Ponto Final: Votação das contas de Rosinha movimenta bastidores
Rodrigo Gonçalves 15/03/2023 09:25 - Atualizado em 15/03/2023 09:26
Ponto Final
Ponto Final / Ilustração
Prova de fogo
A Câmara de Campos promete viver na sessão desta quarta--feira, às 17h, mais uma prova de fogo da pacificação entre o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (PL). No entanto, se o que está sendo desenhado nos bastidores desde essa terça-feira se confirmar, o clima promete ser menos tenso do que se imaginava sobre a votação das contas da ex-prefeita Rosinha Garotinho (União), relativas a 2016. A véspera da apreciação na Câmara foi marcada por um encontro do filho de Rosinha com o governador Cláudio Castro (PL), a quem Wladimir chamou de amigo e é o responsável pelo acordo selado entre os dois grupos políticos campistas.

De cima
Mesmo Wladimir já tendo a maioria simples na Câmara com 13 dos 25 vereadores, algumas questões dependem de uma base maior, como é o caso da votação das contas da mãe dele, que, para ter revertido o parecer contrário do Tribunal de Contas do Estado (TCE), precisa de 17 votos, independentemente de haver por parte da Comissão de Finanças do Legislativo um parecer favorável à aprovação. Nos bastidores, antes do encontro com Castro, se falava que o prefeito não teria, até a tarde dessa terça, os votos necessários para a aprovação e, por isso, estava tentando, por cima, adiar a votação ou até conseguir reunir o quantitativo suficiente de vereadores.

Clima diferente
Após o encontro no Rio, na Câmara de Campos, o clima já teria mudado nessa terça-feira, inclusive com especulações de que a pacificação pode estar de volta. Vereadores da base do prefeito já estavam apostando acima dos 17 votos. O presidente da Câmara, Marquinho Bacellar, não presidiu e nem participou da sessão dessa terça, chegando após o encerramento e se reunindo imediatamente com os vereadores que formam o grupo da oposição/independentes, que foi desfalcado com a ida à base dos vereadores Nildo Cardoso (União) e Abdu Neme (Avante). A entrada dos dois no governo revelou fragilidades do ex-grupo e a busca por espaço ficou evidenciada.
Impasse
O clima, que já não era dos melhores, piorou com o anúncio de Marquinho, no dia 7 de março, de que as contas de Rosinha entrariam na semana seguinte. O vereador da base Juninho Virgílio (União) disse ter sido surpreendido e chegou a pedir que fosse adiada a votação das contas, mas a presidência da Câmara sinalizou que a Mesa não ia acatar a solicitação. “Não farei parte de uma pacificação que parece que não teremos pacificação”, disparou Juninho. Com a manutenção da pauta e o discurso irredutível de Marquinho, as articulações parecem mais uma vez ter saído da esfera municipal com o novo reforço de Castro.

“Muita calma nessa hora”
Além de Marquinho, outro vereador que não participou da sessão dessa terça foi Helinho Nahim (Agir), que assina o parecer da Comissão de Finanças favorável à aprovação das contas e também estava reunido nessa terça com o presidente da Câmara, inclusive chegando com ele ao plenário. Mesmo se Helinho, primo de Wladimir, desse o voto seguindo o seu próprio parecer, o prefeito seguiria sem votos suficientes. Vereador autodeclarado independente, Helinho se absteve na votação no início de 2021, que suspendeu a reprovação das contas da prefeita pela legislatura anterior, em 2018. Ao ser questionado sobre a votação desta quarta, soltou um “muita calma nessa hora”.

Atestado
Outra ausência na sessão foi a do vereador Marcione da Farmácia (União), que apresentou um atestado médico de três dias, o que o deixaria de fora da sessão para avaliação das contas da ex-prefeita. No entanto, na contagem necessária de 17 votos para reverter o parecer pela reprovação dado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), o líder do governo não descarta a presença de Marcione, já que, segundo o próprio Álvaro Oliveira, o vereador do União teria passado por um procedimento de saúde, que, caso recuperado nesta quarta, não o impossibilitaria de participar virtualmente no sistema híbrido.

Esperança renovada
Se o acordo para a aprovação das contas virá, só nesta quarta deve ser de fato revelado. A custo de que talvez não fique tão claro quanto. Mas, o que se ouviu dos bastidores da Câmara foi uma espécie de comemoração com gritos festivos com a chegada de Marquinho após a tal reunião secreta. A análise feita pelos próprios vereadores, com a votação mantida, Marquinho não sairia enfraquecido e a solução, baseada no diálogo, seria mais alguns edis seguirem o parecer da Comissão de Finanças da Casa e votar pela aprovação. No fim, ainda foi possível ouvir nos corredores da Câmara alguém cantando: “É ela que renova as esperanças”, jingle de campanha conhecido de Rosinha.

E Rafael?
Com as novas movimentações na Câmara, as atenções também se voltam à recomendação do TCE para a reprovação das contas do ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), referentes ao seu último ano de governo, 2020. Elas também têm parecer da Comissão de Finanças da Casa, que manteve a rejeição por 2 votos a 1, segundo informou a Procuradoria Geral da Câmara. Para reverter, seriam necessários, assim como no caso de Rosinha, 17 votos no plenário. Segundo a Procuradoria, o ex-prefeito ainda será intimado a apresentar as alegações finais se manifestando contra o parecer, estando assim as contas aptas a serem pautadas. Agora, é esperar para ver se o acordo a Rosinha valerá a Rafael.

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