Camelódromo continua sem prazo para entrega
Ícaro Abreu Barbosa 20/03/2021 08:42 - Atualizado em 20/03/2021 09:01
No mesmo ano em que completa seu centenário, o Mercado Municipal de Campos definha sem qualquer sinalização de socorro do poder público. A poluição visual cresce sem proporcionar qualquer tipo de funcionalidade: seja do ponto de vista daqueles que desejam desfrutar do patrimônio cultural ou dos que querem ganhar a vida vendendo seus produtos nas 466 bancas de feira livre, 42 de peixaria e 127 boxes.
Além do abandono na estrutura do Mercado, a obra do prédio anexo – o Shopping Popular Michel Haddad – segue parada. Enquanto isso, os camelôs completam aniversário de sete anos instalados de forma provisória na praça Alberto Sampaio. Eles reivindicam a entrega da revitalização do Shopping Popular, iniciada na segunda gestão de Rosinha Garotinho (Pros), e criticam erros na estrutura improvisada, que resultaram no fechamento de 250 bancas, de acordo com lideranças do setor.
Samir Haddad, de 59 anos, é comerciário há 45 anos, no Shopping Popular. De acordo com ele, “os camelôs que ficaram na parte de trás sofrem quando chove, principalmente com infestações de ratos e baratas, e com a pior de todas as pragas, a falta de movimento”.
Ele explica que o acesso pela parte de trás não foi pensado no espaço da praça Alberto Sampaio, onde os consumidores entram pelo lado do Mercado. Isso levou ao fechamento de “aproximadamente 250 bancas, das 512 que existem aqui”. Entre as bancas que não resistiram, uma era da esposa de Samir.
Na visão dos representantes das chapas que disputam a eleição para presidente da Associação de Camelôs, Paulo Renato e Sandro Carvalho, a principal reivindicação é o fim da obra de revitalização, que chegou a ser retomada em 2019, com previsão de entrega para o segundo semestre daquele ano.
— Nossa esperança é voltar pro espaço original, mas sabemos como é político. Um exemplo é o nosso aniversário de sete anos nesse espaço provisório, enquanto a previsão era que levasse de oito meses a um ano. Viemos na gestão de Rosinha, permanecemos durante o governo de Rafael Diniz (Cidadania), e hoje, na gestão de Wladimir (PSD), esperamos o cumprimento da promessa: concluir a obra ainda esse ano — comentou Sandro Carvalho, de 51 anos, atual representante dos camelôs.
Seu concorrente e colega de profissão, Paulo Renato, de 50 anos, concorda: “Nossa principal diretriz é sair daqui. Não cabe ser feita nenhuma melhoria nesse espaço, não era e nem vai ser definitivo”.
Em nota, a secretaria de Obras, Infraestrutura e Habitação da Prefeitura de Campos informou que: “Devido à falta de investimento na gestão anterior, um novo levantamento está sendo realizado para saber as reais condições do espaço”.

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