. Até o meados de novembro, 8.144 casos de chikungunya e apenas 14 de dengue foram notificados.
Luiz José de Souza
Luiz José de Souza / Folha da Manhã
— Embora os números tenham diminuído, ainda são centenas de casos o que indica que o vírus continua circulando na cidade. Além disso, nesta época de férias, muitas pessoas de fora viajam para cá e daqui para outras cidades. Com isso é possível que haja a introdução de novos sorotipos da doença, como a dengue tipo II que está forte nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Este tipo é mais virulento e chega com mais facilidade a crianças, por isso o cuidado tem que ser mantido — explicou o médico Luiz José de Souza.
Este ano as temperaturas foram mais altas e registrou chuvas acima da média, uma combinação perfeita para o mosquito. O resultado do Levantamento rápido de índices para Aedes aegypti (LIRAa) começou baixo neste ano. Em fevereiro, o índice estava em 1,2%, no entanto em maio o valor havia subido para 4,4%. Em agosto foi registrada uma queda para 2,8%, que aumentou para 3,0% em outubro. Em geral, são realizados quatro levantamentos por ano, em períodos determinados pelo Estado. As cidades são consideradas em situação de risco quando atingem a marca de 4%; em alerta, com o índice entre 1% a 3,9%; tem índices satisfatórios quando o valor é inferior a 1%.
A participação da população no combate a focos do mosquito é essencial. Um estudo realizado pela Secretária de Estado de Saúde aponta que cerca de 60% dos criadouros encontrados no Norte Fluminense, em 2019, estavam em residências ou quintais e estabelecimentos comercial, em depósitos móveis, como vasos e frascos com água, prato, garrafas, pingadeira, recipientes de degelo, entre outros. “Para esse tipo de depósito, as soluções são de responsabilidade dos ocupantes do imóvel, pois requerem ações cotidianas de inspeção dos seus ambientes, para eliminação de possíveis criadouros do mosquito”, alerta o documento.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS