Mesmo que falte um ano e meio até o primeiro turno das eleições de 2024, o assunto movimenta cada vez mais os debates não só entre os postulantes à Prefeitura e Câmara de Campos, mas também quem acompanha os números já revelados em pesquisas, como a última do Instituto GPP, divulgada com exclusividade pela Folha da Manhã no sábado passado (18). Se os números a prefeito movimentaram a última semana, a que entra promete ser também de análise dos dados revelados à disputa do Legislativo campista, como mostra reportagem na página 3 desta edição.
Entre os 600 eleitores ouvidos no município pelo GPP, de 10 a 12 de março, chama a atenção o número dos que não souberam ou quiseram apontar seus candidatos. Para prefeito, o número alcançou 46%, enquanto para vereador bateu quase 74% na espontânea. O cenário ainda aberto traz esperança para aqueles que sonham ocupar um cargo eletivo. Se para o Legislativo o mais citado, o vereador governista Bruno Pezão (PL), alcançou apenas 2,2% das intenções de voto, para o Executivo, no mesmo método, Wladimir Garotinho (sem partido) lidera com 38,6%. No entanto, é na estimulada que o prefeito se destaca ainda mais com 50,4% das intenções de voto.
Nesta semana, o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, recebeu alguns convidados que avaliaram os números da GPP em relação a Wladimir. Na terça-feira (21), o vereador Helinho Nahim apostou na vitória do prefeito “com reais chances de se reeleger, inclusive, no primeiro turno”, considerando o atual cenário, favorecido por alguns méritos do próprio prefeito, principalmente pelo fato de saber articular e pedir, e também pelo forte investimento do Governo do Estado no município, inclusive com o suporte dado pelo presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, além da maior arrecadação de recursos provenientes da produção de petróleo.
O cenário descrito é o que, para Helinho e outros entrevistados, reflete também a avaliação favorável do governo Wladimir, que teve na pesquisa sua gestão considerada ótima (21,7%) ou boa (33,8%) por 55,5% dos campistas, enquanto 34,8% a consideram regular e outros 8,8%, ruim (3,3%) ou péssima (5,5%), com 0,9% que não souberam ou não responderam. Com a perspectiva de mais investimentos do Governo do Estado em infraestrutura e saúde no município até 2024, somados com o que já foi destinado desde 2021, o montante repassado pode chegar a R$ 2 bilhões, o que dificilmente colocará a gestão do prefeito em xeque, exceto com um inesperado tropeço.
Surfar na boa avaliação do governo pode garantir para 2024 mais chance de se manter na Câmara ou chegar até ela. Não por acaso, os mais citados na pesquisa GPP ao Legislativo estão na base do governo ou ligados a Wladimir. Até mesmo quem se diz independente, como é o caso de Helinho, agora tem um aliado seu nomeado secretário de Qualificação e Emprego. O vereador garante que esse fato é sim um sinal de quem poderá estar apoiando a reeleição de Wladimir, no entanto, não se privará de criticar o que for necessário. Além disso, segundo ele, dependerá do prefeito o cumprimento de outros compromissos e do aval dado pelo seu líder, Rodrigo Bacellar.
Por falar em Rodrigo Bacellar, ele teve a sua ascensão política avaliada pelo sociólogo e professor da Uenf Roberto Dutra, que também esteve no Folha no Ar da última quarta. Para Dutra, ter Rodrigo hoje à frente da Alerj é motivo de comemoração para a região. “Mostra que aqui se sabe fazer política. Eu acho que é muito bom que a Alerj não seja presidida por um carioca, por alguém que tem uma visão muito bairrista”. Já sobre o cenário a Wladimir na GPP, ele acha que o quadro é muito favorável. “Seria necessário um fator novo, duradouro, como, por exemplo, uma crise fiscal, uma derrubada dos preços do petróleo”, para atrapalhar a reeleição dele.
Quem também esteve no Folha no Ar e analisou o cenário a prefeito foi o diretor do instituto de pesquisa Pro4 e empresário do setor de confecções Murillo Dieguez. Convidado da quinta (23), o colunista da Folha da Manhã acredita que o favorecimento a Wladimir vai enfraquecer quando a campanha começar para valer, inclusive na mídia. “Vão aparecer problemas, o debate eleitoral. Se esse dado eleitoral vai baixar o índice de aprovação, o índice de ótimo e bom, isso cada pesquisa vai revelar o que tem. Quer dizer, se a eleição fosse hoje, Wladimir estaria reeleito. Agora, campanha é campanha”, disse.
Entrevistado dessa sexta (24) no programa da Folha FM, o médico, professor e presidente da Fundação Benedito Pereira Nunes, além de ex-vereador e ex-secretário municipal Geraldo Venâncio também avaliou o nome de Wladimir para 2024. “Eu acho que é uma eleição que vai ser decidida no segundo turno, acho inevitável”, disse, avaliando que critérios terão que ser levados em consideração, como a permanência de um possível entendimento da Alerj e do presidente da Câmara com Wladimir, além do desempenho de candidatos avulsos que já aparecem na pesquisa GPP e outros que vão surgir.