Gabriel Torres
16/05/2026 08:19 - Atualizado em 16/05/2026 08:31
Rodrigo Bacellar e Thiago Rangel
O ex-deputado Rodrigo Bacellar (União) e o deputado Thiago Rangel (Avante), ambos de Campos, foram presos no âmbito das investigações da Operação Unha e Carne. A situação jurídica deles, porém, não é a mesma. Contra Bacellar, já foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República uma denúncia por suposta atuação como liderança de um núcleo político ligado a organizações criminosas do Rio. Já no caso de Rangel, as investigações estão em curso e ainda não há denúncia. A Folha ouviu o jurista José Paes Neto sobre os dois casos.
José Paes Neto explica que o processo envolvendo Rodrigo Bacellar está em estágio mais avançado, tendo já denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal. "Isso significa que ele deixou de ser apenas investigado para se tornar acusado formalmente. O próximo passo é o STF decidir se recebe essa denúncia, e só então ele se torna réu e o julgamento tem início", falou.
Já no caso de Thiago Rangel, preso e afastado do cargo na última semana por suspeita de desviar recursos da secretaria de Educação do Estado através de fraudes em licitações e contratações direcionadas, o processo encontra-se em estágio anterior. A PGR ainda não apresentou denúncia e as investigações estão em andamento. "A investigação está em curso, e a formalização da acusação depende da análise do material apreendido nas buscas realizadas há poucos dias", disse.
Rodrigo Bacellar foi preso em dezembro de 2025 na primeira fase da Operação Unha e Carne. De acordo com a Polícia Federal, Bacellar teria vazado informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, contra o CV. O principal beneficiado seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Jóias, apontado como articulador político da facção e preso na Operação Zargun.
Bacellar foi solto por decisão da Alerj ainda em dezembro, mas voltou a ser preso em 27 de março na terceira fase da operação, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, após a cassação do mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no caso da Ceperj.
Já Thiago Rangel foi preso em 5 de maio, na quarta fase da operação, sob suspeita de desviar recursos da secretaria de Educação do Rio. Por determinação de Alexandre de Moraes, sua prisão não pode ser revista ou revogada pela Alerj. Ele foi afastado da função e os funcionários de seu gabinete exonerados.