Cinematógrafo: Cinema expressionista alemão
*Edgar Vianna de Andrade - Atualizado em 30/04/2019 10:05
(Por Edgar Vianna de Andrade)
Se o impressionismo do cinema francês nos deu filmes claros e luminosos, o expressionismo alemão legou-nos filmes escuros e sombrios. O impressionismo, na pintura, ocupava-se do efeito da luz sobre os objetos. Dai, pintores retratarem a mesma paisagem várias vezes, em horas distintas do dia, para registrar o efeito do sol sobre ela. Um dos maiores pintores impressionistas foi Renoir. No cinema, seu filho Jean Renoir é, talvez, o maior representante do impressionismo cinematográfico.
O expressionismo, por sua vez, busca expressar os sentimentos e as emoções do artista. Importa mais o que o coração sente do que os olhos veem. Existe uma tradição expressionista na Alemanha e na região de Flandres. Os pintores Lucas Cranach e Matthias Grünewald demonstram que, já no Renascimento, o expressionismo era marca registrada da arte no norte europeu. No início do século XX, o expressionismo constitui uma escola de pintura que distingue os países do norte europeu em relação aos do sul.
Quanto ao cinema, podemos apontar dois diretores pioneiros do expressionismo: Max Mack, com o filme “O outro”, e Paul Wegener, com “O Golem” e “O estudante de Praga”. Foi após a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914-18) que o expressionismo produziu os mais significativos filmes. Robert Wiene dirigiu “O gabinete do Dr. Caligari” (1920), ainda hoje um filme enigmático e atual. Os cenários são pintados no chão e nas paredes, criando efeitos inusitados.
Três diretores, porém, foram responsáveispelo prestígio da escola: F. W. Murnau, Fritz Lang e Georg Wilhelm Pabst. Murnau tornou-se célebre com “Nosferatu” (1922), primeira versão longa de “Drácula”, de Bram Stoker, e com “A última gargalhada” (1924). Ao aceitar convite para trabalhar nos Estados Unidos, seus filmes vão se tornando claros e palatáveis ao gosto médio do público. “O pão nosso de cada dia” (1930) parece ter soterrado sua vinculação com o expressionismo.
Tal mudança não ocorreu com Fritz Lang, diretor do icônico filme “Metropolis” (1927). Seu tema é a luta de classes situada no futuro. Lang combina utopia com distopia. Os ricos vivem na superfície, num mundo caracterizado por tecnologia futurista em que reina a felicidade. No subterrâneo, vivem os operários pobres que trabalham em regime análogo à escravidão para que o mundo superior funcione. Os planos tiram o fôlego do espectador. Entendo que Lang marca o cinema ainda hoje. Nos Estados Unidos, ele não perdeu suas características expressionistas e amargas. O filme noir foi nitidamente influenciado pelo expressionismo.
Pabst permaneceu na Alemanha, dirigindo filmes extraordinários, como “Rua das lágrimas” (1925), com Greta Garbo, abordando a prostituição, tema polêmico para a época. Dirigiu também a bela atriz norte americana Louise Brooks em “A caixa de Pandora” (1929) e “Diário de uma garota perdida” (1929).Este um filme que gerou escândalo por mostrar a vida libertina de uma jovem.
Ainda hoje, os recursos do expressionismo são usados para criar atmosferas angustiadas e angustiantes.

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