Foto: Rodrigo Silveira
Documentário, que estreia nesta sexta-feira (22), homenageia a professora Conceição Muniz, fundadora do curso de Serviço Social da UFF Campos
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A definição de patrimônio histórico nos traz a ideia de algo construído ao longo do tempo que guarda forte ligação com a cultura e com os processos de formação de uma sociedade ou um local. Portanto, não é preciso exagero retórico algum para afirmar que Conceição Muniz — professora e assistente social — seja um patrimônio de Campos e da Universidade Federal Fluminense (UFF). Com 91 anos recém-completados, Conceição foi uma das principais responsáveis pela instalação da faculdade de Serviço Social no município; o que deu origem a UFF em 1962.
Alfabetizada pela própria mãe, Conceição Muniz fez toda a educação básica no Liceu de Humanidades, onde se formou professora em 1949, e acaba de lançar um livro de memórias: “Pelos olhos da alma”. A assistente social convivia com uma limitação visual severa, saindo da visão monocular para a cegueira absoluta há cerca de três anos. Em seu canal do YouTube, em live comemorativa pelo seu aniversário, ela mostra que transforma deficiências em desafios bem vencidos e em felicidades:
— A deficiência visual para mim é sim um problema, é dificuldade; mas são tantas coisas boas que me envolvem, até em função da deficiência me vieram, eu tenho mesmo que dizer que sou, ou melhor, estou uma velha de 91 anos feliz.
Apesar da resistência de Conceição, o diretório do curso que fundou recebe seu nome: Diretório Acadêmico Conceição Muniz. A justa homenagem a alguém que é a memória viva da instituição foi recebida com resistência e humor pela professora, ponderando que locais devem ser nomeados por personagens que já morreram. “Quando soube, eu adverti que não se devia homenagear a pessoa viva, mas não aceitaram; não me obedeceram” disse rindo, “e apesar das minhas restrições eu me vi como o nome do diretório”.
Além de nome no diretório, a UFF Campos lança na próxima sexta-feira (22), um documentário em homenagem aos 60 anos do Curso de Serviço Social, implantado por Conceição Muniz. Com a participação da própria homenageada, das professoras Ana Costa (atual diretora do Campus), Elziane Dourado da UERJ e Rita Márcia Paixão, a produção audiovisual “busca na história dos 60 anos da UFF Campos, jogar luz ao presente”, trazendo a “sabedoria, lucidez e generosidade dessa importante assistente social que implantou a UFF e o Curso de Serviço Social na Planície Goitacá em 1962”.
Programado para as 18 horas do dia 22 de outubro, o documentário estará no ar pelo canal da UFF Campos, através do endereço https://www.youtube.com/watch?v=F-nH4K_VQQc . No YouTube é possível ativar um “lembrete” para a estreia.
Atuação histórica na educação - Conceição Muniz lecionou no Instituto Perissé Duarte e no Jardim de Infância do Serviço Social da Indústria (Sesi). Nesta época, mudou-se para Niterói a fim de estudar na Escola de Serviço Social do Estado do Rio de Janeiro, um dos embriões da Universidade Federal Fluminense (UFF), criada em 1960 como Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uferj).
Depois, como professora da própria UFF, Conceição foi trabalhar como assistente social no Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI), posteriormente Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), onde se aposentou em 1990.